O lado escuro da lua
24 22
Eu não tenho namorado
Pov Renesmee
Jacob nem terminou de olhar as fotos, só as que eu vi eram sete mas deviam ter mais. Ele largou o aparelho na cama e veio em minha direção, estiquei meu braço em uma tentativa de não deixar que ele se aproximasse mais.
— Não toca em mim! – o adverti, tentando conter meu tom de voz para não gritar e atrair a atenção indesejada de Sue e do pequeno Harry. – Vai embora
— Renesmee eu posso explicar.
— Não! Você não pode explicar porra nenhuma! Eu não quero explicações, está claro pra mim. Enquanto eu estava aqui, morrendo de medo de virar lanche de vampiro você estava se divertindo com a futura cirurgiã mais bonita de toda Seattle, tenho que admitir, você tem bom gosto.- cuspi as palavras enojada. – Eu já entendi foi com ela que você passou o dia quase todo em Seattle, por isso chegou com o cheiro de perfume feminino.
Peguei o frasco do meu perfume favorito e arremessei em direção a sua cabeça, ele desviou e o frasco se partiu em mil pedacinhos espalhados por todo o meu chão. O cheiro de perfume preencheu todo o quarto, e aquilo doeu no meu nariz.
— Vamos sair daqui um pouco – ele falou ao perceber o meu desconforto – Podemos conversar em outro lugar.
— Eu já disse pra não me tocar! – dessa vez eu gritei e dei uma cotovelada em seu peito.
— Droga, Nessie! Doeu!
— O que está havendo aqui? – Sue perguntou ao abrir a porta do meu quarto.
— Nada Sue, apenas uma discussão de casal. – responde Jacob
— Casal? Não existe mais nenhum casal aqui! Eu não sou nada sua Jacob Black! – fui pra cima dele, lhe dando tapas e chutes onde conseguia alcançar enquanto ele tentava desviar ou me segurar sem obter muito sucesso em suas falhas tentativas.
— Melhor você ir embora, Jacob. – Sue enfim voltou a falar. Jacob havia conseguido me segurar e derrubar sobre a minha cama, usando seu peso para que eu não conseguisse sair.
— Já vou.
— Sai de cima de mim, agora! – tentava me soltar sem sucesso. Ele me soltou, indo direto para a porta quando minhas mãos se transformaram em garras horrendas.
— Nessie, fica calma, eu já estou indo. – disse com a mão pra cima como alguém que se rende. – Sai daqui também, Sue.
Eles saíram fechando a minha porta. E eu fiquei encarando minha mão que agora era uma garra. Eu conseguia ouvir ele conversando na cozinha com Sue, explicando o que havia acontecido e depois sair. Vi seu celular encima da minha cama, minhas mãos voltaram a serem apenas mãos e eu peguei o aparelho descendo as escadas correndo para entregar a ele.
— Não esquece isso, aproveita para mandar imprimir alguma dessas fotos, assim você pode admirar mesmo longe do celular.
Joguei o celular para ele, que o pegou e o apertou em sua mão. Eu ouvi o barulho do metal sendo imprensado e do vidro do visor esfarelando.
— Quando estiver calma a gente conversa. – ele disse me fitando. Parecia com tanta raiva quanto eu mesma.
~~☆~~
Leah tinha vindo falar comigo um pouco antes de Charlie chegar em casa para o jantar de noivado do Seth, ela acabou me convencendo a não deixar meu tio saber que eu e Jacob tínhamos terminado antes de 24h, até porque precisaríamos de uma desculpa para que eu saísse de casa na próxima lua cheia. Não podíamos dizer novamente que Claire e Quil terminaram.
Enquanto Leah, Sue e Embry arrumavam a mesa eu e Harry brincavamos de carrinho no chão da sala. Hoje seria o grande dia onde Elizabeth estaria frente a frente com o avô, fiquei imaginando como seria para ela estar frente a frente sem poder dizer que compartilhavam o mesmo DNA.
Charlie e Seth chegaram quase ao mesmo tempo. Incrível foi olhar para Seth e Liz e constatar que suas carícias já não me causavam nenhum tipo de sentimento ruim. Eu simplesmente não me importava, pelo contrário, estava até achando que eles formavam um belo casal.
— Então, o Edward ele conseguiu seguir a vida normalmente? – Charlie interrogou olhando diretamente para Liz.
— Não cheguei a conhecer sua filha, Charlie. Meus pais não tinham me adotado ainda na época do casamento, mas Alice e Rosalie sempre me falaram do amor que ele tinha por ela. Edward a ama infinitamente até hoje.- ela responde fitando Charlie – Ele sempre diz que ela foi a melhor coisa que aconteceu na vida dele.
— Quer dizer que ele não se casou? Não tem ou teve nenhuma outra namorada todo esse tempo? – desdenhou, Charlie costumava culpar Edward pela “morte” da filha e não estava de todo errado.
— Na verdade ele se casou a uns três anos. Mora na Rússia agora. – as mentiras são tão bem ensaiadas até mesmo confundiram a mim, que sabia que Edward e a própria Bella estavam apenas a poucos quilômetros a leste daqui.
— Quem diria que uma Cullen ia entrar novamente em minha vida – falou tristemente. – Renesmee não acha que Jacob esta demorando demais?
— Já cheguei, chefe. – responde o próprio Jacob entrando na casa, se abaixa para dar um beijo na testa do filho e acaba se aproveitando da situação para selar seus lábios nos meus. Leah já havia lhe dito que eu tinha topado não contar a Charlie que já terminamos o que mal começamos.- Sue, sua comida está muito mais cheirosa do que o de costume.
Durante todo o restante do jantar, o foco ficou no que devia ter sido desde o inicio: o noivado de Seth e Liz, que logo seria a união oficial dos mesmos. Os Cullen iriam embora assim que soubessem que eu estava totalmente sobre controle, mas ela ficaria por mais algum tempo. Jacob não teve nova oportunidade de me beijar ou entrelaçar sua mão na minha pois mesmo estando sentada ao seu lado para evitar perguntas de Charlie, eu me esquivava de cada toque dele.
— Eu acho que vocês formam um belo casal – Leah falou se referindo a Seth e Liz – Eu confesso que estava errada sobre você Liz. – Seth sorriu satisfeito com a declaração da irmã. – Aliás, eu acho que poderia haver um casamento duplo. O que acha da ideia, Renesmee?
Engasguei, Sue que estava do meu lado direito deu tapinhas nas minhas costas.
— Acho que Embry deveria pedir a sua mão antes – revidei, se era esse jogo que ela queria brincar ela devia saber que perderia fácil..
— Bem, nesse caso seria um casamento triplo. – ela continuou.
— Ah sim, havia me esquecido que a Claire e o Quil estão noivos novamente. Mas, eu acho que Liz não gostaria de dividir o seu dia especial com mais duas noivas, mesmo que uma delas seja a cunhada. – Embry virava o copo com suco em sua boca, na tentativa de parar de tossir pelo nervosismo. Olhei sugestivamente para Liz, que pareceu entender o que se passava ali.
— Está certa, Leah e Claire que me desculpem mas o dia do meu casamento eu sou a única que vai brilhar. – Seth beijou a mão dela nesse instante.
Quando todos foram embora, eu voltei para o meu quarto e a primeira coisa que fiz foi trancar minha janela. Eu podia ouvir toda a movimentação lá fora, podia ouvir os assobios de Jacob e vez ou outra ouvia um uivo mais distante de alguém que tentava também chamar minha atenção para a janela, mas não fui até lá. As únicas opções que o Black tinha nesse momento era voltar para casa ou passar a noite ao relento, aqui ele não ia entrar.
~~☆~~
Enfim, eu estava finalmente livre do meu castigo dado por Charlie. Alguns amigos iriam até Port Angeles hoje, e eu confirmei minha presença. Eram amigos humanos e era exatamente de momentos comuns e humanos que eu estava precisando. Eu evitei Jacob durante todos esses dias com bastante êxito.
A festinha era de uma prima de Vivian, a casa estava liberada e de Forks, além de mim, só estavam a Vivian, a Cristine e o Lucien. Suguei a bebida do meu copo através do canudinho e senti de imediato o gosto de bebida alcoólica misturada ao coquetel de frutas.
— Isso tem vodka – apontei, sentindo o líquido queimar na minha garganta.
— Não conta pra minha mãe – Vivian pisca pra mim, dando a entender que ela havia feito isso.
— Deixa eu experimentar. – pediu Cris, e eu lhe entreguei meu copo – Que delicia. – ela disse após um longo gole.
— Vai buscar a sua bebida – retruquei pegando novamente meu copo.
Já estava bem tarde e a maioria ali tinha aproveitado a ausência de adultos para beberem o que bem entendiam e na quantidade que queriam. Meus pés estavam dentro da água da piscina, a noite estava relativamente quente e lá dentro estava ainda mais quente. Ouvi os passos de alguém, ao olhar para trás eu vi Lucien se aproximando com dois copos na mão.
— Trouxe pra você. – ele diz, estedendo o copo vermelho pra mim é eu recebo, bebendo um pouco. – Eu estava mesmo esperando uma oportunidade pra ficar a sós com você. – ele confessa
— Vou querer saber o motivo? – indaguei. Lucien se senta ao meu lado e sem me dar tempo de reagir me beija. Eu fico parada, sem reação. Ele já havia mostrado interesse outras vezes, mas sempre procurava desviar o assunto para não chatear ele que era um dos poucos amigos humanos que eu tinha por aqui.
Na floresta, atrás da casa onde estávamos um lobo uivou, um barulho muito parecido com um animal ferido. E claro eu sabia exatamente quem era o lobo em questão e o que estava fazendo tão perto daquela casa. Me afastei de Lucien, me levantando.
— Você não devia fazer isso – resmunguei. – Eu, eu não posso.
— Tem namorado? – ele quis saber. – Deve mesmo ter, linda como é não seria surpresa alguma.
— Eu não tenho namorado, Lucien. Isso não quer dizer que eu queira ficar com você.
Ainda estava furiosa com Jacob. As imagens de Grace seminua usando uma lingerie sensual vermelha no celular de Jacob não saia da minha mente. Mesmo assim, mesmo não pretendendo voltar com ele eu não conseguia mais me imaginar com outra pessoa. Pelo visto o imprinting não é algo unilateral, eu estava começando a entender que também o amava, o que não quer dizer que ele vá saber disso ou que iremos voltar.
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