O dia em que tudo acabou
2 O despertar
Quando acordei, estava deitado no chão de uma casa, sentia uma dor de cabeça forte, então levantei-me e aproximei-me da porta, mas algo me impediu. Olhei para os meus braços e apercebi-me que estava acorrentado.
— Ei, que se passa? Está aqui alguém? Quero respostas!? Que se está a passar!? Respondam! — comecei eu a gritar em pânico, então das sombras de um quarto, uma lamina pequena é disparada contra a minha cabeça, mas eu desvio-me a tempo.
— Então ainda és tu? Já deverias ter-te transformado por esta altura. E és rápido, os meus instintos estavam correctos. Estás no meu esconderijo, e estamos numa fase apocalíptica de momento. — Diz uma voz feminina, no canto escurecido.
— Eu acho que já ouvi esta voz antes, quem és tu? Respon...! — Outra faca é atirada a mim de repente.
— Eu faço as perguntas aqui, se não te importas. Quem és tu? — Perguntou-me ela.
— Eu sou eu, que raio de pergun... — outra faca é atirada a mim. — OK, OK, eu sou o Ryu- disse apavorado.
— E ainda és humano? — Perguntou ela, e deixou-me muito intrigado, que raio de pergunta, eu sou eu, e tenho a certeza que era humano.
— Sim... sou! — Respondi eu e quando ia a dizer algo mais sou interrompido.
— Então, explique-me seu porco imundo, porque raio tens essa mordida? — Perguntou outra vez.
— Bem foi ahm, um cão! Foi um cão! — Aí outra faca foi atirada contra mim arranhando-me a cara. — AAAAGH! Essa tinha limão! Mas que raios!? Ok, ok, fui mordido por um zumbi feliz!?- Do nada uma figura, começa a aparecer do escuro, — espera... és tu! a menina número 1!? — E de repente levo uma chapada.
— EU NÃO ME CHAMO MENINA NUMERO 1 IDIOTA!? Humph! — Ficou zangada do nada e começa a tirar as facas da parede. — Eu chamo-me Mary, prazer em conhecer-te. Já te tiro daí.
Após ter as algemas tiradas, sento-me e sem saber o que dizer fico parado a encarar-lhe.
— Que? – Diz ela ao ficar vermelha e em seguida a desviar o olhar e ir à procura de algo.
—Onde estou? — Paro de olhar para ela e começo a olhar a minha volta com atenção ... au estas feridas estão a doer mais do que parece...
—Minha casa. Meus pais morreram então tive que selar janela e portas por mim mesma. — Disse ela a voltar com uma bandeja com medicamentos sem nenhuma expressão no olhar-Senta já temos que tratar de todos os ferimentos... sorte a tua que sei o básico...
—Uau... -Digo enquanto sento-me na cadeira mais próxima- Ah sim sem querer dizer nada, mas... E AS MINHAS ROUPAS??
—Tirei e joguei num canto qualquer ... vá ao menos tens teus calções ... -Diz enquanto põe umas luvas, abre um frasco castanho e derrama o liquido da mesma cor no algodão – Vamos começar pelo pior, mostra-me tua perna.
—O-ok não vai doer muito pois nã... — Antes mesmo de acabar a frase ela põe o algodão com o liquido na mordida –AAAAARG! Que raios?!
—Cala-te isto vai esterilizar ao menos a ferida... não se sabe lá o que eles passam e também tem efeito anestésico.... Agora a pior parte — diz ela enquanto tira uma agulha e esteriliza bem e busca uma linha – Se te moves eu faço questão de demorar mais
— Hum... Ok... — Encaro ela a fechar a ferida com a linha... uau... ela até tem um rosto delicado apesar disto tudo.
—Já ta vais ficar quieto por uns dias — Após ter acabado ela guardara tudo e encarava algo na mesa
—Como me encontraste? — Perguntei.
—Tu? Hum não lembro.... Ah sim! Eu sai à procura de mantimentos enquanto aquilo acontecia e passei perto da escola e te encontrei inconsciente preste a ser devorado. Atirei minhas facas na cabeças daquelas coisas e te arrastei até minha casa... e algemei-te. — Explicou-me.
—E aquela katana que tinha perto de mim? — Continuava bastante intrigado
—Ah aquilo? Estava partida. — Para de olhar para o que estava na mesa e vai a procura de algo pelas gavetas
—Hm.…ok... do que andas a procura? Eu não tenho escolha tenho que te ajudar pelo trabalho que te causei. — Levanto-me e ando lentamente até ela.
—Uma caixa... acho que aquele imbecil guardou armas.... Achei! — Entusiasma-se ao encontrar a tal caixa, que era muito grande.
Encaro a grande caixa que estava nas mãos dela enquanto ela colocava na mesa.... Havia algo escrito nela. Mary estava a ler tudo escrito com a maior atenção... Em seguida ela franze o rosto de pura raiva tira uma faca da manga da roupa dela e atira numa foto do outro lado da sala.
—ATE QUANDO MORTO AQUELE IMBECIL ME ATRAPALHA! HAHA... — Um silêncio estranho percorre a casa — Idiotas morrem cedo...por isto que já não estás mais aqui — Diz ela enquanto atira outra faca na foto com uma velocidade ainda maior — ...tsh!
—Ahm aclama-te vá o que está aí escrito talvez possa ajudar em algo... — tentando acalmá-la aproximo-me.
—Impossível, mas vá eu leio desta vez. — Enquanto ela tira o papel da caixa ela para por uns segundos e lê:
“Caro Sargento Augustos, está nesta caixa as armas que foram encomendadas há dois meses atrás. Venho também dizer que segundo a sua actual mulher e filha adoptiva... o governo não poderá protege-las caso o Incidente K comece a agir como previsto e se, esperemos que não, a sua morte aconteça todos os benefícios militares ligado as estas duas serão permanentemente anulados como foi ordenado por si. E para relembrar que não há cura conhecida do Incidente K e os militares não deixarão ninguém além deles próprios entrarem em seu território. Um óptimo dia nestes tempos difíceis.
Seu velho amigo. ”
—Eu disse — dizia ela enquanto rasgava o papel -Não podes fazer nada!
—Incidente K.… poderia ser isto que anda a acontecer? — Perguntei.
—Exacto. Os militares sabiam disso e não quiseram alertar a população. Eles só se interessam com eles próprios. — Dizia ela com um ar de pura raiva.
Eu não sou inocente. Admito, mas saber que os militares quando mais precisámos deles iriam trair-nos...
—De qualquer forma vamos abrir... — ela começa a abrir a caixa — hum... Uma katana e duas adagas muito bem-feitas e aparentemente bastante resistentes.
—Minhas. -Diz ela enquanto pega uma das adagas, brinca com as mãos e atira com toda a velocidade a passar mesmo ao lado da minha cabeça e a acertar em cheio num alvo posicionado na porta — Perfeitas!
—Que te fiz eu?!?! — Digo eu assustado
—Hihi... por acaso nada de especial. Sabes usar certo? — Diz ela enquanto desembainha a katana — Isto tem a melhor qualidade existente. Trate bem. — Ela entregou-me a katana e foi buscar a adaga presa na porta.
—Vou tomar um banho... Vê se pões uma roupa pervertido.
— Que? Não fui eu que fiquei assim por vontade própria.... Ei! — Mais uma vez fui interrompido só que desta vez porque minhas roupas foram a cara
—Temos comida suficiente para mais dois dias assim que acabar temos que sair deste lugar... AH! Não vistas ainda toma um banho antes.... Digo... Depois de mim ok? — Sem antes ouvir uma resposta ela corre para o banheiro... Mary..., mas que rapariga única...
—Bem acho que vou deitar neste sofá enquanto espero... — Mal acabo de pensar em voz alta os meus olhos fecham-se.
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