O dia em que tudo acabou
3 O reencontro
O dia de ontem foi muito cansativo. Ainda por cima agora tenho que estar com uma rapariga que me tentou matar de primeira, mas tenho uma pergunta ainda, porque o veneno daquelas criaturas... quer dizer zumbis não me afectou? Era suposto ter sido afectado em menos de dez segundos, que estranho, pelo menos foi o que aconteceu com o director, 10 segundos e foi-se.
— Ei, começa a preparar as malas, vamos embora! — Disse Mary.
— Ah desculpa, distanciei-me durante um tempo. — Tentei dizer, enquanto arrumava, espero encontrar as perguntas um dia. — Mary.... Porque me ajudaste? Podias ter continuado em frente, não é?
— Acho que sim, mas ainda tenho um senso de humanidade. Mas vou ter de ficar de olho em ti, afinal foste mordido e não te transformaste em um deles. Em um Rade.
— Rade? Deste esse nome aos zumbis? — Perguntei, com muita curiosidade.
— Isto não são zumbis normais, não me digas que não te apercebeste? Tsh... um Rade é uma espécie de zumbi, eles correm, porém não conseguem ver, além disso têm um sentido de audição muito poderoso! — Ela explicou-me, mas muito sinceramente, quantas espécies de zumbis haviam.
Fiz as malas e começamos a caminhada. Ao longo da caminhada falámos imenso sobre nós e o que éramos antes do grande Apocalipse.
O Apocalipse, sim, agora sei, é a nível mundial e não há cura certa, mas graças a um arquivo que encontrámos em casa dela, sabemos que a origem é em Zâmbia, um país africano, como em África, há muita fome e muitas doenças, esta conseguiu alastrar e foi muito depressa transmitida a visitantes. Talvez em aviões e também em navios, para ser transmitida tão longe, sim de momento estamos em França, mas a minha nacionalidade não é francesa, sou português. A Mary pode me querer matar por isto, mas...
— Ei Mary, achas que deveríamos ir para África? — Perguntei eu.
— O que te deu!? Estás doido!? Se fores para lá é o mesmo que saltares para uma arena cheia de pessoas esfomeadas quase a morrer de fome, irias morrer em segundos! — Disse-me ela reagindo muito mal, eu sabia que isto ia acontecer, por isso mandei um suspiro, para tentar armar-me em superior — Que foi isso? Foi totalmente irritante.
— Para uma pessoa esperta, por vezes não pensas, pois não? Se formos para lá podemos arranjar a cura. — Respondi eu com ar de confiança.
— Realmente tens razão, mas irmos lá apenas os dois é suicídio! — Reclamou ela.
— E quem disse que estamos sozinhos, tenho um grupo de pessoas que merecem estar connosco. São de confiança e são óptimos em sobrevivência.
Então caminhámos e fomos para a casa deles, onde pelos vistos estariam barricados:
— O primeiro chama-se Tirus, e ele é uma espécie de criatura mitológica, um Berserker, um guerreiro que usava a sua raiva e lutava até esgotar a raiva mesmo que só tivesse metade do corpo. — Entrámos na casa dele, e ele começa a atacar-nos, eu com sorte desvio-me e a Mary ataca-o com as adagas, então, ele ferido aumentou a raiva, e com um só golpe tentou matar a Mary, mas eu pus-me a frente e ele corta-me ao meio, quando ele finalmente recupera os sentidos, olha para o chão e vê-me cortado aos pedaços, visto Ryu no chão ensanguentado, Mary tenta matá-lo pelos danos que me causou.
— Espera! Ele vai ficar bem! — Exclamou ele.
— Como assim ele foi cortado ao meio! Idiota morre! — Ela então tenta atirar uma faca, mas é interrompida por uma das armadilhas que ele tinha em casa. — Que raio! Põe-me no chão!
— Olha com atenção. — Respondeu o Tirus calmamente enquanto, apontava para o meu corpo. Aí as células começaram a juntar-se aos poucos, e o sangue que havia ser derramado volta a juntar-se o corpo une-se por completo. — Este idiota, não pode morrer, expecto por balas que dentro do corpo impedem a sua regeneração, como um veneno.
— Mas, e a mordida tive que tratar bem dela não regenerava! Não me digas que se o dano for pequeno não regenera. — Pergunta Mary, com ar de espantada.
— Exacto, algumas crianças como nós foram alvos de experimentos terríveis. E é nisto que deu. Mas não lhe digas nada, ele não sabe do que pode fazer. — Disse Tirus enquanto se vira para ela, — agora vamos ver que há por baixo dessa blusa tua, que achas? — Disse ele enquanto fazia gestos estranhos com as mãos, no entanto levanto-me e aponto a katana para ele.
— Já chega de brincadeiras, temos que avisar os outros! — Disse eu com ar de raiva.
Depois de a pôr no chão o Tirus pediu desculpas, e fomos à procura dos outros. O próximo na minha lista era o Shaw, um amigo meu, conhecido através de um jogo popular denominado "Tournament of Heroes". Ele é também conhecido por Fujikawa, quando entramos na casa dele, e disparos aconteceram.
— Ei, ei, Shaw! Sou eu por amor de Deus! Baixa a porra da arma! — O Shaw também era um cientista, então ele percebia de muita coisa sobre Física Quântica. — Que raio de arma é essa!?
— Oh desculpa, nestas horas nunca se sabe o que pode acontecer, esta é a Beatrice, o meu martelo-canhão. — Exclamou ele. — Bem que fazem aqui?
— Nós viemos te pedir ajuda, vamos para África arranjar a cura. — Disse o Tirus, que faria rivalidade com Shaw há muito tempo atrás.
— Ryu, o meu tempo está a acabar... — disse Mary com cara cansada, e de repente adormece.
Eu apanho-a e meto-a as minhas costas. Conseguia sentir o calor do seu corpo no meu, e ficava vermelho aos poucos.
— Ok pessoal, talvez seja um pouco tarde, mas... ALGUÉM TEM UM CARRO!? — Exclamei eu, vermelho que nem um tomate, enquanto ambos se riam da minha cara.
Sorte a nossa que o Shaw tinha o carro dele que os pais lhe iam dar para o seu décimo sétimo aniversário. Então deitei-a no banco de trás e sentei-me ao lado dela enquanto aqueles dois iam na frente. O carro só conseguia durar uns 300 quilómetros, o suficiente para irmos para um porto.
Não sabia mais que poderíamos fazer, espero que o resto esteja bem, pessoal aguentem-se.
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