O Tempo Mudará
38 Capítulo 3 -
Notas iniciais
Capítulo 3 – “Alianças – Parte 2”
Draco não ouvia nada. Porque a mansão estava silenciosa. Parecia completamente inabitada. As sombras se projetavam em todas as direções àquela hora da noite, como se fossem dedos traiçoeiros e peçonhentos.
Ele odiava essa sensação. Coisas escuras, sombrias, secretas. Ele simplesmente não tinha estômago para isso. Sua vida se resumia em jantares elegantes, danças ensaiadas e conversas inúteis com damas de cabelos sedosos. Isso fazia parte do seu mundo. Era quem ele era...
Exatamente. Quem ele era.
Depois da conversa com seu pai... Ele não sabia mais o que pensar de si mesmo.
Seus pais eram Comensais da Morte. Ok. Ele já sabia disso a muito tempo. Mas o resto... Por Merlin, o resto o fazia transpirar em uma noite congelante!
O Lorde das Trevas estava de volta!!! Vivo!!! Neste exato momento, ele estava em sua Mansão escondida, esperando pela visita dele e de seus pais.
Draco levantou sua mão trêmula e segurou no copo de whisky. Por Merlin... Mesmo se estivesse à beira da morte, não estaria tão nervoso. E pior, agora o Lorde tinha uma noiva desconhecida! Como assim? Quem iria se voluntariar para casar com o bruxo mais temido que já existiu? Ela ao menos sabia quem seu futuro marido era? Será que essa mulher sequer era normal? Ela não poderia ser. Que tipo de mulher atrairia o interesse do Lorde das Trevas?
Três batidas soaram na porta.
— Entre.
— Filho! – Narcisa apareceu, deslumbrante em um vestido de seda negra, embora estivesse um pouco pálida. Ela tinha tido uma crise e ficado de cama nos últimos dois dias, desde a visita de seu padrinho Severo, na sexta-feira à tarde. Crise essa que até hoje Draco não sabia no que consistia. – Está na hora de irmos. O elfo designado para nos buscar, chegou.
Draco engoliu em seco e quase não conseguiu levantar com suas pernas trêmulas.
— C-Claro, mãe. Estou pronto.
Inesperadamente, Narcisa correu e o abraçou.
— Meu filho! Ah, meu filho!
— Cissa, pare com isso. – Lucius entrou na sala, também já vestido com seu melhor terno negro — Não podemos nos atrasar. O Lorde não espera por ninguém.
Narcisa olhou para seu marido.
— Fiquei realmente surpresa quando recebemos uma carta mudando o horário da reunião das 11h00 para agora 22h00. O Lorde normalmente não fazia isso antes, ele sempre foi pontual e nunca mudava datas ou horários de reuniões.
— Me faz imaginar o que fez ele adiar a reunião. — Lucius disse, pensativo.
— Podemos ter esperança de que foi algo para nos beneficiar? – Narcisa disse com um sorriso amarelo. Draco quase riu daquilo.
— Dificilmente. – Lucius disse, revirando os olhos — Se não for alguma coisa para nos punir, deve ser algo a ver com seus planos, não devemos nos precipitar em nossas conclusões.
— Lucius, meu marido, não é possível que não sinta um mínimo de medo!
— A questão não é sentir medo. Nós somos Comensais pertencentes aos Círculo Interno. Devemos obediência ao Lorde acima de tudo.
— Mas Lucius, o Draco é tão jovem... Ele é nosso filho!
— Eu sei! – Lucius disse com raiva – Droga, Narcisa! Isso não está sendo fácil para mim também. Mas nossa lealdade já foi posta à prova uma vez e não passamos. Do que eu me arrependo profundamente. Não podemos falhar novamente.
Lucius olhou para seu filho, alto e pálido como mármore. Andou até eles e abraçou sua família.
— Ficaremos bem. Confiem em mim. Ficaremos bem.
Narcisa olhou nos olhos de seu marido e suspirou.
— Está bem. Vamos.
Quando chegaram na grande sala comum de sua mansão, uma elfa os esperava. Tinha olhos imensos e chorosos.
— Kirki está aqui para levá-los. Kirki sabe caminho.
— Poderiam pelo menos não ter mandado um elfo. – Lucius murmurou com nojo.
— E meu padrinho? Ele ainda não chegou. Devemos esperá-lo. – disse, Draco.
— Houve uma mudança nos planos do Mestre de Kirki. O Senhor Snape sairá direto da casa dele, com outro elfo. Por aqui. Sigam Kirki!
A elfa, que por incrível que pareça não usava roupas esfarrapadas ou sujas, era bem limpa e arrumada, usava vestido negro com detalhes em verde, de manga cumprida com o símbolo da Sonserina no lado esquerdo do peito. Ela os levou diretamente para a lareira.
Eles iriam a outra dimensão por meio da lareira deles? Draco pensou, chocado. A elfa Kirki retirou de dentro de um dos bolsos de suas vestes uma caixinha prata maior do que a mão dela, abriu a tampa e dentro Draco podia ver um pó que era preto, vermelho e verde, ele nunca tinha visto tal coisa antes. Ela estalou os dedos e todo o pó de flú que tinha na lareira foi limpo. Draco olhou surpreso para isso.
— O que está fazendo elfa? – perguntou seu pai de forma ríspida.
— Kirki está limpando o pó de flú da lareira Malfoy, senhor.
— Eu posso ver isso. – falou mal-humorado — Mas porquê? E o que é isso na sua mão?
— Isso senhor Malfoy, é pó de flú. – ela respondeu inclinando a cabeça, como se fosse óbvio.
— Nós temos pó de flú, elfa. Você não está vendo em cima da lareira? – Lucius apontou para um pote em cima da lareira que continha pó de flú.
— Kirki pode ver sim, mas Kirki não pode usar esse pó para leva-los até a Mansão do Mestre de Kirki.
— Porque não? – Draco perguntou curioso.
— A mansão do Mestre fica em outra dimensão. Para que vocês bruxos possam ir até a casa do Mestre de Kirki deve ser feito um ritual para abrir o portal. Somente o Mestre e a Senhora podem fazer isso. Só que a Senhora de Kirki não queria ficar fazendo isso toda hora, então ela criou isso para que a kirki fizesse sozinha. Criou sim. – a elfa falou animada, erguendo a caixinha com o pó.
Os olhos dela brilhavam ao falar de sua Senhora. Draco podia ver que ela a respeitava e muito e se realmente tal pessoa transformou um ritual negro para abrir um portal para outra dimensão em basicamente uma espécie de pó de flú, ele tinha certeza que ela merecia muito respeito.
— Isso irá nos levar a outra dimensão por meio da nossa lareira?
— Kirki garante, Kirki já usou algumas vezes. Aqui tem o sangue da Senhora de Kirki e outros elementos que Kirki não faz nem ideia.
— Muito bem, então. – Lucius falou – Vamos, elfa.
Draco entrou com sua família dentro da lareira, ela era grande e alta já que tinha sido feita especialmente para o uso do pó de flú e para poder transportar várias pessoas ao mesmo tempo. Kirki ficou na frente deles, colocou a mão na caixinha e pegou um punhado de pó.
— Mansão Basiliski. – a elfa falou e jogou o pó aos pés deles no chão da lareira. Ao invés de serem cobertos por chamas verdes e desaparecerem como normalmente acontece no transporte por meio de pó de flú, uma fumaça vermelha surgiu e começou a subir pelos pés deles, logo ficando cada vez mais escura até ficar toda negra. Ela era acompanhada de tons verdes. A névoa cresceu a tal ponto, que rodeou todos a sua volta.
Draco sentiu a mão de sua mãe apertar a sua com uma força surpreendente. E sentiu que o ar havia sido retirado de seus pulmões. Seu corpo parecia ter sido quebrado ao meio.
Quando a névoa os engoliu, ele não tinha mais consciência de nada. Como um fósforo acesso, a névoa explodiu.
Tudo era escuridão. Na lareira, havia apenas vazio.
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Hermione sentiu a perturbação na dimensão.
— Eles chegaram.
— Ótimo. – Tom respondeu. Ele estava deitado em uma chaise, impecavelmente vestido e com os olhos fechados.
— Você irá vê-los com essa aparência?
— Não. Usarei uma máscara.
— Uma máscara? – Hermione perguntou divertida.
— Aaah, minha doce Hermione. – Tom respondeu, se levantando – Não quero estragar a reunião. Lucius viu apenas meu rosto de serpente no momento da minha volta. Deve ser isso que ele deve estar esperando ver hoje à noite e tenho certeza que ele já deve ter avisado a família dele. Ao me ver com uma máscara, ficarão ainda mais receosos. Você sabe que nada deixa uma pessoa mais assustada do que encarar o desconhecido; e eles estarem esperando uma coisa e acontecer outra, vai deixá-los ainda mais preocupados imaginando o que eu escondo atrás da máscara. Quero a surpresa como elemento final. Não gosto de deixar meus peões com a impressão errada. No final todos eles estarão vendo meu verdadeiro rosto pela primeira vez em muitos e muitos anos.
Suspirando, Hermione sorriu.
— Somente você para achar graça numa hora como essa, Tom. Eu estou nervosa. Além de eu não poder aparecer, nós não sabemos qual será a reação deles.
— Não se preocupe, minha senhora. A reação deles será a que eu quiser. Eles me devem obediência e servidão. – Tom andou até a cômoda que estava com uma caixa de mogno em cima, se virou para ela e perguntou – E, falando nisso, quem foi que disse que você não irá?
— Tom! Eu não posso aparecer! Draco ainda não sabe que...
— Eu sei, minha senhora. Eu sei. Você também usará uma máscara. Vamos causar um espetáculo e tanto! Mandei fazer algo para você. – ele falou, estendendo a caixa para ela. Hermione se aproximou e a abriu, dentro em cima de um pano de veludo vermelho se encontrava uma máscara negra com detalhes em prata e vermelho.
— Ela é linda! – Hermione falou, impressionada com a beleza da máscara. Estendeu a mão e a tocou, olhando para Tom e perguntando — É para mim mesmo?
— Claro que sim. – ele respondeu em tom divertido — Para quem mais seria? Foi feita especialmente para você, eu mesmo desenhei e mandei fazer, me enviaram ela hoje.
— Sempre me surpreendendo, não sabia que você tinha uma veia artística. Então foi por isso que remarcou a reunião com os Malfoy? Não tinha entendido porque você trocou o horário de hoje de manhã pra agora e você não quis me dizer
— Existem várias coisas que você não sabe sobre mim Hermione. – Tom falou com tom sugestivo.- E foi sim por causa disso, elas a enviaram agora a tarde, como sabia que demoraria até chegar remarquei a reunião com os Malfoy
— Ela é linda Tom. — Hermione repetiu, passando a mão pelos detalhes em relevo da máscara — Mas mesmo assim, e se eles questionarem...
— A morte colhe a vida de todos. Amigos ou inimigos. Em caso de desobediência, não serei piedoso. Eles já me afrontaram o suficiente anos atrás. Eles terão o bom senso de não fazerem isso de novo. Se não tiverem, eu os farei ter. – Tom respondeu, com seus olhos se avermelhando.
Não querendo vê-lo irritado, Hermione rapidamente atirou-se em seus braços e deu um beijo em seus lábios volumosos.
— Faça o seu melhor, meu Tom. Eu usarei a máscara. – dando um sorriso, ela acrescentou mordiscando sua boca — Acabe com eles. E não importa quem tenha que sacrificar, eu estarei sempre ao seu lado. Sempre.
Ele sorriu e aprofundou o beijo com ardor. Suas mãos subiram pelas costas dela até seu cabelo. Ele a puxou para ainda mais perto, saboreando cada centímetro de sua boca.
— Fale assim novamente e jogarei fora minha promessa de esperar.
Ele a beijou novamente, encostando suas costas na parede e a levantando. Hermione passou as pernas pela cintura dele e se entregou ao beijo completamente. As mãos dele eram como fogo. Consumiam sua pele e a impediam de pensar.
Parando o beijo bruscamente, Tom disse:
— Estou indo. Se arrume.
— Descerei logo. – Hermione respondeu sem fôlego, vendo seu amado sair porta afora apressadamente.
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Draco estava petrificado. Seu corpo não conseguia se mexer. Sua visão estava tingida de preto. Aos poucos, conseguiu que o ar entrasse em seus pulmões e sua visão clareou o suficiente para que tomasse consciência do ambiente a sua volta.
Seus pais estavam deitados ao seu lado, corpos emaranhados, tentando se levantar, assim como ele, tal coisa somente tinha acontecido com ele quando ele era criança e estava aprendendo a usar o pó de flú. Era humilhante, mas, bom não se podia exigir muito, afinal, a lareira deles acabou de transportá-los à outra dimensão e não à “Floreios e Borrões” no Beco Diagonal. A elfa desagradável estava parada mais a frente, com um sorriso idiota no rosto. Parecia que não estava afetada em nada, ela estalou os dedos e desapareceu.
Fazendo força para ficar de pé, Draco se levantou e olhou ao redor pela primeira vez.
Meu Deus. Por Merlim. Que lugar era aquele?
Eles estavam em uma encosta, nas montanhas, onde uma trilha tremendamente larga descia até a praia, que tinha areias brancas que brilhavam na escuridão. Um barulho de água batendo em rochas demonstrou que a imensidão negra que avistava era o mar. Ele se estendia a perder de vista. Àquela hora da noite, ele estava tão negro quanto as vestes de seus pais.
Atordoado, só conseguiu imaginar que a elfa tinha se perdido, e eles tinham ido parar em alguma ilha paradisíaca.
— Aquela elfa é burra? – ele perguntou exaltado. – Vamos nos atrasar demais! Pai! Onde estamos?
— Eu não sei, filho. – Lucius se levantou, estava de frente para o filho, e de costas para o precipício e rapidamente congelou. – N-Narcisa...
— O que foi? – Narcisa que estava ao lado dele se levantou e também parou seus movimentos completamente.
— Pai? Mãe? O que é isso? O que houve? Essa viagem enfeitiçou vocês? – Draco falava desesperado ao ver seus pais como se tivessem congelados. – Eu vou matar essa elfa ignorante!
— Pare de agir como idiota, moleque. – uma nova voz se fez ouvir. Severo Snape apareceu da escuridão ao lado deles, como se estivesse escondido o tempo todo, sua capa ondulando com a brisa.
— Padrinho? — perguntou Draco, surpreso com a presença de seu dele.
— Você apenas está olhando para o lado errado. – Snape torceu a boca. — Como sempre, aliás. Vire-se.
Draco rapidamente girou e o que viu... O fez congelar também.
O maior castelo que já vira se projetava da rocha bruta. Suas pedras eram brancas e tão ricamente construído, que seus detalhes eram mostrados mesmo na completa escuridão. Detalhes em prata e ouro. Por Merlim! Era a obra de arte mais linda que ele já tinha visto.
— Isso é mesmo uma mansão? Parece mais um castelo. – Draco perguntou quando conseguiu falar novamente.
— Sim. – Severo respondeu com um pequeno sorriso. – Nacisa, Lucius, boa noite.
— Boa noite, Severo. – Narcisa respondeu com um olhar que Draco não sabia identificar o que era, mas já tinha visto muitas vezes quando sua mãe estava com seu pai ou mesmo com seu padrinho, quando ele era mais novo e seu padrinho ia muito a casa deles.
Ela ia tocar na manga dele, quando seu pai a puxou para trás. Draco viu seu pai falando algo no ouvido de sua mãe, ele não tinha certeza, mas achava que ele tinha falado algo como “Não faça isso, agora não é a hora”. Ele não entendeu e provavelmente deveria ter escutado errado. Sua mãe suspirou e abaixou a mão.
Seu pai colocou os braços em volta dela. Ele se virou novamente para seu padrinho e disse – Boa noite Severo, faz tempo que você chegou?
— Não, apenas alguns minutos. Um elfo chamado Dipicie me trouxe.
Neste momento, um barulho se fez ouvir e uma elfa apareceu.
— Parece que estamos à mercê dos elfos essa noite. – Lucius resmungou baixinho.
— Senhores. – a elfa disse – Eu sou Willa, a Chefe dos Elfos da Mansão Basiliski. Willa irá guiá-los agora.
— Vamos, filho. A hora de rever nosso mestre se aproxima. – Narcisa disse, passando a seguir Lucius e Snape que estavam mais a frente.
Draco assentiu, e seguiu sua família para a construção misteriosa.
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Todos entraram no escudo da mansão e sentiram o poder crepitar em suas peles. O escudo baixou e os acolheu, como se fosse uma coisa viva. Os músculos de Lucius se retesaram inconscientemente. Por Deus, aquele lugar exalava poder por todos os lugares.
Caminharam um curto caminho polvilhado com pequenas pedras e logo um portão de ferro apareceu. Ao se aproximarem, o portão abriu sozinho, revelando pedras que formavam um caminho até a casa, atravessando um belo jardim. Mais adiante, a mansão se mostrava ainda mais deslumbrante. A porta era de vidro negro, reluzindo na noite como se estivesse viva.
Severo olhou para a maçaneta com cabeça de serpente. A elfa Willa rapidamente abriu e deixou todos entrarem. Narcisa suspirou audivelmente quando os olhos deles passaram pelos adornos completamente deslumbrantes e ricos, a casa era linda por dentro também.
— Sejam bem-vindos.
Todos congelaram. A voz parecia vir de todos os lugares.
— Ora, ora, não sejam tímidos. Aproximem-se, meus Comensais.
Severo liderou o grupo e todos eles pararam aos pés de uma escadaria com degraus entalhados em pedra negra. Do alto, um homem os aguardava. Ou melhor, Lorde Voldemort os aguardava.
Snape reparou que Narcisa, Lucius e, principalmente, Draco, empalideceram visivelmente. O Lorde estava vestido de veludo negro, que resplandecia e sobre seu rosto, uma máscara negra repousava, deixando à vista apenas seus olhos. Duas piscinas verdes e intensas.
— Como é bom revê-lo, Lucius. Acredito que tenha vindo por livre e espontânea vontade.
— Mais é claro, meu Lorde. Sempre. – Lucius respondeu, ajoelhando-se, ele estava preocupado estava esperando o Lorde aparecer com rosto parecido com uma serpente, mas agora ele estava de mascara, será que estava escondendo aquele rosto?.
— Interessante. – Voldemort continuou – Isso não ocorreu anteriormente.
Lucius começou a suar.
— Meu senhor, anteriormente acontece que.
— Não me interessa. Sua desculpa ridícula não mudará nada. Apenas irá me enfurecer.
— Sinto muito, Milorde. Estamos à sua disposição. Eu e minha família.
— Sua família. – o Lorde das Trevas olhou para Narcisa e Draco – Narcisa. Continua encantadora. E seu filho... Parece que não tive o desprazer de vê-lo ainda.
— Meu senhor. – Narcisa acrescentou, se ajoelhando e tentando não tremer. – Este é nosso filho, Draco Malfoy. O senhor deve se lembrar dele quando bebê.
— Eu lembro de um bebê que chorava bastante. Era irritante. E pelo que estou vendo agora estou tentado a acreditar que nada mudou.
Draco se encolheu com aquelas palavras.
— Ajoelhe-se, menino. – ordenou.
Draco rapidamente se ajoelhou. Suas mãos tremiam visivelmente. Que Merlim os ajudasse!
— Bom. – Voldemort continuou – Você tem consciência do seu lugar. Severo?
— Sim, Milorde. — Severo se ajoelhou.
— É muito bom rever você. – o Lorde disse com um tom que sugeria um sorriso, já que não poderia se ter certeza já que estava com a máscara. – Espero novidades em breve.
— Com certeza, Milorde. Sabe que pode contar comigo.
Tom riu e disse:
— Claro que sim. Mas agora, devo apresentar alguém mais importante a vocês. Levantem-se!
Lucius rapidamente se levantou e puxou Narcisa e Draco consigo.
— Por favor, conheçam minha noiva, a Lady das Trevas.
Passos foram ouvidos, pisando em saltos negros altíssimos. Um sussurro de veludo se fez ouvir, e logo, uma jovem, morena e deslumbrante, apareceu. Seus cabelos estavam arrumados em cachos perfeitos e na cabeça, ela usava uma coroa de ouro branco pequena, mas belíssima. Seu vestido era negro e estonteante, abraçando as curvas de seu corpo. Nas mãos, luvas negras subiam até seus cotovelos. E no rosto, uma máscara negra mascarava sua identidade por completo.
Lucius sentia o poder que aquela moça que seria esposa de seu Lorde emanava. Ela era perigosa e ele realmente tinha uma enorme dificuldade em associar que ele estava vendo a garota de cabelo espesso e dentes grandes que ele viu na “Floreios e Borrões” dois anos atrás.
Narcisa nunca tinha visto Hermione Granger, mas tinha ouvido Draco falar muito dela. E ela imaginava uma garota insossa bem diferente dessa que apareceu no alto das escadas. Claro que aquilo tudo era um disfarce e Hermione deveria ser tão linda quanto Selene, sua mãe, era.
Severo imaginou que a máscara tinha como objetivo esconder a identidade de sua Lady para o Draco e ficou pensando se seus Mestres não iriam se revelar hoje à noite.
Draco não tinha visto o rosto, mas imaginava que a garota deveria ser linda, bem como perigosa.
A mulher olhou para eles e meneou a cabeça minimamente, em um cumprimento silencioso. Rapidamente, todos se ajoelharam novamente.
— Parece que eles gostaram de você, minha senhora. – Tom disse sorrindo para ela.
Milady apenas acenou a cabeça, mas não disse nada. Snape imaginou que ela estivesse sorrindo atrás da máscara.
Olhando para eles, Voldemort disse:
— Agora, podemos começar nossa reunião.
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Draco tinha dificuldade em respirar. A reunião se embasou em planos e mais planos de conquista, onde o Lorde salientou quais eram seus aliados e inimigos.
Estavam em uma sala de estar belíssima, com um lustre maravilhoso. A lareira era imensa e produzia uma chama calmante e vigorosa. Todos estavam quietos, mas prestavam atenção e não ousavam interromper seu líder.
E quanto a Voldemort... Draco estava impressionado.
Já ouvira falar muito sobre como ele conquistava multidões, mas era a primeira vez que conseguia ver com seus próprios olhos.
Aquele homem era hipnotizante. Seus cabelos negros caíam sobre a máscara, deixando apenas seus olhos, verdes, de fora. Esses olhos não perdiam nada e mostravam uma inteligência absoluta. Ele analisava a tudo e todos e parecia captar cada detalhe, cada roçar de roupa, cada respiração.
Sua oratória era incrível. Horas haviam se passado e Draco sentia que poderia ficar ouvindo-o falar eternamente. Sua voz era hipnótica e grave.
E foi com admiração que ouviu seu senhor recitar seus planos, detalhando seus movimentos para o ano que se aproximava. Ele disse que já havia contatado os Dementadores e reativado sua aliança com eles. Que estava planejando entrar em contato com os lobisomens, sereias e híbridos. Todos ansiavam por ajudá-lo em sua conquista. Sem discussões. Sem questionamentos. Mas o mais surpreendente foi o fato dele ter falado que iria reestruturar o Círculo Interno. Draco viu seu pais demonstrarem preocupação de perderem suas posições privilegiadas entre as fileiras do Lorde.
E agora, Voldemort detalhava o que faria naquele ano. Planos assustadores, mas, mesmo assim, cativantes. Draco se viu ansioso pelo ano que se iniciava.
— Meu pequeno Draco. – Voldemort recitou com sua voz de barítono. – Acha que meus planos darão certo?
— Senhor? – Draco ficou atordoado com a pergunta. O Lorde mais poderoso do mundo estava falando diretamente com ele. Sentiu sua mãe olhar para ele alarmada.
— Responda. – Voldemort esfriou o tom de voz.
— Claro! Claro, Milorde. Seus planos demonstram sua inteligência e excelência, meu senhor.
— Ótimo. – Voldemort sorriu – Porque você faz parte dos meus planos também.
Draco empalideceu. Ele olhou para seus pais e os viu completamente pálidos. Severo era o único que permanecia impassível. Finalmente a pergunta que ele estava se fazendo seria respondida: O que ele estava fazendo ali?
— Mas, antes disso, eu tenho uma história para lhes contar. – Tom olhou para todos, antes de continuar — Meus amigos, sei que vocês devem estar surpresos com todas as notícias que Severo lhes contou quando foi visitá-los na sexta-feira. Muitas delas devem ter lhes chocado. – ele se virou e olhou para Narcisa — Me diga Narcisa, o que mais te surpreendeu?
— Bom, Milorde. – Narcisa parecia pensativa por um momento – Acredito que o que mais tenha me surpreendido e também me deixou muito feliz foi o fato da filha de Selene e do Howard estar viva.
— Sim, imaginei que isso te deixaria feliz. Você, Bella e Selene eram muito amigas.
— Eu gostava muito da Selene, assim como a Bella. Selene era uma grande mulher. Ela era incrível e extremamente inteligente. Mas, Milorde, se me permite, já que o senhor tocou no nome de minha irmã...
— Não se preocupe, Narcisa. Eu minha Lady já conversamos e até o final do ano muitos de nossos amigos serão libertados. Logo Belatrix voltará a estar entre nós.
— Obrigada, Milorde. — sua mãe sorriu feliz. Draco sabia o quanto ela sentia falta da irmã dela que estava retida em Azkaban.
— Mas então, voltando a filha de Selene e Howard... Vocês sabem que ela se encontra aqui, nesta mesa. Minha futura esposa.
Todos olharam para a garota sentada ao lado do Lorde e Draco viu os olhos dela voltados para ele. Uma morena deslumbrante, que tinha a identidade oculta e não tinha falado nada até agora.
— Quando Howard foi assassinado por Dumbledore, somente o fato de Selene estar grávida foi o que a impediu de pôr fim a própria vida. Pelo menos era o que eu achava no momento do parto. Durante o parto ela teve complicações e começou a perder muito sangue. Eu ordenei que Kalil fizesse algo, mas nada poderia ser feito. Naquele momento Selene me revelou a verdade que ela tão obstinadamente tinha escondido de mim, de que ela sabia que no momento que a filha dela nascesse, ela morreria.
— Como assim, Milorde? — Lucius perguntou surpreso. Era a mesma dúvida que Draco tinha.
— Sua alma era dividida com a de Howard. – Tom esclareceu.
— Mais se isso é verdade então... – sua mãe parecia confusa e completamente chocada. Draco não entendia porque aquilo era importante.
— Selene deveria ter morrido no momento em que Howard deixou esse mundo. — Severo concluiu.
— Eu não estou entendendo. – Draco falou, confuso.
— Draco, quando uma pessoa divide sua alma com outra pessoa, o que são casos raros, elas acabam dividindo várias coisas entre elas, como pensamentos, sentimentos e de certo modo a vida. Quando uma pessoa morre a outra morre logo em seguida. — seu pai respondeu. — O que não aconteceu com a Selene, afinal ela viveu alguns meses até o momento de dar à luz.
— Exatamente. Foi durante o parto que Selene me contou sobre isso e me disse que nada do que eu fizesse impediria a morte dela, porque a única coisa que a mantinha viva era a poder da filha dela.
— Nossa, então... – Narcisa arregalou os olhos chocada.
— Isso só confirma o quanto minha Lady é poderosa. – Tom disse com orgulho, olhando para Hermione. — Selene me disse que no momento em que minha senhora nasceu, ela começou a morrer. Com suas últimas forças, ela selou o nosso noivado com o feitiço da Conjunção do Espíritos.
— Esse feitiço não é usado a anos! – exclamou Lucius – Muitos bruxos nem sabem de sua existência.
— Eu sei, Lucius. Selene e Howard tinham insistido nisso. Como vocês sabem, Selene tinha o poder da visão.
Draco viu seus pais e seu padrinho confirmando com a cabeça.
— Selene me disse que queria esse feitiço e que ele me protegeria, e me ajudaria muito. Sinceramente, eu não entendia essa exigência, mas cedi. Ela sempre dizia que um dia eu entenderia. – rindo ironicamente, Tom concluiu – Eu entendi quando fui até a casa dos Potters. Durante aquele tempo, eu mantive minha Lady na Mansão Avadra, sendo cuidada pela Kalil e os elfos da Mansão. Eu decidi que ninguém deveria saber que ela estava viva, pelo menos não até que ela fosse um pouco maior ou quando Dumbledore estivesse morto. Ele era minha maior preocupação para a segurança dela. Quando surgiu a profecia e eu tomei a decisão de ir atrás dos Potters, eu deixei ordens explícitas a Kalil que se algo acontecesse ela deveria trancar a Mansão dos Avadra e levar a minha Lady a um local seguro. Naquele momento, o único lugar seguro para ela era o mundo trouxa.
— Porque não deixou ela com algum de nós, Milorde? Nós teríamos a maior consideração e seríamos muito honrados em poder cuidar dela! – falou Narcisa.
— Não era seguro, Narcisa. Se algo me acontecesse, meus Comensais estariam em perigo. Eu não poderia deixá-la com nenhum de vocês ou em qualquer lugar no Mundo Mágico. Dumbledore poderia encontrá-la. Uma das razões para ele ter atacado Selene e Howard não era só para tentar matá-los, mas também para garantir que o filho deles morreria. Ele sabia que tal criança seria poderosa.
Tom suspirou.
— Eu tinha tomado minhas precauções e sabia que a morte não me destruiria definitivamente. Eu sabia que um dia minha noiva voltaria ao Mundo Mágico por meio de Hogwarts, e então, eu procuraria ficar próximo dela. Qual não foi a minha surpresa quando tudo aquilo aconteceu e eu vi que era impossível ficar mais próximo dela do que eu estava. Graças ao feitiço usado em mim e nela quando nosso noivado foi selado, no momento em que meu corpo foi destruído, eu fui atraído até ela e passei a residir dentro dela todos esses anos. Se não fosse por isso, minha alma ficaria vagando perdida para sempre. Naquele momento, eu entendi a frase de Selene.
— Então Milorde, o senhor a criou? – Draco perguntou tentando não pensar em como aquilo era estranho. Uma menina, noiva do cara que a criou.
— Basicamente sim. Ela cresceu comigo e sob a minha orientação. Esperamos apenas o momento certo de minha Lady crescer para reinar ao meu lado. Sei que Severo lhes revelou parte da história que estou lhes contando. Que ele já contou qual a verdadeira identidade da minha Lady. Somente você ainda não sabe, pequeno Draco.
— Não, Milorde. Meu pai não me contou nada, eu achei que ele não sabia. — Draco estava surpreso. Seu pai tinha dado a entender na conversa que tinham tido que ele não sabia quem era a noiva desconhecida.
— Eu ordenei a eles por Severo que esse segredo não poderia ser revelado a você, já que eu mesma queria fazer isso.
Um silêncio se fez na sala. Aquela voz...
Draco virou surpreso para a garota. Ela finalmente tinha falado e Draco tinha a impressão de que conhecida aquela voz. Ele já sabia que ela estudava em Hogwarts pelo que eles estavam contando e ela deveria ter a idade dele, se as datas coincidissem.
Mas isso o deixava ainda mais curioso de quem ela era. No mínimo, a garota deveria estar na Sonserina, mas ele não conseguia pensar em ninguém. E ele conhecida todas as garotas na Sonserina.
— Como eu disse Draco, o único lugar seguro para ela era o mundo trouxa, portanto, ao ser convocada pela carta, ela apenas entraria na escola como uma sangue-ruim. – Tom disse, com um sorriso divertido.
— Por isso pensamos em um plano em que eu deveria ir a Hogwarts como uma nascida trouxa. Ninguém desconfiaria de quem eu era de verdade. E ao entrar na escola, elaboramos um plano ainda mais interessante. – A mulher estava claramente se divertindo — Quando as oportunidades surgiram, eu assumi uma posição ainda mais segura, que me permitia ter acesso a melhores informações. Dessa forma, Dumbledore nunca desconfiaria.
Draco estava ficando ainda mais curioso para saber quem ela era. Claramente era um estudante que deveria se passar por uma sangue-ruim, mas quem? Olhou para seus pais e eles o olhavam com expectativa esperando que ele chegasse com a resposta.
— Não pode ser que você ainda não saiba, Draco. – a garota falou com a voz provocativa, batendo com os dedos levemente na mesa. Draco voltou os olhos para ela.
— Não o importune demais querida. Ele não desconfia, assim como Dumbledore e os outros também não. Não podemos culpá-lo, afinal, quem desconfiaria da melhor amiga de Harry Potter?
Draco arregalou os olhos, chocado ao ouvir aquilo. Não podia ser. Ele não conseguia falar, estava petrificado. Olhou para aquela garota e viu aquele sorriso irônico, viu o rosto dela, a máscara não estava mais lá. Era a Granger. A sangue-ruim... Granger.
Ela ergueu-se da cadeira, a afastou lentamente e começou a andar em direção a ele. Draco tremeu naquele momento.
— Granger? – falou chocado olhando para ela. Ela estava diferente. Seus cabelos encaracolados castanhos não pareciam mais com uma vassoura, se bem que eles já pareciam bem controlados nesse último ano. E seus olhos também tinham outra cor, não eram castanhos e sim estavam com um rico tom de azul... Ela estava linda.
— Prazer em conhecê-lo, Malfoy. Sou Hermione Avadra, a noiva do Lorde das Trevas. – ela levantou uma sobrancelha ironicamente. Seus olhos tornando-se gelados.
Isso não podia ser verdade. E naquele momento somente uma coisa passou pela cabeça dele.
Eu estou tão ferrado!
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Hermione estava olhando a paisagem, estava linda. O céu azul, o mar batendo nas ondas de forma hipnotizante, um vento agradável... Tudo parecia um sonho.
Só que não era.
E ela estava quase espumando de raiva. Quatro dias tinham se passado da reunião com os Malfoy. Hoje era quinta e amanhã seria o dia que ela teria que se encontrar com quem quer que fosse levá-la para o novo esconderijo da Ordem. E como o adorado Dumbledore não tinha lhe falado na carta que horas iam buscá-la, ela tinha que ir hoje para deixar transparecer que estava em sua “casa” desde o começo das férias. Ia ficar longe do Tom, seu noivo, para ficar escondida naquele maldito lugar e do lado de gente nojenta e sem perspectiva nenhuma de inteligência.
Ai que ódio! – Hermione pensou – Eu não acredito que aquele velho me pediu
— Senhora.
Hermione se virou e viu Willa ao seu lado, carregando uma grande mala preta com seus bracinhos finos, quase tropeçando.
— O que você quer? — Hermione não conseguiu disfarçar a irritação.
— O amo está chamando. Está lá embaixo e pediu para Willa subir. Willa obediente, sempre. Willa obediente…
— Eu já entendi! — Hermione parou de admirar as janelas e passou rapidamente pela elfa. — Vamos logo! Se eu demorar demais, sou capaz de quebrar alguma coisa na sua cabeça.
Hermione saiu do quarto e então parou abruptamente. Ela sabia que Willa não tinha culpa de nada. E, se havia algo que Hermione desprezava, era maltratar elfos.
— Willa, ignore o que eu disse — ela voltou-se para a elfa, o rosto suavizando. — Eu estou um pouco exaltada. Saiba que eu nunca jogaria nada na sua cabeça.
— Willa sabe, Milady. Willa entende. — respondeu a elfa, baixinha.
— Logo receberemos visitas, e você e os outros elfos da Mansão Avadra e Basiliski entrarão em contato com diversos bruxos novamente.
— Sim, senhora.
— Vocês são nossos elfos. Vocês são diferentes de quaisquer outros elfos. Vocês estão acima deles. Entende isso?
Willa balançou a cabeça rapidamente.
— Sim, senhora.
— Isso significa que você não deve deixar nenhum bruxo maltratar vocês ou insultá-los. Vocês são o nosso rosto. Atacar vocês é atacar a nós. Mais uma coisa: logo… — Hermione respirou fundo. — Logo vocês verão bruxos que não gostam de vocês e que talvez digam coisas desagradáveis ou até tentem atacá-los.
Willa ergueu os olhos enormes.
— Willa fará tudo certo, Milady. Willa protegerá a mansão.
— Não é só a mansão — Hermione virou-se completamente para ela. — São vocês. Eu não quero nenhum elfo da Mansão Avadra e Basiliski abaixando a cabeça para insultos. Se alguém levantar a voz, vocês dão um aviso de a quem vocês servem. Se repetirem… vocês têm permissão para atacar. Entendeu?
Willa arregalou os olhos.
— Atacar bruxos que são leais ao Lorde?
— Eles podem ser leais — Hermione respondeu, firme. — Mas vocês também são. E não vou aceitar que sejam maltratados só porque certos bruxos se acham superiores. Para falar a verdade… considero vocês mais leais do que muitos deles.
Willa baixou a cabeça, emocionada.
— Willa entende. Willa obedecerá. Mas… Milady está preocupada?
Hermione hesitou. Sim, estava. Mas não podia demonstrar fragilidade nesses corredores.
— É apenas previsão — disse, ajeitando a capa, como se isso diminuísse o peso do futuro. — Bruxos poderosos estão se aproximando. Nem todos concordam com o que fazemos aqui. Para eles, elfos são ferramentas descartáveis. Para mim, vocês são parte da casa. Parte da minha história. Parte do que eu e ele estamos construindo.
Willa quase sorriu, mas conteve o gesto — elfos só sorriam com permissão.
— Então Willa e os outros farão o que Milady espera. Ficarão atentos. E ficarão fortes.
— É isso que quero — Hermione concordou. — Que sejam fortes. Lembrem-se: vocês representam a mim e ao Lorde das Trevas.
Qualquer ataque contra vocês será tratado como ataque contra nós dois.
Willa respirou fundo, como se aquelas palavras tivessem poder.
Hermione continuou, agora com uma frieza calculada:
— E mais uma coisa, Willa. Quando forem enviados para entregar uma ordem, uma mensagem, ou supervisionar algo… vocês devem ser recebidos com respeito. Como emissários nossos. Se algum bruxo ousar destratar vocês, ignorem a hierarquia deles. Vocês falam por mim. E quando falam por mim… falam pelo próprio Lorde.
Os olhos de Willa brilharam com a mistura de medo e devoção típica dos elfos.
— Milady… então Willa deve avisar aos outros?
— Sim. Reúna todos hoje à noite. Eu quero falar com cada um.
Hermione deu alguns passos, mas parou novamente.
— E Willa?
— Sim, Milady?
Hermione sorriu de lado, cansada, porém sincera.
— Obrigada por sempre obedecer. Mesmo quando eu perco a paciência.
Willa inclinou a cabeça, como se recebesse um presente precioso.
— Willa sempre será de Milady. Sempre.
— Então vamos. – Hermione falou sem se virar e andou rapidamente por diversos corredores. Parou no saguão que dava espaço para a suntuosa escadaria de pedras negras. Olhando para baixo, ela viu seu Tom.
Ele estava parado ao lado das imensas portas de entrada, também admirando a vista do lado de fora. Estava completamente parado, vestido de forma casual com uma calça preta e uma camisa cinza chumbo. Seus cabelos estavam quase completamente secos do banho que havia tomado mais cedo.
Mesmo com raiva, Hermione não conseguiu evitar suspirar diante da visão. Ele era simplesmente magnífico! Não sabia como podia ter tanta sorte. Aquele homem era seu! Somente seu! Nenhuma mulher, nunca, conseguiria colocar as mãos nele. Hermione suspirou pensando no tempo que eles podiam ter juntos naquela mansão... Mas, não. Aquele velho idiota e caduco tinha que chamar todos para um lugar que ela nem sabia se realmente existia!
Bufando, ela passou a descer a escadaria praticamente deixando marcas com seus pés no chão. Naquele momento, ela não estava se sentindo nenhum pouco graciosa.
Tom pareceu ouvir seu caminhar – na verdade, as pessoas na dimensão normal poderiam ouvir – e ele se virou para olhar para ela.
— Olha só. – ele não sorriu – Parece que você está inventando uma nova forma de remodelar o assoalho.
— Era para ser engraçado? – Hermione terminou de descer e caminhou pela sala de estar imensa, parando próxima dele. – Eu não estou contente, Tom. Eu estou ESPUMANDO!
Quando ela gritou, a imensa escultura de cristal em forma de uma serpente que ficava no aparador, explodiu em imensos pedaços.
— Eu simplesmente estou ODIANDO ter que deixar você por causa de um idiota! Eu praticamente não consegui nem desfrutar da sua companhia... Você só voltou para mim agora, Tom. Eu quero explodir alguma coisa!
— Eu acho que você já fez isso. – Tom disse, com um indício de sorriso aparecendo em seu rosto.
— O quê? – Hermione olhou surpresa para o lado e percebeu que ele falava a verdade. – Por Merlin! Eu estou descontrolada.
Ela se sentou em uma poltrona próxima, sentindo a força das pernas sumir.
— Tom... – a raiva que sentia parecia ter sumido. Em seu lugar, havia apenas a tristeza. – Eu não quero... Eu não posso ficar longe de você de novo.
— Calma, meu amor. – Tom se ajoelhou em sua frente, colocando as mãos sobre as dela e dando um leve aperto — Pense que tudo depende de algo maior. Quando acabarmos com eles, vamos sorrir juntos por muito tempo. Essa situação é apenas um meio de conseguir nosso maior objetivo, minha Lady. Vencer.
— Eu sei. – ela se jogou em seus braços. – Mas, eu quero ficar tanto com você que não consigo me controlar.
— Tente, minha senhora.
Ele se levantou e puxou-a consigo.
— Vamos acabar logo com isso. Precisamos que você chegue lá na hora certa. – ele beijou seus lábios levemente – À propósito, eu darei um jeito de me comunicar com você.
— Como?
Ele arqueou a sobrancelha.
— Está se esquecendo de com quem você está lidando? Eu consigo tudo o que eu quero.
Ela sorriu de verdade pela primeira vez naquele dia.
— É por isso que eu te amo.
Sorrindo também, ele olhou para Willa e suspirou em derrota. Willa estava ainda tentando descer a escada com a mala de Hermione a tiracolo.
— Willa deixe aí. Eu cuido disso! – Tom fez um movimento com a varinha e a mala desapareceu. Ele guardou a varinha novamente e disse sem expressão. – Você está dispensada.
Willa piscou duas vezes antes de entender, fazer uma reverência e sumir.
— Vamos, Hermione.
Caminhando para fora da mansão, ela ficou pensando nos dias que passaram juntos. Nas conversas até tarde, nos sorrisos, nos beijos trocados, nos momentos de silêncio em que apenas aproveitaram a companhia um do outro. Seu coração estava triste porque ela sabia que momentos com esses demorariam a acontecer novamente.
Eles caminhavam de mãos dadas pela estrada de pedras, indo em direção ao penhasco.
— O que achou da reunião? – Tom perguntou de repente.
Hermione pensou por um minuto, se lembrando de tudo.
(flashback)
— O que foi, Draco? O Hipogrifo mordeu sua língua? – ela perguntou ironicamente.
— Eu não sei o que dizer.
— Quer saber, não diga nada, é melhor.
— Você é a Granger? A sangue-ruim do Potter...
— Draco! — Narcisa olhou chocada para ele. – Isso é jeito de falar?
— Veja bem com quem está falando Draco. – Lucius o repreendeu. Uma gota de suor escorreu de sua testa sempre impecável.
Draco olhou para seu pai, preocupado. Inclinando a cabeça, disse:
— Sinto muito, Milady. Perdão!
— Calma. Sei que você está surpreso e isso era o que eu queria. Eu imaginava a sua cara quando descobrisse a verdade. — Hermione deu uma risada. — Eu realmente queria ver a sua cara.
— Milady, eu sinto muito... Eu não sabia quem você era.
Hermione imaginava tudo o que se passava na cabeça dele. Deveria estar lembrando todas as coisas que ele já fez para ela. Podia ver ele ficar cada vez mais preocupado.
— Sabe eu pensei em muito no que ia fazer com você quando eu me revelasse. Te torturar, tripudiar. Mas então me veio à mente "porque eu deveria fazer isso?". Draco, sabe, você nunca fez nada de errado. Se você me chamava de sangue-ruim era porque era quem você achava que eu era, portanto, repreendê-lo seria ridículo. Eu deveria na verdade elogiá-lo.
— Milady eu... – Draco olhou para ela atordoado e ao mesmo tempo aliviado.
— Draco, durante estes anos... – ela começou a falar e andar em volta das mesas, passando pelas cadeiras. Sentiu todos a seguirem com a cabeça- ...desde que tudo aquilo aconteceu... – ela abanou a mão fazendo referência ao Hallowen — ... eu fui obrigada a viver como uma trouxa. Desde que entrei em Hogwarts tenho fingido ser uma sangue-ruim, a amiga de Harry Potter. — disse ironicamente.
Ela parou de andar e olhou para ele novamente.
— Cada ano era uma tortura, mas ao mesmo tempo eu me via cada vez mais perto do nosso objetivo. — ela olhou para o Tom. Ele retirou a máscara e sorriu para ela, estava com o rosto humano, todos na mesa exclamaram surpresos os antigos vendo o rosto dele como era antes da sua queda. — Não foi fácil, admito, mas também garanti a minha posição e várias informações uteis. Manejei esses últimos quatro anos a minha vontade. Bom, a maioria das coisas que aconteceram. Eu estava segura ou tanto quanto era possível. Afinal, aquele garoto não consegue ficar longe de problemas. E Dumbledore e ninguém desconfia de mim.
Hermione se juntou a Tom novamente, e ficou atras dele. Viu todos olharam para ele e virem seu rosto humano, os olhos chocados eram os melhores, virou para Draco e perguntou:
— Você alguma vez desconfiou de mim?
— Nunca. – respondeu ele com firmeza, se recuperando do choque que o rosto de Tom em forma humana tinha lhes revelado. — Nunca imaginei isso. Embora sempre tenha pensado que Milady era muito poderosa e admito que ficava com raiva.
— Ao imaginar que uma sangue-ruim era melhor que você? — ela perguntou e ele olhou para o outro lado, assustado. – Relaxe. Não tem porque se sentir mal.
Ela se sentou ao lado de Voldemort.
— Eu te observei e a vários outros também. Eu sei o que quero. Nós sabemos o que queremos. — disse indicando ela e Tom — E você irá nos garantir uma parte do que é nosso por direito.
Ela viu Draco olhar para Tom com expectativa e ao mesmo tempo apreensão.
— Jovem Malfoy. — Tom voltou a falar — Eu vou reestruturar meu Círculo Interno, do qual vocês, presentes nessa mesa, continuarão fazendo parte. Por isso Draco, tenho uma missão especial para você.
Hermione olhou para Draco e viu ele se endireitar na cadeira, tenso.
— Quero que você observe alguns alunos e me diga quais considera promissores para fazerem parte dos meus Comensais mais queridos, aqueles que convivem comigo diretamente, meu precioso Círculo Interno.
— Quando encontrar potenciais Comensais, irá me dizer esses nomes. Imediatamente. — Hermione ordenou.
— Espero, sinceramente, que você não se engane quanto aos escolhidos. Eu não gosto de erros. Normalmente isso leva algumas pessoas a morte. — disse Tom sem expressão, passando a mão no queixo. — Curioso. Eu me irrito tão facilmente que qualquer erro praticamente me faz agitar a varinha. –– Tom parecia pensativo ao dizer aquilo e sorriu abertamente. – Não é engraçado?
Hermione quase deu risada e viu Draco empalidecer ainda mais. Deveria estar pensando o quão difícil era aquela missão realmente.
Afinal, o Círculo Interno era feito daqueles a quem o Lorde mais confiava. Era neles que o Lorde depositava sua confiança e a liderança de muitas missões, como estava fazendo com eles, naquela noite. Se por acaso ele indicasse alguém que não servisse... Meu Merlim! Ela não conseguia pensar no que Tom poderia fazer.
Bom pensando bem, ela conseguia pensar e a imagem não era bonita.
— Quando você indicar os nomes para mim, eu vou analisá-los e ver se eles valem a pena. Se ... – reforçou a palavra — ...e preste bem atenção, SE você acertar, vou falar com meu Lorde e uma missão de muita importância será dada a você e aos escolhidos.
— Se vocês cumprirem sua missão com louvor, vocês receberão a honra de terem a minha Marca Negra em seus braços. Melhor ainda, se a missão for concluída de forma muito maior do que eu esperava, posso lhes garantir uma posição no meu Círculo Interno. – Voldemort concluiu.
Draco abriu os olhos com espanto. Hermione sabia que se ele conseguisse seria um dos mais jovens a se tornar membro do Círculo Interno e ele rapidamente respondeu:
— Não imagino honra maior, Milorde. Agradeço a confiança.
— E Draco, lhe daremos um aviso. Não se limite a Sonserina. Existem pessoas com muito potencial, até mesmo na Grifinoria . – Hermione sorriu. Draco olhou para ela incrédulo e ela o repreendeu. — Não seja preconceituoso. Se você olhar bem, vai achá-los tenho certeza. E, pensando bem... — ela se animou quando uma ideia lhe ocorreu — ...Milorde, posso acrescentar mais um prêmio ao Draco?
— Vá em frente, minha Lady.
— Draco, eu sei quem são essas pessoas. Na Grifinória, por exemplo, elas escondem suas verdadeiras faces. – Draco olhou para ela atentamente. — Se você encontrá-las, irá nos mostrar a sua capacidade de observação e de ver a verdade por trás da mentira. Nos mostrará muito mais do seu poder. Se achá-los de forma correta, lhe daremos qualquer coisa.
— Milady, eu realmente agradeço a confiança. Não vou lhes decepcionar
— Obrigada pela confiança, Milorde – Narcisa respondeu também, ainda nervosa.
— Você honra nossa família, meu senhor. – Lucius afirmou.
— Que bom. – Voldemort sorriu. – O que acha Severo?
— Sua Excelência tem o dom da inteligência. Nada que eu disser mudará isso.
— Ah, que bom amigo você é. – o Lorde sorriu ainda mais – Mas não esqueça, Draco. O prêmio só é dado, se você fizer a sua parte. Se você não conseguir... – os olhos do Voldemort ficaram vermelhos sangue. – Eu não vou gostar.
Mais uma coisa chegou ao nosso conhecimento que voce Lucius foi grosso com um dos nossos elfos.
- Milorde eu..
- Um aviso, a partir de hoje, qualquer Comensal, ou leal ao Lorde, deverá tratar os elfos da Mansão Avadra e Basiliski com respeito. Eles não são servos descartáveis. São representantes diretos da nossa causa. Quando um deles falar com vocês, estarão ouvindo a mim. E, por extensão… ao Lorde.
O silêncio se tornou mais denso. A tensão, palpável.
— Se algum de vocês levantar a voz contra um deles… estarão levantando a voz contra mim. E se os atacarem… será considerado um ataque direto à autoridade do Lorde das Trevas.
Alguns arregalaram os olhos.
Ela sorriu. Não de alegria — mas da satisfação gelada de colocar as peças em seus lugares.
— Quero que fique claro: elfos desta casa têm permissão expressa para se defender. E, se provocados ou desacatados, têm permissão para atacar. — Hermione ergueu o queixo. — Se não conseguem respeitar criaturas mais leais do que vocês, talvez não mereçam a marca que carregam no braço.
Isso arrancou um murmúrio indignado — rapidamente sufocado.
— Agora — ela concluiu. — Quando um elfo desta mansão bater à sua porta, vocês responderão como se fosse minha própria voz ordenando. Não haverá exceções.
Ela deu um passo para trás, finalizando:
— Adaptem-se. Ou serão ultrapassados
(flashback)
— Acho que deixamos eles aterrorizados. – ela sorriu – Mas, tirando isso, tudo correu muito bem. Todos eles estão dispostos a morrer por nós. Mesmo que no fundo não queiram.
— Sim. Eles não irão nos decepcionar novamente. A única coisa que ainda não decidi é minha opinião a respeito daquele filhote.
— Draco? – Hermione perguntou surpresa. – Porque? Acha que ele pode não conseguir?
— Ele é fraco. – Tom respondeu simplesmente.
Hermione entendeu. Seu Tom não estava acostumado a conviver com bruxos que tinham medo ou dúvida. Afinal, ele era amigo de seus pais e Howard e Selene eram tudo, menos covardes.
— Eu entendo. Mas, acredite, ele tem muitos contatos dentro e fora da Sonserina, e sinceramente, eu acredito que com certo incentivo Draco pode se tornar grande, junto ao patamar de seguidores que nós queremos. Nunca o indicaria se não acreditasse nisso.
— Eu sei. Esse é o motivo de porque eu não o matei assim que ele chegou aqui. Seu cheiro de medo estava irritando até mesmo minha Nagini.
Hermione riu levemente.
Continuaram caminhando e chegaram ao penhasco. Os dois pararam e contemplaram a vista.
— Agora os nossos planos vão tomar um novo rumo, Tom. A partir desse momento, nada será como antes. A cada dia que passa, estamos mais perto de conseguir o que mais queremos. Derrotar aquele idiota do Potter e seus amiguinhos felizes e reinar para sempre.
— Sim. Isso é o que mais quero no mundo.
Ele a puxou para si e a beijou ferozmente. Hermione sentiu o mundo parar. Ficar nos braços dele era completamente inebriante. Ele mexia com seus sentidos e sua mente. Seu coração parecia um tambor imenso, batendo descontroladamente.
Quando o beijo finalmente parou, ela estava completamente sem ar e teve que se apoiar nele para não cair.
— Se continuar fazendo isso, não sobrará nada de mim para quando nos casarmos.
Ele sorriu.
— Ah, minha senhora. Se acha que somente isso irá me satisfazer, está redondamente enganada. – ele aproximou seu rosto do ouvido dela e sussurrou – Esteja preparada para fazer muito mais.
Hermione tremeu e fechou os olhos. Por Merlin, ela nunca ia conseguir se acostumar com aquela voz grossa e baixa em seu ouvido.
— Bom, infelizmente não podemos adiar mais.
Tom se afastou e olhou para o céu azul.
— Está na hora. Me mande notícias assim que puder.
Hermione deu a mão para ele e disse:
— Eu farei. – olhando para ele, ela apertou sua mão levemente – Eu amo você.
Tom mexeu sua mão livre e um buraco negro pareceu surgir em frente a eles. Ele olhou para ela. O vento começou a soprar cada vez mais forte, fazendo suas roupas e cabelos balançarem loucamente.
— Eu também amo você.
— Eu voltarei, Tom. Espere por mim.
— Sempre.
Hermione apertou os olhos da fênix em seu colar. Dele saiu uma fumaça vermelha que começou a rodeá-la. Ela era acompanhada de tons de preto e verde. A névoa cresceu a tal ponto, que a rodeou inteira e a escuridão a envolveu.
A única coisa que a acalentou foi lembrar de lindos olhos verdes. Olhos que a seguiriam por toda a vida.
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