O Valor Do Amor
17 Podia Ser Uma Boa Notícia
A casa está uma confusão. Esme passa os dias fechada no quarto e Carlisle no escritório. E Alice mudou-se para lá com a desculpa de o irmão precisar de consolo.
Leah entra no quarto da sua senhora com o tabuleiro do almoço.
- Minha senhora, trago-lhe o almoço. – diz poisando o tabuleiro em cima da mesa.
Esme não diz nada. Está deitada na cama por cima da roupa, vestida, mas com o cabelo solto.
- Não tenho fome.
- Tem de comer, minha senhora.
- A minha vida acabou, Leah. Ele não fala comigo. Nem sequer me diz bom-dia. De que me adianta descer até à sala de jantar para tomar o pequeno-almoço, o almoço ou o jantar se ele se senta à mesma mesa que eu, mas nem um olá me diz.
- Por isso trouxe-lhe a comida aqui.
- Ninguém vai sentir a minha falta, Leah, se eu não comer e acabar morta seria melhor para muita gente.
- Não diga disparates. Eu sentiria a sua falta, eu gosto muito de si.
Esme esboça um sorriso.
- Um dia deixarás de gostar. Viste que até o meu irmão deixou e o Jasper. Ambos meus amigos. Os dois aliaram-se às víboras para me tramarem. O pior é que eles tinham razão. Eu casei por dinheiro, mas depois apaixonei-me e agora só me interessa o amor e já não o tenho.
- Nunca deixarei de gostar de si. Acredite. É uma excelente patroa.
Esme assente sem dizer nada.
- Se eu deixar aqui o tabuleiro promete-me que come?
- Não vou comer Leah, não vale a pena. Estou enjoada, acordei enjoada e não me apetece comer.
- Quer que lhe faça um chá? – pergunta Leah meigamente.
- Não, obrigada. Iria ficar ainda mais enjoada.
Leah suspira.
- Mesmo assim eu deixo-lhe aqui o tabuleiro, quando tiver fome come. Mas é para comer mesmo.
Esme assente sem fazer quaisquer tenções de cumprir as ordens.
...
Carlisle e Eleazar conversam na sala.
- Ela ama-te, Carlisle. – diz Eleazar. – Ela disse-me a verdade na altura do Natal. Disse-me que te tinha seduzido, mas depois do casamento se apaixonou por ti.
- Está a mentir como me mentiu a mim.
- Pareceu-me sincera.
- Também a mim. Sempre me pareceu sincera e afinal…
- Carlisle, não vás na conversa da tua irmã. Ela não gosta da Esme, nem na conversa da Georgina, que quer casar contigo.
- Talvez casar com ela fosse melhor.
- Pára com isso. A Esme ama-te.
- O próprio irmão dela confirmou o que Alice e Irina disseram. Esme sempre me enganou.
Eleazar suspira. Ia argumentar quando vê Esme junto à porta. Parece um fantasma. Os olhos cansados e tem olheiras roxas, a pele está mais branca do que o habitual, o cabelo solto cai-lhe pelas costas e parece mais magra apesar de a ter visto à apenas uma semana.
- Desculpem interromper. – diz Esme calmamente. – Vinha procurar a Leah. Ela passou por aqui?
- Não a vi. – diz Eleazar levantando-se. – Como estás?
Esme encolhe os ombros e deixa-o pegar-lhe na mão e leva-la aos lábios para a beijar. Eleazar vê-a cambalear e segura-a.
Carlisle já não a via há uns dias e também notou que parece muito mais frágil e levanta-se quando a vê cambalear.
- Estás bem? – pergunta Eleazar segurando-a.
- Acho que sim. – murmura.
Eleazar vê-a desfalecer e agarra-a para não a deixar cair no chão.
- Chama o médico. – diz para Carlisle. – Vou leva-la para o quarto.
...
Esme abre os olhos e vê que está no quarto. Um homem que não conhece junto à porta fala com Carlisle, Eleazar, Alice e Leah está junto dele.
Esme endireita-se um pouco na cama.
Leah vira-se e sorri-lhe. Caminha para junto da sua senhora.
- Já acordou, doutor. – diz calmamente.
O homem, que pelos vistos é médico, vira-se para Esme e sorri.
- Vossa Graça. – cumprimenta baixando a cabeça.
- O que está aqui a fazer? – pergunta Esme.
- Desmaias-te. – diz Eleazar aproximando-se.
Carlisle mantém-se junto à porta com a irmã.
- E estou doente? – pergunta com voz inexpressiva virando-se para o médico.
O médico sorri.
- Não. É uma notícia maravilhosa. Está grávida.
Esme vê o quarto a andar à roda e deita a cabeça na almofada fechando os olhos.
- Estás bem? – Eleazar debruça-se sobre ela.
- Estou. – murmura. – Estou grávida, doutor?
O médico assente.
- Tudo indica que sim.
Esme assente. O médico esperava mais entusiasmo, mas não faz comentários.
- Agradeço-lhe. – diz Esme. – A notícia que me deu podia ser boa, mas noutras circunstâncias. Importa-se de sair, agora?
O médico faz uma pequena vénia.
- Terá de descansar e comer bem para o bebé crescer saudável. Chamem-me se precisar. – diz para Carlisle e sai.
Carlisle aproxima-se um pouco da cama.
- O filho é meu, Esme? – pergunta.
Esme sente os olhos encherem-se de lágrimas.
- Deus sabe que não pode ser de mais ninguém.
Carlisle assente, pouco convencido e sai do quarto.
- Saiam. – pede Esme a Eleazar e Alice. – Eu quero ficar sozinha. Só quero a Leah comigo.
Ambos saem sem dizer nada. Quando a porta se fecha Esme vira-se de lado e enrosca-se.
- Viste? Nem um sorriso.
Leah percebe que a sua senhora está magoada com a atitude do marido.
- Vai ver que ele cai em si.
Esme abana a cabeça e uma lágrima escorre pelo seu rosto.
- Não acredito. Ele já não me ama e nunca mais me amará.
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