O casamento CSLDVA
4 Capítulo 4
Notas iniciais
O caminho é íngreme, faz curvas fechadas montanha acima, levando mais alto do que eu já havia estado nos Cárpatos. Eu me agarro com força à mão de Quinn, ficando sem fôlego apesar de andarmos devagar. Aqui o terreno é mais rochoso e as árvores, mais esparsas. O ar é mais rarefeito, o que torna a subida ainda mais difícil.
Até Quinn, que está em forma e foi criada nessas montanhas, parece respirar com um pouco mais de dificuldade. Está escurecendo e não falamos, concentradas demais em ver onde pisamos, e no silêncio posso ouvi-la inspirar e expirar num ritmo firme ao meu lado.
E então o silêncio daquele local solitário é rompido pelo som de alguém – alguma coisa – perto, porém escondido. Passos indo depressa na direção oposta, escorregando e deslizando montanha abaixo, de modo que lançam pedras no vale abaixo de nós.
Quem – ou o que – passou por nós parece grande – ou talvez seja mais de um...
Aperto com força os dedos de Quinn, fazendo-a parar, e pergunto num sussurro, com preocupação mal disfarçada:
– Quinn? Está ficando tarde... – Olho a distância, procurando formas ou sombras na direção daquele som agourento. – Você não acha que a gente deveria voltar amanhã?
Sei que não preciso lembrá-la de que há ursos e lobos nestas montanhas – e pessoas que destroem vampiros. Tenho certeza de que ela entende por que estou ficando nervosa.
O som de passos fica mais fraco, levado para longe por um vento crescente, mas não me tranquilizo – até que Quinn, que estava meio passo à frente, guiando-me por um caminho no qual me sinto completamente perdida, pergunta baixinho:
– Eu deixaria alguma coisa ruim acontecer a você, Anastácia? Deixaria que você ao menos tropeçasse?
É uma pergunta que sei que provavelmente sempre vai estar entre nós, tendo em vista como nosso compromisso começou – e quase acabou. Tendo em vista quem Quinn É.
Mesmo sabendo que a resposta sempre será não – que ela jamais deixaria nada de ruim me acontecer – também tenho certeza de que nunca vamos esquecer o que poderia ter acontecido na noite em que Quinn fez de mim a primeira prisioneira da guerra contra minha família.
Aquele momento em que a estaca – a estaca desaparecida – rolou pelo tapete, perto do fogo, sempre estará conosco.
Às vezes acho que Quinn questiona minha confiança nela mais para se certificar de que eu realmente acredito em seu amor do que para me certificar de que não tenho nada a temer quando estou com ela.
Enquanto tento encarar seus olhos verdes na escuridão que se aproxima, o vento sopra no vale de novo, chocando-se contra nossos corpos, e me desequilibro na encosta íngreme, mas, claro, ela está ali para me firmar, segurando meu braço com a mão livre.
Recupero o equilíbrio, mas ficamos imóveis por um segundo, cara a cara. Esqueço meus temores, porque quero desesperadamente que ela me beije. Sempre que estamos perto assim sozinhas e sinto o cheiro de sua pele e suas mãos em mim, também tenho vontade de sentir seus lábios nos meus.
Mas Quinn tem outros planos – um destino em mente.
– Venha – diz sorrindo como se soubesse que sua pergunta sobre confiança foi respondida; provavelmente pela expressão dos meus olhos, que são mais claros do que os dela e sem dúvida fáceis de ser interpretados à claridade da lua nascente. Tenho certeza de que ela podia ver o que eu estava pensando e, apesar de dizermos uma a outra com frequência como nos sentimos, ainda fico um pouco sem graça ao ver como meu amor por ela deve ser aparente em meus olhos. Ainda me parece estranho ficar tão exposta assim, ao passo que Quinn, treinada desde o nascimento para ser fechada, invulnerável, às vezes é difícil de entender, até mesmo para mim.
Começamos a andar de novo. Quinn diminui o passo ainda mais, porque a caminhada está ficando mais difícil e o ar, muito rarefeito para pulmões como os meus, acostumados à vida perto do nível do mar no sul da Pensilvânia.
Meu olhar está fixo no chão, porque não quero ter que contar apenas com Quinn para não cair. O terreno à nossa frente sobe enquanto seguimos pelos enormes afloramentos de rocha que passei a conhecer como inerentes aos Cárpatos.
Estou tão concentrada no solo que perco a noção de tudo ao redor, inclusive do tempo, e fico surpresa quando Quinn se detém de repente e aperta minha mão com mais força, sinalizando que devo parar de andar e erguer o rosto para olhar em frente.
E quando faço isso o que se estende diante de mim é o... nada.
Apesar de ela não ter revelado nosso destino, desde o início da aventura eu sabia aonde Quinn me levaria. E a escuridão absoluta diante de mim – o buraco alto e estreito parecendo uma fenda na lateral da montanha, um ferimento talvez sem fundo – me faz recuar um pouco.
Mas Quinn não hesita. Sem dizer uma palavra, entra primeiro e, como nossas mãos estão ligadas e porque eu quero ir atrás dela, permito que me guie para a passagem estreita, tão pequena que Quinn precisa andar à minha frente, ligeiramente encurvada, com o braço esticado para trás para me segurar. Seguimos a passo de lesma, tateando o caminho, porque não há a menor chance de que nossos olhos se adaptem a um vazio tão enorme, subterrâneo.
Quero perguntar por que não trouxemos uma lanterna ou mesmo uma vela, mas algo me diz para não falar.
Estou com medo... Com medo de estar num espaço apertado no subsolo, numa escuridão que quase certamente abriga criaturas que fariam minha pele se arrepiar se eu as visse à luz do dia. E tenho medos irracionais, também, como de que o chão possa sumir à nossa frente e nosso próximo passo nos lance no vazio. Mas também estou empolgada e sei que Quinn conhece o caminho.
Como se ouvisse uma deixa, ela se abaixa mais e se vira – o que não é fácil ali –, pousando a mão livre gentilmente na minha cabeça enquanto me guia por uma curva onde a rocha se projeta de cima.
– Cuidado aqui – sussurra ela. – A pedra é afiada.
É bastante óbvio que Quinn esteve aqui muitas vezes...
Quando faço a curva na passagem, com as costas ainda encurvadas, vejo uma leve claridade a distância e minha expectativa cresce – com uma nova sensação de não estar entendendo o que há adiante.
A luz... Ela tremula como uma chama.
Será que há alguém ali?
Vamos nos encontrar com alguém?
Se Quinn está surpresa, não verbaliza isso. Só continua a me puxar pelo corredor ligeiramente curvo em direção àquela luz.
Finalmente meus olhos começam a captar detalhes ao redor. A passagem é bastante seca e lisa, não tão apavorante quanto eu havia pensado. As paredes parecem bem cuidadas. Olho para baixo e vejo que o chão de terra foi varrido, de modo que não há nada em que tropeçar. E o ar, apesar da umidade, cheira a especiaria... Talvez seja algum tipo de incenso. Respiro fundo, pensando que o cheiro lembra vagamente o perfume incomum que comecei a associar a Quinn quando estava nos Estados Unidos.
Ando junto aos calcanhares dela, aventurando-me a arrastar na parede ao lado as pontas dos dedos da mão livre, imaginando se Quinn escolheu aquele perfume porque a lembrava deste lugar.
A luz fica mais forte e meu coração começa a bater com mais intensidade. Estou prestes a ver o que provavelmente – não, certamente – é o lugar mais importante da minha vida...
O teto fica mais alto e as paredes se afastam à medida que nos aproximamos, de modo que até Quinn pode andar ereta. No último momento – justo quando passamos embaixo de um suporte de madeira rústico que marca a entrada da câmara, ela me puxa e depois fica de lado, permitindo que eu passe na frente.
– Foi aqui, Anastácia – diz ela, com a voz baixa e reverente –, que nossos pais nos prometeram uma a outra.
Entro na caverna escondida, iluminada por uma pequena fileira de velas simples dispostas numa mesa de madeira, quase como um altar... E é quando percebo que já estive aqui antes, que o bebê que às vezes visualizo sendo oferecido numa cerimônia de noivado subterrânea sou EU.
Aquela criança sempre me pareceu uma estranha.
Mas, claro, aquele bebê era... eu. Em carne e osso. Meus olhos testemunharam tudo isso antes. Talvez eu tenha sido posta naquela mesa.
E Quinn...
Viro-me devagar para encará-la e vejo que ela parece ao mesmo tempo feliz e solene enquanto, claramente entendendo o que me passa na cabeça, diz:
– Sim, Anastácia, isto, ESTE lugar, é onde você e eu nos conhecemos.
Ela fica perto da entrada, dando-me tempo de captar tudo. De ver com meus olhos e sentir todas as emoções que me atravessam enquanto estou num lugar que, como prometeu Quinn, é sagrado para os clãs dos vampiros.
A caverna não é grande, mas, como o corredor, está limpa e bem cuidada. Além da mesa, há bancos de madeira, rústicos como o portal da entrada e arrumados em filas, quase como uma sala de aula ou uma igreja.
– Foi aqui que nossos ancestrais tomaram todas as decisões mais importantes – explica Quinn, obviamente vendo como meu olhar se demora nos bancos.
– Os Anciões e os vampiros mais importantes se reuniam aqui para debater. Ainda se reúnem, para os encontros mais cruciais, clandestinos.
Viro-me para ela e a vejo observar aquele espaço como se também voltasse a vê-lo depois de muito tempo.
– Era aqui que eles vinham buscar refúgio, não era? – pergunto. – Nas épocas de expurgo?
Um arrepio me atravessa, não por causa do frio da caverna. Nossos pais foram destruídos no último expurgo. Será que haverá outros?
– Sim – confirma Quinn, andando pela câmara, as mãos cruzadas às costas e a cabeça baixa, como sempre faz quando fica pensativa. – Este sempre foi um porto seguro. Sua localização é mantida em segredo. – Ela ergue os olhos para encontrar os meus e acrescenta: – O vampiro que revelar a um humano a localização DESTA caverna será destruído. Essa é a punição, sem clemência, sem piedade.
Observo Quinn declarar com frieza esse fato e, mesmo sabendo que ela foi preparada para governar, fico espantada – e ligeiramente irritada – de pensar que a vampira que me beija com tanta ternura e que acabou de proteger minha cabeça com a mão gentil não hesitaria em fazer valer esse tipo de justiça.
A insegurança me oprime. Será que eu, por ser uma princesa, vou ser responsável por dar uma sentença dessas? Seria responsável por fazer isso AGORA, se um Dragomir quebrasse esse segredo?
Encaro intensamente os olhos de Quinn. Será que ela já atuou como juíza, será que algum dia deu uma sentença dessas?
Penso em perguntar a ela, mas mudo de ideia. Talvez eu não queira saber, pelo menos não agora. Por isso faço outra pergunta que está me incomodando.
– Se este é um lugar seguro, por que nossos pais...
Mas Quinn já estava balançando a cabeça.
– Os governantes não se escondem, Anastácia. Sobretudo líderes como nossos pais eram. Como NÓS seremos. Reis e rainhas não se encolhem em cavernas, nem mesmo para salvar suas vidas.
Engulo em seco, com uma sensação esquisita na boca do estômago, e não somente porque duvido da minha coragem diante da destruição: Quinn nos elevou a “rei e rainha”, mas ela e eu somos apenas princesas. Pelo menos eu sou apenas uma princesa. E chegar a rainha... Isso só acontece se nós... se Quinn e eu... nos casarmos e tivermos um FILHO. Um herdeiro do trono, que completaria a última parte do pacto para unir nossos clãs. Isso é meio complicado, já que somos duas mulheres, mas o mundo está tão moderno e... Bom, isso é uma questão para se resolver um pouco mais adiante.
Olho a vampira bonita e poderosa à minha frente, sem saber se a sensação no estômago é pura empolgação, se apareceu porque desejo mesmo esse futuro com ela ou se é causada pela minha ansiedade.
– Não fique tão preocupada, Anastácia – diz ela, um sorriso surgindo em seus lábios enquanto chega mais perto de mim. Ela segura minhas mãos e se curva para encostar a testa na minha, com os dedos acariciando os meus. – Tudo no devido tempo, certo? – pergunta baixinho, obviamente adivinhando meu pensamento. – Não queria assustar você.
Enquanto ficamos juntas na caverna silenciosa, no círculo de luz de velas, minha preocupação desaparece. Eu aceitaria qualquer futuro, exerceria a justiça dura, enfrentaria a destruição, qualquer coisa, só para ficar assim com Quinn por alguns instantes.
– Não estou com medo – garanto.
– Tem certeza? – pergunta ela, juntando minhas mãos e apertando-as contra o peito, de modo que eu sinta seu coração bater.
Depois de alguns segundos percebo que o coração de Quinn bate um pouco mais depressa do que o normal. Só um pouquinho mais rápido e mais forte do que seu ritmo lento, quase imperceptível. Levanto o rosto para o dela, imaginando o que poderia fazer o coração de Quinn Fabray acelerar.
Então vejo que também há algo diferente nos seus olhos, um clarão que me diz que algo está acontecendo. Algo mais do que somente Quinn me mostrar a caverna aonde gerações de vampiros romenos vieram selar pactos e forjar tratados e às vezes se refugiar da perseguição dos humanos.
Com o canto do olho vejo as velas tremeluzindo também e tenho a segunda revelação da noite: além de aquela caverna ser o lugar onde nós nos conhecemos, Quinn a preparou para nós hoje.
Os passos descendo rápidos na montanha quase certamente eram de um dos seus guardas de confiança retornando depois de terminar a tarefa de preparar a caverna para nossa chegada.
E o fato de termos feito essa jornada no escuro, quando teria sido tão mais fácil à luz do dia...
Examino os olhos verdes de Quinn desejando mais do que nunca ser capaz de ler seus pensamentos assim como ela parece capaz de ler os meus. Ainda sentindo seu coração bater no ritmo novo, pergunto:
– Quinn, por que estamos aqui esta noite?
E sua resposta não é nada do que imaginei.
Quinn se afasta de mim, só um passo, mas continua a segurar minhas duas mãos. Seus olhos estão fixos nos meus e gradualmente vejo-os mudar de novo.
Pela primeira vez vejo em seus olhos enigmáticos, frequentemente resguardados, a mesma necessidade explícita de mim que eu sempre lhe mostro e sei que a última barreira entre nós está sendo derrubada. Quinn me disse, muitas vezes, que me ama. E eu vi esse amor em seus olhos. Mas nunca assim. Ela está se revelando de propósito, expondo a alma de um modo que sei que é difícil para ela, e não consigo deixar de encarar seus olhos, querendo me lembrar para sempre desse momento, dessa expressão.
– Eu trouxe você aqui esta noite para pedir que se case comigo, Anastácia – diz Quinn finalmente, no momento em que começo a sentir que estou despencando naqueles olhos, como tive medo de cair num abismo enquanto vínhamos para este lugar.
Mas com essas palavras – essas palavras impossíveis – tudo fica parado.
O próprio tempo parece se imobilizar bruscamente.
– Quinn... – murmuro seu nome, sem acreditar que o momento é real.
Casar com Quinn é praticamente tudo em que pensei – ao mesmo tempo evitando e desejando desesperadamente – desde que a conheci e fiquei sabendo do pacto. No entanto, ainda não consigo acreditar nos meus ouvidos e fico examinando as profundezas infinitas e verdes de seus olhos, querendo a confirmação de que não estou dormindo.
– Quinn...?
Ela segura minhas mãos com mais força, apertando-as contra o peito.
– Eu quero pedir, neste lugar onde fomos prometidas uma a outra, que você se case comigo, não porque isso é exigido de você, mas porque você me ama como eu a amo – diz ela. – Peço que me escolha por livre vontade, porque é assim que escolho VOCÊ, Anastácia. Não para cumprir um pacto, mas para seguir meu coração, que não aceitará nada menos do que uma vida com você ao meu lado.
Quero gritar “Sim!”. Quero berrar e me jogar nos braços dela. Mas meus pés parecem enraizados e minha língua está presa na boca. Não consigo fazer nada além de encará-la, certa de que ela já vê a resposta nos meus olhos.
E então, de pé à minha frente, o que parece adequado para nós duas, melhor do que ela se ela se ajoelhasse, Quinn faz a pergunta que eu queria escutar... talvez desde a primeira vez que a vi.
– Anastácia, quer se casar comigo? – Ela solta uma das minhas mãos para acariciar meu rosto, empurra meus cabelos e sua voz fica mais suave, mais terna ainda, quando pergunta de novo, quase num sussurro: – Quer, Anastácia? Ser minha mulher?
Aquela vulnerabilidade nua que eu tinha visto nos olhos de Quinn ecoa em sua voz e é essa doçura – esse pedido sem reservas, esperançoso, de que eu prometa ficar para sempre com ela – que finalmente me permite falar. Porque sei que isso é o mais perto que Quinn jamais chegará de suplicar em toda a sua existência e é o que ela está fazendo por mim. Para mostrar quanto me quer.
– Quero, Quinn! – grito. Pelo menos penso que grito. Mas na verdade minha voz sai fraca, quase embargada. – Quero! – repito, tirando minhas mãos das dela e passando os braços ao redor de seu pescoço. Fico nas pontas dos pés para alcançá-la, para sussurrar no seu ouvido, porque quero lhe dizer, de novo e de novo: – Quero, quero, quero...
Ela me aperta, sussurrando no meu ouvido também.
– Obrigada, Rachel... Obrigada por me amar...
Ficamos abraçadas por um longo tempo enquanto a realidade se assenta. Vamos nos casar, não para cumprir um tratado, mas porque não podemos viver uma sem a outra.
Então Quinn enfia uma das mãos no meu cabelo e eu me ajeito em seus braços para ver seu rosto de novo, logo antes de ela se curvar e seus lábios encontrarem os meus, beijando-me com suavidade. Então nos beijamos assim várias vezes, gentilmente. É como se nós duas reconhecêssemos que esse momento merece reverência, assim como o local em que ele acontece. Quando os lábios macios de Quinn encontram com tanto cuidado os meus suaves, é quase como se ela estivesse me prometendo: “É assim que sempre vou cuidar de você.”
E de algum modo, enquanto ainda estamos nos beijando, Quinn pega minha mão esquerda e põe um anel no meu dedo. Nem chego a percebê-la colocar a mão no bolso para pegá-lo.
Sei que a maioria das garotas provavelmente daria um gritinho e recuaria, querendo ver o diamante, mas eu nem abro os olhos. Só ponho os braços de novo em volta do pescoço dela, sem me importar com a aparência do anel. Eu ficaria feliz com nada... com nada mais do que já temos...
– Rachel...
A voz se intrometeu no meu sonho e eu rolei de lado, afastando-a, não querendo abandonar Quinn e tudo o que eu estava revivendo. Mas a voz – a voz de mamãe – me interrompeu de novo e senti uma pressão no ombro enquanto ela me sacudia.
– Rachel.
– Ah, mãe – reclamei, desejando mais cinco minutos na cama –, por favor.
Mas mamãe apenas me sacudiu com um pouco mais de força e, quando abri os olhos, ela estava rindo de mim.
Pisquei umas três vezes, porque a luz do sol estava entrando no quarto e refletindo no diamante enorme que agora sempre adorna minha mão esquerda. Herança da família Fabray, tinha sido retirado e escondido pela mãe de Quinn, Reveka, antes de sua destruição. Um tesouro antigoque ela queria que sua filha única me desse.
Então olhei para mamãe e ela parecia feliz de novo e talvez um pouco surpresa ao se ouvir dizendo palavras que me surpreendiam também, mesmo que eu estivesse planejando e antevendo nada menos do que este dia há semanas.
– Acorda, dorminhoca – instigou ela com um sorriso. – Você vai se casar hoje!
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