O filho do Presidente
22 Tem alguma coisa errada com ele
Notas iniciais
Cenas contadas por Derek
Stiles estava na cama dele, em silêncio.
E eu senti que havia alguma coisa errada.
Só ainda não sabia o que.
Depois do ataque ao Presidente, dois dias atrás, o homem havia sido levado a um hospital protegido pela Guarda Nacional e estava sendo cuidado pelos melhores médicos disponíveis. Segundo o último boletim médico, mais as informações que Erica havia passado após voltar a Casa Branca, o Presidente estava passando bem e se recuperando rapidamente do tiro no ombro.
Em compensação ele ainda precisaria de um tempo para se recuperar das balas que atingiram a perna dele — logo após o primeiro tiro, uma revoada de disparos fez com que duas balas se alojassem próximas ao fêmur dele.
A mesma revoada de tiros atingiu prédios da vizinhança e as vidraças da Kitsune, assustando não só as pessoas mas também a nação, com o eminente ataque ao homem mais importante do país.
Enfim, ele iria sobreviver, mesmo que tivesse que tomar algum tempo se recuperando. Ele ficaria bem, no final, e voltaria são e salvo para cuidar do país e do filho.
Stiles, no entanto, o filho, precisaria de muito mais atenção do que eu pensava — no momento, ele era o que mais me preocupava.
Depois que o garoto presenciou tudo que tinha acontecido, ele se fechou. Eu o vi ainda na livraria, agarrado a Scott, com os olhos vazios e o semblante sem muita expressão, e daquele jeito ele estava desde então. Stiles não falava muito e quando falava as palavras eram repetitivas e perdidas, passava a maior parte do tempo deitado e não expressava preocupação ou qualquer coisa com o que estava se passando com o pai dele.
Era como se o choque do momento tivesse causado alguma coisa nele e ninguém estava ali para cuidar dele.
Eu não sabia o que fazer.
Da porta do quarto dele, eu olhava para os movimentos do peito de Stiles, respirando calmamente. Era a certificação de que ele estava vivo, mas a única, pois, além disso, ele não fazia nada.
E o fato de eu estar ali pelos últimos dias sem que ninguém percebesse que um estranho estava junto ao filho do Presidente, era alarmante — não só eles não estavam tirando tempo para pelo menos checar com o garoto, mas também parece que tinham evacuado a Casa Branca de qualquer outra pessoa que pudesse fazer alguma coisa.
Parecia que nós estávamos sozinhos ali.
E eu não era um médico, não sei cuidar ou diagnosticar pessoas fora dos campos de batalha ou com um dos kits de sobrevivência simples que a gente aprende a mexer antes de entrar nessa vida. Ele precisava de mais cuidado, precisava de alguém que sabia o que estava fazendo, mas ele não poderia sair de casa, não poderia fazer nada.
Meus dedos chegaram ao meu telefone antes mesmo de eu formular a ideia na minha cabeça.
Ela me atendeu antes do segundo toque.
“Erica?”
“Sim, Derek?” A voz dela era cansada.
“Eu preciso contatar algum médico pra fazer uma avaliação com Stiles.” Assim que eu falei, ela ficou em silêncio. Eu escutei Erica suspirar do outro lado da linha.
“Eu…” Ela parou. “Eu esqueci completamente…”
“Não, não tem problema. Ele não sofreu nenhum ferimento ou coisa assim, okay? Ele só tá estranho, silencioso, não sai da cama.” Eu suspirei. “Não tem nada acontecendo de grave, mas eu preciso ver algum médico, eu preciso ouvir alguém falando que tem alguma coisa acontecendo com ele. Ele…” Minha voz falhou e eu suspirei pra continuar. “Eu sei que você tá no meio de uma confusão enorme e parece que todo mundo deixou a Casa Branca pra cuidar do Presidente, mas eu preciso que alguém cuide do Stiles. Eu…”
O meu suspiro foi alto.
“Desculpa, Derek. Eu… eu nem sei o que dizer eu fiquei completamente no meio da confusão e parece que ninguém sabia lidar com isso direito e eu nem sei como eles te deixaram ficar aí por tanto tempo. Eu vou ter que realmente falar com o Presidente sobre essa questão da segurança por aí — não que eu não confie em você, mas eles nem tiraram o tempo de conversar comigo ou pedir o que um homem desconhecido tava fazendo com o filho do Presidente. Eu…”
“Erica?”
“Sim?”
“Eu preciso de alguma autorização. Alguma coisa. Hospital. Stiles.” Eu falei as palavras com calma, pois eu senti que ela estava meio perdida ainda. Ela suspirou antes de me responder.
“Sim, Derek. Eu vou conseguir um carro pra vocês e um lugar aqui no mesmo hospital em menos de uma hora.” Ela falou.
“Okay, obrigado, Erica.”
“De nada.” Ela suspirou. “Obrigada a você que tá cuidando dele. Me passou completamente pela cabeça, ou melhor, por cima da cabeça. Obrigada mesmo.”
Assim que a ligação foi desconectada eu olhei para o garoto de novo. Ele havia se levantado um pouco na cama e estava sentado.
“Stiles?” A minha voz saiu sussurrante.
A cara dele se virou para mim, calmamente, e eu vi um pouco de reconhecimento nos olhos dele.
“Stiles? Você tá bem?” A minha pergunta não passou despercebida por ele, que apenas assentiu devagar.
Era a primeira vez nessas 48 horas que eu o vi respondendo a algum tipo de estímulo. Quando eu finalizei os últimos passos até a cama, eu sentei, olhando para ele. Esperando a resposta da próxima pergunta.
“Você lembra-se do que aconteceu”?
Os olhos de Stiles se fecharam, antes de ele assentir de novo. Uma lágrima escorreu deles quando ele os abriu.
Eu não era exatamente acostumado a confortar pessoas, mas eu estiquei a mão e coloquei no ombro do garoto. Ao primeiro contato com a pele dele, o garoto se assustou um pouco, mas olhou para a minha mão e fechou os olhos, relaxando.
Um soluço escapou dos lábios dele.
“Eu não quero que meu pai morra…” Ele suspirou, antes de deixar mais lágrimas escorrerem pelo rosto.
Eu senti um aperto no peito ao ver a dor dele — eu sei como uma pessoa se sente ao ver a chance de perder alguém importante.
Stiles não iria perder o pai dele como eu perdi os meus, no entanto.
“Ele vai ficar bem, Stiles.” Eu falei pra ele, antes de eu sentir um corpo se chocando contra o meu e os braços do garoto agarrando-se à minha cintura.
Fale com o autor