O amor não está na moda!
15 Cabeça quente.
Notas iniciais
Nem o que acabara de fazer o deixou mais calmo.
Nunca sentiu tanta raiva na vida, e nunca se sentiu tão idiota ao mesmo tempo. Deveria há muito tempo ter se colocado em seu devido lugar, e entender que Bra nunca o aceitaria além de uma transa.
Era isso.
Mas isso não signifcava que deixaria que alguém a machucasse.
Seu celular não parava de vibrar, e sabia muito bem quem era. Por sorte, não era a irmã e muito menos Bra, mas também não era alguém com quem estava afim de conversar.
Ou estava?
Bom, seria ótimo aceitar o convite que estava sendo oferecido há semanas, todos negados pelo simples fato de ter se prendido á maldita Bra!
Até que não seria uma má idéia relaxar um pouco essa noite, afinal, entre ele e Bra não existia absolutamente mais nada.
Na verdade, nunca existiu.
Ela conseguiu deixar isso bem claro.
*
Duas horas mais tarde, Hayley e Bra ainda estavam na mesma situação. Tão apreensivas, que não havia café, chocolate quente ou chá que as acalmasse.
Goten estava demorando demais, e Hayley sabia muito bem que nada de bom sairia dali. Estava tão preocupada, mas não podia deixar transparecer para Bra, que dizia a todo momento para irem atrás dele.
– Hayley... -disse a estilista-
– Bra, ele vai aparecer. -respondeu, tentando acalmar qualquer vestígio de nervosismo-
– Eu vou embora, já está tarde e não posso ficar aqui para sempre. Cuide dele, e diga que estive aqui, pode fazer isso por mim?
– Claro Bra, claro... sinto muito pelo o que houve, espero que tud...
Hayleu foi interrompida pelo barulho da fechadura se abrindo.
Finalmente!
Era Goten!
Com o cabelo bagunçado, roupa desgrenhada, e uma cara péssima.
– Que merda! onde você se meteu? Tem noção do quanto me preocupou? — Hayley disse imediatamente ao irmão, enquanto observava seu estado-
– Hayley, por favor, sem perguntas. Eu só preciso dorm...
Não terminou a frase. Não assim que botou os olhos em quem estava sentada no seu sofá.
Ótimoooooo, a última pessoa que desejava ver.
– Já pode sair da minha casa -disse apontando para Bra, sem ao menos se dar ao luxo de olhar em sua direção-
– Enlouqueceu? -respondeu Hayley, não dando chance ao irmão de rebater- Ela ficou todo o tempo aqui, preocupada com você, não admito que a trate dessa forma!
– Tudo bem, tudo bem Hayley -disse Bra, enquanto se digiria para a porta-
Não precisa se preocupar com a minha presença Goten, já estava de saída, assim que você chegasse.
– Ótimo, era tudo o que eu desejava ouvir. -disse o empresário-
Bra não ficaria ali nem mais um minuto sequer, o clima estava mais do que pesado. Por mais que sua preocupaçao tentasse falar mais alto, Goten claramente a expulsou de sua casa, com todas as letras e sem hesitação.
Certo, então seria dessa forma. Como ele desejar.
Apesar dos protestos de Hayley, e de ter quase certeza que ela mataria Goten assim que ela saisse de lá, se apressou e foi embora. Não olhou para trás, não olhou para ele ao menos para verificar se estava a observando.
Seria mais doloroso.
E por mais que não admitisse esse tipo de tratamento, ainda mais vindo de um homem, e ainda mais vindo de um homem com quem se relacionou, Bra sabia muito bem da porcentagem de culpa que tinha nisso tudo. Se ao menos tivesse seguido o conselho de Pan, e conversado com Goten sobre o que aconteceu, talvez a situação estivesse um pouco melhor.
Talvez não.
Mas de qualquer forma, ainda teria sua confiança.
– O que se passa pela sua cabeça? Você é imbecil ou o que?
Merda, Hayley não parava de falar! Para ser mais especifico, não parava de me xingar.
Ver Bra ali foi golpe baixo, e expulsa-la foi a única solução para que eu não pirasse de vez.
Depois de dar um jeito em Daniel, precisava terminar de tirar aquele estresse de alguma forma.
Mas adivinhem? Deu tudo errado.
Pela primeira vez na vida, não consegui ficar com uma mulher.
Simples assim, não deu. Não rolou. De jeito nenhum!
Por mais que eu quisesse, que eu tentasse, meu corpo e minha mente estavam projetados apenas para uma mulher.
Quando isso aconteceu? Quando foi o maldito momento em que me vinculei a ela dessa forma?
Agora estou no meu maldito quarto, com uma garrafa de vodka (já na metade) desejando-a e odiando-a como nunca.
Desejando tê-la para mim, e não deixar que nenhum babaca venha fazer algum mal novamente.
E pensando bem, expulsa-la foi a coisa mais inteligente que fez.
*
No dia seguinte, Pan estava dando uma última checada nas malas antes de partir.
Nunca agradeceu tanto por ser modelo, poder sair de toda essa confusão envolvendo o ex, não queria ter que encarar os fatos, pelo menos não agora.
Ainda mais depois da visita na noite passada.
Por mais que ela quisesse perdoa-lo, afinal, ainda o amava, isso era algo que ela não conseguiria. Não nesse momento.
Sentir-se traída, trocada, ou qualquer semelhante era uma dos piores sentimentos para uma mulher.
Na realidade, para qualquer pessoa.
"Pan, eu sinto tanto, fui tão imbecil, não houve nada entre eu e Hayley"
Aquelas palavras martelaram sua mente durante toda a noite. Ótimo, se não houve nada entre os dois, por que Trunks a beijou? Óbvio que gosta dela, dãrt! Pan, não seja tapada. Por um momento, sentiu vontade de pegar o telefone e pedir para ele lhe explicar de fato tudo o que houve... Afinal, só saberia de forma exata o que aconteceu se ouvisse o que Trunks tinha a dizer.
Burrice.
Tratou de afastar essa idéia idiota, e entrar no chuveiro, ou perderia seu vôo.
E isso sim seria uma total burrice.
Entrou na aguá e sentiu os jatos em sua nuca, suas costas... Automaticamente se lembrou de Trunks, e de como foram bons todos os banhos que compartilharam.
Bons não, maravilhosos.
Ótimo! Lá estava ela novamente com seus pensamentos imbecis.
Não demorou muito até desligar o chuveiro, se enrolar na toalha e sair em direção ao quarto.
Seria tudo normal, caso não tivesse que se apoiar na parede para manter o equilibrio, tudo culpa de uma tontura.
Merda! Essas coisas vinham acontecendo com frequencia nos últimos tempos. Talvez fosse a alimentação, ou quem sabe estresse... Enfim, cuidaria disso depois, e podia apostar que essa viagem lhe faria tão bem, que todos esse problemas desapareciam.
Ou ao menos seriam colocados no arquivo morto da sua memória.
Checou seu celular e a mensagem que recebeu a fez arregalar os olhos.
E não, não era de uma forma boa.
Droga! Precisava falar com Bra!
*
Após mais de dez minutos batendo na porta do quarto do irmão e o chamando, Hayley se deu por vencida e desistiu.
Se ele achava que se trancar no quarto com uma garrafa de bebida após expulsar a única mulher por quem se apaixonou resolveria todos os problemas? Ótimo.
Mais cedo ou mais tarde ele perceberia que as coisas não funcionam dessa forma, só esperava que não fosse tarde demais.
Mal podia se lembrar da imagem dele expulsando Bra, da expressão que ela fez.. Ainda bem que não possuia uma arma, ou provavelmente a uma hora dessas estaria respondendo por homícidio.
Deu uma última olhada no espelho da sala de estar, saiu de casa e apanhou o primeiro táxi. Pelo menos não teria que dirigir até a empresa, sua cabeça estava á milhão.
Chegando na entrada do prédio, ansiou por um dia melhor do que o anterior.
Mas... pelo visto não seria assim.
Parado em frente a entrada e procurando por alguém que provavelmente seria ela, estava Trunks.
Ótimo.
Era tudo o que eu precisava para iniciar meu dia!
Assim que a avistou, Trunks saiu desesperado ao encontro de Hayley, como se sua vida dependesse disso.
– Hayley, precis..
– Se vai dizer que precisamos conversar, já adianto: Não, nós não precisamos e nem temos o que conversar -interrompeu a morena, evitando olhar para Trunks- Não se preocupe comigo. Esqueça o que aconteceu, Trunks. De verdade, digo isso com toda a sinceridade. Siga sua vida, eu sigo a minha e nenhum dos dois precisa ficar remoendo o que aconteceu.
Trunks fez menção em iniciar algum discurso, porém mais uma vez Hayley o interrompeu. E seria assim até que ele decidisse ir embora, da útlima vez que deu trela ao que ele dizia, terminaram naquela situação.
Não cometeria o mesmo erro novamente.
– Trunks não perca seu tempo, e se veio aqui para limpar sua consciência, não precisa. Não guardo raiva alguma sobre você, mas acho que o que aconteceu foi um grande erro. Não devemos mais nos comportar como antigamente, como na nossa adolescência, Trunks nós crescemos! E Pan não merece isso. Você está com uma mulher incrível ao seu lado, tenho certeza disso, não cometa esses erros com ela, quero que seja feliz... Agora preciso ir. -Começou a caminhar para longe de Trunks assim que terminou o que disse, droga... só queria ir embora dali-
– Ela não quer me ver Hayley. Eu... eu estraguei tudo. Com você, Com Pan... eu..eu...
– Ela descobriu o que aconteceu? É isso? -perguntou, finalmente fitando os olhos claros e tão bonitos de Trunks-
– Só preciso conversar Hayley... apenas isso.
*
Bra despertou de seu sono, e automaticamente se arrependeu.
As lembranças da noite anterior vieram como uma grande onda para destruir qualquer esperança de que aquilo não passou de um pesadelo.
Se sentia péssima.
Ainda na cama, correu as mãos até encontrar o celular: Nenhuma ligação de Goten, nada!
Droga!
Sentiu o peito apertar, quando viu uma mensagem recebida.
Cruzou os dedos e desejou ser Goten.
Tinha que ser ele!
Por favor...
Bra
Daniel me mandou uma mensagem
(ps: Não faço ideia de como conseguiu meu número)
Dizendo que precisa conversar com Trunks
Isso tem alguma ligação sobre ele ter agarrado você?
Por favor me ligue!
Quando penso que já tenho dores de cabeça o suficiente...
No mínimo ele diria a Trunks o que aconteceu. E como Trunks regiria? Melhor nem pensar.
Tomei um banho e logo em seguida telefonei para Pan, que estava preocupadissima por sinal.
Expliquei a ela tudo o que aconteceu na noite anterior, desde Goten ter descoberto até a parte em que fui educadamente expulsa da casa dele.
Ela por sua vez me culpou por tudo
" Eu disse que você tinha que falar com Goten " " Bra você não tem sentimentos " " você o ofendeu " blábláblá
Já posso confeccionar camisetas de adoração ao Goten e presentar Pan? Sim, posso.
Depois de muita conversa e de faze-la perceber que eu realmente estava arrependida da minha parcela de culpa nisso tudo, as coisas se acalmaram.
Pan viajaria daqui duas horas, e como eu invejei isso!
Daria de tudo para poder fugir disso tudo, tentar esquecer todas as merdas que aconteceram, mas infelizmente não era possível. O trabalho fala mais alto, pelo menos agora.
Mas, do que adiantaria fugir? Tudo ainda estaria ali, afinal, existia uma coisa chamada memória que faria o favor de me lembrar de tudo o que aconteceu.
Por enquanto era seguir e torcer para um dia Goten olhar na minha cara novamente. Ou ao menos me perdoar. Para Trunks não descobrir da pior forma tudo o que vem acontecendo, e por último e não menos importante, que Daniel me deixe em paz.
Definitivamente em paz, e de uma forma amigável.
Toda vez que penso nisso, sinto um aperto terrível no peito. Como um pressentimento de que o pior ainda está por vir.
Que ótimo.
Afastei esses pensamentos e finalmente sai para focar em algo que ainda fazia decentemente: Trabalhar.
*
Cara... eles haviam terminado!
Era o pensamento de Hayley após a conversa que teve com Trunks. E o pior disso tudo? Era ela a culpada.
Se odiava tanto nesse momento, que seu único pensamento era ir embora. Sumir, desaparecer e nunca mais voltar a vê-lo.
Não foi justo nada disso, e caso não conseguisse consertar as coisas, viveria com esse peso para sempre.
Dramático? Que seja. Mas a última coisa que queria era desfazer o relacionamento de qualquer pessoa, ainda mais de Trunks.
E sim, ainda sentia algo por ele. Não sabia se podia chamar de paixão, mas algo existia. Porém isso não quer dizer que vai se meter com um cara comprometido, e por fim acabar com o relacionamento. Não, não, definitivamente não era esse tipo de mulher.
Pegou o telefone próximo a sua mesa para pedir socorro a única pessoa que saberia lidar com essa situação, mas foi interrompida por uma voz grave.
– Vi Trunks saindo daqui, o que ele queria?
Ah claro, meu querido irmãozinho resolveu aparecer.
– Ficou surdo? Tentei te chamar e quase derrubei sua porta, por quê não saiu do quarto? -perguntou-
– Te fiz uma pergunta.
– Goten, sinceramente eu não tenho culpa do seu mal humor. -respondeu, fingindo estar analisando uma pilha de documentos á sua frente-
– Não quero você se encontrando com Trunks, entendeu? Não sei se sabe, mas ele está comprometido com Pan.
– Estava... -disse a morena sem se dar conta do que estava dizendo. Merda!-
– O que disse? -perguntou com um tom de quem ouviu o que estava esperando- Trunks e Pan terminaram? Ah, deixe-me adivinhar... você tem seu dedo envolvido nisso, não é? Palmas!
– Eu não queria isso, e não me venha com sermões Goten, você sabe muito bem que não tem moral para me dizer nada, não depois do que aconteceu ontem!
– Não queria isso? Tem certeza? Por que acho que ninguém apontou uma arma na sua cabeça e te obrigou a dar uma volta com ele na madrugada, sabendo que ele estava em outra. E se poupe de tentar desmentir, por que eu sei de tudo. Hayley você não me faz de idiota. De inicio fiquei puto, e só queria te protejer... Mas agora? Vejo que tem tanta culpa quanto ele. Você queria, você planejou isso tudo quando o viu com Pan. Agora que conseguiu, já pode se abrir para ele. Se é que não estava fazendo isso enquanto ele estava aqui.
– Que merda está dizendo? -respondeu, se alterando- Eu sou sua irmã, seu imbecil! Sei que agi errado, mas nunca, em momento algum desejei prejudicar Trunks e muito menos Pan. Respeitei e respeito o que eles tem, e pretendo reparar todo o mal que acabei causando, mesmo sem intenção alguma. Diferente de você, que sempre será um canalha e pelo visto nunca tomará jeito, tenho algo chamado caratér, que bem provavel não herdei de você.
– Acho melhor você ir embora, e não digo da minha sala.
– Ah, agora está me expulsando? Como fez com Bra ontem? Acho que quem merece palmas é você! Que rídiculo! -respondeu já alterada, pegando sua bolsa enquanto encarava seu irmão de forma furiosa- Aceite que foi um babaca e pare de descontar sua frustração em mim.
– Claro, agora eu sou um babaca. É, realmente sou mesmo, por acreditar em alguém como ela. Mas pensando bem, vocês duas se merecem. Por que ainda perde seu tempo discutindo comigo Hayley? Já não conseguiu o que queria? Agora faça o favor e saia da minha frente, não tenho mais paciência para você. Saia daqui e pegue suas coisas da minha casa, não quero te encontrar lá quando voltar. -disse o empresário, enquanto apontava para a porta-
Hayley ficou sem reação. Realmente estava a expulsando! Que merda estava acontecendo? E tudo o que ele disse? Que ela tinha sido a culpada de tudo, que fez tudo propositalmente para destruir o relacionamento de Trunks?!
Sim, já haviam discutido algumas vezes, mas nada que se comparasse ao que estava acontecendo.
Andou até a porta, e foi embora o mais rápido que pode. Mesmo em passos rápidos, conseguiu escutar a porta atrás de si batendo.
Só podia ser adotada, por que não era possível que tivesse um irmão tão estúpido!
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