O filho do Presidente
10 Pijama de estrelinhas
Notas iniciais
Stiles ficou paralisado.
Ele não conseguia entender o que estava realmente acontecendo naquele momento.
Não fazia ideia.
Ele e Erica combinaram de ir naquela tarde passear por algumas ruas de Washington, tentando ir como dois amigos, usando roupas normais e tentando se misturar o povo nas ruas. Eles já tinham passado por algumas lojas de livros — que eram a paixão do Stiles — e decidiram ir para um bar tomar e comer alguma coisa.
Incrivelmente, ninguém tinha suspeitado quem ele era.
Bom, ele estava de touca, óculos escuros e de mãos dadas com uma loura linda e maravilhosa, coisa que ninguém iria esperar do filho gay do Presidente. As pessoas provavelmente estavam com as câmeras na mão para ver o menino magro, esquelético vestindo rosa e usando uma bolsa de couro colorido.
Clichês.
Enfim, estavam os dois, bem belos, entrando no bar e já se encaminhando para o balcão para pedir alguma coisa. Stiles sentiu, naquele instante, uma vontade de olhar para trás, uma coisa do nada.
Para surpresa dele, ele viu o homem.
O homem.
Sentado em uma mesa ao canto e com os olhos fixos em Stiles.
Ele nem teve tempo de reagir ao pequeno aceno que o homem deu pra ele antes de ele ver, com horror nos olhos, a boca de Derek se abrir e uma catarata de vômito saltar para todos os lados, logo antes dele bater a cabeça na mesa e apagar por completo.
Tipo, apagar, literalmente.
O bar ficou em silêncio, mas era quase possível ouvir os sons de algumas pessoas tentando segurar a vontade de regurgitar os pulmões pra fora — aquela cena era muito parecida com a do “Exorcista”.
Bom, essa visão que Stiles estava vendo ao vivo parecia mais com a versão do “Todo Mundo em Pânico 2”, na verdade.
Stiles virou para olhar para Erica. Ela estava com uma das mãos no rosto naquele gesto “que papelão”.
É, Stiles com certeza poderia dizer que, certamente, o homem fez um papelão na frente de todo mundo.
“O que a gente faz com ele?” Stiles perguntou para ela.
“Nada?” Erica devolveu com uma cara incrédula. “O que a gente supostamente vai fazer? A gente nem conhece ele de verdade, não sabe onde ele mora e hipoteticamente você não deveria ter contato com ele, pois ele foi rejeitado para o meu cargo.” Ela sussurrou.
“Mas…” Stiles bufou. “Mas ele vai ficar aí sem ninguém pra recolher ele? Vão chamar a polícia pra mandar ele pra cadeia por vandalismo, provavelmente — olha o quando de caca que saiu da boca dele? Nem sei se vão conseguir limpar aquilo ali.” Stiles tremeu.
“E você sugere o que? Levar ele pra Casa Branca, escondido, dar um banho nele e colocar pra dormir com um pijama de estrelinhas?” Erica olhou para ele arqueando uma sobrancelha.
Stiles devolveu outro arqueio de sobrancelha.
E essa foi a história de como eles carregaram um homem para a Casa Branca para dar banho e colocar ele pra dormir.
***
Derek sentia que a boca dele tinha engolido uma plantação inteira de algodão, de tão seca que tava.
Não era uma sensação muito boa, certamente que não.
Ele ainda nem tinha aberto os olhos, mas ele sentia que iria ser horrível assim que ele tentasse.
Bom, nada melhor do que o agora.
Quando ele sentiu a claridade perfurando a visão dele, Derek quase gritou.
Mas ele se segurou, pois ele não fazia a mínima ideia de que lugar era aquele.
Ele não fazia ideia do que estava acontecendo.
E também não fazia a mínima ideia do porquê ele estava vestindo um pijama com estrelinhas.
Assim que Derek tentou se mover na cama, ele viu que havia uma figura dormindo em um sofá, alguns metros de onde ele estava. A visão dele ainda não ajudava muito, mas a mente de Derek tinha uma suspeita de quem seria aquela pessoa.
Mas ele certamente não queria acreditar.
Não faria sentido.
“Hey.” Derek chamou a figura no sofá, que nem se moveu.
Quando ele chamou de novo, num espasmo a figura já estava no chão, olhando com uma cara de sono para Derek. O momento durou alguns segundos até que o garoto tomou noção de onde ele estava, arregalando os olhos.
“Hey, você acordou?” O menino perguntou, testando a voz.
“É o que parece, eu suspeito.” Derek respirou fundo, sentindo a cabeça latejar. “O que eu tô fazendo aqui?”
“Bom, eu sou o Stiles, prazer.” O garoto começou a falar. Derek sabia quem ele era, mas era de se esperar que o garoto não soubesse quem era ele. Por isso mesmo que não fazia sentido ele estar ali. “Eu estava andando na rua, entrei no bar que você estava e você meio que apagou. Depois de ter vomitado em metade do bar.”
Derek grunhiu em desgosto.
“E então eu te trouxe para cá, com ajuda da minha guarda-costas. Eu,” o garoto pigarreou, deixando as bochechas ficarem vermelhas, “eu te dei banho e coloquei essas roupas aí pois eu tenho esse pijama há muito tempo e era a única coisa grande o bastante pra você.”
Derek respirou fundo.
“Isso ainda não explica o porquê de eu estar aqui. Você nem me conhece.”
O garoto ficou ainda mais vermelho.
“Sim, eu não te conheço propriamente, mas eu vi a competição e as lutas para a escolha do meu segurança pessoal. E eu me lembro de você. Então, se você não sabe quem eu sou, bem, eu sou o filho do Presidente.” Stiles falou, quieto.
“Eu sei quem você é.” Derek falou, olhando em volta dele. O garoto desviou o olhar.
“Ah, a sua roupa já esta lavada e seca, eu deixei ela ali do ladinho, assim que você quiser é só me avisar que a gente te coloca pra fora sem ninguém ver.” Stiles falou, olhando para os próprios pés.
O silêncio ficou entre eles por alguns instantes, antes do menino falar de novo.
“Eu vou…” Ele falou, apontando para a porta, antes de sair.
Como uma pessoa que não me conhece pode fazer a loucura de me colocar pra dentro de casa?
Pior, como alguém que é filho do homem mais importante do planeta faz uma coisa dessas?
Quem recolhe um bêbado no bar e leva pra casa, sem mais nem menos?
Derek não conseguia responder essas perguntas.
Não havia respostas que fizessem o mínimo de sentido.
Ele suspirou.
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