O Trono de Gelo e Fogo
25 O Sono a Morte e a Lady
Notas iniciais

Estou um passo à frente de Lady Sansa, pensava Iris sentada em uma das mesas do tablado que ficava em um nível inferior ao da mesa onde os nobres se assentavam junto, Sansa estava acompanhada de Albar Royce, Sor Eon, a senhora Waynwood e outros nobres bajuladores. Sor Clegane estava atrás de seu cadeirão com a cara sínica de sempre, esses dias foram fodidos... Iris mordeu o lábio inferior com a lembrança de lençóis, suor e gemidos de prazer.
— Saberia me dizer onde Mya está?
Iris se desconcentrou e olhou para o lado para ver quem falava com ela.
— O que disse? — perguntou a seu primo como se não houvesse entendido da primeira vez.
— Mya, faz alguns dias que não a vejo — Mychel jogou a capa para trás e se sentou.
Mya não está fazendo as subidas para o Ninho da Águia porque não há ninguém habitando lá, ou está buscando mercadorias nos portos ou executando alguma trama de sua senhora...
— Eu não sei sobre essa mula — ficou irritada e começou a coçar a sua nuca. — Me diga primo, era você quem deveria saber por onde suas éguas andam?
Mychel Redfort deu um sorriso e sumo de carne escorreu pelo seu queixo quadrado.
— ... É verdade, aliás tem uma potranca bem aqui —, com sua mão direita ele apalpou as nádegas de sua prima.
— Acho melhor você se comportar ou vai ser mordido. — Iris deu uma boa olhada para o salão e se certificou de que Sandor Clegane não estava ciente do ocorrido.
Algumas pessoas haviam percebido que ela e Mychel Redfort mantinham mais que uma relação de parentes, ah sim... os malditos boatos que a plebe adora ouvir sobre senhoras nobres sendo enrabadas em lugares sujos. O pensamento lhe encheu de uma lascívia por fazer algo inapropriado na frente de todos que olhavam para ela com olhares indiretos na penumbra do salão. Protegidos pelo escuro e a falsa moral que ostentam ter, mas são todos uns porcos comedores de criancinhas. A garota Redfort sabia que a maioria dos nobres sentados ao lado de Lady Sansa tinham algum tipo de pensamento sujo em relação a ela e a própria senhora Stark. Petyr é uma prova disso, enquanto me fodia gemia o nome da sua puta ruiva pelas minhas costas.
O salão começou a ficar mais vazio devido ao frio que fazia ali, já era bem tarde da noite e algumas pessoas estavam dormindo sentadas nas mesas e hora ou outra acordavam assustadas e riam sem motivo e fingiam está prestando atenção nas várias conversas que estavam gerando burburinhos por todos os lados.
— Por que você não vai atrás da Mya e descobre o que ela está fazendo! — Afundou um pouco o decote de seu vestido roxo de cetim deixando os seios mais saltados.
Mychel Redfort soltou um pigarro com a mão na frente da boca antes de falar:
— E porque faria isso? Posso simplesmente ficar perto do fogo e esperar que aquela maravilha volte sã e salva.
Iris pegou o pedaço de empadão de pombo e ofereceu a seu primo o servido na boca.
— E seu eu pedisse com carinho que fizesse isso por mim?
Os olhos de Mychel se apertaram como se ele tentasse sorrir, mas sua boca estava cheia pelo generoso pedaço de empadão que ele comia.
— Espere um pouco e depois me siga — se levantou e foi em direção as cortinas que separavam o centro do salão das paredes onde ficavam as janelas.
Aquelas grossas cortinas foram colocadas ao redor de todo o salão com a função deixar o ambiente mais aquecido e segurar o calor das lareiras.
Mychel se levantou e foi para a procura de sua prima atrás das cortinas e a viu na curva do corredor formado entre a curva da parede e as cortinas, do outro lado estava uma mesa onde duas mulheres e algumas crianças se assentavam, Iris o chamou com um sinal de mão para que ele andasse mais depressa o que era meio difícil devido à falta de luz.
— Faça silêncio! — Iris começou a desamarrar o cadarço da calça do homem.
Ela se sentou em um pequeno barriu de vinho que estava jogado ali e abaixando um pouco a calça de Mychel, colocou-o em sua boca e começou a acariciá-lo com a ajuda das mãos.
— Aaah...
Iris parou o que estava fazendo para pedir silêncio com o dedo na frente dos lábios em seguido voltou a encher a boca. Que loucura, seria bom que eles vissem isso, como me excita ser vista fazendo coisas inapropriada. Iris olhava para o rosto torcido de Mychel enquanto ela lhe proporcionava prazer, o homem fechava os olhos e mordia a própria mão para não fazer barulho e chamar a atenção das pessoas que estavam na mesa do outro lado da grossa cortina. A garota ruiva-aloirada continuou a chupar e a movimentar as mãos por todo o bastão de carne que cheio de sangue nas veias esguichou um líquido cremoso dentro de sua garganta.
— Para, para... — Mychel deixou escapar aos sussurros.
Ainda sentada no barriu olhando para cima segurando o homem com a mão ela apertou e disse:
— Vai procurar saber o que Mya Stone está fazendo?
— Sim, sim porra. Agora solta ele por favor.
Iris cuspiu no chão e limpou o canto da boca com a barra do vestido.
— Então faça logo ou então é você que vai está no meu lugar com um bem grande entre os dentes, primo. — Se virou e foi seguindo pelo corredor de cortinas ao redor de todo o salão até chegar ao lado do tablado superior onde Sansa Stark estava assentada.
Se aproximou o mais sorrateiramente possível, mas quando estava a uns três passos da mesa Sandor Clegane percebeu que estava ali, ele sentiu meu cheiro esse cafajeste. Iris retribuiu o olhar sínico do homem moreno e alto parado na sua frente. Neste momento Myrcalla entrou trazendo uma bandeja com bolo de limão e a deixou na frente do cadeirão onde Sansa estava sentada. Iris se aproximou pelas costas de Sandor e disse:
— Vira até mim está noite?
O Cão apenas virou um pouco a cabeça e fez um movimento positivo, em seguida a segurou com certa delicadeza para um homem de seu tamanho e ambos se afastaram um pouco mais de onde Sansa estava.
— Me espere, irei depois que o Passarinho cair no sono.
Ominoso valete dos Sete Infernos, ela também goza de seus dotes. Iris não acreditava que Sansa seria tão fria a ponto de não notar o corpo torneado de Clegane bem na sua frente todos os dias e noites sem fim. Quando Petyr chegar sentirei falta de tudo nesse cão dos infernos, Iris ia saindo quando topou com os olhos azuis e frios de Sansa Stark a encarando de detrás do encosto cadeirão:
— Iris! — Sansa a chamou sem comoção nenhuma em sua voz. — Vá ao meu quarto e troque toda a minha roupa de cama, Myrca a ajudará.
— Sim, Minha Senhora. — Fez uma pequena mensura — maldita deve ter dado a noite toda e sujado todos os lençóis e peles, e agora sobra para mim.
— Se apresse, já estou enfadada de todas essas conversas e quero me retirar. — Sansa tocou levemente a mão de Albar e conversou algo muito próximo do ouvido do homem em seguida voltou a olhar para Iris.
— Você quer me dizer algo querida?
— Não Senhora Sansa — Iris se agitou coçando a nuca. — Será que ela sabe? Não contei nada a Sandor, nem a Albar só meu primo sabe a respeito de Petyr. — Vamos Myrcalla —, Iris pegou a garota morena pelo braço e a conduziu. — Sansa está um pouco distante de nós, você não acha? — elas começaram a andar em um corredor que levava para as cozinhas que estava abarrotado de caixotes dos dois lados nas prateleiras suspensas nas paredes.
A garota pequena e de olhos amendoados a olhou boquiaberta:
— Não deveria dizer essas coisas — olhou em volta como se procurasse alguém quando ouviu um riso alto vindo da cozinha.
— Saiam da frente suas molengas estou passando com o pesado. — A velha cozinheira com um avental todo sujo de molho e restos de comida estava trazendo o último caldeirão com sopa de legumes e massas para ser levado a mesa principal.
— Vá para os Sete Infernos sua bruxa! — Iris se esquivou e puxou Myrcalla junto com ela para uma porta estreita que era uma das muitas dispensas do castelo.
A dispensa também estava abarrotada de caixotes, embrulhos, baldes com peixe salgado e carnes defumadas penduradas no teto.
— Vamos sair deste lugar Iris.
Iris segurou a Asshai’i com as duas mãos.
— Escute-me com atenção, sabe onde a garota das mulas se meteu?
— Não sei, mas Mya saiu do Portão da Lua depois que a senhora Sansa pediu que ela buscasse o pássaro.
Iris imitou o que pareceu um soluço de surpresa, o pássaro? Será que ela foi buscar o senhor Baelish? Não pode ser na última mensagem Petyr disse que iria pegá-la desprevenida.
— Iris, está tudo bem com você? — Myrcalla sorriu para amenizar o clima entre as duas.
— Venha, vamos para o quarto da senhora — abriu a porta da dispensa e saiu desembestada abalroando os servos que vinham com louças do salão, Myrcalla a seguia na mesma correria. — No quarto deve haver alguma pista...
Elas subiram as escadas em espiral da torre quadrada com tanta rapidez que chegaram ao quarto de Lady Sansa ofegantes, enquanto a Myrcalla tirava peles e lençóis sujos, Iris Redfort vasculhava os papeis e livros que estavam em cima da escrivaninha feita de madeira escura. Folheou vários livros viu recados indistintos escritos em um tipo de código, tinta e bonecas escondidas nas gavetas, olhou dentro da fronha dos travesseiros, é inútil nas mensagens não há selo e não consigo ler nenhum dos sinais, não achei nada dentro dos livros que é onde ela costuma guardar as coisas e nem aqui em baixo da cama. Iris estava tão absorta que não percebeu Myrcalla a encarando com desconfiança.
— O que está fazendo mexendo nas coisas dela?
— Nada, estou só me certificando que tudo está em ordem — tirou a poeira do vestido com alguns tapas. — Parece que ela não aceitou essa mentira. Pelos deuses está tudo ficando escuro, e agora? — Iris olhou em volta e viu que no canto do quarto de Sansa havia um pequeno baú trancado e um vestido jogado por cima como se alguém quisesse encobrir, mas não completamente. — O que tem aqui?
— Não sei, acho melhor não tocar em nada.
Iris móvel o pesado baú gruindo e praguejando com o esforço. Eu não me lembro deste aqui quando arrumamos as coisas dela para a descida...
— Ouro! Será a fortuna de Lady Lysa. Myrca... — quando olhou para trás a procura da amiga viu que estava sozinha no quarto. — É melhor não fazer nada estupido, Petyr já está a caminho. — Colocou o baú de volta onde o havia pego.
Andou um pouco em círculos pelo cômodo e tentando descobrir algo, mas nada lhe veio à cabeça que pudesse ajudar a confirmar se Sansa sabia ou não de sua traição. Uma tempestade se aproxima, e quem não estiver preparado ira naufragar, pensou enquanto dava uma última olhada pelo quarto enquanto fechava a porta. Andando pelo corredor até a escada ouviu vozes, Sansa e Sandor estão vindo, disse mentalmente, correu e se escondeu no ponto cego onde devido à alta janela uma sombra se formava no lado oposto de quem subia rumo aos aposentos. O que estou fazendo aqui? Ela vai perceber, e porque quero ouvi-los conversar? Não tem jeito estou curiosa. Ao concluir o pensamento segurou a respiração quando Sansa passou direto por ela e em seguida Sandor Clegane que desacelerou os passos e ameaçou parar, mas continuou seu caminho quando percebeu que sua Senhora já havia entrado nos seus aposentos. A porta se fechou atrás dele, o que será que eles estão fazendo lá dentro? Iris andou com cuidado e encostou um ouvido na folha de madeira da porta para poder ouvir melhor, mas durante um bom tempo tudo o que conseguiu ouvir foram barulhos indistintos. Me parece que eles estão se relacionando, maldita Sansa sempre fica com toda a atenção e os melhores partidos. Se ergueu e saiu ás pressas do corredor antes que alguém a visse ali. Porque estou me importando tanto? Era difícil para Iris Redfort admitir uma certa paixão que após algum tempo ela passou a nutrir pelo Cão de Caça.
— Que frio! — Ela se pegou vagando sozinha no salão rumo a sala que ficava atrás do cadeirão onde Albar ou Sansa se sentavam.
Os archotes, tochas e lanternas estavam a meio pavio, ela tentou se aquecer esfregando os braços depois se sentou perto da lareira central onde o fogo ainda ardia a com certa abundância. Uma canção veio a sua mente e com sua voz baixa começou a cantarolar:
Eu queria que você soubesse que eu adoro o jeito que você sorri
Eu quero te abraçar bem forte e levar sua dor para bem longe
Eu guardo sua imagem, e eu sei que ela me faz bem
Eu quero te abraçar bem forte e roubar sua dor.
Porque eu fico em pedaços quando fico solitária
E eu não me sinto bem quando você vai embora.
Você se foi
Você não me sente mais aqui...
Iris parou de cantar quando ouviu a típica fungada seguida do riso meio metálico de Sandor Clegane que estava parado do seu lado esquerdo.
— Bravo, Bravo, bravíssima! — Cantou o Cão enquanto aplaudia.
Desgraçado, a quanto tempo será que estava aí parado tirando sarro da minha canção.
— ... Mas eu acredito que há coisas mais interessantes para se fazer com essa boquinha — ele se aproximou dela.
— O que você estava fazendo com ela?
Sandor não entendeu que a garota parada a sua frente o estava acusando.
— Chega de enigmas — a segurou e beijou seus lábios com força.
A língua áspera de Sandor parecia uma serpente na boca de Iris e quanto mais ela resistia melhor ficava o beijo. A realidade é que eu desejo mais deste abuso, eles começaram a andar em direção a antessala atrás do cadeirão do tablado, aos beijos, apalpões e caricias de todo tipo. Agora eu me esqueço de todas os flertes dele com Mya, Sansa e todas as servas do castelo e me entrego ao prazer, quando estava no seu devaneio percebeu que algo havia parado o seu amante.
— O que foi, por que paramos?
— Estou preocupado — se dirigiu a um aparador que estava no canto da sala e balançou uma jarra de cerveja, estava vazia e Sandor fez uma careta de asco. — Quando o lorde voltar terei que ir embora. — Se sentou em um banco de madeira.
— Por que iria embora? — Iris se aproximou e o abraçou e sentou em seu colo.
— Ele é fiel aos malditos Lannister — deu um beijo no pescoço delgado da garota e foi subindo até sua orelha.
— Podemos falar com ele depois, acredito que Petyr não levará em conta problemas passados — ela sentiu um calor entre as pernas e sabia que estava pronta para o ato. — Vamos falar disso depois que fizermos. — Segurou o rosto meio-queimado com as duas mãos e após um beijo mordeu delicadamente o lábio de Sandor.
Clegane a segurou no colo e se levantou do banco, mas em seguida parou com as caricias e foi até o outro lado da sala. Ele ficou a noite toda trepando com aquela rainha das putas e agora não consegui ficar firme. Mesmo com o sentimento de suspeita sobre o relacionamento de Sandor e Sansa, Iris queria se deitar com ele ali mesmo.
— Você disse que pode falar com ele... — Sandor continuou de costas mesmo quando sentiu que a garota o abraçou e enfiou as mãos em sua calça.
— Aaah, então você também quer... — ela foi para sua frente e começou a desamarrar os cordões de seus calções.
— Você poderia ter certeza de que o lorde não me entregaria aos Lannister? — tirou o seu membro de dentro da boca da garota para que ela pudesse falar.
— Ele é uma boa pessoa e sabe que você protegeu a preciosa Sansa Stark quando ela estava na corte sendo afligida pelo rei menino. Todos conhecem a história — voltou a encher a boca.
Sandor a levantou do chão e a jogou em cima da mesa, finalmente, pensou Iris. Ele a forçou três vezes e viu a garota se contorcendo e mordendo os lábios, então parou novamente e colocou a mão levemente sobre seu pescoço fino e sardento.
— Se soubéssemos quando ou como, falaríamos logo com Mindinho e tudo se acertaria. — Começou novamente a empurrar o quadril contra Iris Redfort.
Entre gemidos e sensações físicas de êxtase Iris conseguiu formar uma frase:
— Em breve ele estará de volta — e fechou os olhos.
Sandor saiu de dentro dela e a segurou pelos cabelos ruivos-aloirados e a lançou contra a parede depois levantou o vestido e entrou nela novamente.
— É assim que gostas?
Iris apenas gemeu enquanto o ato prosseguia de forma violenta e Sandor rosnava como um cão.
— Vamos para o meu quarto — ele não esperou resposta e saiu puxando ela pelo braço.
Subiram as escadas novamente e passaram o quarto onde Sansa estava dormindo e foram para uma pequena cela onde em um canto haviam colocado uma cama de campanha e arcos, flechas e lanças por todas as outras paredes. A vida poderia ser sempre esse momento que precede o prazer que é tão intenso e torna-se mais adorável que o final de tudo. Ela já estava totalmente despida quando se jogou naquela cama e Clegane não ficou para trás, descalçou as botas e jogou a capa para longe, puxou as pernas brancas da garota e começou a fazer o que sabia.
— Quer dizer que ele vai chegar logo... — começou a beijar o colo e foi subindo até a boca de Iris —, mas com você ao meu lado o lorde me escutara, tenho certeza agora.
Ela se contorceu antes de falar e o agarrou pelos cabelos negros e disse:
— Oh sim, irei prepará-lo e dizer toda a ajuda que nos deu... — foi interrompida pela língua de Clegane.
— E como o lorde é e o que ele sabe até agora? — mudou de posição e a colocou deitada de lado e a abraçou pelas costas, ambos estavam suados e os corpos não paravam de se mexer.
— Ele é mau como você, tenho uma queda por esse tipo. Aaah! — No fim da frase ela o sentiu entrar novamente.
A cela que servia de aposento era pequena e apertada e algumas lanças caíram no chão junto com algumas outras coisas que ao julgar pelo barulho eram jarras de cerveja.
— E porque não procura um bom príncipe para dar essa boceta? — ele fez com mais força.
— Porque príncipes não são como você...
— ... e como eu sou?
— Mau...
Depois de fazerem o ato durante grande parte da noite, Iris adormeceu nos braços do Cão, estava exausta, mas feliz com tudo o que havia acontecido naquela noite.
No dia seguinte acordou com as pernas doloridas e com os glúteos arroxeados a visão estava turva e não sentiu a presença de mais ninguém naquela cela. Tentou tatear no escuro para achar uma vela ou uma lanterna para conseguir ver alguma coisa, no banco ao lado da cama achou uma jarra de água e tocos de velas meio queimados, acendeu usando as pedras de pederneiras que estavam ali e em seguida jogou um pouco de água na palma da mão e limpou a sujeira dos olhos, vestiu suas roupas e arrumou o cabelo o melhor que pôde sem a ajuda de um espelho ou pente. Que horas são, será que a lady já acordou? Saiu da cela e quando passou o quarto de Sansa, está tudo muito silencioso, ela já deve estar tomando seu desjejum, pensou quando olhou através da porta aberta e viu que o ambiente estava vazio. Continuou sua caminhada descendo as escadas e quando estava se aproximando do salão ouviu risinhos e sussurros, parou por um instante atrás da parede de pedra acinzentada e ficou ali observando a distância.
Sansa está sentada em um banco enquanto Myrcalla retirava copos e pratos de uma mesa que estava colocada perto de uma janela, Cão de Caça estava parado atrás da ruiva com um sorriso meio torto nos lábios riam juntos de algo que Iris não saberia dizer ao certo o que era porque não conseguiu juntar as poucas palavras que ouvira daquela distância, ela... foi buscar, metida com encrenca... sangria... o lobo se aproxima. Nada disso faz sentido para mim. Parou de se atormentar mentalmente sua cabeça doía levemente devido à grande quantidade de vinho que havia consumido na noite passada.
— Senhora Sansa — saldou abaixando um pouco a cabeça, se sentou em um banco próximo.
— Onde estavas? — Sansa olhou para trás e fitou Sandor Clegane — mandei chamá-la — o homem deu de ombros como se respondesse por Iris.
— Nas cozinhas, comendo — deu um meio sorriso.
Sansa a encarrou com olhar acalorado e a chamou dando tapinhas na madeira do banco para que Iris se assentasse a seu lado.
— Lembra-se do Conto de Maegor o Cruel e sua quarta esposa Elinor? — esfregou as mãos uma na outra para aquecê-las — pode me ajudar a lembrar, estou esquecida dos detalhes.
Ela esqueceu o conto... o que será que está acontecendo?
— ... bom é mais ou menos assim que me lembro. Maegor percebeu que durante a construção da Fortaleza Vermelha sua esposa deixava o leito marital sempre nas noites sem lua e desaparecia durante horas. Quando Elinor era questionada pelo esposo sobre seu paradeiro, ela dizia que estava no Septo orando aos deuses. Maegor era um guerreiro e não entendia muito sobre os deuses e não sabia as preces nem os cânticos que sua esposa as vezes cantava enquanto escovava o cabelo ou fazia outras coisas de mulher, mas o dragão era como a serpente, e ficou desconfiado, porém quieto com seus pensamentos. Maegor permitiu que a esposa continuasse a sair à noite, mas colocou corvos mágicos para observá-la e os corvos viram Elinor se encontrando com o chefe dos pedreiros da construção da muralha, Maegor ficou furioso e em uma noite sem lua esperou a mulher sair e a seguiu até o Septo, onde a viu com seu amante profanando o altar sagrado dos deuses e os votos do matrimônio. Ele ficou arrasado porque amava Elinor, mas quando estava voltando para o castelo os corvos lançaram um feitiço nele com seu canto da noite e o dragão tomou conta do homem e seus olhos ficaram vermelhos e sedentos por vingança. Ele matou o chefe dos pedreiros e voltou para seu quarto e esperou por sua amada senhora, e quando ela chegou ele percebeu que seu semblante estava descaído de tristeza e perguntou: “Porque está triste a tua alma, e porque teu rosto está triste? ” Ela se sentou e colocou a cabeça sobre o colo de seu esposo e respondeu: “O Guerreiro tirou minha alegria e apagou a lua da minha noite. ” Seu esposo lhe respondeu: “Mulher tola que ora aos deuses e não conhece suas vontades, não sabeis que o Guerreiro é o responsável pela honra e pela vingança? ” Elinor se assustou e falou: “Oh marido como sabes tanto sobre os deuses sem nem mesmo os adorar? ”
Sansa a interrompeu com um ar animado.
— Há sim, essa é a parte que eu estava tentando lembrar. Continue Iris.
— É claro Minha Senhora — rebateu Iris. — Continuando...
Elinor ficou pasma com as palavras de Maegor e lhe disse: “ Porque se levanta o Guerreiro contra mim? Porque escurece ainda mais minhas noites de sofrimento? Oh esposo minha crença nos deuses se abalou e não lhes dou mais meu credo. ” E foi neste momento de escuridão que o dragão aflorou e a pele de Maegor ficou toda escamada e suas mãos se tornaram garras horrendas, A mulher começou a gritar de pavor e o dragão lhe falou: “ Já que não acreditas mais nos deuses não faz diferença para onde iras...” Então o dragão lhe cortou a garganta e antes que sua vida se esvaísse ela o inquiriu: “ Para onde irei se aos deuses eu já abandonei? ” O dragão Maegor a respondeu do meio da negra fumaça: “ Para onde vai eu não sei, mas que seja o pior dos lugares que está reservado para os sem honra, traidores e adúlteros. E se não acreditas mais nos deuses e deles não tens mais temor faz como eu e finge. ”
Sansa a interrompeu mais uma vez com um sinal de mão:
— Sabes por que o dragão matou Elinor?
A garota de pele sardenta pareceu pensar um pouco antes de responder aquela pergunta.
— Ela o traiu com o chefe dos pedreiros da Fortaleza Vermelha, e... — Foi interrompida novamente.
— ... mas que provas Maegor deus de suas acusações? Não me lembro de ele se quer mencionar a traição a sua amada senhora.
— Nenhuma prova Minha Senhora, ele foi enfeitiçado pelo canto dos corvos mágicos.
Neste momento os olhos da Stark ficaram escuros e pequenos vasos vermelhos começaram a aparecer como rachaduras nas partes brancas.
— Foi a conversa dos corvos que condenou Elinor que estava fornicando com outro homem e quebrou os laços de confiança do matrimônio sagrado com o dragão... — Aquilo pareceu uma afirmativa e não uma pergunta mesmo assim ela esperou por uma resposta.
Parecia que o ambiente ali ficou carregado e que era impossível respirar sem ficar ofegante.
— Não foi a conversa dos corvos, foi a traição que a condenou — respondeu Iris passando a mão no pescoço e engolindo seco sentindo como se uma mão a sufocasse.
— Ah sim, a traição quase havia me esquecido. — O rosto de Sansa pareceu ficar maior, ela toda parecia mais uma sombra negra inumana. — Se não houvesse traição os corvos não teriam falado ao dragão, não acha?
— Acredito que sim — Iris começou a suar e a ficar inquieta. — O que ela quis dizer com isso? Estamos falando só do conto ou tem mais coisas envolvidas? Está se referindo a Sandor e eu? Petyr?
Um vento gelado vindo da banda norte a despertou daquela espécie de transe e Iris deixou escapar um gemido afetado, quando deu por si, Sansa e Clegane conversavam e riam juntos da sua expressão. “Ela congelou”, dizia a Stark e Sandor apontava o dedo e ralhava de rir, e tentava dizer: “ ela sujou as saias de tanto medo da historinha. ”
Toda aquela zombaria tranquilizou-a e Iris Redfort não teve mais medo porque sabia que Sandor não a entregaria para Sansa já que para ele era uma vantagem se Petyr a manter prisioneira e o Cão pudesse ficar perto de seu Passarinho. Ele não sabe que o plano de Lorde Baelish é casar a nortenha com um Hardyng. Até lá já criei mais um plano para que o Sandor fique comigo e não terei mais essa pedra no meu sapato. Ela se referia a Sansa Stark.
— Pode se retirar, ajude Myrcalla por hoje — Sansa se levantou e o Cão a seguiu. — Irei até o portão conversar com Sor Albar e ver como são guardados os muros e coisas assim por aqui. — Foi andando, mas se virava e ria junto com Sandor.
Ria Lady Sansa, faça piadas de tudo e todos, seus dias de alegrias estão contados. Os dias foram passando de forma corriqueira e Sandor e Iris ficaram ainda mais íntimos sem que Sansa tomasse conhecimento disso, Mychel havia ido para fora dos Portões da Lua e Mya Stone ainda não retornará seja lá onde estivesse ido. O único problema era Albar Royce, Iris mantinha uma relação com o cavaleiro as escondidas e o triângulo amoroso entre Clegane, ela e o Royce somados aos trabalhos que sua Lady lhe demandava junto com as ordens que Mindinho escrevera, muita das vezes não sobrava muito tempo para dormir um bom período e seu corpo dava sinais de cansaço. Perdeu peso e suas olheiras ficaram ainda mais escuras, entre todos os seus afazeres o único que podia manobrar eram os encontros com Sor Albar, ela não podia dizer não a Clegane e nem queria, não podia desobedecer Sansa e levantar mais suspeitas por estar sob o comando de Petyr. Devo me aguentar até o retorno dele... ela se agarrava ao pensamento de que Petyr Baelish estava chegando, mas não entendia o porquê da demora já que ele havia saindo de Porto Real de navio e já deveria ter atracado em Ancora Velha.
Seria fantástico se Petyr chegasse durante a ceia e surpreendesse aquela vadia ruiva. Depois que Iris havia terminado seus afazeres foi ter com Sor Albar que a possuiu na cela que ele usava para trabalhar no pé do muro, se banhou e vestiu um longo vestido lilás adornado com pedras brancas que pareciam pérolas e por causa do frio deixou os cabelos solto lançou uma grossa capa de lã sobre os ombros e calçou luvas de cetim para aquecer as mãos e braços. No salão estava ajudando Myrcalla a servir a mesa dos nobres quando serviu cerveja preta a Eon Hunter, Sor Albar e a muitos outros cavaleiros que estavam na mesa do tablado superior onde Sansa se sentava.
— Aqui Sandor beba um pouco dessa cerveja quente — o cavaleiro recusou levantando uma taça cheia de pura e simples água.
— Obrigado guria — ele se afastou e ficou mais próximo de outros homens de armas que estavam jogando conversa fora ali ao lado da mesa.
Iris foi oferecer a cerveja de especiarias a Sansa que bruscamente colocou a mão cobrindo seu quartilho e fez sinais bruscos de negatividade com a outra mão e com a cabeça. O que será que está acontecendo que o Cão e a lady não quiseram beber da cerveja? Enquanto foi se entretendo com o trabalho Iris Redfort se esqueceu daquele acontecido só lembrando quando tentou servir vinho a Sansa Stark e mais uma vez ela se negou a beber, não bebeu cerveja, nem vinho está noite, porquê? Se retirou para um canto atrás das grossas cortinas e cheirou o vinho e não achou nada de estranho, provou uma pequena dose e também não sentiu nada a não ser o gosto da vide, das raízes e maçãs e outras frutas que se misturavam com o álcool. Ao sair de detrás das cortinas percebeu Sansa confabulando nos ouvidos de Cão de Caça e em seguida ele ficou esperto e começou a olhar em volta do salão à procura de alguém. Será que há mais assassinos no castelo e Sandor está caçando eles? Então é por isso que não quis beber. Ela continuou servindo e enquanto andava sua cabeça girava e volta e outra sua visão embaçava a fazendo derrubar jarras, copos e pratos por onde passava, devo estar muito cansada e com sono. Subiu as escondidas e foi até a cela de Sandor Clegane e adormeceu em sua cama.
O mundo parecia girar embaixo de seus pés, tentou focar a visão dando algumas tapinhas no próprio rosto, a cabeça doía com um latejar que se concentrava bem no topo. Quanto tempo dormi? Enquanto pensava, ela procurou por sinais de Sandor, mas pelo que parecia ele não havia estado ali naquela noite, quando se levantou ficou tonta e despencou na cama novamente caindo sentada. Nossa não tomei vinho forte nem cerveja que ressaca é essa? Iris não tinha a resposta para seu próprio raciocínio, se levantou e tateando pelas pontas de lanças e espadas chegou até a porta e a abriu levando uma lufada de ar frio na face que a fez instintivamente cruzar os braços para tentar se aquecer. Tudo está tão escuro, onde estão todos? Desceu as escadas com dificuldade e nos degraus da base encontrou dois homens caídos no chão dormindo, o peito está se mexendo, estão vivos, o que está acontecendo? Continuou a andar até se acostumar com a pouca luz do lugar e viu várias pessoas que não conseguiu reconhecer caídas por cima da mesa pelos bancos pelo chão com os rostos enterrados no próprio prato. Que bagunça, a festa parece ter começado depois que me retirei. Iris ainda estava atordoada com a dor de cabeça e com a sensação de tontura quando ouviu um relinchar de cavalos do lado de fora do salão, ela se recompôs e passou andando com dificuldade pelos guardas que estavam caídos bem na frente da porta de folha dupla, se espremeu para passar pela fresta já que não conseguiu abrir totalmente a passagem e quando saiu não conseguiu ver muita coisa porque seus olhos estranharam a luminosidade, quando finalmente começou a enxergar com clareza total viu uma pessoa alta que atravessava o pátio a passos largos. Quem será? Com medo Iris tentou ficar quieta e se escondeu atrás de uma das colunas que sustentavam a soleira da porta, entrou no estábulo, deve ser Donlowey aquele ferreiro idiota que não bebe, não fode e nunca participa de nada perigoso... ela começou a andar em direção ao estábulo, olhou ao redor e viu que tudo estava muito tranquilo, não há nada de errado, é coisa da minha cabeça, Iris tentou se convencer:
— É só um dia depois de um grande banquete — disse em voz alta quando entrou no estábulo.
— O que disse? — Era Lady Sansa com o corpo todo coberto por uma capa negra de zibelina.
Iris olhou para os lados e viu mais uma pessoa que mesmo estando de costas ela reconheceu, Sandor Clegane.
— Nada... — antes que começasse a frase Sandor deu alguns passos e a segurou pelos braços a mantendo de frente para Sansa. — O que é isso, Senhora Sansa, por quê? — neste momento sentiu os dedos do Cão de Caça se enterrarem nos músculos de seus braços. — Está me machucando, me larga Sandor.
Iris ficou desesperada e procurando em sua volta viu dois cavalariços deitados no feno:
— Acordem seus idiotas — ela gritou e se debateu em vão, porque Sandor lhe apertou e ela sentiu ainda mais dor.
— Quieta garota tola — Sansa começou a andar em direção a eles, no caminho ela tocou com o bico de sua bota na canela de um dos garotos que se quer se mexeu. — Acredito que eles não te ouviram — sorriu maliciosamente.
Sandor a empurrou para frente.
— Onde Mindinho está agora? — o tom calmo e pausado da garota Stark deu lugar a uma voz áspera e firme.
Maldito Cão traidor... pensava a garota Redfort enquanto seu rosto ficava quente com as lágrimas que desciam.
Iris soluçou e começou a chorar, Sansa a segurou pelos cabelos e a fez olhar para seu rosto.
— Onde? — Ela gritou tão alto que Iris tentou em vão tapar seus ouvidos, mas Clegane a segurou e a fez parar com uns solavancos. — Se falar ou não as coisas serão desagradáveis de qualquer jeito. Por isso perguntarei pela última vez. — Sansa descalçou as luvas da mão direita e segurou o rosto de Iris cravando as unhas em suas bochechas sardentas. — Por onde Petyr está voltando?
Iris começou a chorar e a soluçar, Sandor segurou seus braços com uma mão e com a outra puxou sua cabeça para trás.
— Por favor parem, parem... — Iris sentiu a frieza nos olhos de Lady Stark igual ao dia em que ela matou o velho meistre. — Sansa não faça isso pelos deuses antigos e novos, por favor livre-me de tua irá. — Soluçou e chorou copiosamente. — Ele me mandou ficar de olho em você para que não fugisse, é só isso, por favor me solte... — voltou a chorar.
Sansa olhou rapidamente para Sandor, Iris não podia ve-lô muito bem, mas via que estava sorrindo. Desgraçado me usou e me deu esperanças com subornos da carne e do prazer, como fui tola, pensou em desespero.
— Você é mesmo uma cobra — Sansa se aproximou até os narizes ficarem levemente encostados. — Acredita nos deuses, Redfort? — as feições de Sansa eram elegíveis.
Porque ela me pergunta isso? Porque esse assunto agora? De repente seus questionamentos internos lhe deram uma luz, O Conto de Maego, concluiu mentalmente.
— Não, Sansa eu não acredito nos deuses.
Iris não sabia o que era mais um jato quente banhou seu colo e ela sentiu seu corpo leve, Sandor me largou, deu tudo certo... quando olhou para baixo viu um líquido escarlate cobrir seu vestido; o que é essa sensação de torpor? Passou a mão no pescoço e percebeu uma fina abertura feita de um canto ao outro por onde o calor de seu corpo era despejado. No chão em seus pés uma poça carmim havia se formado e ela caiu de joelhos estendendo a mão tentou falar, mas não saiu som, Sandor salve-me, mas o cavaleiro foi para perto de sua lady e negou-lhe o socorro.
Sansa deu alguns passos para trás para não sujar as botas de sangue e disse:
— Se não acreditas faça como eu, finja...
E antes que seus olhos perdessem a luz Iris viu o sorriso maligno de Sansa Stark brotar em seu rosto frio e impiedoso, a imagem dos deuses cruéis que tudo exigem de nós e nada nos dão em troca... está tudo tão escuro, estou indo para casa...
Iris Redforte desfaleceu e caiu com o rosto na possa do seu próprio sangue, Sansa e Sandor montaram em seus cavalos e saíram pelos Portões da Lua sem impedimentos, devido a todos os habitantes do castelo terem consumido uma grande quantidade de Sono de Lys, uma substancia que Sansa adquiriu na torre do falecido Colemon.
— A uma longa estrada até o atalho onde vamos nos encontrar com Mya e o bando do almofadinha — disse Sandor, fazendo com que Estranho trotasse para mais perto da montaria de Sansa.
A neve havia cessado e o tempo estava bom para se viajar, mas ainda fazia muito frio.
— Tudo dará certo —, Sansa puxou o capuz de sua capa um pouco mais para trás para que seu rosto ficasse descoberto. — Lembrei-me da música que Língua de Cobra vivia cantarolando nesses últimos meses, era mais ou menos assim...
— Naá, ná, nánanan, nam...
O pior já passou e nós podemos respirar de novo.
Eu quero te abraçar bem forte, você tira a minha dor,
Há muita coisa deixada de aprender.
E ninguém contra quem lutar,
Eu quero te abraçar bem forte e roubar sua dor.
Porque eu fico em pedaços quando me abro e eu não me sinto como se eu fosse forte o bastante.
Sandor olhava boquiaberto para a Stark.
— Era uma verdade, ela se abriu, não foi forte o bastante.
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