O Ultimo Conto Maldito

3 Capítulo Terceiro - Cor de Mel Açucarado


Era escuro.E eu a vi caminhando lentamente em minha direcao.Sua mao estendida para que eu a segurasse e fosse com ela.

Acordei.

Meus olhos doiam e eu demorei para me acostumar com o ambiente novamente.Era aquela sensacao de dormencia que atrofia o pensamento,eu havia levado diversas pancadas na cabeca,imaginei.

Tentei me mover e nao consegui,olhei para minhas maos e estavam atadas,assim como meus tornozelos.

-Vejo que acordou.Desculpe pelo incoveniente,querida,mas voce nao facilitou nada para nós.

Alejandro sorria e mexia novamente seu cafe,atras dele estavam tres grandalhoes,os mesmo que vestiram as luvas e arrumaram o material de tortura.Automaticamente olhei minha mao mais uma vez.Eu nao havia notado,talvez porque tivesse a certeza daquilo,das minhas unhas caiam ate o chao um sangue claro e aquoso.Quer dizer,daquele lugar onde minhas unhas deveriam estar.

Senti tambem um sangue seco entre meu nariz e a boca e sem pensar me coloquei a procurar pelo comodo ate encontrar.Uma bacia de madeira com agua em seu interior.

-É realmente uma pena que voce tenha desmaiado tao cedo.Perdeu muita coisa do espetaculo. — disse ele sorrindo maliciosamente.

Uma dor aguda vinha de cada centimetro da minha pele.Entretanto,o que e a dor fisica comparada a uma dor da alma?Eu ja havia perdido meu espirito.A dor ja nao significava nada para mim alem da lamentosa prova de que estava viva.Infelizmente.

-Continue. — disse ele apos uns minutos,me olhando com cansaco.

Fiquei algum tempo de olhos fechados procurando naquela vasta lava borbulhante negra e cadaverica da minha mente e tentando me recordar onde tinha parado de contar.

Ah sim.

Nao dormi naquela noite.Fiquei sentada na poltrona sem me mover,apenas um rosto no pensamento.

A missao de assassinato da familia Platinez era algo secreto ate mesmo dentro do nosso esquadrao.Todos hesitaram e recusaram a oferta.

Eu aceitei.

• • • •

Era um dia de sol e eu estava numa praca da regiao norte de La Bella observando a lua que ja espreitava no fim da tarde,quando ele apareceu.

- Ora ora,a agente Kei tambem sai a luz do dia. — disse uma voz grave e zombeteira nas minhas costas.

Me virei rapidamente e coloquei as maos por cima da arma que descansava no coldre — dessa vez era um Smith & Wesson modelo 50.

- Tarde demais,Katherin Lagrange. — respondeu um homem alto e magro,cuja pele tinha um tom palido marcada por algumas pintas castanhas e discretas na face.

Continuei o fitando tensa e deixei minha mao cair ao longo do corpo novamente.

-Nao me chame pelo nome,Lui. — respondi secamente enquanto olhava o pequeno par de olhos cor de mel acucarado se fecharem quase por completo num sorrir animado.

-Louis Von Choisi para os mais chegados,Kei!

Ele se aproximou com as maos no bolso da calca e ficou ao meu lado.

-Voce fica com um ar mais jovial quando deixa o cabelo solto.Eu gosto desse cacheado natural. — disse sorrindo mas sem tirar os olhos da minha face.

-Esta falando como um cabelereiro diria.Se eu frequentasse algum e pudesse opinar sobre isso.

Ele soltou uma gargalhada e passou a olhar o ceu.

-Veja so,a lua dando uma espiadinha para fora em plena luz do sol.Ela me lembra voce,Kei.

Mal ouvi ele dizer meu nome profissional e me virei para caminhar e voltar ao servico.Senti uma mao segurando forte meu braco e olhei para tras dando com dois olhos parecidos com uma lua cheia e escura,dois olhos fundos e juntos.

-Nao aceite esse servico,Katherin.

Nao respondi,apenas o olhei inexpressivamente.Sua mao perdeu a vontade lentamente e me deixou ir embora.

Essa recordacao passou diante dos meus olhos por segundos apenas e eu tive o prazer de oculta-la em meu relato.Nao me perguntem porque.

Notas finais
se gostarem review! a unica maneira de fazer uma escritora folgada continuar a escrever! haha