O Sultão

11 Um dia depois do outro...


Notas iniciais
Oi flores. Eu sei que eu demorei pra postar, mas escrevendo eu sou chata pra... escrevendo e refiz esse capítulo uma dezena de vezes (sem exagero) e a minha inspiração foi passear por uns dias, mas ela voltou e eu gostei do resultado do capítulo. Muito obrigada pelos comentários de vocês, boa leitura e beijos açucarados.

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Capítulo 10

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Bella

─ Boa tarde a todos. ─ eu disse quando entrei no escritório do meu pai.

─ Minha joia preciosa! ─ ele respondeu animado e arrodeou sua mesa para beijar minha testa segurando meu rosto entre as suas mãos.

─ Alteza. ─ Edward foi o primeiro a se levantar depois dele e movimentou sua cabeça para mim.

─ Majestade. ─ eu me curvei para ele e todos os assessores do meu pai ficaram de pé. Eles se curvaram para mim quando eu mal os estava olhando e um sorriso divertido apareceu no rosto de Edward quando seus homens os copiaram.

─ Trouxe o que eu te pedi? ─ papai perguntou e pela primeira vez os servos sumaneses não me olharam com reprovação, mas todos seriam loucos se mostrassem suas verdadeiras emoções contra mim com meu pai aqui.

─ Trouxe. ─ respondi e coloquei na sua mesa a lista com os nomes do meu staff misto.

Papai pegou sua caneta e se curvou para assiná-la, mas parou com sua mão sobre ela e olhou para mim com um brilho perverso no olhar.

─ Senhores não se intimidem com a chegada da minha filha e continuem me explicando porque o Sultão Cullen não pode aceitar a cláusula exigida por ela. ─ ele constrangeu os assessores sumaneses de propósito e eles se mexeram desconfortáveis nos seus lugares, mas a reação de Edward calou qualquer palavra deles.

─ Eles não vão falar mais nada. A Princesa Isabella vai ser a minha única esposa e se não tivemos filhos que todos reclamem comigo, porque eu sou o Sultão de Suma e a escolha de abrir mão de outras esposas é minha. ─ afirmou de pé e seus assessores abaixaram a cabeça reconhecendo que nessa rodada do tabuleiro foram derrotados por adversários mais fortes.

─ É a sua palavra final? ─ papai questionou para o meu noivo e o seu respeito por ele estava forte no seu olhar.

─ É e se ouvi meus assessores do começo ao fim é por respeito à posição que ocupam no meu governo, mas o meu noivado com... ─ Edward parou. ─ Isabella ─ continuou. ─ ultrapassa a camada politica e da minha vida pessoal cuido eu. ─ ele disse com ênfase no meu nome e seu olhar poderoso estava no meu.

─ Hum hum. ─ meu pai limpou a garganta e tirou seu olhar da gente. ─ Todos o ouviram. ─ ele falou olhando para os seus assessores e os de Edward. ─ Refaçam o contrato pré-nupcial e deixem que os dois continuem se conhecendo em paz. ─ os comandou e eu me aproximei do meu noivo.

─ Obrigada. Vossa Majestade não vai se arrepender. ─ o agradeci com um sorriso suave nos lábios e me virei para os seus assessores. ─ E senhores, usarem uma possível infertilidade como argumento contra mim é desrespeitoso. ─ os repreendi.

─ Perdão, Alteza. Nós não queríamos ofendê-la. ─ o mais velho deles se desculpou curvando sua cabeça, mas eu vi nos seus olhos a raiva que ele sente por mim.

─ Mas ofenderam e eu não vou fingir que não para agradar os senhores. Eu sou a princesa de Rajar e se não me respeitam pela mulher que sou respeitem pelo titulo que tenho. ─ grunhi franca, mas com toda minha dignidade os deixei para trás quando abandonei o escritório do meu pai sem a lista assinada e na antessala dele aspirei forte algumas vezes para minutos mais tarde receber com calma as esposas dos sheiks* tribais.

Eu as convidei para tomarem um café da manhã tardio comigo, porque quero saber quais são as preocupações delas como senhoras das tribos do meu país para ajudar o meu povo a encontrar as melhores soluções possíveis para os seus problemas de alcance governamental e preciso descobrir por onde continuar caminhando para apoiá-lo melhor.

─ Muitas mulheres são inteligentes e poucas são sábias, mas Vossa Alteza tem as duas qualidades reunidas e é tão valiosa para o nosso sultanato como o seu irmão. ─ uma senhora muito idosa me disse quando eu estava caminhando com ela pelo jardim do palácio e as palavras dela me emocionaram, porém muito cedo eu aprendi a controlar minhas atitudes e não chorei na frente dela.

─ Obrigada. ─ murmurei suave e beijei a mão dela pedindo sua benção, porque por gigante que eu seja na hierarquia real são às pessoas mais simples de coração que dou valor e é por elas que estou dando tudo de mim para acabar com a guerra.

─ Na minha tribo a gente não tem muitas comodidades modernas, mas desde que a guerra começou nós colocamos uma tevê na tenda comunitária e ontem eu vi nela a senhora com seu noivo no abrigo antiguerra. ─ ela continuou nossa conversa e eu lutei contra as minhas defesas internas para não ser grosseira com uma pessoa aparentemente muito doce como essa senhora.

─ Ele é uma boa pessoa. ─ antecipando a minha resposta a qualquer comentário maldoso dela sobre Edward.

─ E Vossa Alteza nem precisa me dizer. Os olhos dele dizem tudo, porque ele tem um olhar muito limpo e quem tem um olhar como o dele não pode ser uma pessoa ruim. Mas, a senhora não o ama e ele se comporta como quem a venera. ─ meditou e com muitos centímetros de altura a mais que ela procurei seu olhar para tentar compreendê-la melhor.

─ Como a senhora chegou a tantas conclusões só por imagens televisivas? O Sultão Cullen e eu não demos entrevistas. ─ murmurei com seu braço no meu.

─ Como é mesmo aquela máxima ocidental? ─ a senhora pensou alto. ─ Ah, lembrei: “uma imagem vale mais que mil palavras” ─ recitou ─ e nas que vi ele girava a sua volta como um satélite em torno da Terra, apesar da distância física regular de vocês.

Eu traguei minha saliva.

─ E eu, como me comporto perto dele? ─ questionei para saber mais das suas teorias.

─ Como uma pessoa que quer se entregar, mas tem medo de se machucar.

Aspirei e ela me olhou com gentileza. Pegou minha mão do seu braço e a segurou quando parou na minha frente.

─ Não tenha minha doce criança, porque quem vive com medo nunca vive de verdade. Se arrisque um pouco mais, seja a moça corajosa de quem todos ouvimos falar aqui e tente ser feliz com o bom homem que escolheram para você. ─ a senhora me aconselhou como uma avó amorosa e decidir ser honesta com ela.

─ Eu quero, mas se a senhora ver sabedoria em mim também sabe que um homem bom nem sempre é o prelúdio de um bom marido e os meus medos ultrapassam a pessoa que ele é. ─ avaliei.

─ Mas já é a promessa de um e eu sei que o tradicionalismo sumanes a assusta, porém Vossa Alteza não pode ver o povo do seu futuro marido como um inimigo que tem que derrotar, mas como um aliado para conquistar, porque uma alma transparente e um coração sábio são capazes de conquistar qualquer adversário e perceba que os chamo de adversários e não inimigos, porque provavelmente eles têm mais medo da senhora do que Vossa Alteza deles. ─ ela abriu minha capa e leu minhas páginas como um velho livro conhecido seu.

─ Medo de mim? ─ questionei pouco acreditando nessa possibilidade.

─ E por que não? Seu noivo sempre vai ser a cabeça a frente do trono, mas como sua esposa a senhora será o coração dele e muitas vidas vão depender das suas palavras para ele. ─ respondeu.

─ Obrigada, milady* e que seus dias sobre a Terra se multipliquem. ─ eu beijei sua mão novamente e caminhei para perto das outras sheikhas*.

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O meu encontro com as senhoras das tribos foi muito produtivo e pouco estressante, apesar da mania delas de falarem quase juntas e Edward surpreendeu a gente quando veio cumprimentá-las.

─ Bom dia. ─ ele disse num tom aveludado e elas o receberam com desconfiança e reagiram um pouco intimidadas com a sua figura, mas eu não as culpo, com 1,90 de altura Edward é um homem grande e sua má fama entre as pessoas as assusta. No entanto, ele é um cavalheiro e as tratou com muito respeito quando fez perguntas discretas a todas e com muita gentileza respondeu aos comentários delas.

─ Que a sua união com a nossa princesa seja harmoniosa como o seu respeito pelo nosso país e que longo seja o seu sultanato. ─ a senhora que conversou comigo antes desejou a Edward quando elas estavam saindo e como eu, meu noivo pediu sua benção.

─ Obrigado. ─ ele respondeu se abaixando na frente dela para olhá-la nos olhos, mas não se atreveu a tocá-la e todas começaram a perceber que o monstro criado por falsos boatos só existe na imaginação das pessoas, porque Edward é muito diferente do que dizem dele e para limpar o seu nome eu preciso saber o que está por trás da morte da sua primeira esposa.

─ E os seus assessores? ─ perguntei quando estávamos sozinhos.

─ Numa vídeo conferência com o meu irmão.

─ Você fugiu deles? ─ me diverti.

─ Não, mas a maneira que eles te atacaram por causa do contrato pré-nupcial foi muito baixa. ─ murmurou tenso.

─ Esqueça. Eu já virei à página e não existe adaptação sem atrito. ─ eu coloquei panos quentes na situação.

─ De verdade você não se importa? ─ ele se surpreendeu.

─ Edward, eu me importaria se você tivesse lutado para ter outras esposas, mas o mau comportamento da sua equipe é fruto do julgamento do meu povo contra você e eu não posso culpá-la por te defender. ─ respondi.

─ Obrigada, minha flor. A sua compreensão deixa tudo mais fácil. ─ ele me agradeceu quando paramos de caminhar e virou de frente para mim.

Eu sorri e a gente entrou no labirinto vivo do jardim.

─ Quando eu era criança eu adorava me esconder aqui. Emmett nunca me encontrava, mas eu sempre o achava. ─ relembrei e Edward me olhava com doçura.

─ Você era tão pequena quando saiu daqui. Como consegue lembrar? ─ questionou com suas mãos cruzadas nas costas.

─ Eu não lembro muito, mas alguns momentos ainda estão na minha memória e acho que vão continuar para sempre. ─ respondi caminhando para frente, mas olhando para o céu.

─ E qual a sua melhor lembrança desse período? ─ eu o deixei curioso.

─ Emmett entrando no meu quarto para me acordar como uma bola caindo em cima de mim. ─ ri e tropecei numa raiz exposta que não vi.

─ Cuidado. ─ Edward disse e reagindo rápido me segurou pela cintura para evitar minha queda.

O movimento virou meu corpo de frente para o seu e estávamos muito perto um do outro quando nossas respirações mudaram.

Eu abri minha mão no seu tronco e uma das mãos suas mãos segurou a base das minhas costas. Meus lábios se abriram e seus olhos estavam nos meus. Ele respirou com mais dificuldade e as nossas bocas se tocaram. Nosso beijo teve paixão, mas também estava suave e tinha muito carinho. A gente se beijou com calma por vários segundos e desfrutamos do sabor gostoso do nosso beijo sem pressa.

─ Eu te amo. ─ Edward disse em voz alta pela primeira vez, depois de me dar um selinho, e sorri contra os seus lábios.

Ele me beijou de novo e eu coloquei meus braços no seu pescoço. Edward abraçou minha cintura mais forte e eu escorreguei minha mão para a sua nuca. Enfiei meus dedos no seu cabelo e ele cheirou o meu quando o nosso segundo beijo acabou.

─ Eu sei que eu não devia beijar você, mas...

─ Tem sentimentos que não deixam a gente resistir. ─ continuei.

─ É. ─ concordou.

E tem desejos que não conseguimos controlar. Meditei em silêncio e coloquei minhas mãos nas suas costas.

Edward curvou seu corpo grandalhão sobre o meu e beijou meu ombro. Eu aspirei contra sua thobe* e deitei minha cabeça no seu peito escolhendo não pensar e deixar acontecer um dia depois do outro.

Fora do labirinto nós entramos no palácio por portas diferentes e eu me apeguei ao trabalho para não racionalizar muito e me deixar apenas sentir.

─ Todas as matérias sobre a sua visita no abrigo estão impressas em cima da sua mesa e do lado delas tem os portfólios dos melhores estilistas rajaneses. ─ Soraya disse quando entrei no meu escritório.

─ Obrigada. ─ respondi arrodeando minha mesa para sentar na cadeira atrás dela e quando comecei a ler as matérias percebi que a maioria dos jornalistas enfocou o conteúdo delas no carinho de Edward com as crianças, mas alguns também falaram do respeito e compaixão dele com os adultos. Porém, apesar de muito bem escritas todas elas foram carregas com mesmo tom de desconfiança das senhoras das tribos contra ele. Mas, eu também vejo que no meio da desconfiança que pouco a pouco meu povo começa a dar para o meu noivo o beneficio da dúvida e talvez um dia a sua gentileza seja capaz de quebrar a resistência das pessoas contra ele.

Eu sorri e depois de guardá-las abri os portfólios dos estilistas rajaneses, mas parei de olhá-los quando encontrei duas matérias jornalísticas no meio do terceiro deles.

Eu as li com cuidado e reli para ter certeza que não compreendi nada errado e resfoleguei quando confirmei que verdadeiramente têm mais do que desconfiança nas linhas delas. Elas são maldosas, cruéis insinuando que Edward estava procurando entre as crianças do abrigo outra noiva para me acompanhar na corte sumanesa no futuro.

Aspirei forte e traguei a vontade de vomitar, mas não guardei minha raiva e memorizei o nome dos dois jornalistas que as escreveram para ensinar uma boa lição a eles.

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Notas finais
* Thobe é aquela longa túnica tradicional usado por homens árabes. *Sheiks é uma é um fórmula honorífica em língua árabe, com o significado de "líder" ou "governador". *Milady significa minha senhora e é uma forma de tratamento para algumas mulheres nobres. *Sheikhas são as esposas dos sheiks (geralmente a primeira esposa é quem recebe esse titulo).