O Tempo Mudará

28 Capítulo 28 - "O Cálice de Fogo" - Parte 7


Notas iniciais
Bom dia Mais um capitulo, começa a 1 prova e finalmente a preparação para o baile. Ficou bem grande. Mas leiam e só pra avisar os próximos capitulos vão ser grandes assim. Chegando o fim dessa temporada

Harry estava apreensivo. Morrendo de medo, para falar a verdade. O grande dia tinha chegado e com ele veio a Primeira Prova. Harry tinha ficado o dia anterior inteiro treinando o feitiço convocatório com Hermione, que o estava ensinando.

Depois da briga com Malfoy, e de se ver obrigado a ir até a sala do professor Moody para conversar. o professor, ao invés de brigar, acabou o ajudando — com sutis conselhos sobre como derrotar um dragão .Após isso Harry foi até a ala hospitalar pedir ajuda a Hermione. Ela estava lá por causa das brincadeiras inúteis de Malfoy, que a havia machucado. Hermione o ajudou.

Não almoçaram, só treinaram quase o dia todo, e finalmente ele tinha conseguido fazer o Feitiço Convocatório, onde graças as dicas de Moody, talvez ele pudesse derrotar o dragão. Eles deduziram que o ponto mais forte dele era voar, mas como não podia levar uma vassoura, mas tão somente a varinha, o único jeito era que convocasse uma através do Feitiço Convocatório; onde ele chamaria sua vassoura.

Hermione tinha até ido falar com ele antes da prova, dar um apoio. A tenda se abriu e por ele passaram Dumbledore, os outros diretores e o Sr Crouch.

– Muito bem Campeões! O grande dia chegou! Vocês sonharam, desejaram e imaginaram... E esse dia finalmente chegou.

Todos se aproximaram dele. Hermione já tinha saído, mas não antes de Rita ter tirado uma foto deles se abraçando.

– Bartho, suas honras. – indicou o diretor com a mão.

O Sr Crouch se aproximou deles e começou a organizá-los.

– Primeiro as damas. – disse ele, oferecendo-o a Fleur Delacour. Ela enfiou a mão trêmula no saquinho e retirou uma minúscula e perfeita figurinha de dragão: um Verde-Galês. Tinha o número "dois" pendurado ao pescoço. E Harry percebeu, pelo fato de Fleur não ter demonstrado o menor sinal de surpresa, mas, ao contrário, uma decidida resignação, que ele concluíra certo: Madame Maxime contara à garota o que a aguardava.

O mesmo se aplicava a Krum. Ele tirou o Meteoro-Chinês vermelho. Tinha o número "três" pendurado ao pescoço. Ele sequer piscou, apenas olhou para o chão.

Cedrico enfiou a mão no saquinho e retirou o Focinho-Curto sueco cinza-azulado, o número um pendurado no pescoço. Sabendo o que sobrara, Harry meteu a mão no saquinho de seda e tirou o Rabo-Córneo húngaro e o número "quatro". O dragão abriu as asas quando o garoto o olhou e arreganhou os dentes minúsculos.

– Bom, então está decidido! – disse Bagman. – Cada um de vocês sorteou o dragão que irá enfrentar e a ordem em que cada um fará isso, entendem? Cada dragão protege um ovo, a tarefa de vocês é simples: basta pegar o ovo! Vocês tem que conseguir porque contém a pista sem a qual não poderão prosseguir na etapa seguinte.

– Então, Sr. Diggory o senhor é o primeiro – disse Dumbledore – Só o que tem a fazer é entrar no cercado quando ouvir o canhão.

Quando o estrondo do canhão se seguiu, Cedrico respirou fundo e saiu, mais verde que nunca. Harry tentou desejar boa sorte quando ele passou, mas o que saiu de sua boca foi uma espécie de rosnado rouco. Harry voltou para a companhia de Fleur e Krum. Segundos mais tarde, ouviu os berros dos espectadores, o que significava que Cedrico entrara no cercado, e agora estava cara a cara com o modelo vivo de sua figurinha...

Foi pior do que Harry poderia ter imaginado, ficar sentado ali escutando. A multidão gritava... Urrava... Exclamava como uma entidade única de muitas cabeças, enquanto Cedrico fazia o que quer que estivesse fazendo para tentar passar pelo Focinho-Curto sueco. Krum continuava a olhar para o chão. Fleur agora passara a refazer os passos de Cedrico, dando voltas na barraca. E os comentários de Bagman tornavam tudo muito pior... Imagens horrendas se formaram na mente de Harry, quando ele ouviu: "Aaah, por um triz, por muito pouco"... "Ele está se arriscando, o campeão!"... "Boa tentativa, pena que não deu resultado!"

Então, uns quinze minutos depois, Harry ouviu um urro ensurdecedor que só poderia significar uma coisa: Cedrico conseguira passar pelo dragão e se apoderara do ovo de ouro.

Realmente muito bom!– gritou Bagman. – E agora as notas dos juízes!

Mas ele não irradiou as notas, Harry supôs que os juízes estivessem erguendo as notas no alto para mostrá-las à multidão.

Um a menos, faltam três! – berrou Bagman, quando o apito tornou a tocar. –Senhorita Delacour, queira fazer o favor!

Fleur tremia da cabeça aos pés, Harry sentiu mais simpatia por ela do que sentira até então, quando a viu deixando a barraca com a cabeça erguida e a mão apertando a varinha. Ele e Krum ficaram a sós, em lados opostos da barraca, evitando se olhar. Recomeçou o mesmo processo...

Ah, não tenho muita certeza se isto foi sensato! – os dois ouviam Bagman dizer animadamente. – Ah... quase! Cuidado agora... Meu bom Deus, pensei que já tinha apanhado!

Dez minutos depois, Harry ouviu a multidão prorromper em aplausos mais uma vez... Fleur devia ter sido bem-sucedida também. Uma pausa, enquanto os juízes mostravam as notas de Fleur... Mais palmas... Então, pela terceira vez, o canhão.

E aí vem o Sr. Krum! – exclamou Bagman e o garoto saiu curvado, deixando Harry completamente só. Sentia-se muito mais consciente do seu corpo do que normalmente; consciente de que seu coração batia acelerado e seus dedos formigavam de medo... Mas, ao mesmo tempo, ele parecia estar fora do próprio corpo, vendo as paredes da barraca e ouvindo a multidão, como se estivesse muito longe...

Muito ousado!– berrava Bagman e Harry ouviu o Meteoro Chinês soltar um poderoso e terrível urro, enquanto a multidão prendia a respiração em uníssono.

Que sangue-frio ele está demonstrando... E... Sim, senhores, ele apanhou o ovo!

Os aplausos romperam o ar invernal como se espatifassem uma vidraça, Krum terminara — seria a vez de Harry a qualquer momento.

Harry se levantou, reparando vagamente que suas pernas pareciam feitas de marshmalow. Ele aguardou. Então ouviu o som tocar. Cruzou, então, a entrada da barraca, o pânico se avolumando dentro dele. E agora, estava passando pelas árvores e atravessando uma abertura na cerca. O garoto via tudo diante de si como em um sonho berrantemente colorido.

Havia centenas e mais centenas de rostos nas arquibancadas que o olhavam, que tinham se materializado desde a última vez que ele estivera naquele lugar. E havia o Rabo-Córneo do outro lado do cercado, deitado sobre sua ninhada de ovos, a asas meio fechadas, os olhos amarelos e malignos fixos nele, um lagarto negro, monstruoso e coberto de escamas, sacudindo com força o rabo de chifres, que deixava marcas de um metro de comprimento escavadas no chão duro. A multidão fazia uma barulheira infernal, mas se era simpática ou não a ele, Harry não sabia nem importava. Era hora de fazer o que tinha de fazer... Focalizar a mente, inteira e absolutamente, na coisa que era sua única chance...

Ele ergueu a varinha.

Accio Firebolt! – gritou.

Então, esperou, cada fibra de seu corpo desejando, pedindo... Se não funcionasse... Se não estivesse a caminho... Ele parecia contemplar as coisas à sua volta através de uma barreira transparente luminosa, como uma névoa de vapor quente, que fazia as centenas de rostos que o rodeavam flutuar estranhamente...

Então ele a ouviu, cortando o ar às suas costas; ele se virou e viu a Firebolt disparando em sua direção, começando a sobrevoar a floresta, chegando ao cercado e estacando imóvel no ar, aguardando que ele a montasse. A multidão fez ainda mais estardalhaço. Bagman gritou alguma coisa... Mas os ouvidos de Harry não estavam mais ouvindo bem... Ouvir não era importante...

Ele passou a perna por cima da vassoura e deu impulso contra o chão. Um segundo depois, uma coisa milagrosa aconteceu... À medida que ele ganhava altura, à medida que o vento passava rumorejando entre seus cabelos, à medida que os rostos da multidão se transformavam em meros pontinhos cor-de-carne lá em baixo e o Rabo-Córneo se reduzia ao tamanho de um cão, ele percebeu que deixara atrás de si, não somente o chão, mas também medo... Ele estava de volta ao lugar a que pertencia...

Era apenas mais uma partida de Quadribol, nada mais... Apenas mais uma partida de Quadribol, e aquele dragão era apenas mais um time adversário indigesto... Ele olhou para a ninhada de ovos e localizou o ovo de ouro brilhando entre os demais cor de cimento, agrupados em segurança entre as pernas dianteiras do bicho.

– Ok. – Harry disse a si mesmo – Uma tática diversiva... Vamos...

E mergulhou. A cabeça do Rabo-Córneo o acompanhou, o garoto sabia o que ia fazer, e se recuperou do mergulho bem na hora, um jorro de fogo fora cuspido exatamente no ponto em que ele estaria se não tivesse se desviado... Mas Harry não se importou... Aquilo era o mesmo que se desviar de um balaço...

Nossa, como ele sabe voar! – berrou Bagman, enquanto a multidão gritava e exclamava. – O senhor está assistindo a isso, Sr. Krum?

Harry voou mais alto descrevendo um círculo, o Rabo-Córneo continha longo pescoço — se continuasse a fazer isso, ia ficar bem enjoadinho, mas era melhor não insistir muito ou o bicho iria recomeçar a cuspir fogo... Harry se deixou afundar rapidamente na hora em que o dragão abriu a boca, mas desta vez teve menos sorte — ele escapou das chamas, mas o bicho chicoteou o rabo para o alto ao seu encontro, e quando ele virou para a esquerda, um dos longos chifres arranhou seu ombro, rasgando suas vestes...

Harry sentiu o ombro arder, ouviu os gritos e gemidos da multidão, mas o corte não parecia ser muito fundo... Agora, ao passar veloz pelas costas do Rabo-Córneo ocorreu-lhe uma possibilidade... O dragão não parecia estar querendo voar, estava demasiado preocupado em proteger os ovos. Embora se contorcesse e abrisse e fechasse as asas sem tirar aqueles medonhos olhos amarelos de Harry, tinha medo de se afastar demais de sua ninhada... Mas o garoto precisava persuadi-lo a fazer isso ou jamais chegaria perto deles... O truque era fazer isso cautelosamente, gradualmente...

Harry começou a voar, primeiro para um lado, depois para o outro, suficientemente longe para o bafo do bicho não o perfurar, mas, ainda assim, oferecendo uma ameaça suficientemente forte para o dragão não tirar os olhos dele. A cabeça do bicho virava para um lado e para o outro, vigiando o garoto com aquelas pupilas verticais, as presas à mostra...

Harry voou mais alto. A cabeça do Rabo-Córneo se ergueu com ele, o pescoço agora esticava-se ao máximo, ainda se movendo, como uma serpente diante do seu encantador... O garoto subiu mais alguns palmos, e o bicho soltou um rugido de exasperação. Harry era uma mosca para ele, uma mosca que o bicho gostaria de amassar, seu rabo tornou a chicotear, mas Harry estava demasiado alto para que pudesse alcançá-lo... O dragão cuspiu fogo para o ar, Harry se desviou... As mandíbulas do bicho se escancararam...

– Anda! – sibilou Harry, fazendo voltas irresistíveis no alto – Anda, vem me pegar... Levanta, agora...

Então o dragão se empinou, abrindo finalmente as poderosas asas negras de couro, grandes como as de um pequeno avião — e Harry mergulhou. Antes que o dragão percebesse o que ele fizera, ou onde desaparecera, o garoto estava voando a toda velocidade para o chão em direção aos ovos, agora sem a proteção das patas com garras do dragão — Harry soltou as mãos da Firebolt -, agarrou o ovo de ouro...

E, com um grande arranco, tornou a subir e parou no ar, sobre as arquibancadas, o pesado ovo bem preso sob o braço bom, e era como se alguém tivesse acabado de aumentar o volume do som — pela primeira vez ele tomou realmente consciência do barulho da multidão, que gritava e aplaudia com tanto estardalhaço quanto os torcedores dos irlandeses na Copa Mundial...

Olhem só para isso!– berrava Ludo Bagman. – Por favor olhem para isso! Nosso Campeão mais jovem foi o mais rápido a apanhar o ovo! Bom, isto vai diminuir a desvantagem do Sr. Potter!

Harry viu os guardadores de dragões se adiantarem correndo para dominar o bicho, lá na entrada do cercado. Foi até a tenda ser tratado pela Madame Profrey , o Sr Crouch conversou com ele e os outros Campeões sobre a próxima prova. Logo depois as notas foram lidas, ele tinha ficado empatado com Krum.

Pronto ele tinha passado pela Primeira Prova.

Agora era esperar a próxima.

oOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

Estava sendo feita uma festa de comemoração no Salão Comunal da Grifinória. Ele tinha conseguido... Por incrível que pareça, ele tinha conseguido!

Fred e Jorge tinham erguido Harry em cima de seus ombros, nas mãos dele estava o ovo dourado que continha a pista da Segunda Prova.

– Harry sabia que você não ia perder – falou Jorge animado.

–Talvez uma perna... – disse Fred.

–... Ou um braço... – Jorge continuou.

–... Mas bater as botas nunca! – disseram os dois juntos.

– Vai Harry, abre o ovo! – alguém gritou.

– Querem que eu abra? – disse Harry empolgado erguendo o ovo.

– SIM! – todos rugiram.

Harry colocou a mão no fecho pra abrir o ovo. Hermione sabia o que viria a seguir. Tentou se preparar, mas não podia ser tão óbvia. Assim que o ovo abriu, um som agudo como se fosse vários gritos saiu do ovo. Hermione tapou os ouvidos assim como todos. Fred e Jorge deixaram Harry cair para tapar seus ouvidos. Harry se apressou em fechar a pequena tranca.

– Mas o que é isso? – perguntou Rony aparecendo na porta. Um silêncio incômodo tomou o salão.

– Vamos, todo mundo vazando... – disse Jorge – Já vai ser bem constrangedor sem ter ninguémbisbilhotando... – ele olhou acusadoramente para Rony.

Todos se dispersaram. Hermione foi a única que ficou próxima. Ela queria ver o final dessa discussão, que só tinha causado incômodos para todos. Além do quê, ela nem tinha cumprimentado o Harry ainda pela ótima performance com o dragão. A conclusão do próximo passo para a morte dele.

Hermione se aproximou deles, perto de onde Rony estava.

– Harry, você foi genial! – exclamou ela em voz alta. Foi até Harry e o abraçou – Você foi fantástico! Realmente foi!

Mas Harry nem prestava atenção. Tinha os olhos em Rony, que estava muito branco e olhava fixamente para o amigo como se visse um fantasma.

– Harry – disse ele muito sério – Quem quer que tenha posto o seu nome naquele Cálice, eu... Eu reconheço que estava tentando acabar com você!

Foi como se as últimas semanas jamais tivessem acontecido, como se Harry estivesse encontrando Rony pela primeira vez, logo depois de ter sido escolhido Campeão.

– Entendeu, foi? – disse Harry com frieza. – Demorou.

Hermione estava parada e nervosa entre os dois, olhando de um para outro.Vamos suas antas façam as pazes logo essa briga já deu o que tinha que dar, pensou. Rony abriu a boca, inseguro. Harry sabia que ele ia se desculpar e, de repente, descobriu que não precisava ouvir desculpas.

– Ok. – disse, antes que Rony pudesse falar. – Esquece.

– Não. – disse Rony – Eu não devia ter... Eu tentei falar com você sobre os dragões.

– Quando foi isso? – Harry perguntou indignado.

– Lembra do recado que falei para Hermione te dar, que o Hagrid queria falar com você? Achei que se você tivesse entendido agente ia ficar bem — disse Rony meio sem jeito.

– E me diz: quem entenderia aquilo?

Rony riu nervoso para Harry e este retribuiu o sorriso.

– Vocês dois são tão burros! – exclamou Hermione, batendo o pé no chão.

– Você também estava preocupada comigo Hermione? – Harry perguntou embora soubesse que ela estivesse. Via os rastros das lágrimas em seu rosto.

– É claro que sim, seu grande idiota! – ela falou com raiva – Era lógico que sim, fiquei tensa a prova inteira e preocupada que acabasse virando lanche pro Drago.

– Você foi o melhor, sabe, ninguém foi páreo para você. Cedrico fez uma coisa estranha, transfigurou uma pedra no chão... Transformou-a em cachorro... Estava tentando fazer o dragão avançar no cachorro e não nele. Bem, foi uma transfiguração legal, e até funcionou, porque ele apanhou o ovo, mas ele também se queimou, o dragão mudou de idéia no meio do caminho e decidiu que preferia pegar ele em vez do labrador. Cedrico escapou por um triz. E a tal Fleur tentou uma espécie de feitiço, acho que estava querendo fazer o dragão entrar em transe, bom, isso também funcionou, o bicho ficou sonolento, mas aí soltou um ronco e cuspiu um grande jorro de chamas e a saia dela pegou fogo, ela apagou com um pouco de água tirada da varinha. E Krum, você não vai acreditar, mas ele nem pensou em voar! Mas, provavelmente, foi o melhor depois de você. Atacou o dragão com um feitiço bem no olho. Só teve um problema, o bicho saiu andando agoniado e amassou metade dos ovos de verdade, ele perdeu pontos por causa disso, Krum não devia ter danificado a ninhada.

– A próxima prova é dia 24 de Fevereiro de manhã, não é? – Hermione perguntou.

– Sim. Sr Crouch me falou enquanto Madame Sprounch cuidava dos meus ferimentos.

– São quase quatro meses Harry. Tempo suficiente para descobrir como abrir esse ovo sem ter seus tímpanos estourados – Rony falou dando risada.

– Rony, isso é sério. Se o Harry não abrir o ovo não vai ver a pista que tem lá dentro para a próxima prova! – Hermione estava nervosa. Essa era a única prova que ela não sabia o que viria. E sem isso duvido que Harry sobreviva sem ajuda. Preciso falar com Jr!

– Mas não vamos nos preocupar com isso agora, temos muito tempo pra isso. – exclamou Rony animado – Agora vamos comemorar!

– Sim vamos! — concordou Harry.

– Gente, podem descer! O momento sentimental já passou.

Todos que tinham se retirado para os seus quartos para dar privacidade a eles voltaram dando risada, e a algazarra recomeçou.

Rony estava feliz por ter feito as pazes com Harry. Como ele pode desconfiar e não acreditar no seu melhor amigo? Era um idiota mesmo. Que nem os gêmeos viviam dizendo a ele. Mas também estava preocupado... Quem tinha posto o nome do Harry no Cálice? Quem gostaria de vê-lo morto?

Harry estava feliz. Tinha sobrevivido ao dragão, feito as pazes com o Rony e passado pela Primeira Prova. As coisas não podiam estar melhor! Bom, podiam sim. Eles precisavam descobrir quem tinha posto o nome dele no Cálice, quem estava subordinado ao Voldemort e o ajudando aqui dentro da escola...

Hermione estava feliz! Até ela estava comemorando a vitória dele, afinal ela era necessária! Com ela Harry estava cada vez mais próximo de vencer o torneio e chegar ao cemitério...

Tom retornaria!! E ficaria com ela para sempre.

oOoOoOoOoOoOoOoOo

Harry não sabia o que fazer.

Encontrar um par para o baile de inverno se tornou uma guerra, um campo de batalha. Os dias estavam se passando e a noite de natal estava a menos de uma semana e ele não tinha convidado ninguém.

Três dias atras Mcgongal tinha contado a toda a sala que na noite de Natal teria o Baile de Inverno, que é uma tradição do torneio, como um meio de interagir entre as escolas, e blá , blá, blá. Até parece era um meio de fazer adolescentes ficarem ainda mais depressivos.

Ele nunca vira tanta gente inscrever os nomes para passar o Natal em Hogwarts, ele sempre se inscrevia, naturalmente, porque sua alternativa, em geral, era regressar à Rua dos Alfeneiros, mas até agora ele sempre fora minoria.

Este ano, porém, todo mundo do quarto ano para cima parecia querer ficar, e todos pareciam pelo menos para Harry obcecados pelo tal baile – ou, pelo menos, todas as garotas estavam, e era espantoso quantas garotas Hogwarts de repente parecia abrigar; ele nunca reparara muito bem nisso.

Garotas que davam risadinhas e cochichavam pelos corredores, garotas que riam alto quando os garotos passavam por elas, garotas que comparavam informações, excitadas, sobre o que iam usar na noite de Natal...

– Por que é que elas têm que andar em bandos? – perguntou Harry a Rony, quando uma dúzia de garotas passou por eles, rindo e olhando para Harry. – Como é que eu vou encontrar uma sozinha para convidar?

– Harry, você derrotou o Dragão. – Rony respondeu – Se não conseguir um par para o baile, ninguém consegue.

Harry quase contrariou Rony na hora, mas achou melhor ficar quieto. Realmente a algumas semanas ele diria que convidar uma garota para o baile seria fácil comparado a derrotar um dragão, mas agora ele preferia enfrentar o Rábeo-Córneo Húngaro de novo.

– Nós precisamos achar um par Harry ou então vamos ser aquilo que a McGonagal disse . – Rony disse, paracendo perdido – O que era mesmo?

– Babuínos...bobocas…balbuciando... em bando. – Harry disse pausadamente.

– Isso aí! — confirmou Rony parecendo extremamente cansado.

– Respira Rony, vamos dar um jeito. – Harry disse. Pelo menos era o que ele esperava.

oOoOoOoOoOoOoOoOoOo

Severo estava corrigindo várias lições durante aula. A maioria, para variar, estava errada. Estava cansado de ensinar tanta gente burra. Será que era tão difícil falar qual era a diferença entre um lobisomem e um animago? Caramba, ele tinha ensinado exatamente isso no ano passado!

E vendo o burburinho durante a aula e as conversas paralelas só deixava Severo ainda mais irritado. E isso era o de menos. Porque aguentar alunos burros e irritantes era algo que até dava para engolir, mas o que Severo não conseguia nem imaginar pensar era aquela porcaria de Baile de Inverno! Mas será que ninguém tinha outra coisa para pensar? Era irritante e cansativo ao extremo.

– Hermione, você é uma garota, não é?

Severo olhou para o lado. Sentados na mesa com outros alunos de anos diferentes estava o Weasley, o Potter e a Milady respondendo algumas perguntas que ele tinha dado. Bom, corrigindo: a Milady estava respondendo as perguntas, por que os moleques não paravam de cochichar igual duas fofoqueiras.

– Muito bem observado! – Hermione respondeu para o Rony com sarcasmo.

– Vai com um de nós dois? – Rony tinha ficado quase ereto na cadeira.

Passando por eles, Severo bateu com o manuscrito da aula na cabeça deles para fazer com que eles ficassem quietos e parassem de falar tanta besteira. Além disso, era um completo absurdo dizer para a Lady ir com um deles ao baile. Severo ouviu o gemido de dor dos dois e ficou satisfeito por isso. Abrindo o manuscrito novamente, se afastou dos três. E não chegou a dar nem três passos quando ouviu a ladainha novamente.

– Hermione, pensa: para um garoto ir sozinho ao baile, é uma coisa. Mas uma garota ir sozinha é triste! – Rony argumentava.

Severo olhou com olhos frios para aquele pedaço de cenoura andante, prestes a lhe dar outro tapa.

– Eu não vou sozinha, porque acreditem ou não alguém me convidou! – a menina respondeu irritada.

Severo parou de andar ao ouvir isso. Alguém tinha convidado Milady? Será que o Lorde sabia? Severo viu ela levantar indignada e sair pisando duro pelo salão deixando as respostas das perguntas em sua mesa, no canto. Voltando para a mesa que dividia com os meninos ela juntou o resto de suas coisas e completou: — E eu aceitei!

Snape olhou-a enquanto ela saia. Alguma coisa estava errada.

– Ela tá mentindo, né? – Rony perguntou ao Potter.

– Se você está dizendo… — Potter disse dando de ombros e olhando para suas respostas.

Snape suspirou. Esses garotos realmente não tinham a mínima noção do valor da vida. Na maior cara de pau ainda continuaram conversando sobre aquela que eles consideravam como amiga. Irritado, ele puxou as mangas de sua longa túnica e caminhou diretamente para os dois.

– Bom, agente só precisa arranjar coragem e convidar alguém. De noite. Quando voltarmos do salão comunal já teremos um par. Combinado? – disse Rony.

– Combinado – Harry respondeu.

Nesse exato momento, Snape chegou. Pegou a cabeça dos dois e colocou para baixo com tanta força que bateu a cabeça deles em seus trabalhos. Eles gemeram de dor. Satisfeito, Severo se afastou, pensando: moleques irritantes!

A milady era uma santa por conseguir aturar eles. O que, se fôssemos analisar, era algo totalmente contraditório de se pensar; considerando que ela era a Lady das Trevas. Olhando novamente para o manuscrito que estava corrigindo, Severo sentiu uma dor intensa no braço. Procurando disfarçar se afastou do Potter e do Weasley e foi sentar na sua mesa.

Rapidamente seu braço parou de doer e Snape se sentiu aliviado. O que tinha acontecido? Mas seu alívio não durou muito tempo. Uma pontada intensa na sua cabeça apareceu. Ele conhecia essa sensação… O Lorde estava querendo falar com ele…

Parando de lutar, baixou suas defesas e deixou o Lorde entrar.

– Severo. – a voz fria do Lorde ecoou na cabeça dele, causando um frio na espinha.

– Sim, Milorde?

– Quero que você faça uma coisa para mim.

– O que quiser Milorde.

– Você está em aula?

– Sim.

– Muito bem. Entrarei em contato com você mais tarde. O que quero é algo de extrema importância! Espere por mim.

– Sim Milorde.

A pressão diminuiu e Severo percebeu que o Lorde se distanciava.

O que será que ele queria?

oOoOoOoOoOoOoOoOoOo

Finalmente a noite do Baile tinha chegado. Dia 25 de Dezembro, Natal. Era o primeiro Natal que ela ia passar longe do Tom. Já que ele tinha mandado ela ir. Não. Mandado não, ele tinha praticamente obrigado ela a ir ao baile. Hermione aceitou ir ao baile com Vitor Krum quatro dias atrás. Ele tinha convidado ela para ir com ele.

Como todos sabiam, ela passava horas na biblioteca estudando ou lendo algum livro de artes das trevas, mas ultimamente não. Desde que Vitor Krum tinha chegado na escola estava difícil ficar ali dentro. Tudo isso por causa das vozinhas irritantes! Vozinhas que pertenciam as Krunchietis; apelido absolutamente carinhoso que ela deu para as vadias que ficavam seguindo o Krum para tudo quanto é lugar, inclusive no lugar mais sagrado para ela: a biblioteca. Lugar que ela tinha certeza que aquelas garotas não iam normalmente. Ou, melhor dizendo, elas não iam nunca. Também não era lugar onde Krum costumava passar tanto tempo. Ela realmente não acreditava que ele fosse o tipo de pessoa que passa horas na biblioteca estudando como ela. Então, alguma coisa ele queria ali. O que ela não sabia e não estava nem um pouco interessada em descobrir era o que seria.

Mas acabou que naquele dia ela descobriu. Ele se aproximou dela e a convidou para o baile e finalmente contou a razão de não sair de lá. Era porque ele estava observando ela. Ia na biblioteca para olhar pra ela, simplesmente para vê-la. De primeira ela tinha ficado surpresa, depois lisonjeada. Claro! Ele era Vitor Krum! Um dos garotos mais cobiçados do Mundo Mágico. E apesar de ter um jeito meio torto de andar, ele era bonito, ela tinha que admitir. Assim, ela pediu um tempo para pensar, e ele concedeu. Na verdade, ela pediu esse tempo, mas já sabia a resposta. Ela iria recusar.

Isso tudo porque... Fazia quase seis meses que ela estava longe de Tom, ela queria muito vê-lo e ia usar o feriado para isso, mas esse baile tinha atrapalhado os planos dela. É claro, ela não era obrigada a ficar e estava decidida a voltar para casa.

Hermione ia até a sala da McGonagall para contar que não iria participar do Baile de Inverno. Ela não estava a fim. Mesmo com o famoso Vitor Krum convidando ela. Ela queria ver o Tom. Afinal mesmo se ficasse no Castelo, com quem iria ao baile? É verdade que Vitor Krum a tinha convidado, mas mesmo ele sendo um dos alunos mais cobiçados e ter seus atrativos, ele não era bom o bastante. Ninguém era bom ou digno o bastante de acompanhar ela até o baile, só o Tom era tudo isso. Hermione queria ir com ele, mas sabia que não era possível. Por isso que prometeu a si mesma que a primeira vez que fosse a um baile de verdade seria ao lado de Tom. Ela queria dar todas as suas primeiras vezes a ele.

Ela estava decidida... Até ir falar com ele.

Ela se lembrava da discussão que tiveram. Como poderia esquecer? Aquele momento ficava martelando na cabeça dela a todo instante. Como um sonho ruim:

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No meio da noite Hermione estava no salão comunal da Grifinória, lendo um livro. Faltando cinco minutos para meia noite as brasas da lareira começaram a ficar mais elevadas assim como as chamas. Hermione estranhou aquilo e se aproximou das chamas. O fogo começou a ficar maior e a fumaça mais forte e densa. Hermione começou a tossir com a fumaça que ia em sua direção. De repente, da fumaça ela começou a ouvir vozes e quatro pernas se formaram das chamas. Achando tudo aquilo muito estranho, sacou a varinha e lançou um abaffiato em volta dela e da lareira.

– Não funcionou ainda Rabicho? – Hermione escutou a voz de Tom, mal-humorada, saindo da fumaça.

– Estou tentando Milorde. Não era melhor simplesmente escrever uma carta? — resmungou baixinho achando que Tom não estava escutando e espetando o atiçador na lenha para fazer mais fumaça.

– Você está fazendo tudo errado Rabicho! Larga isso vai acabar quebrando! – Hermione viu a mão de Kalil tentando arrancar o atiçador da mão do Rabicho.

– Me dá sua velha caquética! – Rabicho puxou o atiçador de volta — O Lorde mandou eu fazer.

– Parem vocês dois! Minha paciência está acabando! – a voz de Tom cortou a discussão.

Hermione deu risada com a cena. Como sentia saudades daquilo. Sua risada fez com que percebessem que o feitiço já estava funcionando. Rabicho se abaixou e seu rosto apareceu na fumaça.

– Milady? – exclamou surpreso.

– Oi, seuinútil. – ela respondeu.

Kalil apareceu na fumaça empurrando Rabicho para o lado.

– Minha senhora é tão bom te ver! – exclamou feliz.

– Tenho certeza que sim. – Hermione respondeu sarcasticamente.

– Deu certo Milorde. – Rabicho comunicou.

– Então o que está esperando infeliz? Me leve até aí!

Hermione viu o rosto de Rabicho sumir e tudo ficar cinza novamente. Percebeu uma movimentação e logo o rosto de Tom apareceu; olhando pra ela. Estava em cima de uma almofada.

– Tom! – ela exclamou feliz.

– Saiam todos! – Tom ordenou sem tirar os olhos dela. Hermione ouviu o som de passos e uma porta batendo.

– Pequena Lady. – ele disse num tom quase carinhoso.

Hermione não agüentou. A saudade que sentia dele era tanta, e ver ele assim parecendo que estava tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe, fez seu coração doer. Não conseguiu segurar e uma lágrima saiu de seus olhos.

– Porque chora pequena Lady? – Tom perguntou surpreso – Alguma coisa aconteceu?

– Aconteceu sim. Estou com tantas saudades Tom! Tanta... – Hermione passou a mão no rosto dele, mas sua mão o atravessou, através da fumaça. Era sempre assim. Ela nunca conseguia tocá-lo.

– Também estou com saudades. Nós nunca ficamos tanto tempo separados assim.

– Sim. Como você está Tom? Esta se sentindo bem? Está se alimentando corretamente?

– Sim, está tudo bem. Estou me sentindo bem e Kalil me dá o veneno da Nagini todas as vezes que são necessárias – ele parou de falar, encarando ela por um tempo. Hermione ficou preocupada achando que tinha acontecido alguma coisa, sentia os olhos dele a perfurando, parecia que queria falar alguma coisa para ela. De repente desviou o olhar para algum ponto qualquer e logo voltou a encará-la... Aquele olhar perdido já não estava lá.

– Pelo que Severo me disse as coisas estão indo bem. – ele disse.

– Sim, as coisas não poderiam estar melhores. – ela parou para pensar um pouco – Bom até poderia melhorar, mas só se o Potter caísse morto no meio do corredor por razões desconhecidas. Mas como não é possível, os planos continuam.

– Me conte tudo. – ele pediu.

Então Hermione contou tudo o que aconteceu nesses últimos seis meses que tinham ficado separados. Contou de novo até mesmo aquilo que ela já tinha contado em cartas, mas como dizem, fica sempre melhor contar as coisas cara a cara. Contou inclusive de suas suspeitas em relação aos gêmeos e a Gina.

Depois de contar, ele lhe deu vários conselhos. Inclusive com relação aos irm]aos Weasley. Depois um silêncio tomou conta da conversa entre eles, como se eles não tivessem mais nada para falar. O que era mentira porque eles tinham muito e uma delas era o fato de que ela tinha que contar sobre o Baile de Inverno.

Vai me contar ou não? – Tom de repente perguntou, fazendo Hermione sobressaltar-se, tão absorta que estava em seus pensamentos.

– Contar o quê Tom? – ela se fez de desentendida, embora soubesse bem do quê ele estava falando.

– Quer mesmo que eu diga? – Tom acentuou cada palavra com ironia pura. Ele estava puto.

Respirando fundo, ela resolveu contar de uma vez.

– Tom, daqui uma semana vai ocorrer um baile. O Baile de Inverno, na noite de Natal.

– Você não vai, não é? – era uma pergunta, mas ela sentiu que era quase uma ordem para ela não ir.

– Claro que não. Além do mais com quem eu iria? Ninguém me convidou – ela disse desviando o olhar de Tom e fingindo que tinha alguma coisa interessante do outro lado da janela.

– Alguém te convidou Hermione? – ele fez um tom de voz que ela não conseguiu identificar.

– Não, ninguém convidou. – ela respondeu rápido demais.

– Convidou sim. Quem foi? Não vai me dizer que foi um daqueles dois? – ele perguntou nervoso se referindo a Harry e Rony.

– Claro que não foi eles! – Hermione respondeu fazendo cara de nojo com aquela possibilidade.

– Então se não foram eles, alguém te convidou. Quero saber quem é. Diga! – Tom pediu novamente já dando a entender que estava perdendo apaciência.

– Vitor Krum! – ela gritou.

Um silêncio tomou a conversa. Hermione temeu o que ele iria dizer.

– Vitor Krum, o famoso apanhador?

– Esse mesmo. – ela respondeu a contra gosto.

– Porque ele te convidou? – Tom perguntou com uma voz fria.

– Eu sei lá. E... E também não me interessa. Eu não vou ao baile com ele Tom. Eu nem vou ao baile!

Tom ficou calado. Hermione não soube quanto tempo. Ele olhava para um ponto fixo que ela achava que deveria ser uma das janelas. Preocupada com o que ele estava pensando e não aguentando mais aquele silêncio desconfortável, Hermione ia falar, quando Tom a interrompeu com uma fala que fez ela ficar completamente muda.

– Aceite ir ao baile com ele.

– C... Como? – ela perguntou. Achava que não tinha ouvido direito.

– Fala para o Vitor Krum que você irá ao baile com ele. – Tom repetiu.

– Como assim Tom? Eu não quero ir ao baile com ele – ela disse estupefata.

– Aceitaria se outra pessoa tivesse te convidado? – perguntou sarcástico.

– Lógico que não! Será que ainda não entendeu? Não quero ir ao meu primeiro baile com outra pessoa que não seja você! – falou exasperada. Os olhos de Tom se arregalaram surpresos. Percebendo o que tinha falado Hermione tapou a boca, não que fosse adiantar muita coisa ela já que as palavras ditas não poderiam ser retiradas. Após um tempo em silêncio, Tom disse:

– Entendo. – ele parecia entediado – Como eu disse antes, vá ao baile com o Krum.

Hermione não acreditava naquilo!

– Tom você...- Será que ele não tinha entendido o que ela tinha dito? Ele nem se importou com o que ela falou. Ela se recusava a fazer o que ele queria com ele ali parado olhando para ela daquele jeito e falando para ela sair com outro cara – Eu... Eu não vou.

– Hermione, você deve ir ao Baile. Todos esperam isso de você. – ele disse já irritado.

– Eu não vou! Me recuso Tom! Isso é...

– É UMA ORDEM HERMIONE! – ele gritou para ela.

Hermione se chocou com aquilo. Ele nunca tinha falado com ela daquele jeito antes. Irritada e possessa com aquela atitude dele, disse com tristeza na voz:

– Tudo bem, eu vou e acredite vou me divertir muito! Afinal o Vitor é uma ótima companhia. A gente conversa depois quando você não estiver mais sendo um grosso idiota! – viu os olhos dele se arregalarem pelo jeito que ela falou. E ela não estava nem aí.

– Hermione... – Tom começou a falar, mas antes que ele pudesse continuar ela lançou uma "aquamenti" nas brasas e a água apagou o fogo gerando mais fumaça. Para a sorte dela aquele feitiço de comunicação do Tom só funcionava se o fogo continuasse aceso.

Hermione correu para o quarto se jogou na cama e se cobriu. Ficouolhando para o dossel e pensando nas palavras de Tom.

Ele não se importava que ela fosse ao baile com o Krum? Como podia jogá-la para cima de outro assim? Porque? Ele era muito confiante ou não se importava com quem ela saísse?

Em outros tempos Hermione diria que era a confiança ele falando mais alto... Só que depois do jeito que ele falou com ela... Ela não tinha certeza. Hermione ficou pensando nas palavras dele sem conseguir segurar algumas lágrimas que começaram a sair...

Droga porque ela estava chorando? Porque Tom tinha basicamente jogando ela pra cima do Vitor?

E aí, com um estalo, ela percebeu... Ela soube.

Não era confiança. Era por quê...

Ele não se importava.

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No outro dia Hermione foi falar com o Vitor e aceitou ir ao baile com ele. Embora estivesse magoada, ela não era do tipo que ficava choramingando e se lamentando pelos cantos. Não! Hermione era do tipo que se vingava. E Tom ia se arrepender de tê-la tratado daquele jeito. Ele ia mostrar que outros a desejavam e de quebra ia se divertir muito! Ela realmente estava precisando disso. Além do quê ia mostrar para aquele dois paspalhos – leia-se: Harry e Rony – que ela ia baile com o famoso Vitor Krum. Hermione não tinha contado a eles que ia ao baile com o Vitor. Bom ela até ia contar, mas depois de basicamente, na aula do Snape, eles disserem que ela não tinha par e nem arranjaria um… E sobre o fato de que era triste uma garota ir sozinha ao baile… E que ela deveria ir com um deles por causa disso…

Ha!!! Essa era muito boa!!! Mas nem morta, nem que eles fossem os últimos homens da face da terra, ela iria ao baile com eles!

Somente Gina sabia que ela iria ao baile. Aliás, Gina faria par com o Neville. Ela tinha aceitado ir com ele. Coitada, pensou. Ele tinha convidado ela, mas era óbvio que Hermione tinha recusado “educadamente” alegando, é claro, que só via ele como amigo e não achava legal eles irem juntos. Além do quê, ela já tinha par.

Já Gina aceitou ir com ele principalmente por ela ser do terceiro ano. Ela não poderia entrar no baile se não fosse assim, já que só eram permitidos os alunos do quarto ano para cima.

Na última semana o Castelo tinha ficado em polvorosa com as preparações para o baile. As saídas para Hogsmead tinham sido autorizadas essa semana toda para aqueles que precisavam comprar vestidos e acessórios. No entanto, o que mais abalou as estruturas do Castelo – principalmente da parte feminina – foi o comunicado do Velho dizendo que, visando todas as alunas de Hogwarts, naquela noite tinha sido convidado a ingressar em apenas uma ala do castelo o famosíssimo – no mundo bruxo, pelo menos – Salão Medusa, um dos mais famosos salões de beleza do Mundo Bruxo de origem Francesa. Uma rede de salões que dominavam esse ramo tinha filiais espalhadas por todo o mundo bruxo e suas comunidades. Atendiam a classe alta, aqueles que poderiam pagar mais, o alto escalão do Mundo Mágico. Poucos poderiam fazer um tratamento de beleza completo proporcionado por aquele salão e a maioria só poderia sonhar.

Mas McGonagall tinha conseguido o tratamento para todas as alunas de Hogwarts. Claro, não de graça, embora Hogwarts não iria pagar em dinheiro e sim fazendo propaganda de graça. Considerando que aquele era o Baile de Inverno do Torneio Tribuxo; um evento raro e de alta notoriedade que estava sendo observado por todos do Mundo Bruxo.

Em cada salão comunal das quatro casas de Hogwarts foi instalada uma porta extra que permaneceria ali somente naquela noite do baile. Atrás da porta ocorria um mundo a parte, onde só se pensava em “beleza” e “cabelos”. Era como se todo o salão tivesse sido transportado para aquela sala que estava ampliada magicamente.

Hermione tinha feito um tratamento digno de uma princesa. Seus cabelos estavam emoldurados por cachos grandes que estavam delicadamente presos, deixando uma cascata castanha caindo sobre seus ombros. Havia feito mão e pé e uma esfoliação na pele. Após estar pronta, tinha ido para o quarto e colocado seu vestido.

Naquele momento ela estava no quarto terminando de colocar a sandalha.

Ela tinha que admitir: pela primeira vez o Velho tinha feito alguma coisa que prestasse.

– Hermione, você está pronta? – Gina disse entrando no quarto.

– Estou quase terminando Gina! – Hermione respondeu ainda sem olhar para ela – Gina, pega aquela joia ali em cima da mesa para mim, por favor? – apontou com uma mão uma gargantilha em cima da cômoda do banheiro enquanto que com a outra mão terminava de colocar o sapato.

Percebendo que Gina não tinha respondido nem tinha trazido o colar, falou mais alto:

– GINA? Está aí?

Olhando para trás, parou surpresa. Gina estava encarando ela sem falar nada com os olhos arregalados. Preocupada que ela estivesse tendo uma epifania ou coisa do tipo, Hermione caminhou na direção da menina dizendo:

– Gina, você não quer se sentar?

– Hermione, você está linda! – Gina disse com a boca aberta. Olhando para ela, Hermione sorriu.

– Obrigado Gina. Você também está linda.

E realmente estava .Gina estava usando um vestido de seda, era verde água com alguns detalhes rosa. A cor era linda e fazia um contraste incrível com seus cabelos cor de fogo. Ele caia harmoniosamente sobre seu corpo com camadas que acentuavam seu quadril. Era um vestido excepcional e tão lindo que Hermione acho que enfim alguém tinha um gosto por riquezas parecido com o dela. Para completar o visual, Gina tinha colocado pulseiras prateadas nos pulsos e um cinto também prateado com brilhantes que marcavam delicadamente sua cintura. É… O Neville tinha ganhado um belo par, Hermione pensou.

– Amei o vestido! – Gina falou entrando no banheiro – Foi sua mãe quem escolheu? – gritou lá de dentro.

– Foi sim. – Hermione respondeu, se olhando no espelho e sorrindo. Mentira claro! Depois que Tom tinha falado para ela ir ao baile, ela entrou em contato com Kalil e falou para ela providenciar o vestido. Hermione nunca tinha visto Kalil ficar tão feliz por fazer alguma coisa.

Era um vestido que deixava seus ombros de fora. Mas não chegava a ser um tomara que caia. As alças de seu vestido desciam por seus ombros. O vestido era de um tom tosa claro quase pálido – isto porque o papel que interpretava como Hermione, exigia uma certa discrição, e ela não poderia utilizar verde ou preto, como gostaria. Os babados de sua saia cheia terminavam em uma abertura que deixava um pouco de sua perna exposta. E ela usava saltos altos de um tom mais escuro do que o do vestido. Tirando o anel que Tom lhe dera, a única joia a mais que usaria seria a gargantilha – também presente de Tom.

Assim que Tom tinha obrigado ela ir ao baile, Hermione quase pensou que ele tinha empurrado ela para cima do Krum.

Era melhor ser realista. Talvez estivesse enganando a si mesma. A verdade é que... Ela até podia ser noiva do Tom, mas isso não o obrigava a vê-a como mulher. Era provável que nem visse mesmo e por isso tinha praticamente jogado ela em cima de outro garoto. Ele não via ela como mulher. Não sentia ciúmes dela.

Hermione ouviu a porta do banheiro abrindo e rapidamente andou até a parede oposta para secar seus olhos que começavam a marejar.

– Hermione você está chorando? – Gina perguntou nervosa, entregando a gargantilha a ela.

– Claro que não Gina. – Hermione respondeu terminando de secar os olhos e se virando para a menina.

– Hermione você está assim por causa do Rony? – Hermione arregalou os olhos surpresa para ela. Comoassim por causa do cabeça de cenoura? Por causa das coisas que ele disse?

– Claro que não, Gina. São por outras razões.

– Pode me contar Hermione. Sempre! Somos amigas, não é?

– Claro que somos Gina. Quem sabe um dia eu realmente não te conto? – Hermione sorriu para ela misteriosamente.

Ela pareceu não ter entendido e não era para entender mesmo; pelo menos por agora.

– Então dá uma última retocada na maquiagem, respire fundo e vá se divertir! Eu vou na frente, o Neville já deve estar me esperando.

Hermione viu ela saindo pela porta se virou e se olhou no espelho novamente. Realmente ela estava bonita. Claro, estaria muito mais deslumbrante se estivesse usando todo o esplendor da verdadeira aparência dela, mas fazer o quê?

Hermione ficou se perguntando o que Tom acharia se visse ela assim. A acharia bonita? Provavelmente não, Hermione pensou desanimada.

Hermione sentiu seus olhos começarem a marejar de novo. Secou-os rapidamente. Não podia chorar e borrar a maquiagem. Ela tinha ficado horas se arrumando. Ela não ia mais pensar em Tom naquela noite, ia aproveitar. Dançar muito, fazer aquele bando de recalcadas se matarem de inveja ao vê-la com o famoso Vitor Krum e ia fazer questão de passar na frente de Severo várias vezes para que ficasse bem marcado na memória dele a aparência dela. Para que Tom visse e se arrependesse por ter deixado ela ir naquele Baile.

Se virando, Hermione saiu e fechou a porta.

Notas finais
Deixem reviews e recomendações! E aqueles que não leram a parte 6 deixem reviews nele também! Por favor! bjus e espero que gostem