O ninho

6 O monstro


Notas iniciais
Rodada 6. Tema: Música "Don't be happy" por Mamamoo Letra utilizada: “Não diga que sou sua melhor amiga. Do que você tem medo Que você não pode ser honesto? Só pense nos tempos Que você e eu sabemos Como você pôde jogar fora? Por favor, não me deixe”

Ser rejeitada dói, mas isso ainda pode piorar se houver uma plateia.

— O que você está fazendo aqui, Tiago?

— Mãe! Você está bem?

O quê? Ele descobriu sobre meu recente encontro fracassado? Ele sabe sobre seu pai?

— O que você quer dizer com isso? — pergunto, desconfiada.

— Ontem! Estávamos ao telefone quando você parou de falar e desligou de repente. Você não sabe o quanto fiquei preocupado! Comprei logo uma passagem para cá e te procurei feito louco desde que cheguei.

Fiquei tão aliviada por ele não saber sobre seu pai. No entanto, no mesmo instante, me senti culpada. Há muito tempo, disse a meu filho que seu pai morreu pouco depois dele nascer. Essa mentira me corrói até hoje e é impossível para mim mentir novamente. Afinal, Tiago é meu filho e eu deveria ser a pessoa mais próxima dele, sua melhor amiga. Eu não posso continuar mentindo para alguém que amo, principalmente no estado em que estou. Por isso, seguro a mão dele e o levo até minha cama, onde podemos sentar para conversar.

— Filho, preciso te contar uma coisa. — Ele parece ficar mais preocupado quando falo isso. — Há muito tempo, eu te falei que seu pai morreu num acidente pouco depois de seu nascimento.

— Sim, eu me lembro. Mas por que isso é importante agora? — ele parecia confuso.

— Porque eu... — hesito um pouco antes de falar. — Eu menti. Ele está vivo. Seu nome é Ricardo Gonçalves e ele é o dono desse hotel.

Tiago estava boquiaberto, me encarando. Parecia estar digerindo todas as informações. Permaneço calada enquanto ele pensa, mas minha inquietude é clara. Não conseguindo conter minha ansiedade, abro minha boca para falar, mas Tiago é mais rápido do que eu:

— Mãe, não se preocupe. Eu sei que você só fez isso para me proteger. Ele não esteve presente enquanto eu crescia. Se ele escolheu ignorar a minha existência durante minha infância, não será agora que eu irei procurá-lo. — Mordo meus lábios, envergonhada. Meus olhos estão marejados e posso sentir uma lágrima se formando em meu rosto. Eu sou um monstro. Tiago tenta me consolar, me abraçando e fazendo carinho — Mãe, não precisa chorar! Eu entendo que…

— Tiago, pare! — Agora, as lágrimas saem uma após a outra. — Ele não sabia, está bem? Eu não contei para ele sobre você. Ele não sabe que tem um filho!

Ele me solta abruptamente e afasta-se de mim. Meu filho me encara, incrédulo, como se eu o tivesse traído. E eu certamente o fiz. Sempre soube que eu era um monstro, mas nunca estive preparada para que meu filho me visse assim. Mas, agora, já é tarde demais.

— Tiago, por favor! Me desculpe! Eu posso explicar!

— Não, não, não! — ele grita com seu rosto coberto por lágrimas. — Durante toda minha infância, eu sempre perguntei pelo meu pai! Eu queria saber quem ele era, como ele era, tudo! E agora você me diz que eu podia tê-lo visto com meus próprios olhos? Que eu poderia ter aproveitado um tempo com meu pai como qualquer outra criança? Que poderíamos ter sido uma família normal? Mas você jogou tudo isso fora, sem se importar com a opinião de ninguém! Nem a minha, nem a dele! Como pôde ser tão egoísta?

— Me desculpe. Por favor, me desculpe — eu falo entre um soluço e outro.

— Não, mãe. Eu não posso te perdoar. Eu ainda te amo, mas não consigo te ver ou estar com você nesse exato momento. Na verdade, não sei se algum dia conseguirei. — Ele sai do meu quarto, fechando a porta e me deixando sozinha com minhas lágrimas e meus pensamentos.

Não me importo mais com o dinheiro que gastei com o hotel ou com a lista de sonhos que gostaria de alcançar. Nada disso tem sentido agora.

Chegou a hora de voltar para casa e nunca mais sair de lá.

Notas finais
Drama... Oh, the drama!