O filho do Presidente
2 Dramas de um jovem riquinho
Notas iniciais
“Stiles, eu vou contratar um segurança só pra ti. A partir de agora.” John disse calmamente enquanto comia as batatas fritas com a mão, após escolher elas das outras comidas do prato.
“Um guarda pra mim? Só pra mim? Eu já não tenho seguranças o bastante?” Stiles falou, olhando para a cena estranha de ver seu pai — o Presidente dos Estados Unidos — comendo batatas com as mãos.
Não que ele geralmente não se permitisse esses prazeres ou que ele não use as mãos para comer elas de qualquer jeito, mas deu pra entender.
“Eu sei, você sempre tem seguranças e tudo mais, mas eu queria alguém pra ficar mais junto contigo. Logo eu vou começar a minha campanha pra reeleição e eu não vou ter muito tempo pra ficar por aqui e eu também não quero que você fique preso na Casa Branca, já que eu vou precisar dos meus seguranças.” O pai dele falou, antes de colocar mais uma batata na boca.
“E por que eu não posso viver uma vida mais normal sem ter uma babá ao meu lado todo dia? Já é ruim com a segurança “normal” que a gente tem, eu agora vou ter que ter mais um na minha cola?” Stiles falou, bufando, ao mesmo tempo em que deixou os talheres caírem ao prato.
O pai dele olhou para ele franzindo a testa.
“Eu não quero arriscar nada contigo, Stiles. Você sabe muito bem como eu sou protetor e possessivo sobre a minha família, eu não preciso nem explicar o porquê. E eu vou ficar bastante tempo fora de casa e eu sei que você não vai querer fazer um tour pelo país todo, então a melhor coisa é achar alguém que possa te fazer companhia.” O homem falou olhando para o filho, do outro lado da mesa.
Os dois geralmente comiam junto, quando conseguiam. John havia pedido que eles usassem a pequena mesa da cozinha para fazerem as refeições juntos, pois a mesa da sala de jantar era grande demais para duas pessoas. Bom, aquela mesa era grande demais para vinte pessoas, o que fazia a cozinha ser uma boa escolha.
Quando o Presidente tinha a chance de passar um tempo com Stiles, é claro.
“Quer dizer que eu ainda vou ter que conviver com o segurança? Eu vou ter que fazer companhia pra ele? Ou ele pra mim?” Stiles bufou de novo, rolando os olhos.
“Stiles.” O pai dele balançou a cabeça. “Eu sei que é complicado. Ou melhor, eu talvez não saiba o quanto isso é complicado pra você, mas eu estou tentando fazer o meu melhor, okay? Ao invés de te deixar com quarenta guarda-costas aqui dentro, eu vou colocar apenas um homem junto contigo — alguém que possa se passar despercebido como uma pessoa comum e que não precise exatamente andar do teu lado. Ele vai ser a tua sombra.” O homem completou, ainda. “E eu requisitei alguém que pudesse trabalhar anonimamente, sem chamar atenção demais e que conseguisse se misturar.”
Stiles suspirou.
“Eu não tenho escolha mesmo, não é?” Ele falou.
O Presidente fez uma cara de entendimento, mas os olhos dele eram pintados com um pouco de tristeza. “Filho, eu sei que as coisas não são o mar de rosas que você sonhou, mesmo que a vida não seja ruim…”
“Pai, a vida não é ruim, sabe?” Stiles interrompeu o discurso do pai. “Mas às vezes eu só gostaria de fazer coisas normais e ser uma pessoa normal. Eu tenho vinte anos e nunca tive uma amizade decente que durasse por anos, nunca saí para fazer festas com amigos, porque, adivinha, eu não tenho nenhum? Eu viajei por lugares do mundo todo, mas sempre correndo ao redor das comitivas, ou fugindo dos fotógrafos em ilhas paradisíacas. Eu sou proibido de sair na rua com algumas peças de roupa porque elas podem ser ofensivas às minorias étnicas de países do outro lado do mundo que os Estados Unidos mantém relações, e qualquer coisa errada que eu disser pode comprometer não só a campanha que vai vir por aí, mas também os tratados que você tem com outros presidentes e sei lá…” Stiles suspirou. “Às vezes eu queria ter a chance de ser uma pouco mais normal…”
Stiles suspirou de novo. O Presidente suspirou também.
“Eu...” Ele começou a falar, mas Stiles balançou a cabeça e interrompeu-o de novo.
“Pai, eu sei que a culpa não é sua. Ou pelo menos tudo que acontece não é culpa sua. Você é um ótimo presidente pro nosso país, uma grande pessoa e que consegue ser um exemplar para qualquer outro homem da nação. Mas a vida que você leva é tão corrida que uma das únicas coisas que você quase não tem tempo de ser é meu pai. Mas eu não te culpo. Eu sou só um, a nação é grande demais pra qualquer drama de um jovem riquinho…”
Stiles completou, levantando da mesa e seguindo para o quarto dele.
Em silêncio.
***
Derek olhava para a tela do computador apreensivamente enquanto a cabeça dele pensava nas mais variadas formas de se preparar para o desafio de conseguir o emprego que ele queria. E no navegador dele, a pesquisa atual era sobre o objeto que Derek iria proteger.
Tesouro nacional.
Derek riu quando leu o título atribuído ao garoto. O filho do Presidente.
Na cabeça dele, todo o drama em volta do garoto que parecia uma boa pessoa, mas não aparecia muito publicamente — porém teve algumas aparições surpresas em festas que provavelmente foram proibidas para ele — era uma grande balela.
Claro que Derek não sabia muito sobre ele, a não ser a grande teia de fofocas que todas as revistas virtuais tinham sobre ele.
Filho do presidente é flagrado saindo de bar gay.
Filho do presidente é pego andando na rua com camiseta ofensiva.
Filho do presidente é visto perto de beco de venda de drogas.
Derek riu de novo. Cada uma das manchetes parecia mais maluca do que as outras. Se fosse qualquer outro artista bêbado saindo de um bar, ninguém iria dizer nada demais. Se algum homem qualquer fosse visto em um beco ninguém iria se importar, mas como era o Filho do Presidente, subitamente o beco virou lugar quente para um traficante de drogas.
As fofocas eram tão sem sentido que Derek quase não conseguia captar quem era o verdadeiro Tesouro Nacional.
Algumas revistas mais famosas, como a TIME, até fizeram matérias sobre o jovem há alguns anos, quando ele tinha aulas em casa e era um aluno aplicado e modelo de estudante, interessado em política e justiça social.
Algumas delas ainda falavam alguns detalhes sobre os acontecidos com a mãe do garoto, mas a única certeza que davam era a morte dela. Nada mais foi muito revelado.
O próximo passo para a continuação da disputa entre os candidatos seria logo e Derek queria dar o melhor de si, pois ele queria dar esse passo para a carreira dele. Ser o guarda-costas de alguém assim importante não só seria um grande momento para o currículo de Derek, mas também iria provar a eficiência dele.
Ele não estava disputando a vaga com nenhum dos outros candidatos, no entanto. Na cabeça do homem, o maior inimigo era ele mesmo.
Mas ninguém precisava saber disso.
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