O lado escuro da lua
9 08
Cinema, moto e Jacob Black
Não fazia ideia de qual filme Claire gostava de assistir, mas sabia que não seria em Forks, seria em Port Angeles. Lá fora a temperatura tinha despencado para 15° C, não era pra menos já que estávamos em Dezembro. Mal podia esperar pela semana sem aulas que estava por vir, talvez eu aproveitasse para ir a Denver, se Charlie permitisse é claro.
Devidamente vestida dos pés a cabeça para me proteger da noite fria lá fora, eu desci e me deparei com Leah e Embry sentados no sofá da sala com Harry no colo de Embry. Ela podia não morar realmente aqui, mas quase sempre estava aqui e era justificável que ela trabalhava muito – biomédica – e o menino ficava sempre por aqui.
“ O Jacob acaba com você ” a ameaça de Claire direcionada a nossa professora de química não me saia da cabeça durante todo o dia. Comecei a me questionar sobre o que podia estar acontecendo em Forks, deveria confrontar eles diretamente, mas algo me dizia que eles não iriam me contar nada.
Resolvi que iria prestar mais atenção nas coisas, tentar montar esse quebra-cabeças que tanto me atormenta.
Claire e Quil vieram me buscar no carro do Quil, estranhei a presença de dois capacetes no banco de trás do veículo, deduzi que Quil devia ter uma moto e por isso não questionei, para minha surpresa ele estacionou na saída da cidade.
— Por que paramos aqui? – questionei. Claire tira o cinto apenas para poder se virar no banco para olhar diretamente pra mim.
— Você não vai com a gente. – disse ela friamente, pegando uma jaqueta no banco de trás que estava junto aos capacetes.
— Como assim não vou com vocês? – Quil me olha através do retrovisor central, percebo que ele tenta cobrir a boca com uma mão, disfarçando um sorriso.
— Charlie não deixaria você vir se soubesse que a ideia era ir de moto- disse Claire tranquilamente, descendo do veículo junto a Quil.
Ele abriu a porta do meu lado e me ajudou a descer, pegando um dos capacetes e entregando a Claire. Ela colocou a própria jaqueta e subiu o zíper.
— Não estou entendendo nada. – resmunguei, e então duas motos pretas Kawasaki Ninja 650 pararam ao lado.
Jacob e Paul as guiavam, Paul desceu e me passou o capacete dele, jogou as chaves da moto para Quil e recebeu as do carro.
— Esteja aqui em quatro horas. – disse Jacob, como um comando.
— Divirta-se cunhado
— Vocês três só podem ter perdido o juízo! – esbravejei – Eu não vou subir nessa moto, vou voltar pra casa.
Tentei voltar para o carro, e fui barrada por Jacob que se colocava na minha frente impossibilitando que eu entrasse no carro de novo. Não faço a menor ideia de como ele conseguiu se mover tão rápido
— Sai da frente – ordenei
— Eu vi seus olhos brilharem para a moto. Você vai se divertir, eu prometo.
O Black foi tão intenso em suas palavras que acabei aceitando em ir com ele naquela máquina de duas rodas. Coloquei o capacete que antes estava com Paul, Jake me ajudou a colocar colocando suas mãos sobre as minhas. Pela primeira vez eu percebia que ele era tão quente como Seth.
Era estranho demais para ser só uma coincidência.
Havia algum muito estranho em todos eles, e eu só começava a enxergar isso agora.
Precisava descobrir o que era e eu iria descobrir.
— Não se preocupa, confia em mim. – Ele falou sorrindo, enquanto colocava o próprio capacete.
Quil me ajudou a subir na moto.
— Segura firme nele, ok? – ele indicou. Assenti, sem muita vontade e logo senti as mãos de Jacob segurando as minhas e as colocando em torno da sua cintura. Se não fosse o capacete, todos veriam o quanto eu estava vermelha nesse momento.
Tive medo no início, nunca havia andando de moto antes, meu estômago revirava em protesto e medo. Sempre quando Jacob acelerava mais um pouco, eu me apertava mais contra seu corpo e ele acabava diminuindo a velocidade. Ele e Quil pareciam estarem disputando um com o outro, mas sempre acabavam reduzindo a velocidade.
Quando eles enfim pararam as motos, Quil veio rápido em minha direção para me ajudar a descer, a bota ainda atrapalhava meus movimentos e eles percebiam que eu tinha medo de me machucar.
— Gostou do passeio? – ele perguntou gentil, colocando nossos capacetes presos a moto.
— Um pouco frio demais para andar de moto, mas até que foi divertido.
— La dentro você vai ficar mais quente. – ele garantiu, mordi meu lábio inferior.
— Menos, ok? Eu só aceitei vir hoje por insistência da Claire.
— Eu só quis dizer que lá dentro é mais quente, não quis insinuar nada – ele da de ombros. — Nunca faria nada que você não desejasse.
Sai de casa essa noite sem nenhuma expectativa para divertimento. Queria apenas agradar minha nova amiga e seu namorado que sempre me tratavam muito bem, inclusive hoje. Não imaginei que pudesse me dar bem com Jacob, até então nunca tinha olhado realmente para ele sobre a perspectiva de alguém que poderia ser meu amigo.
Ele era um cara legal.
Mesmo o filme escolhido sendo de terror, ele me fez rir várias vezes durante o mesmo deixando claro que os efeitos especiais do filme eram ridículos e apelativos.
O filme durou uma hora e meia, como tínhamos combinado com Paul de voltarmos dentro de quatro horas e levando em consideração o tempo de viagem eu sugeri que fossemos logo embora, Claire interferiu e disse que já havia conversado com Paul e ele só iria buscar a moto e entregar o carro quando chamássemos ele, não queria abusar da boa vontade dele mas tanto Quil quanto Jacob disseram que Paul devia alguns favores a eles, e estava na hora de pagar.
— Deveríamos ir comer alguma coisa – sugeriu Quil – Estou faminto
— Você comeu sozinho um balde de pipoca grande e um litro de coca – acusei
— Acredite, se ele disse que está com fome, ele está. – Claire fala em meio ao riso, está abraçada lateralmente com ele.
— Eu também estou com fome – disse Jacob. – Conheço um bom restaurante aqui perto
— Vamos pra lá então. – Claire fala
Quil deixa cair algo e se abaixa para pegar. Ele fica de joelhos de frente a Claire e abre uma caixinha deixando amostra um anel lindo de noivado. Claire leva as duas mãos a boca, seus olhos alagam instantaneamente.
— Quer se casar comigo, ursinha?
No meu ponto de vista era absurdo pensar em casamento apenas com dezessete anos. Principalmente quando eles só namoram a uns quatro meses.
— Quero, quero muito. – Quil coloca a anel no dedo dela, se levanta e a puxa para um beijo apaixonado , chegando a levantar ela do chão nesse momento. – Eu amo você, Quil. Sempre te amei.
— Eu amo você, mais do que qualquer coisa, sabe disso. – tinha que admitir, era uma linda cena.
— Claro que eu sei, eu sou o seu imprinting— ela deixa escapar um termo que não conhecia até então.
— O que é um imprinting? – perguntei curiosa.
— Imprinting é como o nosso povo descreve a forma mais pura de amor, um compromisso de almas- Jacob explica. – Parabéns irmão, que essa união seja eterna como tem que ser. – parabenizou Quil e a Claire na sequência.
(...)
Paul já esperava pela gente quando chegamos na entrada/saída de Forks para Port Angeles. Dessa vez foi ele que me ajudou a descer.
— Eu te ajudo com isso – Jacob fala, novamente em um tom que ditava uma ordem. Paul que estava tentando me ajudar a tirar o capacete se afasta na hora quando ele diz isso.- Enfim, gostou de hoje?
— Foi divertido – respondi, comprimindo os lábios.
— Podemos fazer mais vezes. – ele fala, abro a boca para responder que "talvez sim", mas os olhos dele focma em algo dentro da floresta – Isso só pode ser piada. – ele rosna e rapidamente me puxa para trás em uma posição defensora, percebo que Quil faz o mesmo com a Claire.
Os três homens estão meio que curvados para frente e rosnam como animais ferozes, ao mesmo tempo em que começam a tremer convulsivamente.
— jake...- tento chamar, toco seu ombro e no segundo seguinte sou puxada para trás por Claire.
— Só fica longe, não fica com medo. – ela pede – olha só pra mim – Claire tenta segurar meu rosto, tentando me impedir de olhar. É inútil pois me viro rápido e consigo ver a tempo os três morenos explodirem em forma de três lobos gigantes. – Eles não vão te machucar. – ela me segura, me levando para dentro do carro, nos trancando ali dentro.
Um cara extremamente pálido sai de dentro das árvores, suas roupas velhas parecem de um século passado. Seu cabelo emaranhado e suas roupas foram o que menos chamou minha atenção.
O pior estava em seus olhos, que possuíam um tom vermelho vivo.
— O que tá acontecendo? – consegui enfim questionar.
— Não queríamos que descobrisse assim, me desculpa, não era essa a intenção da noite. – ela choramingou – Vai ficar tudo bem, é um só e eles dão conta.
— O que ?
— Eles são lobisomens Renesmee e aquilo é um vampiro.
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