O Tempo Mudará
35 Capítulo 35 -
Notas iniciais
Tom estava sentado na chaise, olhando para Hermione e se perguntando o que devia estar passando pela cabeça dela, que encava ele parecendo chocada, e ele bem imaginava o porque. A conexão deles ainda não tinha voltado, então ele não conseguia saber. No momento em que ela abriu o portal e entrou nele, e ocorreu a conexão dimensional entre a dimensão que ela estava e a dele, ele conseguiu senti-la. E do mesmo modo que a dimensão tremeu ao ser invadida, ele abriu os olhos no momento em que ela pisou ali, naquela dimensão. Ele sabia que ela tinha chegado .
Com esforço, ele tinha se levantando e verificado seu rosto no espelho para ver se seu rosto tinha boltado ao normal.
Assim que chegou a Mansão e depois de falar com os elfos tinha ido direto para o quarto e preparou a poção que faria que ele tivesse a aparencia antiga dele de novo , ele inha um estoque especial de alguns ingredientes em seu quarto que tinham ficado conservados durante todos aqueles anos, por meio de magia.
Com as misturas certas e alguns fios de seu cabelo que estavam em sua escova, ele fez a poção que o faria ter a mesma aparência de quando ele tinha perdido seu corpo, com o feitiço que fez ele ter um corpo de novo, a luta com o Potter e tomando a poção, ele estava exausto precisava se recuperar, por isso entrou em uma espécie de coma para que pudesse se recuperar e seu corpo pudesse ser alterado para sua forma antiga
Agora que tinha acordado e visto que seu rosto era o mesmo de antes de sua queda, respirou aliviado, foi tomar um banho e começou a se arrumar. Tudo não levou mais do que uma hora. Ele se perguntava o que ela estava fazendo para demorar tanto... Até parece que não estava ansiosa por vê-lo... Mas ao mesmo tempo em que pensava isso, ele agradecia o fato dela estar demorando, pois estava dando tempo de Tom se arrumar. Ele estava vestindo sua roupa quando ouviu a porta se abrir e sabia que era ela, já que a porta só podia ser aberta por um ofidioglota.
E agora, ela estava parada, olhando para ele sem se mexer. Tom precisava saber o que ela estava pensando. Odiou naquele momento não estar em sua mente. Sem paciência, ele se levantou e se aproximou dela. Estava na hora de recuperar o tempo perdido.
oOoOoOoOoOoOoOo

Hermione ficou encarando aquele homem. Não sabia o que dizer, nem se o que estava vendo era real. Sentado em uma chaise totalmente relaxado e com um sorriso de matar... Estava ele: Tom! Mas ele não estava com o rosto que todos tinham dito desfigurado e grotesco... Não! Ele estava humano, igualzinho a imagem do quadro em cima da lareira. Ele tinha assumido a sua forma verdadeira, sua forma humana. Mas como era possível?
– Hermione, vai continuar me encarando e não vai dizer nada? – ele falou se levantando e indo em direção a ela com passos lentos e rítmicos. “Por Merlin, até o andar dele é sexy...”. Tom se aproximava dela, seus olhos observando todos os detalhes de seu corpo. Por um momento ela se sentiu nua, mesmo naquele vestido vermelho. Ele estava com uma camisa azul, com alguns botões abertos no peito onde ela podia ver os músculos dele. As mangas estavam dobradas na altura do cotovelo e ele usava uma calça bege que delineava suas pernas.
Quando Tom a alcançou, parou na frente dela com alguns centímetros os separando. Hermione estava com a cabeça levantada, já que ele era mais alto que ela e sua cabeça batia somente no ombro dele. Ela não conseguia afastar seus olhos dele. Eles eram azuis, tão azuis que pareciam brilhar sob as luzes das velas.
Trêmula, Hermione ergueu sua mão direita e a aproximou do rosto dele. Ela hesitou um pouco no momento de encostar nele; temia que aquilo fosse uma miragem e ele desaparece-se. Parecendo ver a hesitação dela, Tom inclinou sua cabeça na direção dela, encostando seu rosto finalmente em sua mãos. Ele fechou os olhos como se também temesse, mas ao mesmo se deliciasse com o fato dela estar encostando nele.
Hermione sentiu a pele dele. Era quente e macia, era real... Era ele! Seu Tom. Sentiu seus olhos se encherem de água. Tentou segurá-las e com força balbuciou:
– Tom... Tom é você? – perguntou. Não podia mais esconder suas lágrimas que começaram a cair por seu rosto.
Tom abriu os olhos. Estava se deliciando com as mãos dela no rosto dele; por poder sentir a mão dela o tocando. Isso era o auge de um sonho tão desejado nesses últimos e tumultuosos anos... Ele viu as lágrimas que desciam pelos olhos dela. Sorriu. Ela sempre tinha sido a mais emotiva dos dois, embora procurasse sempre assumir seu papel de Lady das Trevas na frente dos outros.
– Não chore pequena Lady. – ele ergueu a mão e tocou o rosto dela secando suas lágrimas. Poder tocá-la. Poder sentir o contato da pele dela com a dele era impressionante, depois de tantos anos vivendo como um ser incorpóreo. — Sou eu, seu Tom.
Hermione escutou aquelas palavras, sentiu as mãos dele tocando seu rosto e ao invés de acalmar-se, começou a chorar ainda mais. As lágrimas que simplesmente desciam de seus olhos, se tornaram soluços. Ela sentiu os braços de Tom a envolvendo. Ela passou os braços em volta dele e apertou. Sentia as lágrimas descendo, sentia seus corpos tremendo pelo choro que por anos ela segurou e que agora transbordava sem parar. Era o choro de anos de angústia e espera. Hermione sentia os braços de Tom a apertando cada vez mais como se quisesse fundir seus corpos. Isso só fazia com que ela sentisse mais ainda o corpo dele. Aquela consistência... Agora ele podia abraçá-la, tocá-la e ela a ele. Era tudo o que ela mais quis em todos aqueles anos... E estava acontecendo! Finalmente estava acontecendo!
Hermione sentiu que ele a afastava um pouco para poder olhá-la nos olhos. Tom voltou a passar a mão no rosto dela, o secando. Com os olhos mais secos das lágrimas, ela também pode ver os olhos dele um pouco lacrimejantes... Mas ele mantinha o sorriso em seu rosto. “Era lógico que ele não choraria... Não Tom, o Lorde das Trevas”. Hermione sorriu com o pensamento.
– Isso mesmo, sorria pequena Lady. Agora não é um momento de tristeza, mas sim de felicidade.
– Você sabe que não choro de tristeza Tom... Ter você aqui e poder tocá-lo... É mais do que eu podia imaginar...– ela falou passando a mão nos braços e peito dele, indo até seu rosto.
– Você também Hermione não sabe como desejei isso! Poder tocá-la... – ele passou a mão nos braços dela que se arrepiaram com o toque, -... Poder te sentir... — ele passou a mão em seu rosto fazendo carinho nele –... Não imaginei que pudesse ser assim.– Hermione fechou os olhos, aproveitando a sensação.
– Sentir seus cabelos passando por entre meus dedos... – Tom falou com uma voz um pouco mais diferente, mais rouca. Hermione sentiu a mão dele entrar dentro de seu cabelo, passando por entre suas mechas... Arrepios invadiram seu corpo.
Hermione abriu os olhos quando sentiu que com a outra mão ele começou a delinear sua boca com os dedos. A respiração dela se acelerou. Ela encontrou os olhos dele e o que viu a fez queimar. Era um olhar diferente de tudo o que ela já tinha visto... Era o jeito que ele tinha olhado para ela quando estava usando o corpo do Vítor. Hermione então percebeu que naqueles instantes na Escola, Tom a desejara! Ele a desejara e isso naquele momento a tinha excitado e muito... Mas Hermione não sabia se agora, por saber que aqueles eram os olhos dele, que ali era totalmente ele... Se isso a fazia arder ainda mais.
– Você pode me sentir Hermione... Não pode? – perguntou Tom com aquela voz rouca – Pode me sentir entre seus dedos... Não pode?
– Posso sim... — Hermione respondeu. Ela estava com os lábios secos, por isso, passou a língua neles. Quando olhou para cima novamente Tom a encarava como se quisesse devorá-la. Os olhos dele ficaram ainda mais febris. Não resistindo, Hermione levantou seus braços e os entrelaçou no pescoço dele, jogando levemente sua cabeça para trás.
– Eu também posso te sentir Hermione... Também posso te sentir entre os meus dedos. –Tom enlaçou a cintura dela, encostando seu corpo no dela – Mas agora quero te sentir com outra coisa... – ele falou rouco abaixando a cabeça em direção a dela sem desprender os olhos do dela. Quando eles estavam a milímetros de distância, com suas respirações se misturando, Hermione fechou os olhos e sentiu os lábios de Tom tocarem os dela.
Hermione gemeu levemente. Meu Deus, sentir Tom tão próximo era incrível. Ele mordiscou os lábios dela levemente, brincando com sua boca. Hermione estava tão tonta com a sensação que apertou mais seus braços em torno do pescoço dele. Tom separou seus lábios dos dela e sussurrou:
– Hermione...
Ela olhou para ele enlouquecida e disse:
– Tom, me beije...
Foi quando ele a encostou na parede... E seu mundo desabou. A língua dele invadiu a boca dela de uma forma possessiva. Seus lábios se atracavam com tanta paixão, desespero, fome... O corpo dele encostou totalmente no dela, as mãos dele levantaram suas pernas e as prenderam em seu corpo. Ele delineava as pernas dela com seus dedos, sentindo a pele macia e a apertando. Hermione tinha perdido a noção do tempo... Ela só se preocupava em querer Tom cada vez mais perto. Inconscientemente suas pernas apertaram mais ainda o corpo de Tom, fazendo ele rosnar baixo. Essa reação a surpreendeu, mas ele não deu tempo para ela pensar, porque logo a apertou ainda mais contra seu corpo. O beijo estava ficando cada vez mais frenético, seus lábios passeavam enlouquecidamente um contra o outro. Até que Tom interrompeu o contato bruscamente, encostando seus lábios no pescoço de Hermione e respirando pesadamente.
Hermione não conseguia pensar direito. Quando a respiração de ambos se acalmou, Tom disse:
– Hermione como eu queria beijá-la de novo. Desde o Baile de Inverno eu desejava ter você de novo em meus braços. – ele falou a apertando mais contra ele — Poder sentir seu gosto novamente... — Tom a beijou delicadamente, desenroscando as pernas dela de seu corpo e ajeitando a roupa de ambos.
– Eu também Tom. – ela disse com a respiração descompassada quando suas pernas encostaram no chão. — Como eu queria ter você assim de novo, mas ao mesmo tempo queria que fosse diferente do que daquela vez no Baile.
– Porque? Você não gostou das coisas que fizemos no Baile? – ele perguntou parecendo preocupado.
– Claro que me agradaram, e você sabe disso. – Hermione falou corada, desviando o olhar pelo constrangimento. — Mas naquela vez não era você, não era seu corpo. Eu desejava que a próxima vez fosse com o seu corpo verdadeiro, que da próxima vez fosse você aquele que verdadeiramente estaria me segurando. – ela falou subindo a mão nos braços dele que estavam em volta da cintura dela.
– Eu queria que fosse você a estar me beijando Tom. – Hermione falou pegando no rosto dele e tomando os lábios dele nos seus. Ela percebeu que Tom não esperava isso, mas que logo ele voltou a concentrar seus lábios nos dela. Seus lábios se mexiam em um ritmo só deles: rápido, apaixonado... Era como se quisessem se devorar, como se não pudessem ter o suficiente de si mesmos com aquele beijo.
Uma mão de Tom subiu até as costas dela e a apertou mais ainda contra ele, enquanto a outra envolvia a cintura dela. Ele mordeu os lábios dela segurando sua cabeça de encontro à dele, para que não pudessem se separar. Quando o ar se fez necessário, se separaram; mas Hermione não teve chance de pensar, pois logo Tom atacou o pescoço dela com beijos e mordidas, deixando um rastro em brasa na pele dela.
Hermione sentiu as mãos dele em sua perna subindo cada vez mais e brevemente seu coração parou... Ela sabia onde eles iam parar... Bom, tecnicamente. Na verdade, ela era virgem e nunca tinha tido nenhum envolvimento amoroso... Claro, exceto por seu Tom. Mas mesmo assim, eles tinham tanta coisa para conversar, tanto em que pensar... Ela não sabia se estava pronta para tudo acontecendo tão rapidamente... Mesmo que seu corpo estivesse gritando pelas mãos de Tom. Com essa convicção tomada, Hermione buscou forças onde nem sabia que existia para poder afastá-lo.
– Tom... Espera! – ela afastou a boca da dele, com um pouco de dificuldade – Espera um pouco, precisamos conversar.
– Depois conversamos Hermione. – ele disse se inclinando para beijá-la novamente.
– Por favor, Tom... Precisamos mesmo conversar. – ela falou se afastando mais um pouco e evitando que ele a beijasse.
Tom parou, olhou fundo nos olhos dela e, parecendo resignado, respirou fundo, perguntando:
– Tudo bem Hermione... O que você quer conversar?
– Eu acho que nós devemos esperar um pouco mais para... para... para termos... relações. – Hermione completou, corando e desviando os olhos.
– Porque? – Tom perguntou parecendo incrédulo.
– Eu acho... – Hermione olhou nos olhos do Tom, com o rosto completamente vermelho — ... Que devemos nos conhecer melhor.
Tom ficou em silêncio absoluto, olhando para Hermione com o rosto impassível. Até que não aguentou mais.
– Nos conhecer melhor? – perguntou chocado – Hermione, vivi dentro da sua cabeça por treze anos!! Acho que nos conhecemos bem o suficiente. Aliás, nos conhecemos muito mais do que qualquer casal com anos de convivência!
– Pois é exatamente por isso Tom. Por mais que você vivesse dentro de mim, era uma relação normal para nós... Sabíamos que éramos noivos, mas era diferente. Não tínhamos outros tipos de intimidade... Afinal, você não tinha corpo e, tirando aqueles momentos roubados que tivemos quando você tomou o corpo do Vítor, não tivemos mais nada...
Hermione respirou fundo. Estava desesperada para fazer com que ele entendesse e não se afastasse dela.
– Não saímos juntos para encontros, para nos conhecer. Entende? Precisamos experimentar a nossa relação como sendo uma relação romântica. Fortalecer um pouco a nossa união que agora será levada a um novo patamar, considerando que agora você tem um corpo. Eu preciso te conhecer antes de ser sua completamente. Você me entende? – Hermione perguntou com medo, temendo que estivesse forçando demais a barra.
Tom ficou completamente em silêncio. Os minutos passaram e ele não tinha qualquer reação. Hermione temeu que ele não fosse entender. Seu coração acelerou de medo. Até que Tom olhou para o chão, parecendo ponderar suas palavras. Ele passou a mão no rosto e respondeu, olhando para ela:
– Eu te entendo Hermione e concordo também. Acho que devemos passar mais tempo fortalecendo nossa união, experimentar todas as coisas que um casal normal faz, como encontros... Antes de eu finalmente te fazer totalmente minha. – falou dando um selinho nela.
– Que bom que você entende Tom. – Hermione falou com lágrimas brilhando em seus olhos. Seus sonhos de passear com Tom como um casal iam se tornar realidade. Poderia desfrutar da companhia dele. Até que ela percebeu algo... Sorrindo perguntou:
– Você disse... Encontros?
– Sim, encontros. Ou você não quer ir a um? – Tom perguntou sorrindo — Não é para isso que pediu esse tempo?
– Era... Bom, eu não achei que você me levaria a encontros considerando você ser quem é... – ela falou, constrangida.
– Quem? O Lorde das Trevas e você a Lady das Trevas? Não sei onde isso nos impede...
– Ninguém sabe que eu sou a Lady das Trevas. Bom, os Comensais saberão daqui algum tempo, mas mesmo assim, tem a sua aparência. As pessoas podem te reconhecer.
– Ninguém vai me reconhecer. Somente meus Comensais conheciam meu rosto como Lorde das Trevas, e os outros simplesmente me conheciam como Tom Ridlle. Eles nunca coligaram as duas identidades, afinal aqueles que me viram em ataques só viram o Lorde das Trevas com uma máscara. Eu usava uma também. Além do quê, agora eu pretendo usar meu rosto ofídico como nova identidade para o Lorde das Trevas... Será muito mais aterrorizante, não acha? – Tom perguntou sorrindo.
– Considerando as descrições de todos, sim, eu acho. – Hermione disse feliz — Mas então não vai revelar aos Comensais que já está usando sua aparência normal?
– Somente para os do Círculo Interno mostrarei essa aparência. Para os outros vou usar a ofídica... Dá mais medo e eu não quero que eles me vejam como realmente sou. As únicas pessoas que viam meu rosto naquela época, tirando os meus Comensais, eram os seus pais Hermione... Não é uma honra que eu dava ou dou a qualquer um. Muito menos para o mundo mágico.
– Por falar nisso, como você está com esse corpo? Achei que veria sua outra forma e ainda teria que fazer a poção para que você pudesse assumir essa aparência. Eu iria ter como base o quadro que está na lareira lá embaixo.
– Eu tinha alguns ingredientes aqui dentro da minha casa conservados. E usei alguns fios de cabelo que tinham ficado no meu pente da última vez que estive aqui. Fiz a poção, tomei e meu corpo ficou assim igual ao do meu antigo quadro.
– Não totalmente igual, afinal seu cabelo era um pouco mais cumprido no quadro e agora está mais curto...
– Consegui minha aparência daquela época e o cabelo nasceu pelo menos o suficiente para dizer que tenho algum. Por agora ele não vai crescer imediatamente até a altura de quando eu perdi meu corpo. Vamos ter que esperar um pouco, mas eu acredito que não ficou muito ruim. Não estava horrível quando eu me olhei no espelho, esperando você subir.
– Não, ficou bom sim. Sexy... – Hermione falou sorrindo, mas parou ao perceber uma coisa que ele disse – Espera. Você disse que estava esperando eu subir... Então você já sabia que eu estava aqui? – ela perguntou surpresa — Que horas você acordou? Os elfos entraram em contato com Kalil e tinham dito que você ainda não tinha saído do quarto... Achei que ia encontrar você dormindo ainda, quando entrei no seu quarto.
– Eu acordei assim que você chegou nessa dimensão. Vamos dizer que sua energia me acordou no momento em que ela entrou em contato com esse lugar... Mas agora chega de falar sobre problemas. — Tom pegou na mão dela, a puxando. — Vem, quero te mostrar uma coisa.
A levou em direção a cortina verde escuro que pendia em um canto do quarto. A afastando com as mãos, ele aproximou Hermione e ela viu um porta enorme feita inteiramente de vidro escuro com diversos arabescos. Tom a abriu e eles saíram para uma sacada. Hermione se aproximou do beirada e viu a lua no céu. Era estranho ver a imensidão azul, considerando que estavam em outra dimensão. Mais a frente estava o mar que ela tinha visto ao chegar no penhasco. Da janela, ela via o mar quebrar em ondas nas enormes pedras negras do castelo. A praia se estendia abaixo, numa visão impressionante.
– Gostou da vista? – Tom perguntou a abraçando por trás.
– Sim. É um contraste interessante considerando que antes a mansão ficava em um bosque.
– Eu sempre quis ter uma mansão na praia. Acredito que seja por isso que ao criar essa dimensão a tenha feito assim.
– Tudo é real? O mar? A lua?
– Claro, são reais. Ainda que sejam criações minhas. Eu as coloquei aí para dar ênfase na paisagem, mas ainda são reais. Se você quiser entrar no mar ainda vai ser água... Mesmo que você não esteja na dimensão real.
– Entendo. – Hermione e Tom ficaram um tempo ali abraçados, ouvindo os sons das ondas e sendo iluminados pela lua cheia.
– Tom? – Hermione chamou.
– Sim? – ele respondeu com o queixo apoiado na cabeça dela.
– Pode até ser clichê o que vou dizer, mas acho que esse momento é o mais feliz da minha vida.
– Não é clichê Hermione. – ele respondeu rindo e a virando para que pudesse olhá-la nos olhos. – Esses são seus sentimentos, assim como são os meus. Nunca imaginei que pudesse sentir o que estou sentindo hoje. Para falar a verdade, sempre acreditei que não sentia nada, mas isso passou a mudar quando conheci seus pais. Para pessoas que viviam isoladas eles eram bem emotivos. – ele falou sorrindo ao se lembrar de Howard e Selene
“Eles me ensinaram muitas coisas, e não digo só de segredos e magias... Falo de vida! Acredito que eles talvez estivessem me preparando para você, para que eu fosse um pouco mais aberto a sentimentos, mais brando... E posso dizer claramente que esse, até agora, é o momento mais feliz da minha vida também.”
– Até agora? – Hermione perguntou, estranhando a colocação.
– Sim, pois muitos mais virão. Muitos momentos, lembranças... Porque a nossa vida juntos e nossa felicidade começa hoje!
– Nós passamos por muita coisa Tom... – Hermione o lembrou, passando os braços em volta da cintura dele.
– Sim. Dor, sofrimentos, raivas, angústias... E mais.... uma espera que pareceu infinita, e que agora, finalmente, acabou. – Tom falou pegando no rosto dela e a olhando profundamente. – Tudo o que passamos se concretizou hoje, todos os nossos planos se concretizaram no momento em que encostei em você com essas mãos, no momento em que a peguei com os meus braços... Verdadeiramente. Não mais com o corpo de outro ou com um protótipo, mas com o meu corpo.
– Tom... Eu te amo... – Hermione falou sem desviar os olhos dos dele, não conseguindo mais segurar esse sentimento que dominava seu coração a tanto tempo, mesmo sema que ela percebesse. Ela sentia seu coração transbordando – De verdade... Eu te amo.
Tom olhou para Hermione parecendo estupefato. Ele não imaginava ouvir isso dela um dia. Ninguém nunca tinha dito isso a ele. Tom tinha tido várias conquistas amorosas na vida, é verdade, e de várias delas tinha ouvido essa expressão, mas ele nunca sentiu nada por elas. Ele nunca viu isso, essa certeza que parecia transbordar dos olhos de Hermione.
Achou que Hermione nunca o amaria... Que ela apenas nutriria carinho e admiração por ele ter sido amigo de seus pais, por ter sido de certa forma seu mentor. Claro, era noivo dela, mas isso não significava que ela tinha que amá-lo. Ele mesmo nunca tinha pensado em amá-la, não sabia nem se tinha essa capacidade. Afinal, por todos esses anos ele nunca amou ninguém, ou melhor dizendo, ele nunca tinha sentido nem simpatia por alguém, quanto mais amor. Os únicos que tinham chegado perto disso, eram os pais de Hermione. Só que agora, ao olhar nos olhos dela, ao sentir seu coração, ele percebeu que estava errado. Sorrindo carinhosamente, ele respondeu.
– Hermione, você é tudo para mim. – ele falou com a voz tomada de emoções que Hermione nunca tinha visto – Você é meu passado, meu presente e meu futuro. Não sei se te amo... Não sei dizer para você o que é o amor e por isso também não sei se posso senti-lo...
Tom viu que Hermione estava olhando pra ele, prestando atenção em suas palavras.
– Mas se o fato de ver você e somente a você na minha frente, se querer matar qualquer um que te machuque, se querer te trancar em uma enorme torre onde só eu tivesse a chave para te afastar dos olhos de todos os homens, se estar disposto a morrer por você e querer você reinando do meu lado para todo o sempre... — balançou a cabeça — ... Se sentir isso é amar alguém... Então talvez eu te ame. Você sabe que... Por anos, quando ainda estudava em Hogwarts, eu procurava um jeito de evitar a morte e por isso fiz as Horcruxes. Eu nunca me imaginei querendo morrer por alguém... – Tom a olhou pensativo, franzindo levemente as sobrancelhas. – Isso é amor? Será que eu te amo?
Hermione viu Tom parar e olhar profundamente nos olhos dela, como se procurasse dentro dela a verdade, a resposta para a sua pergunta. Ela entendia que ele não sabia o que era amar... As palavras dele ainda doíam no seu coração. Mas ela estava disposta a mostrar o seu amor por ele, independente de qualquer outra coisa. Ela ensinaria a ele como amar alguém... O ensinaria como acordar todos os dias e sentir seu coração batendo unicamente por outra pessoa. Ela mostrou essa certeza em seus olhos para Tom, abriu um sorriso que esperava, demonstrasse todo seu amor e determinação.
Tom ao ver o sorriso de Hermione percebeu qual era a resposta para a sua pergunta. Os olhos e o sorriso de Hermione eram a resposta que ele procurava, a certeza que ele buscava. Tom abriu um sorriso e viu Hermione olhar surpresa para ele, não conseguindo conter uma lágrima que ele viu descer pelo rosto dela.
– A verdade, a resposta para as minhas dúvidas sobre a minha capacidade de amar sempre estiverem em um lugar Hermione. E eu achei qual é a minha resposta.
– Onde Tom? – Hermione perguntou tremula – Qual é a resposta?
– A resposta sempre esteve em você... Eu te amo Hermione. — falou sorrindo para ela, vendo ela arregalar os olhos — Te amo com todas as forças da minha alma fragmentada e dos nossos espíritos unidos...
FIM DA PRIMEIRA TEMPORADA
CONTINUA...
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