O Véu Negro

11 Acampamento na Floresta


P.O.V Noah Belmonte.

De acordo com Ravena ela teve um sonho um tanto quanto real com a bruxa da floresta e agora está descansando em seu quarto. Meu corpo está cansado, minha cabeça dói, mas não quero voltar para meu quarto. Toda vez que caminho para ele sinto que há algo me observando do final do corredor, seus olhos parecem me encarar como se eu fosse algum tipo de alvo… uma presa.

Deixo escapar um suspiro doloroso. Ravena passou o dia no quarto, e entendo completamente, o mínimo que posso fazer é checar se está tudo bem com os arredores da escola e é isso que estou fazendo. Já se passaram duas horas que estou aqui olhando a floresta sozinho, esperando que nada aconteça ou pior, apareça, pois se isso acontecer não é como se eu fosse capaz de fazer algo.

Aron... Aron… Eu sei que não estou enlouquecendo, bem, sobre isso não tenho tanta certeza, mas é claro sei que alguém com esse nome esteve próximo de mim desde que comecei em Hogwarts, mas como não consigo ligar esse nome a nenhum rosto e isso me incomoda demais.

A lua está brilhando no céu limpo, nunca vi a lua tão cheia quanto hoje, espero sinceramente que isso seja um bom sinal.

O vento frio toca minha pele e praticamente me manda ir para cama, mas prometi Ravena que juntos iremos fazer isso e derrotar a bruxa, não importa como, mas vamos e talvez ficando a noite inteira aqui consiga ver algo de diferente e talvez um sinal que nos leve a algo mais importante do que apenas a bruxa. Um vestígio sobre o motivo ou até mesmo sobre seus poderes.

Admito que ficar aqui fora sozinho é um pouco assustador, não apenas por estar quebrando as regras da escola, algo que prometi aos meus pais que não faria, mas por saber que não tenho nenhum feitiço de ataque em mente para me proteger.

_ Ei, Noah.

Alguém me chama. Seguro um grito e me viro.

Hitomi segura uma gargalhada. Suspiro aliviado, mas o alívio não dura por muito tempo. O que Hitomi está fazendo aqui?

— Hitomi?

— Não se preocupe. Não pretendo contar nada para ninguém, mas você tem algo para me contar, certo? Ravena nos disse que você estaria aqui, ela e seus amigos foram acordar Mateo.

Ravena contou para eles sobre a bruxa? Uau, um dia cheio de surpresa para a Ravena que odeia tudo e todos.

— Er… não sei o que dizer.

— Comece com o que estamos procurando aqui, exatamente? Eu não estou quebrando as regras e sujando meu pijama por nada, certo?

Ela se senta ao meu lado. E começo a contar sobre a bruxa. Sobre como os alunos estão alucinando e desaparecendo e por mais que nem eu nem Ravena consigamos nos lembrar de seus rostos, eu tive um sonho muito real sobre isso e me lembro de estar nesse exato local antes de não lembrar de mais nada sobre o motivo de estar aqui.

— Você acha que é por isso que vejo uma aranha gigante em meu quarto sempre que vou dormir? É como se ela tivesse…

— Olhos, que não saem de você…

Ela se surpreende.

— Exato. Uau. E qual o plano?

— Bem, não temos nenhum por enquanto. Estamos colhendo informações, nenhum livro diz nada sobre a bruxa ou crianças desaparecendo e sendo esquecidas.

Ela então suspira desanimada.

— Algum professor para ajudar?

— Eu não estaria aqui se algum soubesse de algo. Eles provavelmente acham que é algum bicho-papão. Nós não sabemos mais o que fazer, talvez por isso Ravena contou para vocês, precisamos de ajuda.

Dessa vez escuto passos se aproximando. Ravena, Scorpius, Alvo e Mateo se aproximam.

Scorpius tem um sorriso convencido em seu rosto. Ele nos joga algumas mantas. FInalmente algo para me aquecer.

— E procuraram no lugar certo.

Matt ri.

— Isso é quase um acampamento. Com isso podemos ir um pouco mais a fundo na floresta e evitar que os professores nos encontrem. Eles estão patrulhando a escola.

Ravena parece extremamente confiante.

— Eu vou acabar com essa bruxa, quem ela pensa que é para me fazer passar tanta vergonha em uma aula?

Alvo suspira.

— Esse é com certeza nosso maior motivo para derrotar uma bruxa que está possivelmente sequestrando crianças.

A moral do grupo aumentou rapidamente assim que nos juntamos, caminhamos confiantes para a floresta, mas não tivemos coragem de explorar muito, apenas alguns metros para ter certeza que não seríamos pegos por ninguém. A confiança cega e meia coragem que temos de fazer isso é surpreendente, não sabemos do que essa bruxa é capaz ou o que ela pretende fazer conosco, mas estamos aqui e vamos lutar até o final.

Tiro alguns frascos com uma poção laranja do meu bolso.

— Pensando no fato de perdermos nossa memória eu consegui pegar escondido de um dos alunos mais velhos essa poção, dizem que protege contra esse efeito de esquecimento.

Hitomi me encara desconfiada.

— Nós não vamos morrer tomando isso?

Ravena faz o mesmo.

— Você só tem dois.

— Bem, pegar seis seria bem difícil, e eu não sabia que todos estariam aqui, mas podemos dividi-los, mas acho que seria o suficiente apenas para cinco, alguém esqueceria o que vai acontecer hoje. Qual de nós temos mais probabilidade de acreditar em uma bruxa louca, que sequestra crianças e mexe com nossos medos e memórias?

Todos olham para Matt. Que encara uma árvore, com um olhar abobalhado.

_ Definitivamente ele. _ Todos dizem em uníssono.

Tomamos a poção que desce com um sabor ácido e grosseiro, irritando minha boca e meu estômago. Pela cara de meus amigos, eles também não gostaram muito. Espero que funcione.

Matt nos encara horrorizado.

— Vocês são loucos de beber algo que nem sabemos do que pode ser feito. Isso poderia nos transformar em um animal ou coisa pior.

Ravena dá de ombros.

— Sigo perfeita.

Parece que nada de ruim vai nos acontecer mesmo, bem, pelo menos não por essas poções.

O resto da noite segue calmo e muito, mas muito mais frio. Em determinado momento estamos bem apertados juntos para nos aquecer, acho que isso poderia ser tomado como um grande abraço em grupo, certo? Uau, Scorpius e Alvo vão odiar ter que admitir que já abraçaram alguém da Grifinória e não só isso, mas uma lufana também!

A floresta emana alguns sons que nos assusta de vez em quando, mas nada se aproxima.

Percebo Matt bocejando.

— Acho que nada vai acontecer hoje. Amanhã nós ainda temos aula, vocês sabem, certo?

Ele não está errado, mas algo em mim diz que não estou aqui por nada, minhas esperanças estão altas, talvez em outro dia eles não queiram voltar aqui, mas mesmo em situações tão estressantes quanto essa, gosto de ter meus amigos por perto.

Bocejo também. Estou tão cansado, mas não quero ter que voltar para o meu quarto sem nenhuma novidade.

— Só mais um pouco, tenho certeza que algo vai acont…

Meu coração para por um segundo. O frio que estava sentindo se tornou muito mais intenso. Uma aura amedrontadora tomou conta da floresta e pelos olhares assustados de meus amigos sei que não fui o único a perceber isso.

HItomi se esconde atrás de uma árvore e observa os arredores.

— Nós deveríamos ir, definitivamente.

Ravena faz um sinal para todos ficarem em silêncio. MInhas mãos estão tremendo. Talvez fosse realmente melhor deixar isso para os professores.

Ao longe vemos uma mulher de vestido prateado e com uma máscara assustadora no rosto. Um aluno desconhecido segura sua mão enquanto caminha para a floresta, olhando agora percebo que sua varinha é uma de suas longas unhas, como se saísse de dentro de seu corpo. Posso ver que seus olhos debaixo da máscara descansam em Ravena. Qual seria o motivo disso?

Scorpius estala os dedos e nos chama a atenção. Suas mãos estão tremendo e toda sua confiança desaparece, o medo em seus olhos é muito bem perceptível. Ele para Matt que está desmaiado no chão.

Hitomi se aproxima.

— O que vamos fazer?

— Segui-la é claro.

Seus olhos dobram de tamanho como se não acreditasse no que acabei de dizer.

Scorpius decidi cuidar do corpo adormecido de Matt, enquanto Alvo se prontifica para ser nosso guia e ir na frente.

Me aproximo de Ravena.

— Por que ela estava olhando para você daquele jeito?

Ela parece um pouco preocupada, mas esconde bem, como sempre.

— Não sei, mas não se preocupe, vamos ficar bem.

Minha preocupação agora não é com o grupo, é com ela. Os olhos da bruxa estavam colados em Ravena, isso deve significar algo. Não acredito! Quando algo

começa a dar certo, novos problemas surgem, não gosto disso.

O caminho começa a se estreitar. De repente percebo a semelhança desse caminho com o caminho do meu sonho, quando também segui a bruxa, nunca pensei que fosse real, mas por algum motivo eu sabia desse caminho há muito tempo.

Ao me apertar e passar por uma fenda em uma pedra chego onde sabia que chegaria, uma clareira, com dois pilares e entre eles um véu branco que emana uma energia intensa e assustadora, parece esconder algo poderoso por trás. É exatamente como meu sonho. E isso me assusta, como esse lugar poderia aparecer em meus sonhos se esse é meu primeiro contato com ele?

Alvo para e olha para todos os cantos, nervoso.

— Não vamos dar nem mais um passo, não sabemos o que tem ali atrás.

Ravena o empurra e caminha em direção ao véu.

— Só há uma forma de descobrir.

Eu a seguro.

— Não, não. Isso é perigoso demais, eu não entraria aí, agora nós temos provas para os professores. Vamos sair daqui, por favor.

Ela tenta se soltar de mim.

Meu corpo me avisa o quão perigoso é aquele véu e quero chorar de medo. Ravena parece perceber o quão nervoso estou, minhas mãos não param de tremer, é como se uma aura gelada estivesse me abraçando, tentando me levar até o véu enquanto todo o meu corpo reage negativamente.

O véu se fecha e volta a ser apenas uma bola de luz em nossa frente. Ravena se estressa um pouco.

Hitomi se aproxima e me abraça.

— Nós podemos voltar depois, se acalme, Noah. O véu se fechou.

Ravena anda de um lado para o outro.
_ Se não formos pegos antes, essa talvez foi nossa única chance!

Hitomi se levanta e enfrenta Ravena.

— Claro! Talvez matar Noah, seja muito útil. Ele está com medo.

— Medo não vai nos levar a lugar nenhum.

Alvo está claramente assustado também.

— Bem, nos trouxe até aqui. Na verdade Noah nos trouxe até aqui. Então se acalme, nós vamos nos proteger.

Me levanto devagar, minhas pernas parecem responder aos meus comandos novamente.

— Ei… v- vocês estão vendo esses d-desenhos?

Estou com tanto medo a ponto de não conseguir dizer o que quero? Por que não posso ser como Ravena, e ter coragem para entrar no véu sem pensar duas vezes? Apenas fazer o que for preciso para derrotar a bruxa?

Os desenhos nos pilares são estranhos. Uma máscara duas setas apontando em direções diferentes e dois chapéus de bruxos. Há também alguns textos, mas não consigo entender nada.

Hitomi se aproxima.

— Textos e símbolos estranhos. Não me surpreende.

— E o que pode significar?

Alvo se aproxima com um pedaço de papel e caneta.

— Podemos transcrevê-los.

Ravena se interessa também.

— Hitomi e Matt são bons nesses assuntos certo?

Hitomi ri.

— Matt é bom nesses assuntos, eu sei pouca coisa, mas posso ajudar.

Ufa, não nos arriscamos até aqui por nada. Me sinto menos inútil agora.

— Vamos voltar, Scorpius já deve estar preocupado.

No caminho de volta Ravena ainda demonstra estresse e não fala nada comigo. Espero que ela realmente perdoe meu ataque de medo, sempre soube que isso me atrapalharia em algum momento e ainda me pergunto como vou lutar contra a bruxa se apenas a ideia de encontrá-la já me paralisa.

Não sei o que sentir sobre essa noite, mas o fato de ter encontrado algo realmente útil me alegra um pouco, ainda mais por ter feito isso com meus amigos. Trabalhamos juntos e estamos começando a resolver um grande problema, junto eu tenho certeza que essa bruxa mascarada não tem nenhuma chance.