- Parece que temos aqui uma reunião e só sou informado agora. – diz Carlisle quando chega à sala e vê todos em pé a olhar para ele.

- Meu irmão. – Alice fala. – Queremos falar contigo e provar-te que sempre tivemos razão.

Carlisle não precisa de perguntar para saber do que é que Alice está a falar.

- Minha irmã não…

- Podes chamar a Esme, por favor? – pergunta Alice sem vacilar.

- Ela não está. Saiu com Carmen e Eleazar.

- Muito bem, também não faz falta. – diz Irina. – Temos aqui a prova de que ela apenas casou consigo por dinheiro.

Carlisle suspira. Será que não esquecem essa conversa?

- Emmett pode-te confirmar isso mesmo. – diz Alice.

- É verdade. – Carlisle fica estático a olhar para ele. – A minha irmã planeou tudo. Seduziu-o, aproximou-se de si para depois se afastar, tudo para vir atrás dela e a pedir em casamento. Sempre quis o seu dinheiro, a sua vida, o seu título.

Carlisle poderia pensar que ele está a mentir. Mas porque mentiria Emmett? Irina e Alice porque a odeiam, mas Emmett é irmão dela, não diria isto senão fosse verdade.

- Estás a ver? Agora acreditas? – Alice interrompe-lhe os pensamentos.

Por esta altura a maioria dos criados está especado à porta a ouvir.

- E há mais. – diz Irina. – Conta-lhe Rosalie.

- Ela falou comigo várias vezes e revelou os seus planos. Disse-me que o seduziria.

- Ela só está consigo pelo poder e pelo dinheiro. – repete Emmett.

Aquilo é como um punhal no coração de Carlisle. Duvidou este tempo todo das pessoas que diziam estar a ser seduzido, enganado e agora descobre que é verdade, que eles tinham razão. Descobre que a mulher que ama nunca o amou.

- E ainda há mais. – continua Irina.

- Não quero saber. – murmura Carlisle.

- Ela traiu-o. – diz Irina ignorando-o. – Com este homem. – aponta para Jasper.

Carlisle levanta a cabeça para o homem.

- É verdade? – pergunta quase sem voz.

- É. – é a única coisa que Jasper consegue dizer.

- Ele pintava-a nua, pintou-a por diversas vezes. – continua Irina. – E dormiram juntos, antes e depois do vosso casamento.

Nesse instante batem à porta.

O mordomo quase corre para a abrir.

Esme entra acompanhada de Carmen e Eleazar. Estacam os três à porta ao virem a sala cheia.

- Jasper? – pergunta Esme olhando para o pintor que se tivesse um buraco escondia-se. – O que se passa?

- É verdade? – pergunta Carlisle.

- O quê? – Esme olha para todos os rostos presentes sem compreender nada.

- Nunca me amaste?

Esme olha para Carlisle.

- Eu amo-te.

- Mentirosa! Casaste comigo para seres duquesa.

- Não.

- Mentirosa! Enganaste-me, enganaste-me estes meses todos. Disseste tantas vezes que me amavas e afinal sempre foi mentira.

- Não.

- Agora sei que sim. Confiei em ti, Esme, amei-te, casei contigo, zanguei-me com a minha irmã, tudo pelo nosso amor e afinal ele nem sequer existe, da tua parte não existe.

Os olhos de Esme enchem-se de lágrimas.

- Eu amo-te.

- Não! Traíste-me.

- Nunca.

- Traíste. Traíste-me com ele. – aponta para Jasper.

Esme olha para o pintor para logo a seguir se virar para Carlisle.

- Nunca.

- Negas que ele te pintou nua?

Esme respira fundo e decide que é melhor dizer a verdade.

- Não, ele pintou-me nua várias vezes antes do nosso casamento, mas depois nunca mais nos voltámos a encontrar.

- Esperas que eu acredite que ele te pintou nua, mas nunca dormiu contigo?

- Espero porque é a verdade. – vira-se para Jasper. – Diz-lhe. Diz-lhe a verdade, por favor.

Jasper respira fundo.

- Nós dormimos juntos.

Nem uma bofetada teria abalado tanto Esme.

- Nem o seu amigo a defende. – diz Irina com um sorriso.

- Eu não acredito. Jasper, como podes fazer-me isto?

Jasper baixa os olhos sem dizer nada.

- Eu juro, Carlisle, juro que nunca te trai, nem com ele nem com nenhum outro. Juro que te fui fiel e que te amo.

- Mentirosa!

- É a verdade.

Carlisle vira-lhe as costas e começa a caminhar para o escritório.

- Carlisle, ouve-me. – corre até ele e agarra-lhe no braço. – Eu amo-te, agora amo-te, e sei que te amarei para sempre. No início era como eles dizem, mas agora… agora eu amo-te. Juro que…

- Cala-te. – Carlisle solta-se e afasta-se dela. – Não quero ouvir a tua voz, não te quero ver, não quero que jures nada porque os teus juramentos são mentira.

As lágrimas escorrem pelo rosto de Esme.

Emmett nunca pensou que a irmã representa-se tão bem. De repente lembra-se que talvez a irmã se tivesse realmente apaixonado pelo duque, não acredita que ela conseguisse chorar tanto. Ao pensar nisso sente-se culpado, se ela o ama não devia ter contado a verdade. Se ela o ama o passado já não importa.

Carlisle desaparece pela porta do escritório.

Esme, com os olhos cheios de lágrimas vira-se para Emmett, que nunca em toda a sua vida viu a irmã assim.

- Porque é que o fizeste, seu idiota? Eu confiei em ti, contava-te tudo, pensei que guardasses os meus segredos. Eu amo-o, estúpido. – Esme bate-lhe no braço. – Amo-o mais que a minha vida. Como tiveste coragem de o fazer? Como tiveste coragem de trair a minha confiança? É por causa da casa? Fica com ela, passo-a para teu nome e tudo. Já não me importa, podes ficar com tudo, acabaste de tirar-me aquilo que eu mais amava, a única coisa que importava na minha vida. És tão estúpido. – bate-lhe de novo. – Nunca mais voltes a aparecer à minha frente.

- Calma. – pede Emmett tentando segurar os braços da irmã para a impedir de lhe bater. – Eu não sabia, tem calma.

- Cala-te, idiota. Nunca mais te quero ver. Fica com a casa e não voltes a aparecer à minha frente. Esquece que tens uma irmã, porque eu já esqueci que és meu irmão. Imagina que morri, que nunca existi que eu farei o mesmo.

Esme corre até às escadas e sobe-as rapidamente. Entra no quarto batendo com a porta com força e sem mais forças deixasse cair no chão a chorar. A chorar porque perdeu a pessoa que mais amava e que sabe, amará para sempre.