O Tempo Mudará

39 Capítulo 4 - " A Ordem da Fênix" - Parte 1


Notas iniciais
Olá gente, meus adorados leitores. Feliz Natal e Feliz Ano Novo pra vcs Que esse ano em que acabamos de entrar seja mito melhor do que o que deixamos pra trás, Com muitas Histórias e fanfics Estou postando o capitulo pra que vcs possam já entrar o ano de 2017 com algo muito bom . E dessa vez foi com 2 meses de intervalo de tempo do capitulo anterior Espero que gostem

Capítulo 4 — " A Ordem da Fênix" — Parte 1

As Aparências Enganam... Ou não?

Blaise abaixou a carta que estava lendo e olhou para edição do Profeta Diário que estava em seu colo. As coisas estavam andando de novo e, embora ainda não estivesse claro, ele tinha que tomar uma decisão.

Secou as palmas das mãos na calça de brim que usava. Ao pensar nas implicações de sua escolha, seu coração acelerou. Ele precisava tomar a melhor decisão para a família Zabini, mesmo que ele ainda não fosse chefe da família. Precisava falar com sua mãe e ter uma conversa séria sobre quais passos eles iriam tomar daqui para a frente.

Colocando a carta na mesa, pegou a edição do Profeta, se levantou e andou até o quarto de sua mãe. Ele tinha acordado cedo e não a tinha visto o dia inteiro.

Subiu as escadas e andou em direção ao quarto dela. Bateu na porta uma vez.

— Mãe? Sou eu. A senhora está acordada? Precisamos conversar.

— Entre, meu filho. Estou aqui.

Ele abriu a porta e entrou. Sua mãe estava terminando de passar maquiagem na frente do espelho. Estava sentada diante de uma penteadeira antiga de prata. Ela levantou os olhos de sua tarefa e olhou para seu filho com um sorriso.

— O que queria falar comigo? – ela pegou o batom para passar nos lábios.

— Oi, mãe. Você está linda, como sempre.

— Ah Blaise. – ela falou sorrindo – Você é tão bajulador quanto seu pai.

Ele sorriu para ela. Embora sua mãe já tivesse casado seis vezes depois da morte de seu pai, ele bem sabia que ela tinha amado de verdade somente a ele, prova disso era que ela mantinha o sobrenome do seu pai e nunca tinha assumido o sobrenome de nenhum de seus maridos.

Sua mãe se chamava Leonora Zabini e era conhecida como a viúva negra, já que todos os maridos dela tinham morrido precocemente. Quer dizer, ela era conhecida assim entre as más línguas apenas, por que ninguém dizia isso na frente dela, e mesmo que todas as mortes tenham sido investigadas e comprovadas como acidentes trágicos, alguns ainda pensavam que ela os tinha matado para ficar com o dinheiro deles. O que claro todos estavam certos, embora não na motivação, sua mãe realmente tinha matado seus outros maridos, mas não por dinheiro, afinal ela já era rica quando se casou com o seu pai e ao se tornar sua viúva também ganhou uma herança muito grande, então não era por esse motivo.

— Alguma coisa interessante? – ela perguntou apontando para o jornal em sua mão.

— Nada que eu ou a senhora estejamos realmente interessados. – Blaise falou passando o Profeta para ela. A manchete dizia “Menino que Mente”?, com uma foto do Potter.

Artigo do Profeta Diário

— Somente o de sempre mãe, o que tem acontecido repetidamente desde a última prova do torneio. As tentativas do Ministério de destruir o nome do Dumbledore, alegando que ele está senil ao acreditar nas alegações do Potter que o Lorde das Trevas voltou e fazendo o Potter passar como um garotinho perturbado e mimado que está em busca de glória e atenção.

— Ou seja, nada de novo. – sua mãe falou jogando o Profeta em cima da penteadeira – Parece que o nosso jornal agora só se presta a divulgar questões inúteis e descabidas. Essa informação vai acrescentar algo novo ao meu dia? Alguma coisa interessante? Não. Então para que eu vou perder meu tempo lendo? Por Merlin! O que anda acontecendo com esses bruxos?

Blaise sorriu com a tagarelice de sua mãe. Ele se sentou em uma cadeira ao lado da penteadeira. Cruzando as pernas, passou a mão no queixo de forma pensativa.

— Você acha que o Lorde das Trevas voltou mãe?

Sua mãe terminou de passar o batom e focou sua atenção totalmente nele.

— Blaise, vou ser franca com você, meu filho. O Lorde das Trevas era um bruxo muito poderoso. Ele era tão formidável em batalha que a simples menção do seu nome hoje em dia, causa arrepios e maus presságios. E mais de uma vez seu pai me disse que o Lorde tinha comentado com ele e Lucius Malfoy que ele conhecia um meio de evitar a morte e que ele iria voltar. Eu não sei bem como isso poderia acontecer, mas seu pai me garantiu que era verdade. Então, honestamente sim, eu acredito que ele tenha voltado, independentemente do que os idiotas que escrevem o Profeta Diário estejam falando. E quanto a Dumbledore... Eu sei de uma coisa: ele nunca ficaria dizendo aos quatro ventos que o Lorde das Trevas voltou se não fosse verdade.

Suspirando, Leonora levantou passou e andar pelo quarto com a expressão levemente franzida.

— No nosso círculo de amigos espalha teorias a cada momento. As notícias correm e tudo leva a crer que o Lorde realmente voltou. No entanto, nada oficial ainda foi dito. Eu recebi uma carta da Narcisa que dá indícios de que o Lorde tenha voltado e que ela logo queria marcar um encontro comigo. Mas ela disse que não poderia ser agora porque ela está de cama, uma indisposição. Você por acaso recebeu algo de Draco? Ele esteve aqui na semana passada, não é?

— Sim, ele veio me dar o convite da festa da Amy. Ela é escocesa e suas festas costumam ser bastante interessantes. – Blaise sorriu ao se lembrar do que já haviam aprontado juntos — Também recebi uma carta do Draco ontem, mas ela não dizia muita coisa. Só que parece que algo importante aconteceu e ele disse algo sobre querer conversar comigo. Parece que ele vai precisar da minha ajuda.

— Ajuda em quê? – perguntou Leonora, franzindo a testa.

— Ele não disse, somente falou que é muito importante.

— Se ele está com todo esse mistério é porque deve ser algo relacionado ao Lorde!

— Sim, estou desconfiando disso também, mãe.

— Você irá ajudá-lo? – Leonora parou de andar e o olhou diretamente.

— Mãe... – Blaise fanziu a testa para a pergunta dela — Draco é meu melhor amigo, somos amigos desde a infância e eu o ajudaria em qualquer coisa se ele precisasse de algo.

— Isso só pode ser algo relacionado ao Lorde... Uma ordem ou até mesmo uma missão! – Leonora disse nervosa — Você irá ajuda-lo mesmo assim?

— Mãe, por que você está me perguntando isso? Onde está querendo chegar? – Blaise se levantou já ficando com raiva dessa conversa. — Os Zabini tem sido aliados dos Malfoy a mais de 400 anos, desde que chegamos na Grã-Bretanha depois que saímos da Itália. Somos parceiros não só na política, como em vários negócios ao redor do mundo. Eu basicamente cresci com o Draco, ele é meu melhor amigo e meu pai era grande amigo do tio Lucius. Eu realmente não estou entendendo aonde está querendo chegar com essa pergunta, você quer que eu vire as costas para o Draco em uma hora de necessidade, é isso?

Leonora deu uma risada sarcástica.

— Meu filho, você basicamente recitou todas as condições pelas quais somos leais aos Malfoy, mas eu quero que você me diga sobre a sua lealdade para com o Lorde das Trevas! Porque a pergunta que você deve se fazer Blaise não é se o Lorde das Trevas voltou ou não, mas sim o que você vai fazer com relação a isso. Irá ser leal a ele?

Blaise franziu a testa, pensativo, diante da pergunta da mãe. Leonora se aproximou e pegou as mãos do filho nas suas.

— Blaise, eu entendo sua lealdade e confiança em Draco. Vocês se conhecem a muitos anos. Mas agora não é hora disso! Você tem que pensar em dar sua lealdade a alguém muito mais poderoso e mortal. Alguém que pode te matar sem nem mesmo pensar a respeito.

Blaise se surpreendeu com essa pergunta. Ele era um sonserino e os sonserinos sempre buscam a autopreservação, mas quando se tratava do Lorde esse tipo de característica não funcionava. Eles eram leais a Voldemort e seriam até a morte e mesmo que alguns tenham mentido e negado relação com ele durante a sua suposta morte para evitar Askaban, agora as coisas seriam diferentes. Blaise acreditava que eles fizeram a melhor coisa porque não poderiam ajudar o Lorde a voltar ou manter seus aliados do seu lado quando se tratava de enfrentar a Suprema Corte. Enfrentar aqueles bruxos velhos colocaria medo em qualquer um. Ainda mais quando eles tinham a seu dispor o poder dos Dementadores.

No entanto, se o Lorde tinha realmente voltado, então a lenda de que ele poderia enganar a morte era verdadeira, no mínimo. Então não seria ele que humilharia seu pai negando o Lorde das Trevas agora que uma nova chance parecia surgir.

Blaise se levantou da cadeira e, com uma nova resolução, olhou para a mãe.

— Meu pai era um Comensal da Morte e morreu lutando pela causa do Lorde das Trevas. Se o nosso Lorde retornou, então nada mais justo que nós lutemos por ele também.

Leonora olhou para o filho com respeito e medo nos olhos.

— Seu pai lutou e morreu pelo que acreditava. Em cada noite, a cada missão que ele saiu para cumprir, eu sabia que ele poderia não voltar e meu coração ficava apertado. Até que chegou a noite em que ele não voltou. Eu não quero que o mesmo aconteça com você, o único filho que ele teve tempo de me dar, mas nunca irei pedir que você renegue o Lorde das Trevas por causa do meu medo pela sua vida.

Ela ficou de frente para ele e tocou em seu rosto.

— Não faço essas perguntas questionando sua lealdade em relação aos Malfoy, ao Draco ou ao Lorde das Trevas. Você pode ser leal sem lutar. O que quero saber é se irá se tornar um Comensal da Morte. Se está disposto a arriscar a sua vida, a realizar atos que sua mente pode chegar a questionar, se saberá lidar com o sangue, com as torturas e os pesadelos depois de cada reunião ou cada missão que for cumprir. Se saberá conviver com cada pessoa que você ver morrer ou tiver que matar. Quero que você me diga se irá fazer isso sem receio, se quer isso para si mesmo. Não pelo seu pai, não para vingá-lo ou qualquer coisa do tipo, mas por você, porque acredita na causa do Lorde das Trevas.

Ela ficou em silêncio, esperando pela resposta do filho.

— Sim, mãe. Acredito e farei de tudo para ajudar o Lorde das Trevas. Eu creio em suas convicções. Eu sei que ele é o líder verdadeiro de nossa raça! Posso ver que não vai ser fácil, sei que não vai ser e nunca esperei que fosse. Mas eu não faço isso por glória ou vantagens com o Lorde, faço porque acredito nele.

— Muito bem, meu filho. — sorrindo, ela enxugou uma lágrima em seu rosto – Era somente isso que queria saber e confesso que não esperava nada menos de você, tenho certeza que seu pai ficaria orgulhoso.

Blaise sorriu e pegou as mãos de sua mãe.

— Assim como eu sou orgulhoso de ser filho dele.

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Gina passou pano novamente na mesa para tentar retirar a terceira camada de pó daquele lugar. Ela já estava de saco cheio de ficar limpando essa maldita casa. Quando eles tinham virado elfos domésticos? Ela passou por algum feitiço e não tinham avisado?

Suspirando, ela voltou a passar o pano molhado sobre a mesa. Por Merlin, que sujeira! Isso daqui está parecendo um-

Um estrondo enorme ocorreu. Ela se virou a tempo de ver o balde de água suja rolar pelo chão, derramado seu conteúdo da sala em que ela estava até as escadas. Sala esta que ela e Hermione tinham acabado de limpar... Gina respirou fundo. Foi uma obra do idiota de seu irmão Rony. Ela viu Hermione começar a gritar com ele e o imbecil tentando se explicar. Ela segurou o pano com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. Assim esse lugar não ficaria limpo nesse século. Tentando manter a calma, ela molhou o pano novamente no balde ao lado dela, voltando a pensar na razão de agora eles estarem sendo elfos domésticos.

Um mês tinha se passado desde que eles tinham saído de Hogwarts e ido para casa passar as férias. Ela e sua família não tinham ficado nem uma semana na Toca quando seu pai tinha lhes contado que eles iriam passar o resto de suas férias em outra casa. Por um momento ela tinha imaginado que poderia ser algum tipo de viagem de férias diferente, mas, no fundo, ela ficou desconfiada ao considerar as coisas recentes que tinham acontecido... Principalmente ao final do Torneio Tribruxo. O Lorde das Trevas havia retornado.

Qual não foi a surpresa dela quando eles chegaram a uma casa decrépita e quase caindo aos pedaços, protegida pelo feitiço fidelius. Seus pais lhe contaram que ali era a casa Ancestral dos Black. Gina ficou exultante! Ela nunca tinha entrado em uma casa ancestral antes; podia se sentir a magia correndo nas paredes daquela casa e não se tratava do feitiço fidelius — era outra coisa, muito maior. Então, seus pais disseram que essa não era somente a casa dos Black, mas sim, a Sede da Ordem da Fênix, uma sociedade que Dumbledore tinha fundado e liderava com todos os bruxos que queriam lutar contra Voldemort durante a primeira guerra, e a qual ele estava ativando novamente.

Gina ficou curiosíssima pelo lugar, exceto que ele estava caindo aos pedaços, sujo e cheio de pragas. Sem contar que havia um elfo doméstico da casa chamado Monstro que ficava xingando-os. E, a cereja do bolo, era o “quadro” da mãe do Sirius que, se não tivesse coberto, começava a gritar de um jeito que toda a casa ouvia. Eram xingamentos que ela mesma nunca tinha ouvido: do tradicional sangue ruim e traidores do sangue para escória, sujeira e merdinhas.

Apertando ainda mais o pano molhado, Gina quase gritou pela sua atuação situação ao lado de pessoas... Bem, ao lado de sua família. Ah, se ela pudesse escolher...

— Gina, me ajuda aqui.

Gina se virou para ver Hermione pegando o balde agora vazio e outro pano para que pudesse limpar o chão novamente. Gina se aproximou dela e se adiantou até o armário que ficava ao lado da porta para pegar outro pano. Embora ela estivesse acostumada a fazer tarefas domésticas, aquilo já era demais. Eles passavam quase o dia todo limpando a maldita casa desde que chegaram aqui. Hermione pelo menos teve uma semana a menos de tortura, já que só fazia duas semanas que ela tinha chegado, e no ritmo que estavam indo, ainda ia demorar meia vida para terminar tudo. E ainda faltava todo o mês de agosto até eles voltarem para escola, porque ainda era dia 02.

Por Merlin, vou morrer aqui!

Voltando para perto de Hermione, ela começou a secar o chão.

— Seu irmão é um idiota.

— Qual deles? – Gina perguntou enquanto colocava o pano em cima da poça para poder absorver a água.

— Nem todos eles são idiotas. – Hermione disse olhando para ela de esguelha.

— Você está certa. Cada um deles tem uma característica própria, mas todos eles têm um pouco de idiotice. Mas não posso reclamar muito, afinal, quem não tem, não é? – Gina falou sorrindo – Só é preocupante quando a idiotice é a única coisa que existe ou quando ela se mistura com a prepotência.

— Está falando do Percy? – Hermione perguntou – Está preocupada com ele?

Gina sempre ficava impressionada com a capacidade de Hermione de perceber certos comentários que ela fazia e que ninguém entendia. Não que ela esperasse ou quisesse que os outros entendessem, pois poderia levar a um sermão sobre a crueldade dela, mas ela às vezes sentia falta de dizer o que pensava. Ou de conviver com quem pensasse igual a ela.

— Preocupada? Não, ele fez a cama dele, agora que deite nela. Ele, com certeza, é um idiota. – Gina esfregou o chão com mais força. Infelizmente, meu pai também se encaixa nessa categoria.

Logo que eles tinham voltado para casa, Percy tinha chegado feliz dizendo que tinha recebido uma promoção. Todos estranharam, afinal sabiam que depois do fiasco com Barto Crounch sênior ele estava respondendo a um processo disciplinar, mas seus pais logo começaram a felicitá-lo. Gina estava desconfiada daquilo e quando olhou para o lado, viu que os gêmeos também não o tinham felicitado e nem estavam fazendo brincadeiras. Eles estavam somente olhando para Percy e todos aqueles montes de abraços com a testa franzida.

Até a hora que Percy disse qual era seu novo cargo; foi ali que eu vi de onde estava vindo minha desconfiança: ele tinha sido nomeado como assistente do Primeiro Ministro e embora normalmente isso fosse uma honra, não era considerado uma boa ação pela minha família, afinal, o Ministro queria ver Dumbledore, Harry e todos aqueles relacionados a eles, ardendo no fogo.

Portanto, isso somente poderia ser um meio que o Ministro tinha usado para espionar os Weasley e, consequentemente, Dumbledore. Claro que meu pai percebeu isso e não segurou a língua para dizer exatamente isso a Percy e exigir que ele se demitisse. Percy não aceitou muito bem e de abraços a coisa ficou tão feia que os dois quase tinham duelado. Ela nunca tinha visto seu pai gritar daquele jeito, e sua mãe chorava copiosamente. Por fim, seu irmão foi embora de casa e renegou a família deles em termos bem esdrúxulos. Agora, seu pai quebrava qualquer coisa que estava segurando se ouvisse o nome dele e sua mãe começava a chorar desesperadamente.

Porque ela achava Percy idiota? Era óbvio: por ele ter ficado do lado do Ministério e ter falado tudo o que disse ao pai deles. Não que ela se importasse, afinal, nada do que ele disse era mentira. Seu pai não era ambicioso e a lealdade cega dele a Dumbledore acabaria matando a família toda!

Porque ela achava seu pai idiota? Era óbvio também: ele perdeu a chance de usar Percy como espião, do mesmo jeito que o Ministro tinha feito. Pelo menos eles teriam uma pessoa ao lado do Ministro, conhecendo suas estratégias, coisa que ela via que faltava nessa organização que Dumbledore tinha montado.

Mas o que se poderia esperar de alguém que achava que o melhor plano do mundo era colocar um artefato poderoso dentro de uma escola atrás de proteções que poderiam convenientemente ser derrubadas por alunos do primeiro ano? Somente porque ele acreditava que o fato dele estar lá era suficiente para desencorajar qualquer ladrão, inclusive o Lorde Voldemort?

Somente um imbecil completo acharia que poderia, apenas com sua influência, impedir o avanço do maior planejador e mago que já existiu, o Lorde Voldemort. Dumbledore tinha seríssimos problemas mentais, na opinião dela. E excesso de grandeza.

Seus pensamentos foram interrompidos pela voz de Hermione.

— Estava pensando que seu pai abordou a situação de forma errada. Talvez se ele tivesse pensado bem antes de atacar o Percy, ele poderia ter feito com que ele se tornasse um espião da Ordem junto ao Ministro, mas por causa de sua atitude precipitada não só perdemos um potencial espião e fonte de informações, como ele também perdeu seu filho.

Gina olhou para ela surpresa de novo. Hermione estava lendo a mente dela? Se ela não soubesse melhor, diria que sim.

— Eu pensei a mesma coisa, mas não disse nada a ninguém porque tenho certeza que diriam que meus pensamentos seriam muito perigosos e eles nunca colocariam Percy em tal situação. Bom, o resultado fala por si mesmo, não é? Nossa situação não poderia ser pior.

— Tenho que concordar com você. – Hermione disse ironicamente.

Continuaram em silêncio por mais um tempo, até que uma gritaria começou no andar de baixo. As duas olharam uma para a outra e correram para baixo, indo em direção a sala de onde as vozes estavam vindo. Todos estavam lá, os gêmeos, Rony, sua mãe, seu pai, Sirius, Remo Lupin, Mundungo e Dumbledore, e ao que parecia Dumbledore não parecia nem um pouco feliz se o fato de sua roupa estar ondulando enquanto ele estava parado era qualquer indicação de como sua magia estava sobressaindo.

— Você saiu do seu posto para comprar caldeirões roubados? – perguntou Dumbledore. De onde eles estavam reunidos, não podiam ver a cara dele, mas se a palidez de Mundungo era alguma indicação, ela não estava nada boa.

— Sim, mas era um ótimo negócio! – o pequeno homem respondeu rapidamente.

— Ótimo negócio? Seu ótimo negócio de hoje era ter protegido o Harry e não ter saído e deixado ele sem poder se defender de dois Dementadores!

— Dementadores? – Hermione perguntou assustada – O que aconteceu? Harry está bem?

— Ainda não entendemos direito, mas ao que parece Harry foi atacado por dois Dementadores perto da casa dele... – Gorge respondeu do centro da sala onde Dumbledore parecia querer estuporar Mundungo.

— A raiva do Dumbledore é justificável. Era a vez do Mundungo estar protegendo o Harry, mas ele saiu para comprar caldeirões roubados e durante esse tempo Harry foi atacado duramente. – disse Fred.

— Mas o Harry está bem? Ele não pode fazer magia fora da escola! Como ele pôde se defender? – Hermione perguntou, assustada.

— Ele está bem Hermione, mas usou o feitiço do patrono na frente de dois trouxas. Um deles parece ser o primo dele. – Ronald respondeu.

— Ele usou magia fora da escola? – Gina perguntou para confirmar. Isso tudo parecia absurdo.

— Sim e parece que já recebeu uma carta do Ministério o expulsando de Hogwarts. – Remo disse.

— Por Merlim! – Hermione exclamou tapando a boca – Eles não podem fazer isso!

— Você deveria estar protegendo ele! Agora olha a confusão em que nos colocou, seu imbecil! – Sirius gritou, tentando avançar para cima de Mundungo, mas Remo o segurou.

— Eu não fiz nada! E para começo de conversa, Alastor me ameaçou para trabalhar para vocês e em troca não me entregar para os aurores! Eu nunca quis proteger aquele garoto e mais, não poderia ter feito nada para ajudá-lo porquê eu não sei fazer o bendito feitiço do patrono! – Mundungo berrou para todos.

— Saia da minha frente Mundungo e na próxima vez que algo como isso acontecer, irei te entregar para os aurores! E te garanto, este será o menor dos seus problemas! – Dumbledore falou ou melhor dizendo, rosnou para o Mundungo, que se encolheu e saiu em direção a porta.

— O que faremos, Alvo? Harry fez magia fora da escola e o Ministério já enviou a carta de expulsão. Ele não tem saída.

— Eu sei disso Sirius. – Dumbledore suspirou, passando a mão pelo rosto – Sirius, mande uma carta para o Harry e lhe diga para não sair de casa e ficar quieto enquanto vou tentar resolver isso.

— Acha que pode tentar fazer algo Alvo? – a mãe de Gina perguntou, parecendo angustiada.

— Eu vou tentar, embora não esteja bem quisto no Ministério no momento. Apesar de tudo, ainda tenho certa influência e vou usar uma lei antiga que diz que existe a possibilidade de se quebrar o estatuto de sigilo usando magia fora da escola, em casos de autodefesa.

— Mas o que os Dementadores estavam fazendo no bairro dele? Eles não podem ter simplesmente se perdido. – Remo disse, pensativo.

— Acredito que o endereço de Harry é bem longe de Askaban... O que é de fato bem estranho. Prefiro pensar que eles, talvez, tenham se perdido. Não sabemos a razão dos Dementadores estarem tão longe de casa, mas prefiro não pensar em outras possibilidades. Vou sair agora, mande logo a carta Sirius, por favor. – Dumbledore mandou, indo em direção à lareira e usando o Pó de Flú, para sumir nas chamas verdes.

— O que o diretor quis dizer com isso? – Rony perguntou confuso.

— Dementadores em um bairro trouxa? E justamente no bairro em que Harry Potter vive depois de não só seu inimigo mortal ter voltado, como também depois dele ter se tornado inimigo do Ministério? Usa a cabeça! – Gina falou, levantando a mão e batendo na cabeça do Rony.

— Ai!! – ele falou, massageando a cabeça onde Gina tinha batido e fazendo uma careta para ela — Eu só fiz uma pergunta.

— E eu a respondi, ou você não entendeu o que eu disse?

Rony continuou olhando para ela sem dizer nada. Gina revirou os olhos.

— Pelo amor de Merlim! Vai ser burro assim lá em outro lugar!

— Gina, respeite seu irmão. – sua mãe ralhou para ela.

— O que Gina quis dizer, – Remo começou a explicar para o burro do Rony e para quem, claro, não tivesse entendido – é que se foi Você Sabe Quem, quem enviou os Dementadores atrás do Harry, significa que ele tomou o controle deles novamente, e que ele sabe onde o Harry está. Ou pelo menos, tem uma certa ideia, o que, francamente, seria péssimo.

Remo suspiro e continuou:

— Como também se não foi ele, significa que quem mandou os Dementadores foi o Ministério, o que mostraria que eles estão dispostos a matar Harry ou, na melhor das hipóteses, ter ele expulso de Hogwarts, como acabou de acontecer. Por isso Dumbledore disse que preferiria pensar na opção de que os Dementadores se perderam do que nas outras duas, porquê ambas mostrariam perspectivas futuras péssimas para o nosso lado.

— Ah, entendi. – Rony exclamou.

Gina suspirou ao pensar nessas possibilidades. A história estava tomando um rumo completamente inesperado. O que mais poderia acontecer?

oOoOoOoOoOoOoOo

Mais tarde eles ficaram sabendo que Dumbledore tinha conseguido revogar a expulsão e que tinha conseguido com muita relutância por parte do Ministério que fosse dada uma chance para Harry se defender ou como o próprio Ministério vê a questão essa seria mais uma chance de tentar se livrar do Harry, só que por meios legais dessa vez, através de uma audiência disciplinar que aconteceria no dia 12 de agosto, eles iriam tentar defender o Harry falando da presença dos Dementadores no bairro trouxa, já que obviamente o Ministério estava ignorando esse fato em sua acusação.

Todos se mostraram completamente indignados com a expulsão de Harry e torciam para que as coisas se resolvessem da melhor forma possível.

Mas Gina, sinceramente, tinha ficado decepcionada. Ela não entendia essa fascinação das pessoas por aquele garoto. Hogwarts seria bem melhor sem Harry lá.

Ela não estava preocupada com o Harry. No entanto, ela sabia que devia fingir que se preocupava. Principalmente se considerasse o fato de que sua mãe desejava que ela se casasse com ele. Argh! Ela tinha que fingir estar apaixonada por ele, graças a obsessão de sua mãe por meninos magrelos, metidos a sabichões e que eram famosos.

Acontece que Gina não podia suportar essa ideia! E esse desejo de sua mãe só se reforçou depois dele tê-la salvo no segundo ano. Só que ao contrário do que pensavam, ela se tornou avessa a ele, e tentava manter isso escondido o máximo de tempo possível.

O que ninguém sabia, e que Gina tinha mantido trancado a sete chaves, era que toda a interação que ela teve com diário de Tom Ridlle durante o segundo ano a tinha mudado; ou talvez somente despertado algo que sempre esteve lá. E embora ela tenha ficado assustada com toda a situação, ela gostava de todo o poder que corria por ela quando ela usava o diário e controlava o Basilisco. Porque, mesmo que o próprio Tom tenha dito que ela não sabia o que estava fazendo, e ela mesma tenha ido junto com aquilo afirmando que não se lembrava, ela sabia de tudo ou pelo menos estava parcialmente consciente. Ela tinha sentido a magia correndo por seu corpo e amou cada segundo.

Ela não revelou a verdade, nem mesmo contou a ninguém o que sentiu ou sentia. Na verdade, ela pensou em contar aos gêmeos, mas achou melhor ficar quieta. Eles poderiam considerá-la uma traidora.

Aliás, esse fascínio dela pelas artes ocultas tinha sido sentido pelo Chapéu Seletor, no momento em que o destino dela dentro de Hogwarts estava sendo decidido. O Chapéu quis colocá-la na Sonserina, mas ela tinha se negado firmemente. Afinal, um Weasley nunca poderia pertencer à Sonserina. A família dela a teria deserdado. Claro que pensando bem, isso seria um favor, porém, era a única família que ela tinha. Outro ponto, foi que ela não tinha meios financeiros ou outros recursos para se livrar deles e, sendo assim, ela não poderia fazer nada.

Gina queria ter uma vida tão diferente! Ela estava cansada de dominar seus anseios. A Gina Weasley que todos conheciam não existia. Era só uma mera fachada que ela aperfeiçoou ao longo dos anos. Às vezes ela tinha medo de se perder nesse papel e esquecer o seu verdadeiro eu. No entanto, sua verdadeira natureza não estava aguentando mais ficar guardada. Ela precisava se libertar, soltar suas amarras e ser ela mesma.

Gina descansou a cabeça no travesseiro do quarto que dividia com Hermione e tentou não dar um grito de frustração.

— É bom saber que pensamos de forma igual.

Gina se assustou e olhou para Hermione com os olhos arregalados. O quarto estava meio escuro, mas tinha uma vela acesa no meio da cama das duas. Hermione estava com um livro na mão, sentada em uma cadeira próxima. Sua voz era suave na escuridão do quarto.

— O que quer dizer com isso Hermione? – ela perguntou, procurando disfarçar o súbito tremor que passou por seu corpo com as palavras dela, bem na hora em que ela estava pensando em seus segredos. Gina procurou se acalmar, afinal, Hermione não poderia saber de seus pensamentos secretos, a não ser que lesse mentes, o que não seria possível. Pelo menos, não para uma bruxa nova como ela.

Hermione virou a página de seu livro, falando calmamente.

— Depende Gina. Se você quiser que o que eu disse não seja nada, será nada. Se quiser que seja algo, será algo. Tudo depende do que você quer.

Gina ficou olhando para ela completamente assustada. Ela procurou se acalmar, estava dando bandeira demais. Hermione não podia estar falando sobre o que ela estava pensando, era impossível. Além do mais, em nenhum momento Hermione olhou para ela. A menina ainda olhava para o livro absorta em sua leitura.

—Quer um conselho? – sem que Gina pudesse responder, ela continuou — Se eu fosse você começaria a aprender oclumência. É a arte de ocultar pensamentos. Seus pensamentos são muito abertos e existem várias pessoas nessa casa que sabem legilimência, a arte de ler mentes. Se você quer manter certos segredos, – Hermione olhou diretamente para ela – você deve aprender isso.

Gina ofegou e arregalou os olhos. Hermione sabia. E agora, o que ela iria fazer? Anos de disfarce seriam jogados fora. Gina começou a sentir seu peito apertar. Ela não estava conseguindo respirar e quando ia colocar a mão na garganta um barulho a fez paralisar. Ela levantou os olhos para Hermione com medo do que iria encontrar lá; raiva, rejeição, nojo, mas o que viu a surpreendeu: um sorriso que ela nunca tinha visto na boca de Hermione estava lá e ele só poderia ser chamado de lindo e cruel. O livro estava fechado na mão dela, onde se lia “A Arte da Mente”. Provavelmente foi o barulho do livro fechado que a fez se sobressaltar de medo.

— Ah, e sobre seus segredos... eles estão seguros comigo. Espero poder conversar com você em um futuro próximo, mas somente se você quiser. Como eu disse, tudo depende você. Eu te considero minha amiga, e acho que do mesmo jeito que sei alguns segredos seus, acredito que você tem o direito de saber alguns meus... não acha? – Hermione continuou sorrindo daquele jeito.

Gina não disse nada e parecia que Hermione também não esperava uma resposta. Se levantando da cadeira, Hermione se inclinou até a vela e antes de apagá-la disse:

— Tenha bons sonhos, Gina.

Notas finais
Espero que tenham gostado E por favor deixem comentários, e aqueles que nunca fizeram uma recomendação, por favor façam E aguardem o próximo que será logo porque o próximo já está pronto simplesmente dividimos porque tinha ficado muito grande