Lobo (mau)?

— Eu só quero a garota – consegui ouvir claramente a voz do homem pálido, sua voz era suave, agradável aos ouvidos. Ele apontou em minha direção e seus olhos rubis se prenderam aos meus. – Ela tem o cheiro tão bom , depois eu vou embora.

Os lobos o cercaram como a uma presa.

Claire apertou o botão e os vidros do carro subiram, não permitindo que ouvíssemos mais nada do que ele dizia.

— Vou tirar a gente daqui – Claire falava, e parecia tão calma como se nada demais ou anormal estivesse acontecendo diante dos nossos olhos.

Quando o carro se moveu, um dos lobos foi arremessado contra o carro, fazendo-o rodar na estrada deserta até bater em uma árvore. Eu estava em choque, petrificada no lugar e agarrada ao banco do carro onde eu estava.

— Ah meu Deus, Quil! – Claire grita, vejo que ela está com um pouco de sangue escorrendo da sua testa pois com o impacto ela tinha batido a cabeça no volante mas não se importava consigo mesma, ela estava de olho no lobo que tinha sido arremessado em nossa direção.

O lobo com cor de chocolate se ergue, olhando em nossa direção. Claire solta o ar que havia prendido.

— Estou bem meu amor. Estou bem. – ela fala como se tentasse acalmar aquela coisa enorme que nos encarava.

O grito que saiu dos meus lábios foi impossível de conter assim que vi o lobo castanho avermelhado arrancando a cabeça do homem pálido. Claire me segurou, tentando me manter dentro do carro.

— Calma, calma. Aquilo era um vampiro, eles só estão nos protegendo. Fica calma! – ela pedia – Aquilo não era humano, não era humano. – repetia para tentar me fazer entender. Eu parei de me debater, voltando a olhar pra ela.

— Um va-vampiro?- gaguejei

— Sim – ela me responde limpando o sangue que escorria de sua testa com um pano laranja que encontrou no porta luvas. – Estamos seguras agora. Você se machucou? Jake deve estar surtando agora – ela aponta por lobo que havia arrancado a cabeça do vampiro. – Ele não queria que você descobrisse assim.

Claire saiu do carro, olhando o estrago que a batida tinha feito. Pressionou os lábios e balança a cabeça negativamente.

— Acho que vamos ter que chamar o guincho. – ela fala. Os lobos desaparecem na floresta. – Vou ligar pro Sam. – ela fala e ouvimos o som do uivo enfurecido – Pro Jared? – um uivo mais suave. – Ok, só esperem.

Ela estava mesmo se comunicando com aqueles bichos? Onde eu vim parar ? Que tipo de pessoas eles são?

Os olhos dela eram piedosos em minha direção, enquanto esperava que alguém atendesse sua ligação.

— Oi – alguém atendeu sua ligação- Você ouviu ? Ah sim, estamos na saída... Pede pro Brady vir rápido, e trazer roupas pra eles também, os três estão sem nada aqui.

Claire desligou o celular e finalmente voltou até o carro, abrindo a porta pra mim.

— Seth vai tentar enviar um reboque, mas pode demorar algum tempo. Como você está? Não está querendo desmaiar, ou está? Você está pálida.

— Claire, o seu namorado e outros dois caras viraram aqueles bichos enormes!- quase gritei

— Não fala assim deles! – ela repreendeu – Eles não são bichos, são lobisomens. São os nossos heróis dessa noite. Eles nos protegem, Quil vive pra me proteger, assim como Sam a Emily, Jared a Kim, Paul a Rachel e Jacob a...- ela foi interrompida com um uivo feroz. Eu me encolhi no banco novamente – Jacob protege a todas nós, ela é o alfa, o responsável pela segurança de toda reserva.

Senti o cheiro de fumaça no ar, que logo foi cessado. Um dos lobos se aproximou lentamente, encostando o focinho nas costas da Claire, ronronando como um gatinho e isso fez ela sorrir.

— Viu? Eles não são ferozes com a gente. – ela acaricia o pelo dele. – Esse é o meu Quil, na sua segunda forma, que ele começou a usar quando ainda tinha dezesseis anos. O meu lobinho sempre cuidou de mim, nunca deixou que eu me machucasse ou que me machucassem.

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Ela me pediu para não falar nada com ninguém a respeito do que eu havia presenciado. Como se alguém fosse acreditar em mim. Me disse que Jacob conversaria comigo, que me explicaria tudo e eu só precisava deixar minha janela aberta e ele entraria por lá.

— Foi bom o passeio?- Charlie interroga assim que eu abro a porta, sua cara não era das melhores, ele havia visto que eu tinha chegado de moto.

— Tivemos um problema no carro do Quil, Paul foi me buscar- disse exatamente o que eles haviam dito para dizer.

Na verdade, foi Jacob que me trouxe. Claire e Quil voltaram juntos, eu fui testemunha ocular dela subindo e se acomodando encima das costas dela, montando-o como se monta em um cavalo.

— Renesmee, eu não sou Renan e não chegamos a conviver antes dessa tragédia, mas quero que saiba que eu amo você como se fosse filha minha. Quero que se sinta vontade comigo. Somos a única família sanguínea um do outro, não quero que se sinta como uma intrusa aqui.

— Eu me sinto bem aqui, Charlie. Eu realmente gosto de estar aqui, com você e a Sue. Eu só não sou uma pessoa que fala muito, mas eu realmente gosto de você e da Sue.

— Tudo bem – ele murmurou, batendo o punho latejante na mesinha enquanto pegava sua bebida. — Vá descansar, amanhã tem aula.

Subi as escadas controlando minha ansiedade para não ir correndo. Tranquei a porta na chave, e fiz como Claire tinha pedido e abri a janela do meu quarto.

Comecei a pensar em tudo que havia presenciado, e as lágrimas vieram em cascata, eu estava aterrorizada. Senti mãos quentes tocando meu braço, ergui meu rosto e quando Jacob percebeu que eu chorava ele me envolveu com seus braços, o calor que emanava de seu corpo fez espantar todo o frio da noite, além de trazer um conforto estranho. Me sentia tão protegida em seus braços que quase não acreditei em como estava reagindo a ele.

— Nenhum deles vai encostar em você, nem que eu tenha que montar guarda em frente a essa casa ou fazer com que a matilha faça sua segurança vinte e quatro horas.

— Ele me queria? Porque?

— Pelo visto seu cheiro não atraiu só a mim. Seu cheiro parece ser atrativo a espécie deles também. – murmurou com o rosto nos meus cabelos. – Não importa, é menos um sanguessuga na face da terra.

Eu que estava com tanto medo a alguns instantes, agora me sentia bem e protegida por o homem que havia entrado escondido no meu quarto. Não conseguia entender essa bagunça que eram os meus sentimentos.

Jacob acariciou meus fios, depois apertou mais ainda meu corpo contra o dele.

— Eu vou te contar tudo, ao menos tudo o que você precisa saber por enquanto.- ele segurou em minha mão e me sentou na cama, se sentando ao meu lado. – Eu só preciso saber uma coisa antes: Confia em mim, pequena?

Seus olhos escuros focaram nos meus tão intensos, e embora eu estivesse morrendo de medo só havia uma resposta para dar a ele naquele momento.

— Confio. — não sabia se eu deveria confiar, mas sabia que era aquela a resposta que ele esperava para poder abrir o jogo comigo. Restava saber se ele de fato era alguém que merecia a ninha confiança

Notas finais
Então, ele merece ou não merece que ela confie nele?