O medo de perder, ele revela coisas

Não sei dizer ao certo como aconteceu, eu apenas deixei o instinto de predador me guiar, eu fui no limiar entre a fera e a humana. Quando eu vi Jacob sendo mordido após evitar inúmeras vezes que o vampiro chegasse até mim, mesmo eu tendo dito que queria ajudar eu lembrei-me das palavras de Leah quando conversamos sobre os riscos do imprinting do Seth pela Liz “ Se ela o morder, ele morre. O veneno deles é letal para nossa espécie” e aquilo bastou para que eu deixasse a fera comandar, o destruí em pouco tempo e mais alguns segundos vampiros e lobos se apresentavam ali no meio das árvores, a essa altura estávamos a uns dois ou três quilômetros dentro de mata fechada.

— Jake, Jake, por favor não me deixa – implorei trazendo seu corpo para próximo ao meu, eu não suportaria perder mais ninguém. Eu não suportaria perder ele.

O vampiro loiro, o médico disse que havia chances. Eu era a chance de Jacob. Ele se abaixou a minha frente, me dando orientações. Tudo o que eu precisava para acessar a magia de cura que havia em mim era o desejo. O desejo de manter a vida dele.

— Nessie. Você precisa fazer isso. – disse Bella, visivelmente angustiada ao ver aquele que um dia foi seu amigo morrendo em neua braços.

— Renesmee, por favor. Se concentra, você precisa fazer isso. O Harry precisa do pai vivo, você precisa do Jacob em sua vida. Vocês ainda tem muito para viver, ainda vão brigar e reatar muitas vezes. Mas você precisa se esforçar, precisa trazer ele de volta pra gente. – Seth apelava

— Eu não consigo, Seth. – balbuciei com dificuldade.

— Sai da minha frente, Quil! – gritou Leah tentando passar pelo lobo que dificultava sua passagem. – Sam, me deixa passar. Manda ele sair da minha frente – ela pediu ajuda.

Eu se quer havia percebido que um a um os Quileutes chegavam na tentativa de proteger, de fazer alguma coisa pelo seu amigo, seu alfa, seu irmão.

Ouvi rosnados, Embry e Quil começavam a brigar em forma de lobo

— Parem já com isso! Não é hora de disputa pessoal – Sam ordenou e eles se acalmaram, Leah se ajoelhou em frente a Jacob. Ela levou as duas mãos a boca, chorando.

– Você não pode nos deixar seu imbecil, você me prometeu que íamos criar o Harry juntos, que nunca deixaria seu filho sem um pai presente então seja forte, aguente firme. Você é o neto de Ephraim Black, não vai deixar o sanguessuga tirar sua vida. Lute pelo seu filho! – seus olhos focaram nos meus – Lute pelo seu imprinting! Você tem que ajudar ele, Renesmee. Você pode ajudar. Você precisa, Nessie, precisa fazer isso ou ele vai morrer.

— Eu...eu não sei como fazer. – já começava a sentir o corpo dele mais frio.

— O coração dele. – três vampiros falaram ao mesmo tempo. Todos os que estavam em forma de lobo uivaram.

— De jeito nenhum, não vai morrer assim. – Leah começou a fazer massagem cardíaca. – Sam, me ajuda! Eu não posso deixar você ir. Fique Jake, nos precisamos de você. Seu filho precisa de você.

Eles conseguiram fazer o coração dele voltar a bater. Carlisle se abaixou a minha frente, Leah cedeu espaço.

— Vamos é simples, apenas coloque as mãos encima do coração dele. – o Doutor me disse e levou minha mão até lá, com a sua mão fria encima da minha. Concentre-se no que você quer. O que você quer Renesmee?

— Eu quero que ele viva! – falei sufocada. E algo estranho aconteceu, senti uma troca de energia entre nós dois. Aos poucos fui sentindo a temperatura de Jacob voltar ao normal, assim como sua respiração e batimentos cardíacos.

— Obrigada, obrigada. – Leah agradeceu, deitando a cabeça encima do peito de Jacob para melhor ouvir o coração.

Aparentemente, eu não fui a única a ficar incomodada com o gesto dela. Ergui meus olhos procurando pelo lobo cinza com manchas pretas e não obtive sucesso. Embry também tinha se incomodado com o desespero de Leah. Não parecia ser algo só de amigos, conforme ela e Jacob enchem a boca para falar. Mas, não era hora e nem momento de levantar esse tipo de questionamento.

Ficamos assim, naquela posição estranha. A cabeça de Jacob sobre as minhas pernas. Enquanto Leah se debruçava sobre o peito dele.

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Rachel queria o irmão na reserva, mas Billy concordou comigo quando pedi para que ele ficasse na mansão Cullen, onde Carlisle poderia ficar de olho nele vinte e quatro horas. Alice e Esme providenciaram um quarto pra ele e pra mim também, eu dormia bem ao lado dele, atenta a qualquer mudança que pudesse acontecer.

— Oi Nessie – Seth entrou no quarto, carregando uma bandeja com biscoitos, bolo e pães recheados, além de suco e Iorque natural. – Esme me pediu pra te entregar isso, disse que você se recusou a comer.

— Não tenho fome – dei de ombros. – Eu só consigo pensar que ele já devia ter acordado, se eu tivesse feito as coisas certas ele estaria acordado.

— Você fez o certo, caso contrário ele teria morrido. O coração dele não teria aguentado. O corpo dele só está tentando se recuperar de todo o estrago que veneno fez no organismo dele. – Sem aproveitou que eu estava sentada na poltrona e colocou a bandeja em meu colo. – Coma alguma coisa, não precisa ser muito. Apenas para se manter de pé, ou ele nos mata se souber que te deixamos sem comer.

Pela janela, eu conseguia ver a água da chuva que escorria. Peguei um pedaço do bolo e deu uma pequena mordida enquanto mantinha meus olhos na janela.

— Seth, você também percebeu que a forma como a Leah chorava pelo Jacob não era apenas algo de amigos, não é? – ele baixou a cabeça, encarando o chão e assim confirma minhas suspeitas.- E se ela gosta dele, então talvez não tenha sido algo só de uma noite como eles me contaram.

— Não sei te responser isso, e mesmo se soubesse não responderia, Leah é minha irmã. Mas você é o imprinting do meu alfa. Existe um pequeno conflito de interesses nesse caso, mas se minha opinião vale de algo, não precisa se preocupar. Leah e Jacob só tiveram uma noite mesmo, quando ele acordar ele ou ela podem te explicar melhor, eu prefiro não saber da vida privada da minha irmã.