O Trono de Gelo e Fogo
24 Oculto
Notas iniciais

Havia se passado três dias desde a tomada de Fosso Cailin, os homens de Stannis já estavam finalizando os trabalhos de reforma do portão principal o muro de carvalho estava de volta no lugar. Muitos dos feridos morreram de frio e febre, os cranogmanos estavam tristes pela morte do jovem Prixton e muitos outros filhos e pais que perderam a vida na batalha, mesmo assim, Priston ordenou que um destacamento com vinte arqueiros avançasse pela Estrada do Rei até o limiar de Winterfell:
— Jon, trago notícias do Norte — os olhos do homem estavam avermelhados e com grandes olheiras arroxeadas.
Eu sei que os homens estão cansados e com medo de uma investida do bastardo de Bolton, mas eu não temo mais nada a não ser pela vida de minha irmã.
— O que dizem seus batedores?
"batedores, batedores... bastados" completou o corvo de Mormont, Jon lhe deu alguns grãos para que ficasse quieto. O cranogmano se debruçou sobre a mesa onde havia um mapa, e arfou:
— Nada boas — seu olhar era carrancudo.
Ele perdeu um filho e eu não lhe dei tempo para se lamentar... Jon também se inclinou sobre o mapa.
— A movimentação de tropas aumentou — ele prosseguiu. — Vários batalhões vieram deste e deste lado — tocou no mapa indicando a direção a Jon.
Vieram do Forte do Pavor e... da Casa Umber, não pode ser.
Enquanto o Targaryen ainda pensava, Celtyng jogou uma flamula suja de lama e sangue sobre a mesa, Jon reconheceu o punho da Casa Umber imediatamente. Traidores, estão se aproveitando da oportunidade, pensou.Uma longa lufada de ar invadiu o pequeno recinto onde estavam os dois homens.
— Minha Senhora — Jon saldou a mulher vermelha sem se virar para certificar-se de que era realmente ela que estava a porta.
"Bruxa, grão, grão" a ave negra irisou as penas do pescoço e ficou com o bico entre aberto.
Melisandre adentrou na pequena cela, não haviam cadeiras ali apenas uma mesa e duas estantes de prateleiras, ela comprimentou a ambos com um aceno de cabeça e circundou ao redor como se estivesse escolhendo o melhor anglo para um ataque.
— Não se pode ter certeza dessas alianças Meu Senhor — se aproximou vinda por detrás de Priston que imediatamente arrumou a postura intimidado com a alta estatura da mulher vermelha. — Bolton pode estar fazendo suas propostas a todos que juraram vassalagem a Winterfell. — Melisandre deu uma longa olhada de baixo a cima no cranogmano a seu lado antes de prosseguir —, mas a informação tem seu valor tático Jon Targaryen, também precisa enviar mensageiros e reforçar as alianças feitas a Eddard Stark.
Sim, mas o que direi? Sem Sansa, Bran ou Arya por perto eu ainda sou um bastardo para todos. " Sansa, Sansa" crocitou a ave de plumagem negra.
— Isso está muito fora de questão — sua voz demostrou tensão, Jon tirou o corvo de seu ombro com um aceno de mãos para espantá-lo, a ave apenas andou para o outro lado se empoleirando.
A resposta de Melisandre veio afiada como aço valiriano:
— Não se partir imediatamente em busca de Sansa Stark no Vale de Arryn. — Os olhos rubros começaram a falar dentro da cabeça de Jon, mas a boca da sacerdotisa de R'hllor não se mexia.
O que é isso, Sansa e Melisandre juntas, quando? ... como?
— Reed deseja vê-lo antes que parta.
Jon olhou para Priston como se o estivesse vendo pela primeira vez.
Conheço essa dor de perder um ente querido, passei por isso na Muralha.
— O Rei Stannis está segurando os poucos homens que lhe restam, terei que seguir com um grupo bem reduzido. — Os olhos acinzentados miraram o arqueiro e a sacerdotisa. — Eu sei que Sansa me espera e que desceu ao Portão da Lua onde irá convencer Albar Royce a me receber pacificamente.
— Isso é insano — o loiro e atarracado cranogmano acariciou a barba do seu queixo os sulcos na sua face pareceram ficar ainda mais fundos. — ... é loucura.
— Não será, se chegarmos ao Portão Sangrento.
— Sua certeza é firme como o aço de sua espada, me pergunto como pode se manter tão perspicaz em meio a tantas tragédias.
"Tragédia" a ave emitiu lentamente enquanto coçava as penas debaixo de sua asa direita.
Não posso culpá-lo por sua precaução, ele não sabe que falei com minha amada irmã por meio de feitiço.
Jon começou a andar em direção a única porta da cela, Celtyng e Melisandre o seguiram. O ar frio chicoteou em seus rostos, Fantasma que estava deitado na soleira da porta se ergueu de um salto e o acompanhou, passaram o pátio de cabeça baixa, a neve caía junto com uma fina chuva que formavam pequenas agulhas congeladas antes de caírem no chão. Fosso Cailin é um ponto estratégico na defesa de Winterfell quando os inimigos vierem do Sul. Devemos mantê-la a qualquer custo, pensou Jon a observar as torres da fortaleza.Não era viável levar um destacamento de homens com armaduras pelas Montanhas da Lua então, levarei Melisandre comigo e mais dois ou quatro bons homens, esse raciocínio era lógico a falha era; Stannis não deixaria sua conselheira o abandonar em um momento crítico como esse... a estratégia do Targaryen era simples, deixar o Baratheon constrangido com sua promessa de ajudado a resgatar sua meia-irmã das garras de seu captor no Vale de Arryn e deixar claro a necessidade de se manter o forte conquistado. Stannis é um grande general e saberá que tenho razão.
Como se lesse a mente de Jon a mulher vermelha falou:
— Ambição e a desconfiança, turvam a visão do mais hábil estrategista — sua boca se calou, mas seus olhos continuaram falando.
Stannis não concordara teremos que fugir no meio da noite... Jon ouviu a voz de Melisandre dentro de sua cabeça.
— Veremos... — ele respondeu.
O velho arqueiro cranogmano o olhou sem saber do que se tratava, Melisandre assentiu positivamente com um aceno rápido de cabeça.
Fosso Cailin mais parece um abrigo para feridos do que um forte de batalha, o pensamento abalroou o Targaryen de supetão quando entrou pelo grande salão e viu que por todo pedaço de banco ou mesa havia um ferido gemendo. Um homem em pé atrás de uma muralha vale por dez, lembrou-se das palavras de seu Tio Ned, pude vivenciar isso na prática quando lutamos contra os selvagens que estavam sob o comando de Mance Ryder. Jon passou por cima de um soldado que estava dormindo sentado no primeiro degrau da escada que dava para a cela onde Stannis geralmente passava a maior parte do tempo, o cheiro de morte, sangue e feridas podres era forte e constante não importa para onde virasse o rosto sempre se via manchas vermelhas e gritos de dor. Jon, Melisandre e Priston terminaram de subir a rústica escada feita com argamassa, madeira e pedras e antes de baterem na porta ela se abriu e Stannis disse:
— O vitorioso Jon Snow — sua fala era cordial, mas seu olhar era duro e frio como sempre.
Vitorioso... os homens que pagaram com suas vidas e os que estão feridos no chão frio lá em baixo não diriam isso.
— Como vai o... — Jon passou os dedos na frente do próprio rosto para que Stannis percebesse que ele falava do ferimento em seu rosto. — ... está melhor?
— Estou cego deste olho — tocou a bandagem com os dedos e uma expressão característica tomou conta do rosto de Stannis. — ... mas ainda enxergo suficiente para não ser morto nessas terras... o olho que me resta é o direito por tanto ficarei bem.
Direto ao assunto funciona bem com ele...
— Preciso que me forneça homens para ir até o Vale de Arryn. — Seguiu um silêncio e ambos se entre olharam de cenho franzidos. — ... sei que a situação do vosso exército não é favorável por isso me contento com vinte homens. — Tirou as luvas e fez menção de apertar a mão do Baratheon que imediatamente se levantou da cadeira fazendo sinal para Jon parar onde estava.
— O senhor deu-me sua palavra Sua Graça. — ”Grão, grão," pediu a ave no seu ombro.
Stannis cruzou os braços e baixou o olhar enquanto andava na direção da janela que estava do lado oposto de onde Melisandre estava.
— Acredita que passara o Portão Sangrento com vinte homens?
— A familia Royce possui grande afeição pela Casa Stark — Jon percebeu que Stannis iria falar quando o rei levantou um dedo na frente dos lábios.
— Sim, Eddard foi criado por Jon Arryn — a expressão do rei mudou e ele mostrou os dentes quase sorrindo. — Então dada as familiaridades porque precisa de vinte homens, poderia ir sozinho que não correria perigo no Vale.
"Stark, Stargaryen", Jon espantou o corvo com um tapa e a ave voo para as vigas do telhado.
— Não é simples assim chegar até o portão -, Jon começou a rodear a mesa e se aproximar de Melisandre até ficar frente a frente com Stannis. — As trilhas das montanhas abrigam clãs de selvagens e como se não fosse o suficiente ainda há os Lannister que querem a todo custo recuperar minha irmã antes de mim. — Percebeu que o semblante do Baratheon ficou mais tenso — ele está pensando no valor que minha irmã teria para sua causa. — Então levarei dois homens e mais uma companhia.
O rei levou a mão direita ao rosto e por um momento pareceu ponderar sobre tudo aquilo.
— Apenas dois homens? É muito arriscado. — Caminhou em direção ao Targaryen.
— Não há o que temer, primeiro temos que chegar até o Ninho da Águia. — Jon balançou o dedo no ar algumas vezes antes de continuar: —, mas já que teme pela vida de minha irmã seguirei seu conselho e levarei uma companhia e dez homens. — Evitou olhar para a sacerdotisa vermelha para que só no final Stannis ficasse sabendo do que se tratava. — A minha companhia e a senhora Melisandre, Stannis não precisa saber disso agora. — Dei-me o seu consentimento e partirei imediatamente e retornarei para juntos tomarmos o Norte das garras da Casa Bolton.
— Pode partir — virou-se de costas e cruzou os braços para trás.
O rei não percebeu o plano do Targaryen, talvez o deus vermelho goste de mim. Pensou enquanto atravessava a porta e começava a descer os degraus, a ave negra saltou da viga e com um rasante se empoleirou no ombro de Jon, pelo dragão de gelo, meu segredo quase ficou evidente naquela sala, mas é só uma questão de tempo. Pensou enquanto calçava as luvas e fitava as cicatrizes em sua mão direita.
No abrigo para os soldados Jon pegou uma tigela de guisado de carne com batatas, cenouras e algumas ervas que ele não saberia dizer o nome, pão duro e uma caneca de vinho fervido e condimentado. Quando terminou de comer se encostou em uma viga e se abrigou dentro de sua capa de couro para descansar um pouco, Sansa está a salvo no Ninho, o problema é se Petyr Baelish chegar lá primeiro. O combinado é que eu chegue até ela, mas caso isso não ocorra ela fugirá e me encontrará no caminho. Enquanto raciocinava, seus olhos pesaram e sem que percebesse adormeceu.
A noite se abriu na sua frente, o vento uivava e ele ouviu um irmão uivando a quilômetros de distância, saltou pela tufa e correu por entre as grandes árvores do bosque alagado de Atalaia da Água Cinzenta, o forte cheiro de umidade o atraiu para perto das águas seus olhos vermelhos focalizaram um pequeno cardume de salmões, tencionou as patas na areia negra e encheu os pulmões com o ar da noite. Com um grande salto caiu sobre o cardume e abocanhou um grande salmão vermelho saiu das águas negras para se alimentar em um lugar mais seco, achou uma pedra côncava coberta de musgo e se abrigou do forte vento do Norte, enquanto rasgava a carne do peixe ouviu uma voz muito longe lhe chamar: "Jon, senhor acorde", tudo começou a rodar e a ficar iluminado demais até que acordou dentro da cela onde os soldados descansavam.
— Howland Reed deseja vê-lo antes que parta. — O homem não esperou por respostas, girou nos calcanhares e saiu.
Jon se levantou e seguiu para o portão principal de Fosso Cailin, percorreu grande parte do caminho a pé entre as trilhas de tabuas feitas de improviso no meio dos pântanos, ao chegar no rio pegou uma das jangadas e se pós a remar se lembrou de já ter estado naquele trecho quando caçava salmão, remou por um bom tempo até visualizar luzes no alto de uma torre. Saltou da sua pequena embarcação e a amarrou em um tronco, dali prosseguiu a pé entre as árvores e as grosas parreiras de paraquedas pelo que se lembrava era assim que o cranogmanos chamavam aquela cerca viva de folhagem verde-escura e galhos emaranhados. Voando acima de sua cabeça o corvo de Mormont vinha fazendo pequenos círculos e avisando: "homem sapo, homem, homem." Quando Jon olhou em volta viu que nas árvores e nas cercas vivas, camuflados muitos homens parados como estatuas de um Septo. Isso é perturbador e inteligente, o elemento surpresa. Jon aprendeu observando e lutando ao lado daquele povo que nem sempre o combate direto é o melhor jeito de se guerrear.
Ele passou pelos homens com semblante carrancudo, não posso mais me demorar aqui preciso partir com muita pressa, pensou enquanto passava pelo último grupo de batedores que vinham no sentido contrário ao seu, jovens de mais para morrer, mas eu também era muito jovem quando fui enviado ao Castelo Negro.
Jon finalmente chegou ao quarto de Reed, o lugar estava com um cheiro um pouco melhor e o rosto do homem parecia mais corado e de aparência saudável.
— Meu senhor — saldou Howland quando viu Jon parado a porta.
Imagino de que ou quem sou senhor... besteira de títulos.
— Chamou-me?
— Sim — fez uma pausa para se levantar da cama e ficar de pé. — Soube que andou me visitando enquanto estava desacordado!
— Estávamos em guerra e seus homens precisavam do senhor, tomei a liberdade do comando, mas sempre subia aqui para consultá-lo com a ajuda da senhora Melisandre.
— Ah sim, lembro-me bem dessa... estranha experiência. — Reed começou a andar de forma desajeitada até um grande armário de madeira —, mas já tive algumas com meus próprios filhos. — Abriu as portas do móvel. — Venha aqui e me ajude com este baú.
Parece ser algo de valor, e pesado, disse mentalmente andando em direção da grande caixa negra, mas quando pôs as mãos sobre ela cedeu com facilidade e Jon a tirou de dentro do armário. A caixa era coberta de couro fervido e um brasão em relevo e pintado de vermelho estava bem no seu meio, passou os dedos no emblema, Targaryen... e como se estivesse lendo seus pensamentos Howland disse:
— Era de seu pai, Rhaegar.
Ali agachado na frente do brasão do dragão de três cabeças Jon ficou sem saber o que dizer, o que é isso? O que ele poderia ter deixado aqui?
— Nós a retiramos do Tridente depois da batalha contra Robert. — O rosto do velho homem se encheu de sombras. — Um grande ferreiro a restaurou a muito tempo atrás, fez um sacrifício de sangue para que fosse reforjada.
Reforjada... uma armadura? Rhaegar, a armadura de Rhaegar o último dragão. Jon ficou de pé em um salto sem querer acreditar.
— É sua agora — os olhos esverdeados de Reed o olharam com intensidade.
— Não posso usá-la — serrou os punhos até o couro rilhar.
— Leve-a com você mesmo assim.
Isso pareceu mais com uma ordem do que um pedido.
— Este é o símbolo da sua casa, a Casa Targaryen — deu dois tapas no grande baú.
— A Casa Stark é a minha casa! — Salivou ao dizer a última palavra.
— Também é! — Reed devolveu no mesmo tom — é filho de Lyanna Stark tanto quanto é de Rhaegar Targaryen.
Os dois ficaram se olhando nervosamente.
— Está louco homem — apontou o dedo em riste para Reed. — Deseja causar minha morte? Não muito longe daqui um Baratheon que se intitula Rei dos Sete Reinos deseja acabar com todos os que estão reclamando o mesmo título. — Balançou a cabeça negando algo nervosamente e os cabelos castanhos cobriram sua testa.
— Eles usurparam o trono com a nossa ajuda e de Ned Stark — os olhos esverdeados e pequenos tomaram um fulgor furioso. — Nós queríamos resgatar Lyanna, Ned nunca quis a coroa.
Ele teve a oportunidade de reclamar para si o reino quando chegou a Fortaleza Vermelha e encontrou o Regicida assentado no Trono de Ferro, mas Ned apenas virou as costas e cavalgou em direção a Torre da Alegria em Dorne... Jon lembrou-se do trecho da história que a velha ama insistia em repetir.
— Stannis não é meu inimigo, por enquanto — Jon procurou pelo quarto uma pele e a pegou e cobriu o baú e o colocou de volta no armário. — Irei fazer os preparativos para minha viagem, não mostre isso — apontou para as portas fechadas do armário —, a mais ninguém. — Saiu pela porta às pressas.
Andou por Atalaia durante um bom tempo até encontrar com um garoto e mandá-lo em busca de Kronn, a demora na espera pelo mercenário que agora estava no comando do bando vindo com o exército de Stannis e os preparativo da viagem atrasaram Jon, mas também davam a cobertura da noite plena e depois de todos preparativos subiu novamente aos aposentos de Howland Reed e pegou o baú Targaryen sem nem se quer abri-lo.
Jon não podia confiar nos soldados nem nos homens de armas de Stannis só restaram os cranogmanos e os mercenários.
— Estão todos prontos? — ele checou mentalmente os homens olhando em seus rostos. — Lynn e Kronn estão ali, Pancamun, Pike, Pynatt e Oreia são seis. Hyxes, Reyes, Fynnun e por último Gabety. — Todos eles haviam lutado ao lado de Jon no cerco a Fosso Cailin.
Melisandre esperava na proa de uma embarcação que os levaria o mais perto possível das terras dos Frey, o ideal era descer o Ramo Verde e desembarcar o mais próximo possível da estrada de altitude. Jon pensava em como fazer isso sem morrer na tentativa, os Frey não eram confiáveis, mas ele precisava ser rápido em chegar ao Vale de Arryn. A viagem ficou um pouco entediante assim que os barcos levantaram velas e ganharam velocidade de cruzeiro, Kronn estava afiando sua espada como sempre, Lynn jogava dados com Pancamun, Pynatt e Oreia enquanto Jon se limitava a observar as knarr* que estavam a frente. As águas escuras e a marola acalmavam um pouco os ânimos e por algumas horas a única coisa que importava era manter toda a embarcação funcionando.
As águas do Ramo Verde corriam ligeiras e o vento que descia do Norte ajudou a maior parte do caminho, quando a primeira knarr avistou as luzes no alto das torres gêmeas abaixou as velas e as outras fizeram o mesmo.
— O que faremos? — Gabety questionou.
— Ainda não sei — antes de terminar a frase Jon percebeu que Melisandre estava com um ar lúbrico na face.
A mulher vermelha empurrou alguns homens com os ombros e ficou bem no meio da proa da nau, estendeu os braços esbranquiçados e começou a murmurar em um idioma que ninguém conhecia, os homens ali presentes se entreolharam, mas ninguém ousou dizer nada, após alguns minutos Melisandre pareceu desfalecer e Jon a segurou pela cintura enquanto ela ainda balbuciava palavras indecifráveis para o Targaryen.
— Vejam, na água! — Hyxes gritou perplexo.
Essa bruma está surgindo do rio...
“ Pelos deuses” os homens sussurraram em uma só voz.
Pelo dragão de gelo, essa mulher é tão poderosa assim? Jon olhava para o rosto suado de Melisandre que havia desmaiado em seus braços.
— Acalmem-se homens, essa é a nossa oportunidade de passar As Gêmeas sem sermos notados. — Ergueu a sacerdotisa nos braços e a levou para a parte do convés que era coberto. — Graças a ti, eu tenho uma chance novamente — Jon a deitou sobre um leito improvisado e voltou para a proa.
Não era possível enxergar mais que um metro a frente e todos estavam apreensivos com a possibilidade de uma colisão entre as embarcações ou pedras, isso chamaria a atenção dos vigias de ambos os lados e seriamos alvos fáceis neste estreito corredor. O nevoeiro era tão alto que não era possível ver as torres em ambas as margens, não havia sinal de luz e era difícil se guiar. O jeito é deixar R'hllor nos guiar e se ele ficar cego também, a senhora Melisandre será nossa tocha na escuridão. Jon apertou a cabeça de lobo que adornava o cabo de Garralonga.
— Silêncio agora — o marujo que segurava o timão sussurrou. — Estamos nos aproximando.
O Targaryen apertou os olhos e tentou ver alguma coisa a frente, acima e só o que pôde enxergar foi nevoa para todo lado. Pelo dragão de gelo onde esse homem está vendo alguma coisa? Como se lesse a mente de Jon, Kronn disse:
— São as pedras no fundo do rio, o timoneiro está sentindo.
Entendo... onde se tem um fundamento de ponte sobre um rio sempre caem grandes pedras na água e ficam ali por toda eternidade.
— Malditos, estão colocando lanternas sobre a amurada da ponte. — Enquanto falava Hyxes pegou seu arco recurvo e posicionou uma flecha na corda de cânhamo.
— Ixxx! — Jon pediu silêncio — os outros barcos já passaram, falta o nosso e o que está trazendo os cavalos. — Ele se abrigou atrás da grande carranca da proa. — Tomara que o maldito corvo de Mormont não comece a gritar no meio deste maldito nevoeiro.
Por segurança Jon havia prendido o corvo de Mormont junto com Fantasma no mesmo convés onde Melisandre estava desacordada.
— Será que os outros conseguiram mesmo? Ou foram engolidos por demônios da bruma?
— Oooras, deixe de loucuras homi... — Kronn deu um tapa na testa de Hyxes. — Pare de falar sobre demônios logo depois de ver aquela bruxa fazer essa camuflagem brotar de debaixo de suas saias.
Eu não acredito que trouxe esses palermas comigo, Jon não sabia o que estava fazendo nem por onde estava se metendo. Eh... não havia a Guarda Real e o Cavaleiro do Dragão para me escoltar. Os pensamentos e o corpo estavam leves depois que ele tomou um bocado do hidromel que o cranogs trouxeram a bordo.
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