O dom da cura

POV Jacob

Ela não acreditou em mim. Não me deixou falar por mais que eu tentasse, mas eu estava lá. Estava lá a rondando e esperando o momento certo para me aproximar novamente dela, para mostrar que só existe ela na minha vida.

Ver ela beijando o garoto que estudava com ela foi como ter veneno dos frios nas minhas veias. Nunca pensei que pudesse doer tanto assim. A vi entrar novamente na casa e ser seguida por o rapaz. Vez ou outra eu a via passar pela janela, tive a ligeira impressão que ela fazia de propósito pois sempre que passava pela janela estava dançando com um garoto diferente.

— Renesmee! – chamei, havia voltado a forma humana disposto a arrancar daquele lugar e dos braços de qualquer um com quem ela estivesse ficando no momento. Olhei a minha volta e não a vi em lugar nenhum, todos os adolescentes presentes me olhavam com as mais diversas expressões em seus rostos.

— Oi, veio buscar seu filho ou filha? – o único adulto presente naquele lugar vestia um terno, devia ser segurança.

— Vim buscar a sobrinha do xerife de Forks — apontei – Eu sei que esses adolescentes estão alcoolizados, então sugiro que me ajude a encontrar ela, antes que ele venha até aqui e te levo preso.

— Tudo bem, apenas me diga como ela é. – lhe disse suas características físicas e a roupa que ela vestia que era um blazer bege fechado, e eu tinha quase certeza que ela não usava nada pro baixo além da roupa íntima e por isso o meu desespero em achar ela.

— Renesmee subiu a dois minutos, o Lucien foi com ela. – disse uma garota loira baixinha. – Acho que eles estão ficando.

— Não se eu puder impedir. – rosnei abrindo espaço entre os corpos até chegar na escada que dava acesso ao primeiro andar.

Vasculhei todos os quartos, ela não estava em lugar nenhum. Olhei pela janela que dava vista pra piscina e vi ela sorrindo e acenando pra mim, muito bem sentada em uma das cadeiras ao redor da piscina. Ela havia mandado a garota dizer que ela tinha subido com o menino, ela queria me provocar e havia conseguido.

Desci feito um animal furioso, Renesmee não tinha ideia de como eu posso ser ciumento.

— Gostou do tour pela casa? – ela provocou, sarcástica.

— Se queria me deixar com raiva, conseguiu. – rugi me aproximando dela a passos largos, ela se desviou e correu pro outro lado da mesa e eu até podia prever o jogo de gato e rato que ela ia me obrigar a fazer. – Vem, vou te levar pra casa.

— Não vou a lugar nenhum com você.

— Ah, você vai sim. – dei um passo em sua direção e o vento soprou, trazendo o cheiro do inimigo. – Entra, fica com seus amigos. – ordenei, vendo o medo passar pelo seu rosto.

Corri e pulei o muro em direção a floresta, não dando tempo de ouvir a resposta dela. Comecei a tirar minha roupa e quando a transformação já acontecia eu a vi chegar e se posicionar ao meu lado.

— Posso estar com raiva de você, mas não vou te deixar sozinho nessa. – meu primeiro instinto era brigar e mandar ela voltar, mas não o fiz, sabia que ela não obedeceria e também sabia que ela era forte o suficiente para conseguir se defender mesmo não tendo treinamento nenhum.

A criatura se mostrou a nós com uma contração estranha nos lábios, deveria ser um sorriso mas não era, estava mais para presas amostra.

— Então, você é a fonte desse cheiro misterioso. – ele cheiro o ar – Imagino como seu sabor deve ser impecável. – o desejo pelo sangue era explícito em suas palavras, eu avancei sobre ele.

Por algum tempo, ficamos trocando golpes. Ele tinha vantagem, afinal não se cansava. Mas eu já havia conseguido arrancar um de seus braços quando ele me chutou nas costelas, quebrando todos os ossos do lado direito.

— Não! – escutei Renesmee gritar no instante em que senti os dentes do frio no meu pescoço, ele agiu mais rápido aproveitando-se do fato de que eu estava sozinho e procurava defender Renesmee o tempo inteiro.

Senti os dentes da criatura rasgando a minha pele, senti o veneno dele invadir o meu sistema e então eu sabia que era meu fim. Só lamentava não ter tido a oportunidade de me reconciliar com ela. Eu morreria com a mulher que eu amo com raiva de algo que eu não fiz. Havia sido uma semana tão agitada, que eu se quer tinha pegado no meu celular até o momento em que ela viu as malditas fotos que Grace tirou propositadamente.

Meu sangue estava queimando.

— Você vai pagar por isso. – Renesmee tinha os olhos azuis intensos novamente, essa era a uma das particularidades que havíamos descoberto sobre ela, sua natureza única não a deixava escrava da lua cheia, ela podia se transformar a qualquer momento se houvesse emoções fortes.

Eu a vi rasgar e dividir o sanguessuga em vários pedaços.

— Jake, Jake, por favor não me deixa. – me senti sendo puxado para ela, senti um líquido quente pingando e soube que era das lágrimas dela. Minha visão já havia escurecido, meus sentidos extras já não funcionavam e quase não sentia mais o meu corpo. Eu estava morrendo.

— Nessie, você precisa fazer isso. – Aquela era a voz de Bella? Eu não sabia, na verdade haviam várias vozes e eu já não conseguia identificar nenhuma delas mais.

— Eu não consigo, Seth. – alguém chorou.

— Você precisa, Nessie. Precisa fazer isso ou ele vai morrer mesmo.

— Vamos, é simples, apenas coloque as mãos encima do coração dele. – uma mão macia me tocou, também senti algo frio me tocando. – Concentre-se no que você quer. O que você quer, Renesmee?

— Eu quero que ele viva!

(...)

Ao abrir meus olhos novamente, eu demorei a entender que estava na casa dos Cullen. Não conseguia me mexer.

— Mantenha a calma, Renesmee ainda não tem prática mas conseguiu evitar o pior.- o leitor de mentes falava. – Ela realmente deve te amar muito.

Onde ela está? – incapaz de mexer qualquer coisa além dos meus olhos eu me aproveitei dele para obter informações.

— Escola, Liz a levou quase que arrastada. Faz dois dias que você apagou, elas recusava a sair do seu lado mas Charlie iria suspeitar que ela não fosse novamente a escola.

Ela me curou?

— Sim, ao menos te livrou da morte certa. Ela é mesmo uma criatura única. Não a nenhum vestígio do nosso veneno em seu corpo, logo você deve estar totalmente recuperado, eu acho.

— É, Jake, você é mesmo um grande sortudo. – Bella surgiu sei lá de onde, indo quase desfilando até o marido.

Fechei meus olhos novamente, mais aliviado por entender o que tinha acontecido eu deixei que a escuridão tomasse conta da minha mente novamente. Quando acordasse, eu já deveria ter recuperado o controle do meu próprio corpo.