Corria com todas as sua força arrastando a pequena como podia, é claro que se a solta se conseguiria se mover mais rápido. Parou e mandou que ela subir em suas costas, novamente voltou a se movimentar, os rosnados e latidos ficavam cada vez mais altos. Sua unica alternativa era usar as ruas ao seu favor, entrou em um beco paralelo e escondeu a pequena atrás de alguns sacos de lixo, murmurou algumas palavras de conforto e voltou a correr. Os homens e os cães continuaram a persegui la, corria com toda sua força o vento frio de inverno era como navalha e a neve queimava seus pés descalços. Mesmo assim o desejo de liberdade era maior, os cães estavam quase a alcançando mas não antes do caminhão que deslizava desgovernado por causa da neve, a colisão era inevitável...

–O que vocês estão fazendo? — Jinx perguntou de uma forma que parecia ser inocente.

–Essa foi a gota d'água chega eu vou matar essa vadia — Vi avançou furiosamente contra a lunática. Jinx soltou uma rajada de tiros contra o chão fazendo a punk parar.

–Ei mãozuda, suas mãos de verdade são tão poderosas como as metálicas?

–São tudo que eu preciso pra quebra a sua cara.

–A é mesmo? Que medinho, seria uma pena se elas não fossem capazes de bloquear meus bebezinho! — Jinx descarregou mais uma rajada, só que dessa vez contra a xerife que se protegeu atrás do sofá. A louca ia fazer o próximo movimento, quando seu celular tocou — Alou? É bom você ter um bom motivo pra atrapalhar meu caos.....aaa é isso...... entendo.... que droga vou ter que brincar com vocês outra hor... — A lunática não completou a frase pois recebeu um soco na cara que a derrubou atordoada.

–Fala muito, agora eu vou deixar sua cara quebradinha. Ei Jinx eu também tenho amiguinhos, dois na realidade. Este aqui chama se "Sua Cara" — A punk deu um soco no rosto da lunática — E este outro chama se "Quebrada" — Investiu novamente.

–Oi Quebrando, ola Sua Cara — Mesmo com o rosto ensanguentado, Jinx não perdia sua ironia — Querem conhecer o Zap? — Ela sacou uma arma de choque e atingiu a delinquente, fazendo a solta la — Hora de ir mãozuda — Deu um chute na barriga da punk, aproveitando para levantar se — Orrevuá mon amour — E sumiu pelos destroços.

–Maldita! — Vi socou o chão furiosa.

–Você esta bem? — Caitlyn foi verifica la.

–Sim, mas já a casa...

–Vamos registra um boletim e tomar os procedimentos necessários.

Enquanto esperavam a chegada da policia, Vi verificou se os seus bebês estavam bem. Por sorte a parte da casa onde eles estavam não foi danificada pela lunática, a delinquente achou engraçado pelo fato de estar na delegacia dando depoimento. O problema agora era que teria procurava uma nova casa, a xerife sugeriu que ela fica se no condomínio mas a delinquente negava, com muito esforço ela aceito mas só por uns dias até encontrar uma nova casa.

Caitlyn voltou para seu cargo alguns dias depois, é claro que passou por um psicologo antes para ver se estava apta. Os agentes fizeram uma pequena festa com o seu retorno, afinal todos queriam sua chefe de volta a operação, a festa não durou muito e todos voltaram ao trabalho. Inclusive a xerife que estava preste a ter uma bela revelação, vinda da sua dupla dinâmica.

–Bem vinda de volta xerife — Tay falou sorridente sentando se na cadeira.

–Agora a delegacia vai andar com a cabeça de todo operação de volta! — James esticou a mão num cumprimento — Uma boa e má noticia.

–Pode falar oficial — A xerife ajeitou se na cadeira.

–C tem feitos alguns ataques com uma frequência maior que o normal. Achamos isso suspeito porque algumas coisas não fazem o estilo dele, desde a fuga com o helicóptero as evidencias que ele esta trabalhando para alguém é bem forte.

–Estávamos determinados a recuperar o microchip roubado, quando descobrimos algo muito interessante nos ataques dele. Aparentemente o nosso bandido segue uma linha de padrões — Tay complementou.

–Fizemos um mapa com todos os ataques dele. Esse aqui foi o do microchip e este outro foi da loja de doces que ele roubou, a dona do lugar foi encontrada morta no dia seguinte — James terminou a explicação.

–Doces? — A xerife perguntou confusa.

–Sim, ele faz alguns pequenos crimes fora do padrão. Não da pra imaginar o motivo, baseados nas ultimas ações dele marcamos alguns lugares onde ele possivelmente pode aparecer — James colocou outro mapa na mesa.

–Achamos que ele possa esta trabalhando para Zaun, já que, atacou alguns laboratórios e centro de pesquisa tecnológicas e este aqui é seu provável alvo mais forte — Tay indicou um ponto no mapa — A Universidade de Tecnologia Hextec.

–Tem outros lugares mas, seguindo os padrões que captamos esse é o lugar mais forte para um ataque — James mexeu no mapa.

–Podemos colocar unidades anonimas em cada ponto, e focarmos mais a Universidade. Devo avisar ao professor Heimerdinge já que ele é o reitor do lugar. — A xerife falou.

–Estamos a frente dele dessa vez, se capturamos ele uma grande porta será aberta — Tay falou empolgada.

–Sim, teremos que ter muita cautela e elaborar uma mega operação — Caitlyn levantou se da poltrona — Depois disso, iremos capturar Jinx. Viva ou morta.

Os passos ecoavam pela madrugada silenciosa, mantinha um ritmo constante. Preferia aquele horário para correr, por que? Não havia pessoas, com seus pensamentos egoísta contaminado as ondas ao redor. Apesar dos prédios, postes e alguns carros a magia noturna tomava conta do lugar, seja ela boa ou ruim. Escolheu o Parque Central, que ficava fechado ao publico durante a noite. Parou, deu uma esticada sentando se em um banco por um momento levou o olhar ao céu estrelado. Tantas memorias vinham com aquele céu, memorias de um tempo diferente... uma garota magrela que vinha caminhando resmungando, não muito longe de onde estava. Pareci que conversava com um tipo de máquina em forma de tubarão, parou em sua frente, o capuz que usava escondia seu rosto mas mesmo assim sentia o olhar curioso da outra fixos no seu. Jinx inclinou um pouco o corpo para tentar ver o rosto do estranho através daquela escuridão, mas sua cabeça baixa e o enorme capuz não permitiam isso. O estranho sorriu, um sorriso familiar, o sorriso de um lobo. Seus instintos gritavam para que recua se, mais a curiosidade em saber quem era aquele tão misterioso estranho era maior, então permaneceu no mesmo lugar. E num movimento rápido ele investiu... abaixando a.

–Cuidado, ela é muito desconfiada — O estranho falou.

Jinx levantou o olhar devagar, realmente tinha se assustado com a ação repentina do outro. Apesar de ainda estar escuro o rosto dele, pode notar que o mesmo tinha um palito de pirulito na boca, e em seu braço esticado uma enorme coruja que a encarava com seu olhar enigmático. Aquele sorriso tão familiar permanecia no rosto. Jinx continuava imoveu no chão.

–Precisa de ajuda? — O estranho perguntou. Mas a lunática nada respondeu — Muito bem então, adeus — Ele se afastou, caminhando pela trilha de concreto daquele parque sombrio.

–Mas o que diabos foi isso? — Jinx se levantou — Parecia com o sorriso dela...

E continuou correndo pelas ruas, trombando com alguns bêbados ou trombadinhas de plantão, nada que o assusta se. Afinal a unica coisa perigosa ali era si próprio. Chegou no destino procurado, deu a volta no grande prédio e subiu rapidamente pelas escadarias até que chegou ao terraço. Caminhou até a sacada e observou o que tanto almejava... sorriu.

Os dois cachorros latiam frenéticos. A delinquente acordou irritada, já tinha rolado na cama com o travesseiro tampando os ouvidos, mas não teve jeito levantou se. Desceu para o segundo andar resmungando, estava escuro mas não se importou em ligar as luzes, chegou até a varanda onde os cães ficavam.

–Bolota, Raje seus infelizes é bom terem um grande motivo para me levantar a essa hor....- A delinquente calou se, quando viu a enorme coruja pousada no muro — Caralho olha o tamanho dessa coruja! É muito grande mano! Mas, era por isso que estavam latindo? Fala serio, xo some daqui animal assustador — Vi tentou espantar a coruja que se mantinha imoveu — Sai voa, anda ou esses cães não me deixaram dormi — A coruja continuou a encara la, depois lentamente virou se e voou — Olha o tamanho das asas desse bicho, caralho muito grande mano. Pronto agora calem a boca.

Vi abriu a porta e deu de cara com um silhueta encapuzada em pé próximo ao sofá. Sentiu seu corpo ficar tenso mas continuou encarando, se fosse alguém iria faze lo se arrepender por invadir seu território. A figura ergueu a cabeça lentamente e um olho de um vermelho brilhante se destacava naquela face negra. Vi fechou a porta imediatamente, respirando rapidamente.

–Caralho caralho caralho caralho! Merda, calma Vi melhor eu ligar pra Caitlyn! — Falou com si mesma — Mas o que irei dizer a ela? Que tem uma criatura assustadora na sala dela e que eu estou com medo? Não deve ter sido minha mente.

Respirou fundo e abriu a porta bruscamente, não havia mais nada la. Exitou em entrar por um momento, tomou coragem e adentrou o recinto cautelosamente. Acendeu as luzes de cada comodo e checou minuciosamente eles, não encontrou mais nada. Voltou para seu quarto, demorou um pouco até que adormece se novamente. No dia seguinte ela se manteve muito seria enquanto lia algumas histórias em quadrinho, a xerife estranhou o silencio de sua parceira. Caitlyn ficou incomodada pela outra estar tão concentrada, gostava do silencio mas, como se tratava de Vi silencio era sinal de coisa errada.

–Vi — Caitlyn chamou. Mas nada da outra responder — VI — falou um pouco mais alto?

–Que? — A delinquente a encarou.

–Tem alguma coisa lhe incomodando?

–Não, por que?

–É que você esta quieta demais.

–Caitlyn, já morreu alguém naquela casa?

–O que?! Que pergunta estranha é essa?

–Já teve algum ritual estranho feito la ou coisa do tipo?

–Claro que não!

–A entendo....

–Por que, algo esta te incomodando?

–Aconteceu uma coisa ontem..... a deixa pra la.

–Fala logo.

–É meio constrangedor, então não!

–Anda Vi!

–Ok, ontem a noite meus cães estavam latindo muito então, fui verificar. Quando cheguei la fora, tinha uma coruja enorme no muro. Tipo muiiittooooo grande mesmo, espantei ela e os cães sossegaram mas quando abri a porta para entrar. Tinha um tipo de silhueta esquisita em pé próximo ao sofá, todo encapuzado! Ai então, ele levantou a cabeça lentamente e um olho vermelho brilhante apareceu, fechei a porta rapidamente quando abri novamente tinha sumido!

–Um ser encapuzado de olhos vermelhos? — Caitlyn não conseguiu segurar a risada.

–Para de rir! É serio! — A delinquente emburrou se.

–Desculpe, eu sei que é — A xerife estava tendo um ataque de risos.

–Pô não te conto mais nada em.

–Desculpe! — Caitlyn estava ficando com o estomago doendo de rir — É que a forma que você falou foi muito engraçada — Conseguiu recuperar o folego, respirou fundo e encarou a punk birrenta — Sabia que você fica fofa emburrada?

–Não fale besteiras! Não estou emburrada! — Vi falou corada.

–Ta certo, ta certo. Agora vamos, porque nosso plantão será estendido.

–Como assim?

–Vamos ficar em vigia de alguns possíveis pontos onde C pode atacar.

–Os ataques dele não são imprevisíveis?

–Exatamente, mas conseguimos alguns possíveis pontos do próximo ataque. Baseamos isso em um certo padrão descoberto a um tempo atrás.

–Hum...tendi. Se você esta dizendo.

As duas se levantaram e saíram da sala rumo ao estacionamento, no caso usariam um carro camuflado. Caitlyn dominava o volante, dirigindo com calma, já a delinquente apenas observava a paisagem através da janela. Vi estava inquieta, talvez ansiosa quem sabe pelo ocorrido de ontem então ligou o som do carro e logo foi repreendido pela xerife.

–Pô Cupcake, deixa eu escutar uma musiquinha.

–Não, estamos em horário de trabalho.

–Como você é chata — A punk voltou a presta atenção na janela — Alias, vai cair um puto pé d'água — Ela olhou para o céu negro — Caralho to com um mal pressentimento.

–Medo do fantasma encapuzado te visitar de novo Vi? — Caitlyn riu — Ainda mais com esse clima.

–Não é isso! Não estou com medo. É só um mal pressentimento....

–Olha Vi, melhor você maneirar nos filmes de terror. Foque na missão, nosso inimigo ainda é um verdadeiro fantasma.

A tempestade realmente estava poderosa, com ventos fortes, trovões e relâmpagos constantes. Estava numa lanchonete a beira da estrada, além de si mesmo havia somente mais um cliente, a garçonete, o caixa e o cozinheiro. Mastigava sem pressa aquela refeição medíocre em silencio, diferente dos outros presentes no ambiente que faziam comentários sobre a tempestade em si. O cozinheiro começou a contar uma história de terror aproveitando se do clima, a garçonete soltou um grito no final e todos riram. Como odiava, aquilo pessoas brincando com o próprio medo, o clima ficou tenso quando as luzes piscaram.

–É já chega por hoje, muito bem gente estamos fechando — O cozinheiro falou.

Todos começaram a se arrumar para sair, algum tempo depois os três funcionários já estavam com suas roupas do dia a dia prontos para fecharem a loja quando avistaram o cliente silencioso.

–Ei, estamos fechados precisa se retirar — A garçonete falou.

Começou a toci com a comida, colocou a mão no peito. Sentia aquela necessidade tomar conta de si novamente, tinha que fazer alguma coisa em relação a isso. E cada vez mais o sentimento crescia.

–Você esta bem? Precisa sair! — A garçonete insistiu. Levantou a cabeça lentamente e a encarou...

Caitlyn observava com atenção as imagens da câmera de segurança, outro assassinato sem motivo. Aquela cidade estava cada vez mais de pernas pro ar, tinha que fazer algo a respeito. Esfregou a testa com as pontas dos dedos, esses pequenos problemas a estava estressando, queria poder se concentrar somente no C e Jinx que são as coisas que realmente estão tirando seu sono. Jayce entrou na sala com alguns papeis em mão.

–Amor, os relatórios das ultimas investigações sobre o microchip desaparecido — Ele colocou os relatórios sobre a mesa.

–Xerife, por gentileza. Aqui é um local de trabalho, oficial — Caitlyn o repreendeu.

–Desculpe, não ira se repetir — O herói aceitou submisso. Apesar da indiferença muito grande na qual ela o tem tratado nos últimos tempos, digamos que as coisas tem melhorado um pouco. Jayce sabia que a xerife estava se esforçando para apaziguar os ânimos em relação a ele — Não tivemos muito progresso infelizmente, e até agora nem vestígio dele nos possíveis locais de ataque. Acho que ele não é tão previsível assim.

–Intensifique as investigações, quero que este caso encerre logo — Caitlyn suspiro pesadamente.

–Sim senhora — O herói se retirava da sala, quando topou com a delinquente que entrava no recinto. A mesma segurava duas caixas nos braços e mastigava uma rosquinha.

–Ta olhando o que? — Vi perguntou de boca cheia.

–Patético — Jayce saiu com seu tipico olhar de indiferença.

–Cara louco, não entendo o que você viu nele — A delinquente sentou se no sofá ao lado da mesa da xerife — Trouxe donuts e alguns cupcakes.

–Hum, esta atenciosa hoje. Preciso de doces mesmo! — Caitlyn pegou uma das guloseimas açucaradas.

–O que ta pegando? Parece estressada.

–Problemas, houve uns assassinatos a alguns dias atrás. Próximo a uma lanchonete, estou estudando as filmagens de segurança das câmeras ao redor.

–Tendi, posso da uma olhada?

–Sim — Caitlyn virou o notebook para a punk, e iniciou o vídeo. Vi observava atentamente a cada detalhe, quando notou algo interessante.

–E esta pessoa aqui? — Ela pausou a cena.

–Também a notei, alguém bem suspeito. Observei outras gravações na qual esta pessoa aparece, por enquanto é nosso principal suspeito. Por estar presente no local no horário onde ocorrerão os assassinatos.

–É obvio que este é o criminoso, olha só moletons cinza com o capuz tampando completamente o rosto..... — A delinquente ficou séria por um momento.

–O que foi? Notou algo? — Caitlyn observava a expressão seria da delinquente.

–Nada, foi só um pensamento de relance.

–Entendo, já coloquei uma equipe para localizar esta pessoa. Esses pequenos crimes realmente estão me estressando — A xerife a encarou novamente — Vi? Você esta bem?

–Hã? Sim, apenas viajei legal agora. Cupcake, quer sair hoje?

–Xerife, por gentileza. Estamos em local de trabalho

–Querida, a parti do momento que você me convidou para ser sua parceira. Me deu o direito de lhe chamar como bem entende.

–Não lembro disso ser parte do acordo.

–Estou fazendo algumas adaptações gata. Só aceita.

–....

–Vamos ao cinema, tem uns filmes legais em cartaz — A delinquente tagarelou sobre os filmes. Até que a xerife se irrita se e aceita se o pedido dela.

O crepúsculo se aproximava lentamente. A brisa quente de verão soprava com delicadeza apesar do local onde se encontrava, sabia que se estivesse mais próximo de uma área verde certamente escutaria as cigarras cantando. Esticou se, fazendo um travesseiro com os braços e cruzando as pernas, parecia não importar se com o fato de estar deitada sobre o parapeito de um dos prédios mais altos da cidade. O grande pássaro apenas observava sem muita emoção seu mestre. Ela jogou uma moeda para cima e pegou a mesma ainda no ar, abriu a mão e olhou o resultado.

–Que sorte, deu coroa... — Sorriu.