O filho do Presidente
9 Polimento e refinadez
Notas iniciais
Stiles tinha passado os últimos três dias, depois da escolha da nova guarda-costas dele, em casa. Apenas em casa, rodeado pelos quadros dos presidentes antigos, atravessando os corredores que os trabalhadores corriam rapidamente, olhando pelas janelas para o tempo aberto e o céu azul que cobria a cidade toda.
Deixando o olhar se perder por tudo.
Ele nem deu trabalho algum pra Erica e na maior parte do tempo que eles tiveram juntos eles ficavam conversando, jogando cartas ou vídeo games. Sim, ela era muito boa em todos os tipos de jogos e geralmente acabava por dar uma boa competição pra ele, o que fez ele se desligar um pouco de tudo por aquele tempo.
Mas três dias em casa sem nada pra fazer eram demais.
Stiles queria alguma outra coisa.
Queria uma vida.
Alguma coisa diferente para ele.
Nem precisava de muito, ele só queria algum motivo maior pra continuar, pra seguir pra frente ao invés de deitar na cama e se esconder do mundo. Aparentemente, no entanto, ele não tinha nada na cabeça dele que fosse alguma coisa que ele precisava para seguir em frente.
Exceto…
Bem, exceto as imagens do homem que Stiles viu e queria que fosse seu guarda-costas.
Desde que ele viu Derek — sim, ele sabia o nome dele pois havia perguntado para Erica, sutilmente — treinando com os outros, suando a camisa, lutando contra os instrutores e derrotando eles brilhantemente, ele não conseguia tirar ele da cabeça, o que era estranho porque ele nunca tinha se fixado em alguém. Principalmente alguém que ele nem conhecia, nem fazia ideia de quem era e o que tinha feito até agora.
E a dúvida principal: não tinha ideia se ele era gay ou não.
Não que esse fosse um grande problema, pois mesmo se ele fosse gay as chances de Stiles conseguir pegar aquele tipo de homem eram quase nulas. Principalmente se ele queria conseguir alguém que fosse querer Stiles por quem ele era e não pelo status que ele tinha.
Era uma missão impossível que Stiles já havia deixado para os sonhos apenas.
E para as fantasias.
Na mesa do café naquele dia ele pediu ao pai se poderia dar uma volta pelo centro da cidade. O Presidente não gostou demais da ideia, mas o objetivo principal de Erica era fazer isso com Stiles sem ele precisar do Exército Nacional na cola dele.
No fim o pai dele concordou.
Stiles festejou.
Erica só sorriu para ele como se ele fosse um boboca, enquanto ele dançava pelos corredores da Casa Branca em direção à saída.
“Sabe que você poderia ter pedido pra mim diretamente e nós poderíamos sair sem ninguém saber.” Ela falou calmamente enquanto andava ao lado dele.
“Eu…” Stiles começou, mas teve que respirar fundo para controlar a excitação por sair de casa. Era um pouco idiota ele estar se sentindo assim, pois ele não morava em cárcere privado, mas às vezes parecia aquilo mesmo. “Eu não sabia se você estava falando sério no outro dia. E eu nem sei como é possível isso acontecer sem ninguém saber.” Ele completou, olhando para ela.
“Bom, eu fui contratada para ser confiável. E eu não disse que ninguém iria saber. Algumas pessoas iriam saber, mas só as pessoas que precisam — o que deixa de fora o Senhor Presidente.” Ela terminou ao mesmo tempo em que Stiles riu.
Erica olhou para ele levantando a sobrancelha.
Ele riu ainda mais.
“O que?” Ela perguntou.
“Bom, foi muito estranho você dar esse discurso sobre passar a perna no meu pai e logo em seguida colocar todo o cuidado ao tratar ele dentro da frase. Até parece uma puxação de saco comum por aqui.” Stiles disse, sacudindo a cabeça.
“Bom, eu não posso exatamente o chamar de pai ou dizer o nome dele. Mesmo que eu te ponha fora de casa sem ele saber, o meu dever é tratar ele só por aquele termo. E eu também não vejo grandes problemas em fazer isso. Puxação de saco ou não, regras são regras.” Erica disse.
“Mesmo que algumas delas estejam aí para ser quebradas?” Stiles perguntou.
“Bom, mesmo que eu quebre algumas regras não quer dizer que eu não deva tratar o seu pai com respeito, muito pelo contrário.” Ela completou, sorrindo. “É bom que ele pense que eu sou perfeita em meu trabalho ao mesmo tempo em que sou polida e politicamente correta. Passa uma imagem de confiança que o empregador precisa ter ao contratar alguém.”
“E esse discurso todo é a sua forma de explicar puxa-saquismo e como você é polida e refinada?” Stiles levantou a sobrancelha ao dirigir outra pergunta a Erica.
“Bom, eu disse que preciso ser refinada com ele, não com todo mundo.” E para completar a fase, Erica apenas abriu a boca e soltou o maior arroto que Stiles já tinha ouvido. O som chegou a ecoar pelo corredor que eles estavam passando e no momento que tudo ficou em silêncio ele ainda olhou para os lados, certificando-se de que eles estavam sozinhos.
Quando ele virou o olhar para ela, Erica sorria.
Stiles respirou fundo antes de gargalhar abertamente.
“E essa é a minha resposta final no assunto, vamos embora.” Erica disse e voltou a caminhar, dessa vez na frente de Stiles que ainda se dobrava em risadas.
***
Derek estava em um bar, bebendo.
Não, ele não estava bebendo pois tinha perdido o emprego dos sonhos e agora teria que se contentar com um outro emprego que colocaram na frente dele e ele nem sabia se iria aceitar.
Ele só estava bebendo.
Bebendo e olhando as pessoas caminhando na rua, já que ele estava sentado perto da janela e apenas olhando a rua.
Olhando a rua.
Olhando as pessoas parar.
Droga, eu tô bêbado?
Derek suspirou e fechou os olhos por um instante, tentando ajustar as suas ideias na cabeça, tomar um tempo para relaxar os pensamentos.
Assim que ele abriu os olhos, eles se focaram na entrada do bar. Entravam duas pessoas, uma mulher loira, que Derek tinha certeza que conhecia, junto de um garoto, que Derek tinha certeza que já tinha chupado o pau dele.
Bom, pelo menos em uma fantasia, okay?
Derek olhou para eles, tentando tomar foco na cara dos dois. Ele prendeu seu olhar, decidido a esperar pelos dois olharem para ele.
Assim que eles olharam de volta para Derek, que estava realmente secando os dois, ele conseguiu ver que a garota levantou a sobrancelha, julgando todas as decisões na vida de Derek, e o garoto abriu a boca, surpreso.
Derek ia dizer um oi, cumprimentando eles, mas assim que ele abriu a boca o refluxo tomou conta de tudo e ele vomitou tudo que tinha dentro do estômago.
Logo antes de ele bater a cabeça na mesa e tudo ficar preto.
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