O lado escuro da lua
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Autocontrole
O sol já dava sinais que nos deixaria em poucos minutos de dentro da cabana, já estaria totalmente escuro se não fossem os geradores. Foi difícil pra mim deixar o abraço de Charlie quando precisei sair par chegar até aqui, o meu abrigo nas luas cheias. Fechei meus olhos e tentei me concentrar nos sons ao meu redor, utilizando minha audição sobrenatural o máximo que conseguia. Ouvi o barulho de diversos animais como esquilos, cervos, corujas, sapos e diversos outros cujo barulho não consegui identificar. Ouvi o farfalhar da folhas secas sendo levadas pelo vento que vinha do lado oeste. Eu confesso, amava essas habilidades extras e era bem gratificante poder usar e controlar.
Havia um som mais próximo, bem mais próximo. Ele estava a dois metros a minha frente, era algo ritmado, era o melhor som que eu já escutei na vida. O som do coração de Jacob bombeando freneticamente todo o sangue pelo seu organismo. Ele me observava enquanto permanecia sentada na cama, de olhos fechados e mãos fechadas com força na lateral do colchão.
— Dessa parte eu gosto. – suspirei – A parte boa de ser quem eu sou é poder estar ao seu lado sem restrições. – abri meus olhos para encarar ele. – Sem querer ouvi Seth comentar que você estava aliviado de não ter que se controlar o tempo todo pra não me machucar.
— O que exatamente você ouviu aquele linguarudo falar? – sua testa formou um vinco.
— Que você tratava sua ex como uma bonequinha de porcelana, frágil, quebradiça. Que fazia uma força gigante para não machucar ela em nenhum momento. Eu gosto de não ser tão frágil pra você.
Ele entendeu bem sobre o que eu falava. Deixando um sorriso lateral surgir em seu rosto, ah como eu amo esse jeito de sorrir que ele tinha.
— Eu é que tenho que tomar cuidado para não ser uma vítima nessa história. – brincou.
Me levantei disposta a sentir o calor de seu corpo e aproveitar um pouco pra namorar ate a chegada da lua, levando minhas mãos até seus ombros. As mãos dele se fecharam na minha cintura e sua boca tomou a minha. O contato dos nossos corpos já não parecia ser o suficiente e aproveitando que hoje ficaríamos sozinhos ali Jake começou a erguer meu vestido e para ajudar ele eu me afastei um pouco, erguendo meus braços. Meu lado racional sabia que era arriscado, mas eu não conseguia dizer não a ele, principalmente quando suas mãos e sua boca estão em contato direto com meu corpo.
Nossas roupas voaram por aquele lugar e por mais que eu já tivesse me entregado a ele anteriormente daquela vez era diferente. Havia algo estranho no ar. Estávamos na cama, aproveitando o tempo antes da lua cheia para nos amarmos outra vez e estava sendo tudo muito intenso e era algo que parecia agradar a Jacob, ele virou nossas posições e me sentou em seu quadril, encaixando nossos corpos e ditando o ritmo que queria com suas mãos espalmadas em cada lado do meu quadril.
— Meu amor, olha. – Jake apontou para a janela e através dela conseguimos ver parte da lua cheia no céu. Minha mente nublada pelo prazer do momento não me deixou entender o que estava acontecendo. Voltei a olhar ele nos olhos e o vi abrir a boca e fechar os olhos, deixando escapar alguns gemidos enquanto suas mãos apertavam fortemente minha bunda. Chegamos ao ápice juntos, com segundos de diferença. Ofegante, eu me deitei na cama ao lado dele, que tratou de me puxar para o calor e proteção de seus braços. Aos poucos minha mente já clareando enquanto eu entendia o que ele quis me dizer a alguns instantes.
— Eu não me transformei! – arfei incrédula, um sorriso se espalhava pelo meu rosto e não tinha haver com o que tínhamos acabado de fazer. – Jake, eu não me transformei.
Eu me levantei da cama ignorando que estava completamente nua e dei alguns saltinhos em comemoração. Jake apenas se sentou e se escorou na parede – já que não havia cabeceira ali – e cruzando os braços no peito nu falou.
— Parece que o sanguessuga estava certo no fim das contas. –
— Do que você tá falando? – me ajoelhei na cama, o fitando.
— O doutor presas tinha uma teoria, com base em todas as informações que tínhamos. Eu só precisava te distrair, e essa foi a melhor forma que encontrei — confessou, com um sorriso malicioso nos lábios.
A felicidade que eu senti por não ser atingida pela lua cheia acabou naquele instante.
— Você fez o que? – esbravejei
— Te distrai. Te dei muitas coisas para pensar no nas ultima hora no lugar de ficar com medo e esperar pela lua.
— Não acredito que você se arriscou assim propositadamente! Que tipo de problema você tem ? – a essa altura minha voz já estava bem mais alta do que o comum. Eu andava de um lado par ao outro na cabana enquanto procurava pelas minhas roupas. – Eu podia ter te matado! Eu aceitei ficar aqui sozinha com você porque sabia que você me ajudaria a manter o controle depois da transformação, mas você já estava apostando tudo que eu ia me controlar e não me transformar enquanto...Céus, Jacob, eu podia ter te matado!
— Valia a pena o risco. – ele se levantou, tentando me tocar e eu me esquivei. – Nessie...
— Não! NÃO! Se eu te machucar de novo...se eu te matar eu não vou me perdoar, entende isso? Não posso viver sem você! Nunca mais se atreva a arriscar assim.
Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, os braços dele me prenderam junto ao seu corpo, me acolhendo e permitindo tempo para me acalmar.
— Eu faço qualquer coisa que possa te ajudar. Eu sei o quanto você queria seu autocontrole. Eu só não entendia o motivo de não conseguir isso afinal você não é como os outros que encontramos em Nova Iorque. A lua não deveria te dominar, mas dominava. Chegamos a conclusão que tinha haver com todas as emoções que você vem vivendo e principalmente pelo medo. Você tinha tanto medo que a sua mente acabava se entregando aos instintos primitivos, você precisava de uma boa distração para não pensar e ao não pensar, você não se deixou ser influenciada pela lua. Você tem o controle, precisa aprender a usar.
O vento frio invadiu a cabana pela manhã, eu estada deitada lateralmente de frente para a janela e logo senti a ausência típica do calor que emanava da pele de Jacob abri meus olhos o procurando pela cabana e não o encontrei. Saí da cabana e o encontrei encostado em uma árvore, sentado no chão.
— O que tá fazendo? – perguntei ao passar pela porta, cruzando os braços no peito.
— Não consegui dormir, a ansiedade por saber que logo será minha mulher... Tem coisas que eu preciso fazer antes, mas a primeira de todas é saber onde vamos morar.
— Achei que eu iria para Seattle. – murmurei intrigada.
— Seattle não. Não é uma boa ideia levando tudo em consideração. – ele enfiou a mão no bolso da bermuda e tirou de lá uma chave. – Eu fiz um pequeno investimento a dois anos, era para ser do Harry, mas acho que ele não vai se importar se utilizarmos por um tempo antes da nossa casa ficar pronta, isso é, se você quiser morar na reserva comigo.
— Mas, você mora em Seattle, porque me manter aqui? – questionei contrariada. Até parecia que ele queria me esconder.
— Na reserva você teria todos os meus irmãos e cunhadas, além das minhas irmãs de sangue e a Leah. Eles te ajudarão em tudo e você nunca ficaria sozinha, em Seattle eu sou muito ocupado, não tenho como estar de olho sempre em você.
Abaixei minha cabeça, encarando meus próprios pés enquanto desenhava uma linha na terra com meus dedos do pé direito. Eu tinha razão, sair da casa de Charlie não significava estar livre, embora fosse por questões de segurança. No momento em que eu saísse da casa de Charlie seria para ser posta em um modelo distorcido de “proteção a vítima de violência” seria vigiada 24h por todos, mesmo se eu quisesse, e não sei se isso realmente era uma coisa boa.
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