O Trono de Gelo e Fogo
22 Perigo no Pântano
Notas iniciais

O céu acima de sua cabeça tinha tons multicoloridos da aurora boreal um teto estrelado com tons arroxeados, verdes e carmim se misturavam, a visão era linda. Logo à frente a fortaleza de Fosso Cailin se erguia cinza e taciturna, não se via homens nas ameias nem nos telhados, mas Jon sabia que estavam lá o alaranjado de uma fogueira brilhava em algum lugar do pátio.
— Uuuh, huuu — Kronn com umas das mãos em formato de concha na boca imitou o piar de uma coruja que logo foi respondido em seis lugares diferentes. — Acho melhor esse maldito plano dar certo ou vamos virar galinhas com a bunda cheia de flechas que serão disparadas da muralha.
Ele tem razão, mas não há outro meio nem tempo para uma estratégia mais elaborada. Jon pensou enquanto esfregava as mãos para afastar um pouco o frio.
Havia uma parte do muro da fortaleza que havia desmoronado, ali os homens de Bolton levantaram uma paliçada e uma cerca de mais ou menos uns cinco metros de altura usando velhos carvalhos e escudos com o homem esfolado que agora tapavam a fenda da muralha. Eles têm a fortaleza, mas nós somos em maior número, esse pensamento ia e vinha na mente do Targaryen. Nós temos a noite como capa e o elemento surpresa também... o solo está úmido a madeira está podre. Ao pensar ele olhou para Priston e seus homens que estavam todos dispostos ao seu lado.
— Estão comigo? — houve um momento de silêncio total até que Priston balançou a cabeça positivamente e alguns homens fizeram o mesmo e outros falaram “sim” aos sussurros. — Yr, de o sinal — ordenou Jon.
O mercenário todo vestido de couro verde fez um barulho imitando uma coruja e se seguiu outros até que um grito de guerra explodiu no portão central de Fosso Cailin, Stannis e seus homens com uma parede de escudos altos e piques atearam fogo nos portões com flechas incendiarias e lançando com fundas botijas cheias de óleo e fogo. Um berrante tocou do outro lado e flechas aqui e ali começaram a voar de dentro da fortaleza, alguns homens foram abatidos enquanto tentavam apagar o fogo que consumia a madeira apodrecida do frágil portão.
Na parte de trás da fortaleza Sor Fylagund, Sor Justin Massey e seus homens de armas atacavam o telhado com uma catapulta média, já haviam feito alguns buracos no telhado, mas alguns homens caíram diante da saraivada de flechas que veio em retaliação.
— Silêncio — Jon olhava para trás e fazia sinal para que os homens que estivessem com as cordas dos ganchos passassem a diante. — Não errem ou serão alvejados até a morte — Pegou um escudo redondo e se preparou. — Cordas, ganchos, cavalos, homens e escudos prontos.
Fizeram uma muralha de escudos silentes, dez homens correram para próximo do muro de carvalhos e lançaram cordas com ganchos que se fixaram entre um tronco e outro, na outra ponta escondidos pela parede de escudo que Jon e companhia faziam haviam oito cavalos de carga que eram chicoteados para avançar e tencionar as cordas. A cerca começou a ceder, uma crepitação começou a ser ouvida e um dos troncos que estava mais próximo da água lamacenta começou a se partir ao meio.
— Protejam os cavalos! — Alguém gritou do meio da batalha quando alguns arqueiros apareceram de cima de uma torre ao lado do muro de madeira.
— Agora! — Jon começou a balançar um estandarte verde para os homens que estavam camuflados dentro da lama bem próximos da paliçada do fosso.
Os homens da Casa Quagg laçaram seus tridentes nos arqueiros e os derrubaram, em seguida começaram a remover as estacas.
— Lynn e vocês... e você também, peguem nesses machados e batam na cerca até que os cavalos consigam derrubá-la... — enquanto ainda dava ordens uma flecha raspou em sua orelha. Uma segunda flecha lançada de detrás dos escudos alvejou o pescoço de seu atacante.
Pelo dragão de gelo... essa foi perto, pensou Jon quando olhou e viu que era Celtyng quem estava lhe dando cobertura, o homem loiro com o rosto todo pintado pela aquela tinta verde e preta sorriu para ele e fez sinal com a mão para que Jon avançasse. É fácil para ele me mandar avançar enquanto fica a longa distância disparando setas.
Uma fumaça preta começou a subir do portão principal da fortaleza e de repente os homens que estavam defendendo aquela parte do castelo correram. Será que Stannis conseguiu derrubar o portão? Pensou Jon enquanto pegava um machado da mão de um homem que havia morrido ali com uma flecha entre os olhos. Bata, bata sem parar até que a madeira ceda! Enquanto pensava e cortava o grosso carvalho olhou pelas fendas e viu que no pátio de Fosso Cailin o grupo se organizava para subir na torre e repelir seu ataque.
— Mas depressa homens, vamos! — Do seu lado escalando a torre com nada além das mãos e pernas Prixton subia com uma adaga na boca. — Dei cobertura a ele! — Ordenou.
Dois largos troncos cederam a tração dos cavalos e caíram na lama esmagando um homem da Casa Fenn, em um rompante homens começaram a entrar pela fenda aberta e tomaram o pátio da fortaleza de assalto, os soldados Bolton que estavam se preparando para subir na torre foram pegos de surpresa e antes que brandissem qualquer arma Jon e seus seguidores caíram sobre eles com machadinhas e adagas. Havia uns cinquenta homens ou mais defendendo o portão da investida de Stannis, metade deles se voltou para combater contra os invasores que entraram pela fenda onde antes era a muralha de carvalho.
— Lynn!
— Aqui senhor — o homem apareceu bufando e com o rosto completamente sujo.
— Vá e chame os outros.
O Homem saiu correndo pela fenda por onde eles haviam entrado.
Em cima da torre Jon pode ver o filho de Celtyng atirando flechas contra os homens que arriscavam a pôr suas cabeças no alçapão, mas suas flechas estavam se acabando.
— A torre... subam! — Saiu tocando nos ombros de alguns homens que estavam mais próximos.
Enfiou a adaga que trazia na mão esquerda na axila de um homem careca e com várias feridas na cabeça, arremessou sua machadinha para rachar o meio-elmo de um soldado que vinha em sua direção de espada na mão, deu um tapa no cabo de madeira e a pegou de volta, a lançou novamente nas costas de outro inimigo. Socos, chutes e punhaladas. Se defendeu com o bracelete de um golpe de espada, sentiu o braço dormente, ainda está funcionando então não quebrou. Pensou, começaram a entrar na torre e derrubar os homens da escada em espiral. Era uma luta cansativa subindo e lutando mano a mano, na escada só havia espaço para dois homens lutarem por vez.
— Jon! — Ele ouviu seu nome sendo chamado no alto da torre.
Se apressou, empurrou dois homens do parapeito da escada e ouviu seus corpos espatifarem no chão de pedra, sofreu um corte na perna enquanto acertava seu agressor várias e várias vezes com sua machadinha.
— Prixton! Estou chegando! — Finalmente chegou no telhado e viu que três soldados estavam com o rapaz e um deles abriu-lhe a garganta com um golpe de espada.
— Nãaao! — Jon arremessou a machadinha no pescoço do soldado que vinha correndo em sua direção. — Resista...
Se agachou e inclinou o corpo para frente para sacar Garralonga de suas costas, com um movimento circular cortou os dois braços do homem que mesmo com a machadinha cravado no pescoço ainda avançava. Jon se preparou para enfrentar os outros dois homens de Bolton, eles estavam usando placa de peito, grevas, braceletes e elmos que escondiam completamente o rosto, mas isso não importa. O Tragaryen pensou enquanto apertava com as duas mãos o punho de sua espada bastarda.
— Forte do Pavor! — Gritou um dos soldados enquanto levantava a espada acima da cabeça.
Jon não precisou se defender apenas se esquivou para o lado direito e aparou o golpe do segundo homem que tentou estocar sua barriga, com esse movimento Jon ficou no meio dos dois soldados. Com um movimento usando a ponta de seu pé direito chutou uma espada que estava no chão para cima e a pegou com a mão esquerda, os homens vestidos de negro sorriram.
— Quem você pensa que é? Sor Arthur Dayne? — os dois atacaram juntos.
Jon aparou o golpe que vinha em direção de sua cabeça com Garralonga e saltou para o lado livrando sua perna esquerda de outro ataque, girou a lamina da mão esquerda enquanto subiu e desceu a espada de aço valiriano que brandia em sua destra. Os dois soldados tentaram estocá-lo ao mesmo tempo, mas Jon esgrimo suas lâminas com movimentos circulares com a mão esquerda ele fez um giro horário e com a direita um giro anti-horário em seguida girou sobre os calcanhares e com as duas espadas de uma vez bateu contra a espada do homem a sua direita o fazendo cair no chão, Jon continuou o giro continuo que acertou o soldado vindo da sua esquerda que também foi ao chão com a força imprimida no golpe.
— Miserável! — O primeiro a cair já estava se levantando quando foi atingido pelo afiado fio da espada com o punho com o lobo branco entalhado.
O segundo havia se levantado e estava correndo em direção ao alçapão quando Jon o alcançou e abriu o elmo a cabeça e metade do tórax do homem com um golpe vertical.
Prixton... Jon se lembrou do bravo arqueiro enquanto fazia um “V” com a espada para limpar o sangue do aço, caminhou até o corpo caído. Morto! Fechou os olhos do jovem pegou o arco e a aljava e se juntou aos outros cranogmanos que haviam subido com ele pela torre.
— Todos juntos — gesticulou com a mão aberta para que esperassem. — Mirem ali! — Alguns soldados usando os gibões negros da Casa Bolton estavam fazendo uma muralha de escudos e lanças para impedir a passagem de mais cranogmanos que forçavam a passagem pela fenda aberta no muro de troncos. — Fogo! — Bradou o Targaryen. — Varias flechas atingiram seus alvos. — Atirem à vontade! Matem esses cães...
A batalha estava em seu auge, os homens que defendiam Fosso Cailin estavam fraquejando havia fumaça negra vindo do portão principal e corpos queimados caiam e se estatelavam no chão lamacento com gritos de dar dores de estomago em qualquer um. Alguns homens gritavam e clamavam pelos deuses, seus deuses me mandaram acabar com suas vidas miseráveis... matem, matem todos. Ele pensava e atirava, cada tiro um esguicho de sangue na lama, um olho perfurado um pescoço atravessado. A sua aljava ficou vazia pegou Garralonga e mais uma espada que estava no chão, não irá precisar mais disso, pensou enquanto pegava a adaga do cinto do soldado que havia sido partido em dois. Saltou do telhado da torre para as escadas e desceu os degraus de dois em dois, na porta da torre se juntou com os homens que já estavam com quase todo o pátio tomado.
— Venham, vamos abrir os portões — enquanto falava aparou um golpe com a espada da mão esquerda e com Garralonga decepou a perna de seu oponente. — Vamos rápido, Stannis está do outro lado com reforços.
— Os homens de Bolton estão acuados dentro do Salão Principal. — Disse um cranogmano com um ferimento no braço.
— Jon! Jon! — Era Sor Justin com menos uma mão, todo sujo e segurando na mão que lhe sobrava um machado de batalha.
— Está ferido?
— Malditos me pegaram quando avançamos pelo flanco esquerdo entre a paliçada. — O homem parecia pálido, não dava para ter certeza com toda aquela lama em seu rosto. — Cinco homens a cavalo fugiram em direção a Winterfell. Vamos perseguí-los.
— Não, Não! Se sair agora, ainda podemos perder a batalha — há ouvir um grito alto, Jon se virou desenhando um arco de um lado a outro de seu corpo cortando a espada o braço e o tronco de um soldado que tinha umas quatro flechas cravadas em suas costas. — Venham! Comigo agora! — Os cranogmanos, Sor Justin Massey, os mercenários e homens de armas, todos correram em direção ao portão principal da fortaleza.
Alguns soldados segurando escudos pontudos com o emblema da Casa Bolton se viraram para combatê-los, mas estavam em desvantagem numérica e o pavor da morte vinda dos tridentes e redes cranogmanas já haviam tomado seus corações. Machados despedaçaram escudos e lanças foram partidas, os portões foram abertos e uma avalanche de soldados com o coração em chamas pintado em seus escudos e peitorais de entram aos gritos e xingamentos de maldições. Quando se encontraram no meio da batalha Jon percebeu que Stannis tinha uma bandagem na cabeça escondendo parcialmente seu olho esquerdo e havia um corte profundo na bochecha sulcada do rei. Os homens de ponta tempestade improvisaram um aríete com um tronco de carvalho em cima de uma carroça e arrombaram a porta do salão onde o restante das forças do Forte do Pavor haviam se escondido, muitos dos homens haviam se matado e os que ficaram vivos foram mortos e os cranogmanos arrancaram-lhe os dentes de ouro e qualquer outra joia de valor que traziam consigo. E o direito do saque de guerra, pensou o Targaryen enquanto parava ao lado de um barril de vinho para matar a sede. Stannis foi gravemente ferido será que viverá? Jon viu o rei cambalear e cair sentado todo desajeitado enquanto seus soldados corriam para segurá-lo, talvez seja melhor assim, pensou.
Jon Targaryen subiu no tablado do salão e brandindo Garralonga exclamou:
— Fosso Cailin é nosso! — Um urro ensurdecedor tomou conta do ambiente enquanto todos comemoravam erguendo suas armas. Só Stannis permanecia calado ao encarar Jon.
— Jon... Jon o Terror dos Bolton! — Gritavam alguns homens enquanto alguns gritavam “Rei Stannis”, mas esses eram em menor número.
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