Notas iniciais
NOVA FIC YAY!!!=DE um super parabéns pro Fê Oliveira, muitos anos de vida - a fic era pra sair ontem mas só deu pra postar agora - só meia hora de atraso.

A grande pergunta do século:

Quem sou eu?

Pergunta bastante interessante, principalmente quando você não faz a mínima ideia do que responder — sério, não tenho a mínima ideia. Bom, não, a mínima ideia eu tenho, mas essa ideia é tão mínima que...

Sabe, esse é o tipo de pergunta que a gente simplesmente não deveria ser perguntado. Meu, a gente mal sabe que dia da semana é hoje, fazer conta de matemática de cabeça e lembrar de sete números de telefone — como vai saber responder, exatamente, quem a gente é?

Tipo, não sei. Até parece que a gente concorre a um milhão se responder certo — o detalhe é que, bom, não tem exatamente uma resposta certa, né?

É uma pergunta foda pra responder — e nem de longe tem toda a diversão incluída naquela palavrinha.

Eu sou um garoto de vinte anos, rico e um nada.

Bom, não exatamente um nada.

Eu não posso me categorizar apenas como um nada, pois eu sei que alguma coisa existe dentro de mim que acaba por compensar a falta de muitas outras.

Mas na maior parte do tempo eu me sinto um nada.

Aparte disso, eu diria que sou inteligente. Bom, eu até poderia dizer que sou um nerd, mas também não tenho a cabeça preparada pra ser um e nem o corpo preparado pra me comportar como um ou me vestir como um.

Quanto aos outros fatos interessantes — gosto de ler, consigo escrever decentemente, fui um estudante ótimo desde o colegial até a faculdade — sim, devido ao fato de eu ter estudado em casa grande parte da minha vida, incluindo na faculdade — se é possível imaginar isso — eu tive a chance de pular alguns anos e me formar bem antes, por isso eu digo que fui um estudante, e não sou um mais, já que acabei de me formar.

Eu consigo dançar decentemente — quando me deixam ouvir música alta em volta da casa ou quando eu acho um jeito de fugir da segurança que meu pai tem em volta de casa pra ir a alguma boate.

Mas, sinceramente, a vontade de ir numa festa fugindo acaba por perecer frente a bagunça que é fugir.

E no fim, eu prefiro ficar em casa.

Eu tenho o sonho de ser o dono de uma pequena loja de livros em qualquer cidade que não seja engolida por fumaça e nem barulho dos carros, um lugarzinho aconchegante e que não seja assim apertado e confuso como aqui, uma cidade que tenha pássaros cantando e seja magicamente feliz.

Talvez não tão magicamente, afinal, sonhar é bom, mas a realidade é outra coisa. E mágica não existe — pelo menos até onde eu sei.

Eu gostaria de ter a chance de ter uma vida normal, sabe? Não que a minha vida seja super anormal. E também tem o caso de que todo mundo tem uma vida diferente de todo mundo, o que acaba por deixar meio complicado essa coisa de comparar a vida de um e de outro e decidir qual é a vida normal e qual não é.

Mas eu gostaria de ter essa vida normal que todos comentam ter, mesmo assim.

Todos esses anos malucos desde que eu me mudei da Califórnia, cruzando o país todo até chegar a Washington, eu nunca tive a chance de criar raízes em um lugar só, de ter amigos para rir e dividir meu tempo. Eu nunca tive uma casa na árvore e não me lembro de ter alguma viagem maluca com uma turma de colegas de trabalho ou da escola.

Ah, sim, eu nunca fui pra escola e nem tive a chance de trabalhar, talvez seja por isso que eu nunca pude viajar com os colegas hipotéticos.

Não que eu reclame demais da minha vida, afinal, muita gente gostaria de ter todo o envolvimento que eu tenho com a vida política do país e ter a chance de poder ir aos lugares que eu vou com meu pai. Mas, sinceramente, chega uma hora dessa vida maluca que o que a gente mais quer é desaparecer, quer sumir de tudo e só abrir os olhos em uma ilha deserta, cercada só por água e sem ninguém pra encher o saco.

Alguns dizem que eu vivo o sonho.

Eu gostaria de dizer a todos eles o quanto enganados estão.

Eu sou Stiles Stilinski, tenho 20 anos e sou um nada.

Bom, não sou um nada, tão nada.

Não sou tão importante como meu pai, mas sou importante o bastante para ter um título.

Quem eu sou?

Eu sou o filho do presidente dos Estados Unidos da América.

***

Nome?

Derek. Derek Hale.

Idade?

27 anos.

Experiência?

Eu trabalhei três anos como segurança privado logo depois de sair do exército — e foi nessa empresa de segurança que eu fui captado para ser parte da comitiva do Senador Howard durante a última campanha dele. Também fui parte do time que combateu dezessete ataques durante os protestos contra a Guerra na Síria e meu time nunca perdeu um homem.

Senhor Hale, você é bastante novo para o cargo. Qual a sua aspiração ao se apresentar à vaga?

Não é óbvio? Todo está aqui para o emprego mais arriscado de todos no país — bom, talvez não o mais arriscado, mas um dos mais. E eu desenvolvi meu trabalho durante os últimos nove anos, o que não parece muito, mas tudo que passou pela minha mão foi completamente resolvido e todos os desafios que eu cumpri foram premiados com honrarias. Eu acredito que o grande ponto positivo que posso trazer para a realização do trabalho é a minha aproximação do objeto a ser protegido.

Então você acha que pelo fato de você ser mais jovem, a convivência entre vocês será mais fácil?

Não. Eu estou dizendo que eu vou saber como lidar com o objeto com mais facilidade, não que eu vou tentar me relacionar com ele.

Algo que você queira acrescentar?

Não.

Okay, obrigado por postar o seu currículo aqui comigo, eu vou passar ele para os avaliadores que irão então escolher os melhores candidatos. Os escolhidos passarão por prova escrita e oral em conhecimento linguístico, sem falar nos exames físicos e psicológicos para entrar na concorrência final pela vaga.

O escolhido irá trabalhar sozinho, com o apoio do Serviço Secreto da Casa Branca. Mas sozinho. Tudo entendido, senhor Hale?

Então você pode aguardar a nossa carta dentro de algumas semanas.

Obrigado. Vou estar esperando.

Tenha um bom dia, senhor Hale.

Bom dia.

*fim da conferência*