O Tempo Mudará

37 Capítulo 2 - "Alianças" - Parte 1


Notas iniciais
Olá pessoal! Por favor, nos perdoem pela demora. Conseguimos terminar nossa faculdade no ano passado, e só conseguimos retomar a história agora. Pensamos muito e muitas coisas novas e revelações iremos mostrar para vocês nesses próximos capítulos. Iremos tentar postar um por semana. Blz? Boa leitura!

“Alianças – Parte 1”

Draco sentiu os raios de sol baterem em seu rosto. “Por Merlin, já é de manhã”, ele pensou. Forçou-se a abrir os olhos e logo os fechou novamente ao sentir a claridade que vinha das janelas. Esticou o braço, pegou a varinha ao lado de sua almofada e a levantou apontando para a janela onde murmurou o feitiço para que as cortinas se fechassem; logo, conseguiu abrir os olhos quando viu que a claridade que passava pelas suas pálpebras já não existia.

Suspirando, olhou o relógio na parede e viu que já eram quase uma da tarde. Dando um sorriso, fechou os olhos prestes a dormir de novo. De repente, deu um pulo. “Uma hora da tarde?! Meu pai vai me matar!”, pensou desesperado, pulando da cama e correndo até o banheiro para tomar um banho e descer.

Debaixo do chuveiro, deixando a água escorrer por seu rosto e cabelos, esperando tirar os últimos vestígios de sono, Draco disse em voz alta:

— Uma hora da tarde e meu pai não mandou os elfos virem me acordar? Que estranho... Alguma coisa deve ter acontecido.

Não, provavelmente seus pais ainda deviam achar que ele estava na Mansão do Blaise, afinal tinha dito que talvez iria dormir lá, mas no meio da noite, achou melhor voltar para casa. Se dormisse lá era capaz de ter seu quarto invadido pela garota-lula... Não que seria ruim ter seu quarto invadido por qualquer garota, mas ele já tinha tido o suficiente daqueles braços pegajosos...

Estremecendo pela lembrança, Draco saiu do banho, prendeu uma toalha em sua cintura, e resolveu chamar Loly, para saber onde estava seu pai e lhe arrumar roupas.

— Loly!!

Ouviu o barulho que os elfos fazem ao aparecer. Loly estava na frente dele, com aquelas roupas todas desgastadas. Ele sabia que aquilo era o símbolo de um elfo doméstico, mas era estranho saber que ela fazia a comida deles com aquela roupa imunda. Achava que os elfos deveriam se vestir melhor, mas... Ele não ia começar uma revolução “roupas aos elfos” por causa disso.

— Senhorzinho Draco, Loly não sabia que o senhor estava em casa. O senhor seu pai, disse que Loly não deveria preparar comida para o senhor já que iria ficar na casa do Senhor Zabini.

— E meu pai estava certo Loly, mas eu resolvi voltar mais cedo para casa.

Ele e Blaise tinham ido ao Beco Diagonal com seus amigos da Sonserina e também acompanhar uma prima do Blaise que tinha ido visitá-lo aquela semana. Bom, ela não era realmente prima de Blaise, era conhecida assim apenas por consideração, afinal ela era sobrinha de um dos setes maridos falecido da mãe de Blaise. Draco não lembrava qual dos maridos, mas o que interessa, é que ela era parente e realmente não lhe interessava. Ele nunca a tinha visto antes e não sabia se realmente queria voltar a vê-la.

No começo a tinha achado bonita. Se ele se empenhasse um pouco era provável que conseguisse ficar com ela. Mas ele nem precisou fazer nada; a garota assim que o viu grudou nele que nem carrapato. Agarrada ao seu braço, lhe lembrava muito a Pansy, e uma garota dessas assim, já bastava para ele por uma vida inteira. Mais tarde eles tinham ido até a casa de Blaise e lá ele ficou com ela. No começo foi bom, mas depois de um tempo, a garota parecia que iria engoli-lo, e seus braços o rodeavam de um jeito estranho. Ele se sentia agarrado pela lula gigante que ficava no lago negro em Hogwarts. Teve que se desgrudar dela, literalmente, para conseguir ir embora.

Estranhou quando chegou em casa e não encontrou seu pai o esperando para brigar com ele por ter chegado tarde demais. Aí se lembrou que tinha avisado que provavelmente dormiria na casa de Blaise, e assim eles devem ter deduzido, quando não o tinham visto chegar.

Draco suspirou com as lembranças. Agora precisava dar um jeito de aparentar que tinha acabado de chegar, dando a entender que não tinha acordado agora.

— Me escolha uma roupa enquanto escovo os dentes, Loly. – falou andando em direção a pia de mármore. – Mas me diga onde estão meu pai e minha mãe.

— O senhor Malfoy está no quarto junto com a senhora. Loly acha que ela não se sente bem.

— Minha mãe está doente? – Draco falou com a boca cheia de espuma.

— Loly não sabe dizer senhorzinho. – Ela estava com a voz abafada, enquanto mexia dentro do closet – Só que, meu senhor ordenou que ela não fosse incomodada e também falou pra Loly que assim que o senhorzinho chegasse o levasse para falar com ele.

— Meu pai quer me ver então? – Draco pegou as roupas da elfa e passou a se vestir.

— Sim.

— Algo aconteceu ontem Loly? – Sua testa se franziu, e ficou se perguntando a razão de sua mãe estar assim. – Alguma visita talvez? – Ele achou que finalmente o Lorde tinha ido falar com eles. E dependendo do que tivesse acontecido sua mãe provavelmente não iria ficar bem.

— Não senhorzinho, somente o senhor Snape.

— Meu padrinho? – Draco estranhou. Já fazia alguns anos, que seu padrinho não os visitava. Para ser mais preciso, desde que ele tinha entrado em Hogwarts.

— Sim, ele ficou algumas horas no escritório com o senhor e a senhora.

Então era isso. Provavelmente seu padrinho não tinha trazido boas notícias. Deveria ser sobre o Lorde, afinal, ele assim como seus pais, também eram Comensais. Claro que também podia ser outra coisa qualquer. Sua mãe não era a pessoa mais saudável que existia. De vez em quando ela tinha umas crises que a deixavam muito fraca e depressiva por alguns dias. Seu pai lhe dava uma poção e ficava a maior parte do tempo com ela quando essas crises aconteciam. Ele dizia que isso a fazia ficar melhor, e todas as vezes que Draco perguntou o motivo dessas crises seu pai simplesmente balançava a cabeça e dizia que na hora certa ele saberia.

Draco realmente não sabia o que aquilo significava, mas imaginava que seu pai lhe diria quando chegasse a dita hora certa que ele tanto falava, e por essa razão, para evitar que isso acontecesse com ele, desde os seis anos seu pai o fez tomar uma poção todas as noites. Claro que isso não era de conhecimento geral.

— Muito bem. Aproveite e me traga um lanche rapidamente, Loly.

— Como quiser senhorzinho Draco.

Draco terminou de se arrumar e quando saiu viu um lanche colocado na mesinha de centro do seu quarto. Comeu e quando viu que estava pronto, saiu do quarto em direção ao quarto de seus pais. Chegando, bateu.

— Quem é? — Perguntou a voz de seu pai de lá de dentro.

— Sou eu, pai. – respondeu – Loly me avisou que o senhor queria falar comigo.

Ouviu passos de dentro do quarto e logo a porta foi aberta minimamente. Seu pai apareceu pela fresta da porta. Ele estava com olheiras, parecia que não tinha dormido a noite toda. Para espanto de Draco, ele abriu a porta e saiu para fora do quarto, fechando a porta em seguida. Draco levantou as sobrancelhas.

— Pai, a mamãe está bem? Queria falar com ela. Loly me avisou que ela não parecia muito bem.

— É melhor você não vê-la agora Draco. E realmente ela não está se sentindo bem.

—É uma daquelas crises?

— Sim. – Respondeu seu pai, aparentando estar cansado – Mas não vamos falar sobre isso agora. Venha comigo. – seu pai falou, andando pelo corredor em direção as escadas – Vamos para a biblioteca, precisamos ter uma conversa séria.

Draco gelou. Já imaginando sobre o quê seu pai queria falar com ele.

— Por acaso essa conversa séria não tem haver com a visita do meu padrinho ontem, não é? – perguntou.

Lucius parou e olhou para ele surpreso, mas logo seus olhos foram tomados de compreensão.

— Então Loly já te contou que Snape esteve aqui ontem. Aquela elfa fofoqueira. — falou a contragosto voltando a andar. Draco o seguiu – E sim, o assunto tem haver com a visita do seu padrinho sim.

—Já imagino o que ele tenha vindo dizer. – Draco comentou, descendo as escadas com seu pai na sua frente.

— Você vai se surpreender Draco. Realmente vai se surpreender.

Seu pai falou misteriosamente, abrindo a porta do escritório e entrando. Draco não entendeu e realmente não sabia se queria entender. Com um calafrio, entrou atrás dele e fechou a porta.

—o-o-o-o-o-o-o-o-O-o-o-o-o-o-o-o-o-

Hermione agradeceu quando sentiu a brisa e o sol batendo no rosto dela. Andava tão atarefada nos últimos dois dias que agradecia esse momento de descanso. Ela estava deitada em uma espreguiçadeira à beira da praia, na frente dela havia apenas o mar e atrás a parede de rochas que formavam o penhasco onde no topo dele estava a Mansão Basiliski.

O sol estava forte e fazia muito calor. Era realmente impressionante as mudanças de clima. Ela bem sabia que a Dimensão onde a Mansão Basiliski se encontrava acompanhava as estações do mundo real, mas o clima era Tom quem escolhia, ele havia optado pelo tropical, diferente de Londres que tinha o clima mais chuvoso e nebuloso possível. Ou seja, embora em Londres a temperatura estivesse despencando mais a cada dia, na dimensão que eles estavam o clima tropical imperava, com sol forte e ar quente. E o mar provocava uma brisa fria maravilhosa.

Sorrindo, Hermione se esticou novamente na espreguiçadeira, arrumou o biquíni e fechou os olhos. O dia estava lindo, e ela estava realmente conseguindo aproveitar o que restava de suas férias, pois logo iria embora dali para as aulas em Hogwarts.

Só lamentava que Tom não estivesse com ela já que tinha saído para resolver algumas coisas. Mas assim que ele estivesse de volta, os dois aproveitariam o resto da tarde daquele sábado juntos.

Ouviu um barulho e suspirou. Logo, Willa apareceu do lado dela.

— Milady.

— O que foi, Willa? — perguntou olhando pra ela.

— Milady, Kalil entrou em contato com Willa e pediu para Willa ir buscar essas cartas com ela. Willa as pegou. As cartas estão aqui Milady. – a elfa falou, estalando os dedos onde uma bandeja com duas cartas em cima apareceram na mão dela.

— De quem são Willa? – perguntou Hermione preocupada. Abaixando um pouco os óculos de sol para poder ver as cartas, ela as pegou. “Por favor, que não seja mais uma carta de Dumbledore com outro de seus pedidos absurdos”, pensou. Depois da última, ela não duvidava de nada.

— São do garoto Potter e do garoto Weasley.

Hermione fez uma cara de desgosto. Ninguém merece. Já imaginava o que estaria escrito em cada uma delas: nada de interessante só um monte de baboseira. Ou seja, nada de útil para ela.

— Obrigada Willa. Deixe as bandejas aí em cima da mesinha. – Hermione falou se referindo a pequena mesa redonda que estava próxima a ela. Willa foi até lá e deixou a bandeja ao lado de um copo com suco. – Me diga Willa, o dispositivo funcionou? Sentiu alguma fraqueza ao usá-lo novamente?

— Não Milady. Não senti nada. — respondeu a elfa sorrindo — Funcionou perfeitamente como da primeira vez. Milady é muito inteligente! A criação desse objeto foi muito engenhosa. Facilitou bastante.

—Sim, eu e Voldemort ainda não podemos levar a Mansão de volta ao mundo real, então vamos mantê-la aqui por mais tempo. Mas também pretendemos trazer alguns Comensais para cá, apenas aqueles de estrema confiança. Eu sabia que não podia ficar fazendo o ritual a cada vez que fosse ir e vir por isso os criei os objetos, assim fica mais fácil.

— Sim! Willa acha que ajudou muito. Agora podemos ir e vir, sem incomodar Milady.

— Que bom, Willa. Agora, pare de sandices e deixe o almoço pronto. Já faz algum tempo que Tom saiu; ele deve estar de volta a qualquer momento. Assim que ele chegar vou perguntar se ele vai querer almoçar.

— O almoço está quase pronto. Provavelmente estão preparando a sobremesa agora.

— Torta? — perguntou esperançosa para a elfa.

— Torta sim. Willa mandou fazer torta!

— Aaaah Willa... Obrigada! – Hermione falou sorrindo, vendo a elfa ficar vermelha.

— Willa já pode ir?

— Claro que sim. Vá!

Willa rapidamente desapareceu.

Hermione suspirou e esticou o braço para pegar as cartas. Pegou a carta do Harry primeiro e começou a ler. “Aaah, as mesmas coisas de sempre”, ela pensou com raiva. Está com saudade, não aguenta mais ficar perto daquela família dele e blá blá blá...

Hermione podia odiá-lo, mas concordava plenamente em tudo o que ele sentia por aqueles trouxas. Passou os olhos nas próximas linhas esperando encontrar o que queria, até que...

“Hermione, você está sabendo de alguma coisa, algum movimento do Voldemort? O Profeta Diário continua sem dizer nada, e eu não sei o que está acontecendo. Isso me frustra! Se você souber de alguma coisa, por favor, me mantenha informado."

Coitado, se ele soubesse... Ela tinha várias informações, afinal era a Lady das Trevas, mas mesmo como boazinha ela não sabia de muita coisa sobre o quê Dumbledore estava aprontando. Ele estava mantendo tudo a sete chaves e depois daquela carta que ele mesmo enviara a ela, mesmo que soubesse de alguma coisa, Dumbledore a tinha proibido terminantemente de dizer qualquer coisa.

Dobrou a carta do Harry e a colocou no envelope novamente. Mais tarde responderia com palavras agradáveis, toda aquela lamúria insuportável. Argh! Esticou a mão e pegou a outra carta. Era do Rony! Bom, só podia ser... Aquele papel de má qualidade só podia ser coisa dos Weasley! Ela começou a abrir a carta, mas parou subitamente quando sentiu uma vibração em sua mente, e logo a energia dele. Tom tinha voltado! Ela sorriu e continuo abrindo a carta do Ronald.

— Carta de algum admirador? – falou uma voz ao pé do ouvido dela, causando um arrepio em todo seu corpo. Hermione se sentiu derreter... Aquela voz... Meu Deus! Aquela voz podia derrubar qualquer mulher! Rapidamente se recompondo, ela disse:

— Carta do meu namorado...

— Ah, é? – ele sussurrou novamente, dessa vez seus lábios roçaram levemente um ponto abaixo de sua orelha, em seu pescoço. – E o que diz?

— Diz que... que... – Hermione se xingou por não conseguir formar uma resposta coerente. Droga, toda vez que ele falava assim com ela, ela praticamente derretia. Ficou envergonhada ao ver que sua voz saiu levemente rouca. Sentindo sua face arder, ela mudou de assunto:

— Deu tudo certo?

— Melhor impossível. – ele respondeu se aproximando. Se sentou na frente dela, focando seu rosto diretamente com os olhos verdes bem próximos. Aqueles olhos pareciam duas florestas imensas e lindas de tão verdes. Sem conseguir resistir, Hermione ergueu a mão e a colocou no rosto dele puxando seu rosto para ela. Fechou os olhos quando sentiu a respiração dele perto do rosto dela, e quando sentiu os lábios dele encostarem no dela.

Meu Deus, ela achava que nunca conseguiria resistir aquele homem. Se ela pudesse andar com ele livremente pelo mundo bruxo, tinha certeza que todas as bruxas a invejariam. Ele era alto, magro, mas forte e tinha os cabelos no mais escuro tom de negro que ela já tinha visto. Durante aquele beijo, ela passeou com as mãos pelos braços musculosos dele, até que as entrelaçou em seu pescoço e puxou ele ainda mais forte para perto dela. Ela sentiu quando ele riu baixinho, mas foi para ela com muita boa vontade. Quando percebeu, ela estava novamente deitada em sua espreguiçadeira e Tom a prendia firmemente com seu corpo. Precisando de ar, ela parou de beijá-lo, mas ele rapidamente beijou seu maxilar e desceu pelo pescoço alvo dela, sugando levemente sua pele até aquele ponto sensível abaixo da orelha dela.

Hermione não resistiu e soltou um gemido leve, se contorcendo debaixo dele e querendo mais. Dessa vez, Tom riu alto e levantou a cabeça para olhar para ela, seu rosto tomado pela graça.

— Disse alguma coisa, minha Lady?

Envergonhada, ela sentiu sua pele ficar quente. Deu um tapa de leve no braço dele e disse:

— Não é culpa minha que você é um ótimo beijador.

— Bom, na verdade, a culpa é sua, sim.

— O quê? – ela estava atônita – Tom, você já beijou muitas mulheres antes de mim.

— Eu sei. E não somente as beijei, já fiz várias outras coisas com elas também.

Hermione sentiu um aperto ruim em seu estômago com aquelas palavras. Ela sabia que Tom era experiente e que ela não tinha conhecimento de praticamente nada. Mas ele não precisava jogar isso na cara dela tão descaradamente. Empurrando seu corpo para cima, ela levantou e se afastou dele.

— Não fique brava – ele a pegou pela cintura e a fez se sentar novamente do seu lado – O que eu estava tentando dizer, senhora nervosinha, é que o fato de eu sempre desejá-la é obra do seu rosto e corpo incríveis. Meus lábios e mãos não conseguem se afastar de você por muito tempo. As outras mulheres que tive, não me importam. Elas não tem seu corpo, seu cheiro e muito menos a sua inteligência.

Ela parou e ficou olhando para ele. Com a raiva já esquecida, ela sorriu. Ele deu um beijo em seu nariz, sorriu e voltou a perguntar:

— Porque perguntou se deu tudo certo? Por acaso estava preocupada que eu não conseguiria?

— Não duvidei de você – ela rapidamente respondeu – Não duvido de você nunca. Mas eu fiquei preocupada sim, afinal, mesmo com um plano, lidar com Dementadores não é fácil.

— E não foi mesmo. Eles até tentaram me atacar, mas perderam o tempo deles. Eu consegui subjugá-los – ele sorriu ironicamente.

— Então eles estão do nosso lado novamente?

— Estão. Quando você quiser, eles vão fazer o que quisermos. – Tom falou, passando a mão na perna dela – Logo poderemos libertar nossos Comensais, embora eu ache que devamos esperar um pouco.

— E porque isso? – ela perguntou surpresa.

— Não devemos fazer o Ministério começar a desconfiar da minha volta. Como você já disse, Fudge não acredita e não quer ninguém falando sobre isso. Essa atitude vai nos dar tempo para nos reestruturar, reunir nossas antigas forças novamente e formar novas alianças. Ah, o pessoal do Ministério da Magia realmente é muito, muito inútil. Vamos nos aproveitar dessa fraqueza.

— Entendo. Mas mesmo que Fudge não esteja fazendo nada, Dumbledore e sua ridícula Ordem da Fênix estão, pelo que Snape nos contou, tentando fazer pessoas se juntarem a ela. Eles também estão atrás de novas alianças, Tom.

Hermione se lembrou do que Snape tinha lhes contado, ontem, sexta-feira de manhã; quando tinham entrado em cotato com ele, para pedir que ele fosse até os Malfoy.

—Os Dementadores estão do nosso lado, devemos ir até os gigantes e os lobisomens, com certeza eles se juntarão a mim novamente. Também devemos reunir os antigos Comensais, e mostrar que eu estou vivo e ativo, afinal sumi um mês sem dar explicações. E, por fim, devemos começar a preparar os novos.

— Sabe Tom, andei pensando... – ela falou pensativa receosa do que ele acharia de uma ideia que estava rondando a cabeça dela a alguns dias – O que você acha de reestruturarmos o Círculo Interno.

— Como assim? – ele perguntou, seus olhos ficando frios.

— A maioria dos Comensais do Círculo são inúteis, o traíram e o ignoraram todos esses anos. Sinceramente, não quero ter contato com eles. Além do quê, não confio neles. Queria trabalhar com pessoas nas quais eu confie, pelo menos as que eu tratar diretamente.

— A maioria dos membros do Círculo são mais contatos políticos do que qualquer outra coisa. Só alguns eu realmente confiava, e mesmo que não goste da maioria deles, não posso simplesmente dispensá-los; eles ainda são importantes em alguns pontos.

— Entendo isso. Mas não precisamos dispensá-los. Podemos mantê-los e fazê-los continuarem acreditando que fazem parte do Círculo Interno, seu círculo de confiança – Hermione disse, fazendo aspas com os dedos na palavra “confiança” – Mas entre eles devem estar realmente aqueles que farão parte do Círculo verdadeiro. Aqueles em quem nós realmente confiamos e que serão as pessoas que saberão da minha existência. O resto deve continuar achando que eu sou a sangue ruim, amiga do Potter, afinal não podemos colocar esse trunfo que nós temos em risco. Essa história não pode ficar na boca de qualquer um.

Tom parou, se levantou e passou a caminhar ao redor da espreguiçadeira. Hermione olhou para ele e esperou por uma decisão. Ela sabia que quando ele levantava e passava a caminhar com as mãos nas costas, ele não gostava de ser interrompido. Por fim, ele olhou para ela e disse:

— Olhando por esse ângulo, acho que você pode ter razão. – ele ainda estava pensativo. Olhou para um ponto fixamente, seus olhos se estreitando levemente, até que voltou a olhar para ela. – Pode ser. Acredito que esteja certa. Você continuará a fazer o papel de amiga do Potter, nos garantindo uma posição preciosa que não podemos abrir mão. Pelo menos, ainda não. Preciso matar aquele menino primeiro. Enquanto isso, você ficará escondida.

— Então concorda com a ideia de fazermos um outro Círculo Interno que só será de conhecimento de sua associação aqueles que fizerem parte dele?

— Concordo. Dentre o Círculo Interno gostaria que estivessem o Snape, o Lucius a Narcisa e a Belatrix.

— Eles são de total confiança – Hermione sorriu satisfeita para Tom – Agora, eu também gostaria de colocar mais alguns nomes, se não se importa. Eu andei pensando em algumas pessoas novas... Todos esses que você citou são da velha geração.

— Velha? — perguntou Tom, franzindo o cenho – Está me chamando de velho, Hermione?

— Bom Tom, novo você não é... Se formos analisar as coisas, você está bem velhinho... – ela falou, fazendo graça.

— Eu vou te mostrar quem é o velhinho. – ele falou pegando na cintura dela e puxando-a para ele.

Ele beijou seus lábios com paixão e um leve toque de raiva. Hermione se sobressaltou com isso, mas logo fechou os olhos e se entregou ao beijo. Puxando seus cabelos, ela o trouxe para mais perto, esmagando os fios sedosos com a mão. Tom fez um barulho do fundo da garganta que mais parecia um rosnado. Passando as mãos por seus quadris e costas desnudos, ele rapidamente a levantou, fazendo com que ela passasse as pernas em sua cintura, para não cair. Ele segurou-a pelos quadris e a apertou ainda mais contra seu corpo.

— Parece que a sua idade não te afetou em nada... – Hermione comentou com a respiração entrecortada e a voz rouca.

— Se você continuar a falar da minha idade e vou...

— Vai fazer o quê? – ela perguntou o desafiando, mas com tom de brincadeira — Se cada vez que te chamar de velho você fizer comigo o que acabou de fazer, vou te chamar de velho muitas e muitas vezes ao dia. – ela voltou a beijá-lo.

Tom levou uma das mãos ao cabelo dela e aprofundou o beijo com determinação. Sentando novamente na espreguiçadeira, a deixou sentada em seu colo, respirando com dificuldade. Ele ficou olhando para ela, com os olhos cheios de um sentimento que Hermione não soube identificar. O amor transbordou no coração dela, ao analisar cada ângulo daquele homem incrível. Ela traçou com os dedos o rosto dele e beijou levemente seu pescoço, sentindo seu cheiro. Ele fez aquele som novamente... Um som parecido com um rosnar que quase a enlouqueceu. Ela estava prestes a explorar o pescoço dele com beijos, quando ele a afastou abruptamente.

— O que houve? – ela perguntou assustada. – Eu fiz alguma coisa errada?

— Não. Você estava fazendo muitas coisas certas. – ele respondeu, com a voz rouca.

— Não entendo... Porque você me afastou?

— Hermione, você não me disse que queria me conhecer primeiro? Sair em encontros, passar um tempo comigo... Antes de finalmente nos unirmos?

Hermione estava sem ar, quando respondeu:

— Sim.

— Ótimo. Acontece que se você continuar a fazer o que estava fazendo... Eu não ia conseguir respeitar o seu tempo. Eu ia te fazer minha aqui mesmo.

Quando finalmente entendeu, Hermione corou. Ela devia saber que os beijos faziam mais com ele. Se ficar esse tempo com ele quase a fazia derreter, imagina para ele, um puro macho bruxo experiente?

— De...Desculpe.

Ele riu perante a expressão que ela fez, a desvencilhando de cima dele e a colocando sentada ao seu lado.

— Você é impressionante! – ele disse rindo – Quando você me conta seus planos para matar bruxos, diz isso com uma frieza admirável. Mas quando o assunto somos nós dois, você cora e gagueja como uma mulher inocente.

— Bom, são duas coisas completamente diferentes. Eu consigo lidar com matar bruxos inúteis.

— Mas não consegue lidar comigo? – ele perguntou sorrindo.

— Você é diferente dos outros. E sabe muito bem disso. As suas atitudes me afetam diretamente. O que os outros fazem não me interessa. E além do mais, com você, eu consigo ser eu mesma.

Tom parou de sorrir e olhou para ela com aquele brilho de amor nos olhos que ela tanto amava.

— Isso é muito bom, Minha Lady. Porque com você, consigo ser eu mesmo também. – ele a beijou levemente e mudou de assunto – Mas então, enquanto eu estava trabalhando, você estava aqui aproveitando o sol?

— Estava apenas relaxando um pouco. Temos trabalhado sem parar Tom, precisamos dar uma pausa às vezes.

— É realmente irritante. Eu não gosto de fazer as coisas correndo como estamos fazendo agora.

— Eu sei. Mas em tese só estamos adiantando algumas partes, o resto você irá resolver sem mim. Temos que colocar seus Comensais para trabalhar um pouco. – ela falou fazendo graça.

Se levantando, ele a pegou pela mão e disse:

— Bom, eu sei que você estava aproveitando o seu dia de sol, mas como você mesma falou, é hora de agitar um pouco as coisas. Venha, vamos entrar. Quero almoçar com você tranquilamente, antes de termos de cuidar de outros assuntos. E não pense que eu esqueci. Você estava aqui fora porque queria desviar meus pensamentos... Mas não brinque comigo.

— Não estava brincando você, Tom. – Hermione disse rapidamente. – Mas é que... Aquela carta destruiu nossos planos. Eu só queria que tivéssemos pelo menos alguma lembrança boa antes de voltamos aos nossos afazeres.

— Ter você ao meu lado, é o suficiente. E entendo o que você quis fazer. Mas aquela maldita carta acabou com tudo.

— Me perdoe. Infelizmente, eu não posso fazer nada. – Hermione falou triste se afastando da praia com Tom e subindo a montanha de volta para casa.

Seus ótimos dias se detiveram no momento em que pegou aquela carta nas mãos.

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(flashback)

Hermione não acreditava no que estava lendo. Aquilo só podia ser brincadeira e uma de muito mal gosto! Como ele se atrevia lhe pedir isso? Ela não iria fazer! Se recusava!

Começou a andar pelo quarto onde ela dormia a seis dias na Mansão Basilisk. Seis dias que tinham sido os mais felizes da vida dela! Ela e Tom tinham passado todo o tempo juntos, rindo e aproveitando cada minuto... Sem pressa nenhuma para acabar, afinal tinham ainda mais dois meses de sossego até as aulas começarem. Mas agora, graças àquela maldita carta eles não teriam mais tempo nenhum juntos!

— Ai que ódio! — Hermione exclamou com raiva, jogando a carta no chão. Pegou a varinha e gritou: — Inflamare!

Logo a carta pegou fogo, igual a raiva que crepitava dentro dela. Ouvindo duas batidas na porta, Hermione viu Tom passar pela porta e entrar no quarto.

— Hermione... Aconteceu algo? Senti a sua... — Tom parou de falar olhando a carta no chão que agora virava cinzas. Ele voltou seus incríveis olhos verdes para ela e perguntou:

— O que aconteceu? Que carta era essa?

— Loly me acordou e disse que Kalil entrou em contato com ela. Parece que tinha chegado uma carta urgente para mim. Ela foi buscar e meu deu! — cada palavra era dita em um tom mortalmente frio. Gelo começou a se infiltrar pelas janelas.

— Pelo que eu estou vendo, essa urgência toda não trouxe um conteúdo muito agradável... — Tom comentou, olhando o vidro se congelar a cada segundo. Parecia estranhamente pensativo ao olhar o fato. E nenhum pouco alarmado.

— Leia você mesmo! — Hermione respondeu mal humorada, voltando a se sentar na poltrona que antes estava enquanto lia aquela porcaria de carta. O vidro das janelas voltou ao normal em um rompante.

Tom se aproximou das cinzas da carta e se abaixou. Passou a varinha pelas cinzas e recitou um feitiço. Logo, a carta que antes era cinzas se reconstruiu. Hermione viu Tom começar a ler, seus olhos passavam pelas linhas e sua expressão ia mudando a cada parágrafo lido. Quando terminou de ler, a temperatura parecia ter caído 40º C em menos de 30 segundos. Hermione sentiu sua respiração dançar na sua frente como milhões de partículas minúsculas de gelo.

— Ele só pode estar brincando! — o tom de voz dele era gelo puro. Hermione teve que acenar discretamente para ele, avisando sobre o ar. Tom parou e piscou duas vezes, parecendo perceber apenas naquele instante como seu humor havia influenciado o clima. Rapidamente, as janelas voltaram ao normal e a temperatura de restabeleceu.

— Foi exatamente isso que eu disse quando li — Hermione respondeu com um pequeno bufo de desprezo.

— Você não vai.

Era uma ordem.

— Eu não quero ir. — ela respondeu — Mas, eu devo.

— Você vai fazer o que o velho está pedindo? Nós não obedecemos Hermione. Nós mandamos. Nós não somos os peões. Nós mandamos nos peões. Percebe a diferença?

— Eu sei muito bem disso — Hermione respondeu irritada — Não é que eu queira fazer o que Dumbledore está pedindo. Mas isso é importante para nossos planos. Nós temos que jogar o jogo, enquanto manipulamos o final a nosso favor. Aquele velho nojento não fez um pedido, ele fez uma ordem! Se eu não for, ele estranhará. Ou você esqueceu que sou a melhor amiga do Harry?

— Ah não! Eu não me esqueci... — Tom falou a contragosto, a raiva irradiando dele — Infelizmente, eu não esqueci.

Tom andou até as janelas e ficou olhando para o clima do lado de fora. Por um instante, seus olhos brilharam vermelhos como rubis, mas foi tão rápido que Hermione pensou ter imaginado. Respirando fundo, Hermione se levantou e foi ficar ao lado dele.

— Se você não esqueceu, meu senhor, então sabe que não posso me recusar ao que Dumbledore me pediu na carta.

Alguns minutos se passaram, enquanto Tom ficava perdido em seus pensamentos. Hermione analisou seu rosto e mais uma vez se sentiu sortuda por ser noiva daquele homem tão lindo, atraente e inteligente.

— Eu sei você deve ir. — Tom falou por fim — Mas, isso não faz com que eu goste disso, principalmente se levarmos em conta que o nosso tempo juntos será resumido de dois meses a... — interrompeu o que estava falando para voltar a olhar a data na carta — ... a mais uma semana.

— Sim. — ela suspirou — Mais uma semana... E depois vou ter que ficar com eles até a volta a Hogwarts.

— Que ótimo. Perfeito. — Tom falou mal humorado — Esse desgraçado do Dumbledore já está me cansando. Não, ele já me cansou faz tempo.

Hermione se esticou e pegou a carta da mão de Tom e voltou a ler um dos parágrafos.

— Aqui diz que na próxima sexta-feira, algumas pessoas virão me buscar para me levar a um lugar seguro onde os Weasley estarão me esperando.

— Que pessoas? E que lugar? — Tom perguntou.

— Não faço a mínima ideia! — ela falou pensando nas possibilidades — A Toca, talvez...

— Não. Se fosse lá, ele teria dito. Você me disse que ele já estava reunindo a Ordem novamente, então é possível que esse lugar seguro seja a nova sede, e as pessoas que vão vir te buscar, algum membro idiota.

Hermione olhou para ele surpresa. Não tinha pensado nisso.

— É bem provável.

— Severo deve saber de algo. – Tom falou — Ele retomou o papel de espião ao lado de Dumbledore. Com certeza, ele já deve estar a par de algumas coisas, como por exemplo, se esse lugar seguro é realmente a Sede da Ordem, como estamos pensando.

— Sim, acredito que ele poderá nos informar corretamente. — Hermione falou — Mas, tenho certeza que não poderá nos dar a localização. A Sede deve estar sobre o feitiço fidelius.

— Com certeza. – Tom confirmou — Dumbledore não é idiota e eu não duvidaria nada que ele próprio seja o fiel do segredo. Ele pode dizer qualquer coisa sobre a confiança, mas ele só confia nele mesmo, nunca escolheria outro como fiel do segredo, principalmente depois da experiência que ele teve de como esse feitiço pode ser falho quando se confia na pessoa errada, não é mesmo? — falou sorrindo, se referindo ao caso dos Potter e a traição de Rabicho.

— Na carta não diz a hora que eles irão me buscar na sexta-feira. Então na quinta a noite terei que voltar para minha casa trouxa.

— Sim e se só temos mais uma semana para você ficar aqui, teremos que adiantar algumas reuniões e planos que estávamos pensando em fazer só daqui um tempo.

— Vou entrar em contato com Severo agora. Ainda é cedo, mas ele já deve estar acordado. Vou avisar a ele para ir falar com os Malfoy. O que acha de começarmos por eles?

— Ótimo. Fale para ele já adiantar toda a história sobre você e tudo o que ele sabe e conte também sobre a Mansão Basilisk. Assim, economizaremos tempo e poderemos ir direto ao assunto em nossa reunião. Ele vai entrar cm contato ainda hoje, eu não alguém que gosta de perder tempo.

— Sim, vou avisar. Vou entrar em contato com ele imediatamente. – Hermione falou, saindo pela porta do quarto.

(fim do flashback)

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— Lembrando da carta?

Hermione se sobressaltou. Estava perdida na lembrança dos acontecimentos de ontem.

— Sim. Eu estava lembrando que já fizemos muitas coisas desde que recebi a carta de Dumbledore ontem.

— Bom. Falamos com Severo assim que você recebeu a carta. Ontem a noite Severo entrou em contato conosco e disse que tinha ido falar com os Malfoy. Hoje cedo fui falar com os Dementadores e você passou a manhã na praia enquanto eu estava congelando naquele lugar. – Tom falou ironicamente.

Hermione sorriu para isso e completou:

— Finalmente amanhã, teremos uma reunião com os Malfoy.

— Sim. Tantas coisas a serem pensadas e resolvidas e não se passaram nem dois dias.

— Sim, mas tudo vai der certo Tom. Vamos aproveitar nosso almoço juntos e comemorar que até agora, tudo deu certo. Você vai retornar vitorioso, nós nos casaremos e reinaremos juntos.

Tom sorriu e respondeu:

— Eu mal posso esperar, minha senhora.

Notas finais
Esperamos que gostem. Deixem comentários!!!