O amor não está na moda!
14 Péssimos acontecimentos
Notas iniciais
Pan estava desolada.
E o pior é que pressentiu isso.
Desde a festa no hotel sabia que aquilo não terminaria bem, sabia que deveria ter ficado de olho em Trunks com aquela garota, mas não foi isso o que fez?
Pediu para Trunks, conversou com Trunks, foi sincera com ele...
E em troca? recebeu isso.
Uma mentira, seguida de enganação e traição.
Entrou em seu carro e deu partida, sabendo que estava sendo seguida.
Acelerou e os chamados pelo seu nome cessaram.
Não, não choraria. Não agora.
Qual era seu problema? Primeiro foi Goten... mas ok, ele estava focado em Bra desde o ínicio, então foi perdoável. E não passou de atração.
Com Trunks foi diferente. Se apaixonou, assumiu uma relação, e foi esse seu final? Traída?
Confiou, se entregou, e acreditou que os dois estavam na mesma sintonia.
Quando Trunks a chamou para ir até sua casa, imaginou que se explicaria sobre a noite anterior.
Assim que o viu, percebeu o quanto estava tenso, e esperou pelo pior. Mas não imaginava que realmente tinha acontecido.
Ele foi direto, o que fez o choque vir em uma dose única. Seus olhos negros se arregalaram e ela não conseguiu dizer nada. Sua vontade foi de soca-lo, xinga-lo, mas nada saiu. Simplesmente se virou e foi embora.
Não choraria na frente dele, jamais! ao menos assim manteria sua dignidade, ou o que restou dela.
*
– Tem certeza que não quer que eu fique?
– Tenho.
Estavam deitados na enorme cama, ofegantes. Os braços fortes envolviam a cintura fina da mulher.
Após saírem (com muito custo) do escritório de Goten, foram direto para a casa da estilista, e o que era para ser apenas uma carona até a casa, se tornou em uma visita longa... envolvendo vários cômodos da casa.
Por fim, terminando na cama.
– Adoraria dormir com você novamente, e dessa vez, prometo que quando acordar estarei ao seu lado.
– É uma proposta e tanto... -disse de forma pensativa- mas não. Amanhã tenho tenho que ir até a fábrica, fazer conferencia de tecidos, depois volto para o escritório e pretendo ficar lá até Deus sabe quando. E sei que você tem que bastante trabalho atrasado mocinho.
Ele sabia muito bem que a rotina de ambos era corrida. A de Bra sem dúvidas era o dobro, ou até o triplo da dele, mas queria estar com ela.
Por outro lado, teria de entender.
Droga.
De Goten-o-cafajeste para Goten-o-grudento.
Haja saco.
– Ahhhh! olha a cara que você está fazendo -disse a estilista, enquanto ria-
Sem dúvidas devia estar com a típica cara de cão abandonado, mas não importava.
Ultimamente muita coisa não importava.
Ele estava com ela, nua, e em seus braços.
Nada mais importava.
A puxou para outro beijo, mas o momento foi interrompido pelo som da campainha da casa.
Inferno
– Você tem mesmo que atender?
– Sim, eu tenho mesmo que atender. -respondeu, tentando se livrar dos braços que a envolviam-
– Mas você está nua. Eu vou descer e ver quem é...
– Nada disso! Se te consola, só vou atender se for alguém importante. -continuou antes que Goten protestasse contra- Eu só vou ver quem é... volto em um segundo.
Apesar dos resmungos, Bra vestiu um roupão na velocidade da luz e saiu do quarto.
E se fosse Daniel? Não duvidava nem um pouco que fosse ele. E também não duvidava que quebraria a cara dele, só para deixar claro que Bra já tinha um homem.
Ponto final.
Após dois (eternos) minutos, escutou um "Goten, não saia do quarto!"
Até
Parece
Vestiu sua cueca o mais rápido que pôde, saiu do quarto, desceu as escadas e se deparou com Pan.
A morena arregalou os olhos e os cobriu imediatamente, diante da imagem do corpo de Goten coberto apenas pela cueca.
– Droga... Eu estou atrapalhando vocês! Sinto muito... Sinto muito mesmo!
– Eu não sabia que era você, foi mal. Foi super mal.
Bra respirou fundo quando viu a cena.
Foi a mesma coisa que dizer "Goten, desça agora mesmo!"
Mas teve que rir para não chorar.
Sabia muito bem o motivo da Pan estar ali, e daria total suporte para a amiga, ela precisava.
– Sou eu quem sente muito, Goten precisa aprender a me ouvir mais, não é mesmo? -disse o fuzilando- Amiga, fique á vontade, sabe que a casa é sua. Volto em um minuto, ok?
Que ótimo!
Não sabia por qual motivo se sentia pior: sua situação com Trunks, ou por ter arruinado a noite da amiga.
Estava tão envergonhada, que caso tivesse um buraco mais próximo, enfiaria a cabeça.
Mas precisava de Bra. E sabia muito bem que Trunks iria procura-la em sua casa, então não passaria a noite lá de jeito nenhum.
Cinco minutos mais tarde, Bra e Goten saíram do quarto (sorridentes até demais, porém vestidos).
– Eu sinto muito por ter atrapalhado vocês... de verdade.
– Pan, fique tranquila -respondeu Goten, de forma tranquila e sorrindo daquele jeito delicioso que ele sorria- Eu já estava de saída.
Bra o acompanhou até o carro, e enquanto aguardava, Pan decidiu tomar um banho. Relaxar seria bom... se conseguisse, claro.
Quando saiu do chuveiro, Bra já tinha retornado. Não fazia ideia de quanto tempo havia ficado no banho, felizmente se sentia um pouco melhor.
– Posso entrar?
O tom da estilista era preocupado, como se já soubesse o motivo que trazia Pan com tamanha urgência até sua casa.
Bra trouxe consigo algumas roupas, e canecas com chocolate quente.
Sabia muito bem que chocolate quente acalmava os nervos de Pan.
O que levou a conclusão de que Bra ou lia seus pensamentos, ou ela já sabia o que estava acontecendo.
– Eu sinto muito por ter atrapalhado vocês... sabe... você e Goten.
– Não tem com o que se desculpar Pan, de verdade. -respondeu, tirando uma mecha de cabelo do rosto da amiga- Agora me diga o que está acontecendo... conheço essa carinha.
Finalmente poderia dizer tudo o que a estava sufocado. Liberar aquela agonia, aquela angustia aprisionada desde que saiu do maldito apartamento de Trunks. Apesar de Bra ser irmã do causador de todo sofrimento, era sua melhor amiga.
Estava pronta para desabafar...
Ótimo.
Mas a única coisa que conseguiu fazer foi começar a chorar ridiculamente, feito uma garotinha.
– Meu Deus... Pan...
– Não, não. -disse enxugando o restante das lágrimas, em seguida forçando um sorriso- Não se preocupe. Olha só, você até fez chocolate quente! deveria aparecer na sua casa mais vezes com meus problemas.
– Pan, me deixe te ajudar
– Ele me traiu Bra. -disse fitando a caneca com a bebida quente em sua mão- Com Hayley. E acho que não consigo lidar com isso.
Esperava todos os xingamentos possíveis dedicados á Trunks, mas a única reação da amiga foi segurar sua mão e tentar olhar se ainda chorava com aqueles enormes olhos azuis.
– Você... você sabia de algo? Suspeitava?
– Trunks conversou comigo hoje mais cedo, e me disse o que aconteceu. Não me achei no direito de te contar, pedi que ele fosse homem o suficiente para assumir o que fez e ser sincero com você... Acho que ele me ouviu. Mas Pan, foi um beijo e nada mais. Sei que o detesta nesse momento, e eu também o detestei. Mas Trunks não dormiu com ela, foi um beijo roubado e só.
– Um beijo? Isso foi o que ele disse, quem garante que foi realmente isso? Não posso e nem consigo confiar nele, sinto muito!
– Hayley pode confirmar isso, Trunks disse que ela o rejeitou, mas preciso saber se a versão dela é a mesma. Tenho quase certeza que sim mas prec..
– Ah claro! é claro que aquela vaca vai confirmar, aliás os dois foram cumplices nisso! -respondeu, interrompendo de forma alterada-
– Eu sei que está com raiva, não tiro sua razão.-disse Bra, enquanto tentava acalmar Pan- Mas pelo o que eu entendi ela é tão vítima quanto você. Se ambos fossem cúmplices nisso, por qual motivo Trunks contaria o que aconteceu? Ou até envolveria o nome dela nisso? Não tire conclusões precipitadas amiga, vamos esperar e resolver isso, ok?
A morena concordou, mas não confiava em Hayley. De forma alguma! Por mais que Bra tentasse defende-la, sabia muito bem que ela tinha tanta culpa quanto Trunks, e apostava todos seus sapatos que eles tinham combinado a versão da história juntos!
Conversaram por mais um bom período, e logo o clima de fui-traída foi quebrado, e a conversa se tornou mais descontraída. Afinal, a vida não espera até que seu coração seja reconstruído.
A conversa foi interrompida pelo toque do celular da estilista.
Pan automaticamente entrou em estado de alerta e disparou um "Se for ele, não diga que estou aqui"
O telefone era privado, mas Bra reconheceu a voz no mesmo instante.
– Preciso descer um instante, não vou demorar. -disse secamente para a modelo-
– Bra... aconteceu alguma coisa? Quem era no telefone? -perguntou preocupada-
– Nada com o que deva se preocupar -forçou um sorriso- Ah, e não é meu irmão, não se preocupe. Te explico quando voltar, só vou demorar um segundo.
*
Não tão longe dali, Goten tentava de todas as maneiras arrancar algo da irmã. Qualquer sinal do que Trunks tinha feito a ela, mas infelizmente Hayley estava sendo uma ótima atriz.
Óbvio
Tentando proteger Trunks
Como se ele já não soubesse o que tinha acontecido.
Por mais que Bra tenha conseguido faze-lo esquecer (muuuito bem) não admiritia que Trunks enganasse Hayley e Pan.
Isso não.
não mesmo.
Táaaaaaaa que ele não era o exemplo do bom homem defensor dos bons costumes, mas não era justo.
Não com a sua irmã.
E além do mais, esse papel é o DELE. Eu, Goten, sou o canalha da história, Trunks não tem vocação para esse cargo.
Bom, ultimamente nem ele mesmo estava tendo.
– Goten, já disse. Não aconteceu nada. Trunks e eu fomos tomar um café e foi isso.
Pobre Hayley que achava em sua mente que me enganava.
Repsosta errada.
Mas não a forçaria a nada. Não quer contar? não conte. Apenas não queria Trunks atrás dela.
Se isso permanecesse assim, tudo ficaria bem.
Na medida do possível, claro.
– Agora me fala vai... -disse a morena com um sorriso sapeca nos lábios- você e Bra... Como vão as coisas?
Bom... só estariam melhores se eu estivesse com ela agora. De preferencia por cima dela. Ou ela por cima tanto faz...
– Gosto de estar com ela. É isso.
– Goten... -respondeu erguendo uma das sobrancelhas- Você sente muito além disso. Isso é um fato estampado na sua cara em neon para qualquer pessoa ver. Com ela é diferente, não é?
Silêncio
Total.
– Sou mesmo obrigado a falar sobre isso? Falar sobre isso com você?
– De preferência sim! Ah, para, sabe que sou curiosa! E desde já a aprovo como sua primeira relação, e como minha cunhada. Já a considero da família -disse sorrindo-
– Sim, com ela é diferente. Eu não tenho experiência com esse tipo de coisa... com relacionamentos. Não sei ser romântico, ás vezes acho que ela precisa de alguém melhor do que eu. Que saiba o que quer, que tipo de relação quer, e não alguém como eu. Você sabe como sou, não sabe? Mas, não quero vê-la com outra pessoa, e muito menos estar com outra pessoa.
Hayley apenas sorria, de forma boba
– Que foi? Você me perguntou, e eu respondi! E sim as coisas estão bem. (muito bem a proposito, principalmente quando estávamos... Ah, deixa pra lá) Sinto falta de estar com ela, passamos um tempo juntos e já estou louco para ao menos telefonar e ouvir sua voz. Isso é sentir saudade? É isso que sentimos quando estamos com saudade de alguém? De uma mulher, eu digo.
– Ah Goten! Você está apaixonado!
É
E estava mesmo.
perdidinho da vida de apaixonado.
– Nunca me senti assim, acredite.
– Ela também sente algo por você, acredite. Mas sei o quanto ainda deve estar com um pé atrás em relação a tudo isso, afinal... Você sabe a fama que adquiriu.
– Sei que ela ainda não confia cem por cento em mim, e não a culpo. Tenho medo de decepciona-la e algum outro cara conquista-la. Principalmente o infeliz do Daniel... Sei que ele ainda está no pé dela, e quero mata-lo por isso. Mas não vou força-la a nada.
– Entendo, entendo. Mas mulheres gostam de atitudes, Goten. Não esqueça disso. Deixe-a ciente de que verdadeiramente quer algo com ela, afinal, é isso que a diferencia das outras mulheres com quem esteve. Você quer algo com ela, não é? Não a deixe escapar, por favor!
Definitivamente não a deixaria escapar.
*
– Ah, vai me dizer que não gostou nem um pouco do que te enviei?
Tem coisa pior do que um cara que você não tem interesse ficar no seu pé?
Tem sim.
É esse cara vir te pertubar no meio da noite.
– Daniel...
– Olha, isso tudo é pelo furo que dei na festa? Eu já te expliquei, era impossível! Bra, entenda. Não precisa fazer charme comigo, sabe que pode ser transparente quando estamos juntos, não sabe? -respondeu enquanto se aproximava dela (até demais) colocando uma das mãos em sua nuca e a outra acariciava seu rosto, pronto para beija-la. Bra percebendo, imediantamente o afastou-
– Daniel, não vai rolar! E não é pelo furo na festa. Desculpa, e por favor não me procure mais. Sinto muito se acabei te dando alguma esperança quando deixei aquele beijo ir adiante na pista de dança, ou quando o chamei para o hotel. Mas acho que o que aconteceu entre nós não deve se repetir. Devemos deixar o passado justamente onde ele pertence, e não insistir em algo que sabemos que não dará certo.
– Que diabos aconteceu com você? Pedi para você pensar sobre nós, e tenho certeza de que está agindo assim comigo por puro orgulho! Não seja assim Bra, não estrague tudo o que quero para nós, não vou aceitar isso.
Bra respirou fundo para não manda-lo ao inferno com essa histórinha de "você está fazendo charme comigo"
Que saco! Homens entendam: Nem sempre uma mulher está fazendo charme. Muitas vezes ela realmente NÃO QUER.
– Não vai aceitar o que? Vai me forçar a ter algo com você? Já disse, o motivo não foi pelo seu furo.
– Então me diz, qual é o motivo?
Goten.
Goten é o motivo.
– Tenho outra pessoa. O motivo é esse. Satisfeito?
Daniel lançou uma risada sarcastica que a deixou furiosa.
– Você agora está inventando que tem outra pessa?
– Pelo amor de Deus Daniel! Será que não consegue aceitar que uma mulher não queira estar com você? Ah, e quer saber? Não seria otária o suficiente para te dar um voto de confiança, já que quando viajei há anos atrás a primeira coisa que você fez foi ir atrás de outra mulher. Nunca, nunca me senti no direito de te dizer isso, afinal, nunca tivemos nada. Mas já que você se acha no direito de vir me pertubar com essa história, me dou essa liberdade de dizer o que penso há todo esse tempo. Agora, por favor, vá embora.
Ao invés de obedecer o pedido, Daniel a puxou para si e a beijou. Não dando espaço para resistência da parte de Bra
Ele não se renderia pelo orgulho dela, não mesmo!
Bra se debatia mas ele não se importou. Era óbvio que tudo aquilo era uma ceninha, ela estava sendo imatura, a verdade era uma só. Logo se renderia a ele.
Com muito esforço Bra conseguiu se libertar, e sua primeira reação foi dar um tapa em Daniel. Ele tinha enlouquecido. Beija-la a força? Isso definitivamente passou de todos os limites aceitáveis.
– Que merda! por que está agindo assim?! -perguntou de forma indignada- Olha só! Você se machucou! -disse enquanto se aproximava novamente, com a intenção de tocar o lábio inferior da estilista que estava machucado, resultado do esforço para se libertar-
– Que merda? Daniel, vá se foder! Entendeu? Me beijar a força? Achei que você fosse melhor do que isso. Nunca mais encoste em mim! Está avisado.
– Você estava gostando!
– Olha, faça esse favor a si mesmo a saia da minha frente. Agora!
Pelo menos dessa vez ele teve o bom senso e obedeceu.
Droga, isso passou dos limites!
Bra decicidiu espantar os pensamentos de ódio para não preocupar Pan, e entrar novamente em casa.
Certificar de que tudo estivesse trancado não seria uma má ideia.
– Bra! por que demorou tanto?
Era Pan.
Preocupadíssima por sinal.
Não queria ter que preocupar Pan com seus problemas. Ainda mais com seus problemas com o idiota do Daniel. Pan já tinha assuntos demais para se preocupar.
– Bra... sua boca... o que aconteceu? Quem era na maldita porta?
Droga.
Havia esquecido que se machucou enquanto se soltava do infeliz do Daniel.
– Pan, não é nada com que deva se preocupar...
– Ah, não é nada? Alguém te liga, você diz que vai atender, some, e aparece machucada? E não quer me contar? E ainda diz que não é nada? eu fui traída mas não sou tão idiota assim, Bra por favor, o que houve? Quem fez isso com você?
– Daniel -respondeu secamente-
– Esperai ai... Você e Goten... Eu achei que... Mas foi ele quem fez isso com você? Por que ele te machucaria? -perguntou a modelo quase sem paciência-
– Ele me beijou a força. Quando consegui me soltar, acabei me machucado foi isso. Olha, não quero que se preocupe com isso..
– Ele o que?! -interrompeu, agora praticamente sem um pingo de paciência- Como ele te beijou a força? O que mais ele fez? Bra, isso é sério! Poderia ter me chamado!
– Pan, fique calma
– Ficar calma? Você vai ligar para o Goten e vai dizer o que aconteceu. Se você não ligar, ligo eu.
Ahhhh não.
De jeito nenhum
Não mesmo.
– Enlouqueceu? Não quero criar uma briga desnecessariamente e posso muito bem cuidar dos meus próprios problemas. E além do mais, já está tudo sob controle, Daniel não vai voltar a me incomodar.
– Ele a machucou. A beijou contra sua vontade, e você acha que está no controle da situação? Sinto muito, eu como sua amiga não posso deixar isso como está, Bra entenda!
Que dor de cabeça!
Maldita hora em que atendeu Daniel. Poderia muito bem dizer que estava indisposta ou qualquer outra desculpa.
Contar para Goten estava fora de cogitação.
Isso não!
Aquilo não iria se repetir, não tinha motivos para armar uma confusão.
Saiu de seus pensamentos quando seu celular começou a vibrar...
Não iria atender.
Não estava em condições de nada, além de tentar dormir.
Por sorte, Pan estava falando mais do que uma matraca e não prestou atenção no aparelho que vibrava, ou ela mesma atenderia e acabaria falando toda a merda que aconteceu.
E olha que ela nem sabia das escrotices que ele tinha dito.
Certo.
Hora de tentar esquecer aquilo e dormir.
Pelo menos tentar.
*
No dia seguinte Goten acordou angustiado.
Se sentia um panaca por isso, mas era a realidade. Sua angustia tinha nome e sobrenome: Bra Briefs.
Perdeu o número de ligações que realizou, todas sem sucesso.
Tudo bem, tudo bem, ás vezes ela e Pan só estavam ocupadas, e ela acabou nem visualizando essas ligações.
É isso.
Mas de qualquer forma, precisava saber se ela estava bem, e pretendia que fosse pessoalmente.
Chegou ao trabalho extremamente cedo, eram exatas 05h50 da manhã e o moreno já estava em frente ao computador, em sua deslumbrante cadeira de couro. Geralmente seu dia na empresa só começava a partir das 08h00. Mas tinha muito trabalho acumulado, e seu lado "maricas apaixonado" estava falando mais alto, então caso tivesse sorte, daria um jeito de ver Bra, ao menos para saber se ela estava bem.
Eram 9h00 quando Hayley chegou ao escritório, com um café forte em um das mãos e pastas e papéis em outra. Vestia um terninho perto que lhe caia muito bem, seus cachos presos em um coque no alto da cabeça, alguns caindo sobre seu belo rosto.
Tinha certeza que Goten descobriu o que aconteceu entre ela e Trunks... droga! Será que Pan também já sabia?
A última coisa que queria era atrapalhar o relacionamento, e pior ainda, estragar a amizade entre Trunks e Goten.
Jamais se perdoaria.
Deu bom dia ao irmão, que estava concentrado demais na tela do computador (pelo menos não faria mais perguntas) sentou em sua mesa e começou seu trabalho.
Ao menos tentou.
Sua preocupação era maior do que tudo no momento, talvez devesse conversar com Bra e contar o que aconteceu. Perguntar se Trunks tinha dito algo do que aconteceu, e claro, desabafar o ocorrido.
Não aguentava mais guardar tudo para si mesma...
No meio do dia mandou uma mensagem de texto para Bra, explicando que precisava conversar, caso ela tivesse um tempinho livre.
A estilista respondeu de forma adorável, e isso só fazia com que Hayley torcesse ainda mais por ela e pelo irmão como um casal.
Detestava atrapalhar a rotina das pessoas, mas precisava tirar esse peso da consciência.
Não queria ver Trunks, definitivamente, nunca mais.
E não por raiva, ou qualquer sentimento negativo, muito pelo contrário. Desejava o melhor para ele, e a última coisa que queria era prejudica-lo.
Não queria vê-lo pelo simples fato de que conhecia muito bem os sentimentos que nutria.
E se detestava por isso.
Goten estava com tanto trabalho acumulado, que Hayley nem percbeu o tempo passar.
Mas nem isso fez com que os pensamentos saíssem da sua cabeça.
Finalmente conversaria com Bra, e tiraria um pouco o peso da consciência.
Já estava de saída, quando a voz grave do irmão a interrompeu.
– O que exatamente você vai fazer com Bra? -perguntou mais direto impossível-
– Já disse, vamos somente tomar um café, conversar, fazer compras, essas coisas que as mulheres fazem Goten! Que coisa! Não vou rouba-la de você, fique tranquilo.
Óbvio que não diria "ah, relaxa! Só vou desabafar com Bra sobre seu irmão por quem supostamente ainda sou apaixonada, que acabou me beijando e provavelmente terá problemas no relacionamento por minha causa"
– Você me daria cinco minutos?
– Ah Goten, me poupe! já disse, não vou rouba-la de você! -respondeu a morena já saindo em direção ao elevador-
– Hayley, entenda... ela não atende as minhas ligações, eu estou preocupado. Não sei que merda eu fiz de errado, e nem pretendo passar o resto dos meus dias aqui, tentando entender enquanto ela me ignora. Serei breve, eu prometo.
*
Caramba, que frio!
Pensava a estilista enquanto aguardava Hayley.
Ela praticamente leu seus pensamentos quando sugeriu que se encontrassem, e que precisavam conversar.
Estava na torcida para que fosse relacionado á Trunks, e sobre tudo o que aconteceu, afinal, precisava de todas as formas entender tudo aquilo, mesmo tendo a total certeza que de Hayley era tão inocente nessa história quanto Pan.
Só esperava que não fosse nada relacionado á Goten..
Não que não quisesse falar sobre ele, muito pelo contrário, mas não ficaria em paz enquanto não soubesse de toda a história com Trunks, na versão da Hayley.
Ouviu seu nome ser chamado, a voz ainda distante...
Merda!
Era ele.
Claro, ela só podia ser idiota ao pensar, sequer imaginar, que Goten não saiba que ela e Hayley se encontrariam.
E mais idiota ainda em imaginar que ele não viria até ela.
Droga, ele deve estar furioso
– Você está bem? -foi a única coisa que perguntou, na verdade, a primeira que saiu-
– É sério isso Bra? Você não atende ou retorna minhas ligações desde ontem,acho que sou eu quem devo lhe fazer esse tipo de pergunta.
O cheiro dele imediatamente inavadiu as narinas da estilista, caramba, como ele estava bonito naquele terno!
E estava ainda mais sensual com aquela expressão séria, a encarando com aqueles olhos...
O que ele tinha dito mesmo?
– Bra? o que há de errado com você?
– Não há nada de errado -forçou um sorriso- Ando trabalhando muito, é só isso. -respondeu de imediato, torcendo para que ele se convencesse de que era somente o trabalho-
Goten fez menção em toca-la, mas interrompeu o movimento das mãos enquanto analisava algo.
Imediatamente sua expressão mudou.
– O que é isso?
– Isso o que? -respondeu Bra, torcendo para não ser a pergunta que estava esperando-
– Não se faça de idiota, sei que não é. Seu lábio, quem fez isso com você?
Droga!
Droga!
Mil vezes droga!
O que diria? Que merda de mentira inventaria? "Ah, eu me machuquei tentando abrir uma embalagem, não é nada de mais"
Não
Não colaria
Não com Goten.
– Daniel...
Quando percebeu, já havia dito. Suas mãos foram imediatamente para o lábio ferido, relembrando de toda a merda que havia escutado e acontecido.
– Hã? Eu ouvi bem? -perguntou o empresário já alterado-
– Ele esteve na minha casa ontem. Não dentro da minha casa, só na porta. Discutimos e ele me beijou... me forçou. Acabei me machuando, mas já foi, esqueça isso.
Silêncio
Total
– Você está me dizendo que Daniel foi a sua casa, beijou você, não, na verdade, beijou você a força e você não me diz nada? -finalmente disse, na verdade gritou, o empresário-
– Goten, as pessoas estão olhando, pode por gentileza não gritar!
– Que se foda! Eu quero que se foda as pessoas, você e seu Daniel. -a esse ponto já estava andando de um lado para o outro desejando esmurrar algo ou alguém de preferencia- Só sirvo para você na cama, não é? Não é mesmo Bra?
– Goten, por favor...
– Se não sirvo como homem para que possa me contar quando alguém te força a algo, a única coisa que posso entender é que só sirvo sexualmente para você. Se divertiu? Sei que sim. É por isso que ontem eu não podia dormir com você, não é mesmo?
– Pode para com isso? Que merda está falando, eu só não queria problemas, pare de agir assim!
– Tudo bem, sou um saco agindo assim, não sou? Deveria estar lhe dando prazer não é? Não é dessa forma que você pensa sobre mim? Agora saia da minha frente, não é com você que vou resolver esse assunto.
Saiu sem dar chance alguma para Bra. Não deu ouvidos ao seu chamado, simplesmente partiu feito um raio.
E o pior de tudo é que Bra tinha certeza que nada de bom sairia dali.
Hayley apareceu logo em seguida e percebeu o transtorno da estilista, ouvindo atentamente tudo o que aconteceu.
Sabia que Goten daria um jeito em Daniel, ele não deixaria isso barato, conhecia o irmão, e claro que isso a preocupava.
Por outro lado achava mais do que justo que Daniel se prejudicasse de todas as formas possíveis, afinal, forçar alguém? Forçar uma mulher a beija-lo? Quem força um beijo força qualquer tipo de coisa.
Seria uma noite daquelas.
*
Não tão longe dali, Trunks estava transtornado enquanto dirigia de volta para casa.
Sem noticias de Pan, se sentia o pior homem do mundo. Se é que podia se sentir um homem.
Bra também não atendia o celular, Hayley muito menos.
É, pelo visto todos resolveram sumir do mapa, inferno!
Mas merecia tudo aquilo, tinha total noção.
Mesmo que não fosse digno, decidiu tentar pela última vez conversar com Pan, ao menos saber se ela estava bem.
Mudou o trajeto rotineiro de volta á casa, e escolheu o caminho que daria na casa da namorada.
Ex namorada agora.
Não pensou no mal que causaria beijando Hayley, e o pior? É que agora que provavelmente perdeu Pan, percebeu que não valeu tanto a pena assim.
Definitivamente não valeu nem um pouco a pena.
Estava tão confuso com tudo, mas era apenas isso. Uma confusão da sua mente, não era amor. Não era nem ao menos paixão.
A luz do quarto e da sala de Pan estavam acessas, ufa, pelo menos ela estava em casa.
Mesmo que ela não o recebesse, ao menos sabia que estava bem.
Ou queria acreditar que estivesse.
Estacionou o carro, respirou fundo e desejou que ela o recebesse.
A porta abriu imediatamente.
Ótimo!
Acho que ainda há esperança em concertar as coisas.
Assim que o viu, Pan arregalou os olhos mas não fechou a porta. Se recompôs da surpresa, e o encarou, como quem dizia "Já chorei tudo o que tinha para chorar, você não me afeta mais"
– Tem um minuto? -perguntou Trunks, enquanto analisava o cenário atrás da modelo: Malas e mais malas, roupas espalhadas pelo sofá vermelho, pelo tapete bege... Era realmente o que estava pensando? Não esperou pela resposta da morena, e imendou uma pergunta com outra-
– Vai embora? -perguntou temendo a resposta-
– Se ainda se lembra, eu sou modelo, e geralmente modelos viajam constantemente. Mas acredito que esteve ocupado demais com Hayley para dedicar sua atenção a um detalhe tão insignificante. É isso que queria saber? Então, já sabe. Ajudo em algo mais?
– Pan, me deixe concertar as coisas! Você pode ao menos me ouvir?
– Eu já ouvi o suficiente. Não acho que tenhamos mais qualquer assunto para tratar, agora se me der licença...
– Não! -disse impedindo o fechamento da porta com o corpo- Pan, eu sinto tanto, fui tão imbecil, não houve nada entre mim e Hayley! Não enquanto eu estava com você, e nada além daquele beijo, por favor, tem como parar de empurrar a merda dessa porta?
– Se não sair agora, eu juro que chamo a policia, e digo que está tentando invadir minha casa -respondeu de forma séria-
– Me diga ao menos para onde vai, que droga!
– Minha vida profissional e pessoal não lhe diz respeito. Se tem ao menos um pouco de consideração, vá embora.
Ok, forçar a porta da casa de uma mulher na qual a intenção era suplicar perdão, não era a mais inteligente das decisões.
Mas não desistiria, com certeza não.
*
– Hayley, eu estou preocupada, ele não me atende... Ele vai fazer alguma besteira, eu sei disso! E é tudo culpa minha!
Se Trunks estava transtornado, Bra estava subindo pelas paredes.
Desde que Goten saiu para só Deus sabe onde (mas ela sabia muito bem) estava desesperada!
Tentou ir atrás dele diversas vezes, mas em todas, Hayley a impediu. Disse que o melhor era ficar, e esperar, uma hora ele retornaria, e ir atrás dele só complicaria as coisas.
Caso ele não retornasse, ai sim, iriam atrás dele.
– Bra, tente se acalmar, ok? Sei que não devo me meter, mas devia ter dito para ele o que aconteceu! Daniel não tinha esse direito, de jeito nenhum, e sinceramente? Meu irmão gosta muito de você. Mas, vamos ficar aqui, certo? Estamos na casa dele, ele não vai para outro lugar.
– Eu nunca vou me perdoar se algo acontecer, droga!
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