O Sultão
12 Decisão Difícil
Notas iniciais
───────
Capítulo 11
───────
Bella
─ Lady Jane você sabe por que a prudência é amiga da vida e a imprudência é companheira da morte?
─ Não, Alteza. ─ respondeu.
Ela estava sentada numa almofada na frente do meu divã.
─ Porque a prudência mantém a cabeça das pessoas no pescoço e a imprudência as decapita. ─ o tom gentil da minha voz não disfarçou o perigo por trás das minhas palavras.
─ E digno e feliz é o homem que tem a lealdade de uma mulher prudente, mas infeliz é quem tem com uma esposa imprudente. ─ a chegada do meu pai no salão rosa surpreendeu as esposas dos seus conselheiros, porque desde que voltei para Rajar essa é a primeira vez que aparecemos juntos num evento oficial do sultanato, mas o importante é que a sua declaração deixa aberto que Edward tem nosso apoio e que nenhum desrespeito a ele vai ser tolerado.
Papai se curvou para beijar meu cabelo e por trás do divã colocou as mãos no meu ombro.
─ E depois perguntam por que você é minha joia preciosa. ─ ele disse quando levantei a cabeça para olhar seu rosto. ─ Miladies. ─ as cumprimentou movendo sua cabeça para elas.
Todas se curvaram.
─ Majestade. ─ responderam e voltaram a sentar nas suas almofadas quando ganharam a autorização dele.
Aspirei.
Receber essas mulheres não está sendo a melhor parte da minha manhã, mas ignorá-las não seria diplomático e ouvi-las às vezes é minha função.
─ O sultão Cullen? ─ sussurrei para papai.
─ Falando com os conselheiros dele. ─ respondeu.
Lady Jane não voltou a falar comigo e não escondi minha chateação com ela por ter tentado me fazer falar mal de Edward.
Papai continuou com a gente por mais trinta minutos e pouco depois também as deixei para encontrar a maior surpresa do meu dia na porta do meu quarto.
─ Sheik Khalid.
─ Alteza. ─ ele respondeu se curvando para mim. ─ Tem um minuto? ─ perguntou.
─ É particular? ─ respondi com a mão na maçaneta da porta.
─ Não, só quero que receba esse envelope. ─ respondeu.
Olhei para a sua mão.
─ É do sultão Cullen? ─ perguntei.
─ De certa maneira, mas ele nem sabe que estou aqui e é importante que veja o que tem dentro dele. Com licença. ─ seu conselheiro disse quando peguei o envelope da mão dele.
Vinquei minha testa.
Nunca sei o que esperar dos sumaneses.
Entrei no meu quarto colocando o envelope branco em cima da cama.
O tempo para o meu próximo compromisso oficial acompanhada de Edward está apertado.
Entrei no banheiro para uma chuveirada ligeira e no meu closet vesti a roupa mais formal guardada nele. Mas, de volta ao dormitório olhei para a cama.
Tenho obrigação de ser pontual, mas ninguém vai morrer se eu me atrasar por um minuto.
Ergui e baixei um ombro e virei o envelope para abri-lo.
“Na história sumanesa vários sultões têm talentos escondidos, veja como o sultão Cullen a ver no dia do seu casamento.
PS: Que seja nosso segredinho.”
Li num bilhete grudado nele e me lembrei do que a senhora disse no chá com as esposas dos sheikes tribais sobre os sumaneses:
“Provavelmente eles têm mais medo da senhora do que Vossa Alteza deles.”
Abri o envelope e dentro dele vi sete croquis preciosos de vestidos de noiva com a imagem do meu rosto na modelo deles.
Minha boca se abriu num Ó admirado pela beleza dos traços e os escondi debaixo do meu travesseiro.
Se Edward não fosse o grande líder do seu povo podia fazer fortuna como designer de moda.
Sorri.
É maravilhoso perceber o quanto meu noivo se importa comigo e no hall principal do palácio ele me esperava com nossas equipes.
─ Ah!─ seus assessores reagiram surpresos quando apareci usando a versão feminina do uniforme militar rajanes.
Não os culpo. Sou das poucas mulheres do Oriente Médio que integram a força aramada efetiva do seu país e das raras que estão em posto de alto comando nela.
─ Alteza. ─ Edward sorriu para mim.
─ Majestade. ─ me curvei.
Ele balançou a cabeça passando por trás de mim quando caminhamos para o pátio externo.
Sua equipe não gostou da atitude dele.
Pela etiqueta real como sultão Edward tem que estar sempre na minha frente.
─ Ouvi que esteve ameaçando gente por minha causa.
─ Como...? ─ me surpreendi.
─ Seu pai. ─ respondeu.
Edward abriu a porta do carro para mim.
Olhei para ele.
─ Só dei um aviso. ─ murmurei.
Meu noivo sorriu de novo.
─ Vou me lembrar de nunca irritar você.
─ E você tem a personalidade mais afável do mundo. ─ zombei.
Sheik Khalid se engasgou, não sei se pela minha ousadia ou se pela verdade por trás da minha zombaria e Edward surpreendeu sentando do lado de Soraya e não no banco oposto do carro.
Ela estava entre a gente e ele corou pela minha resposta.
─ Você é minha honra. Tenho que proteger você. ─ respondeu.
Vinquei minha testa.
No Oriente Médio a honra é levada muito a sério e o que é inofensivo no Ocidente aqui pode ser uma catástrofe.
─ Você está bem?
─ Perfeita. ─ respondi para Edward guardando para mais tarde a ideia de contratar estilistas sumaneses para confeccionar com rajaneses os vestidos que ele desenhou e nas instalações do exército abriu a porta do carro para mim de novo.
─ Alteza, Majestade. ─ o Comandante da base militar substituiu a reverência batendo continência para mim e Edward.
─ Comandante Bakir. ─ respondi.
O Sultão moveu a cabeça para ele.
─ É muito bom tê-la de volta no nosso país. ─ Bakir disse e apresentou todas as áreas da base para a gente.
─ Quem é ele? ─ perguntei olhando de longe para um soldado ferido na guerra.
Estávamos na ala da enfermaria.
─ Al-Amin. ─ respondeu.
Continuei com as perguntas:
─ É um oficial?
─ Capitão do Exército, mas teve a perna amputada e vai ser dispensando com honras.
─ Ele quer a dispensa? ─ questionei.
Bakir Ergueu e baixou os ombros.
Virei meus olhos para o outro lado.
A indiferença humana às vezes me irrita.
─ Vou falar com ele. ─ murmurei.
Edward concordou comigo e seu olhar nunca me deixou.
─ Capitão Al-Amin. ─ me aproximei da cama dele.
─ Alteza. ─ ele tentou levantar.
─ Não, continue deitado. ─ coloquei minha mão no seu ombro. ─ Você tem que se recuperar logo. Nosso país está em guerra e continua precisando dos seus serviços. ─ minha voz estava gentil.
Al-Amin baixou o olhar.
─ O Comandante Bakir disse que vão me dispensar com honras.
─ Você quer a dispensar? ─ apertei seu ombro.
─ Não, mas... ─ ele apontou para a perna amputada.
Ergui e baixei os ombros.
─ Bons instrutores sempre são bem-vindos pelas nossas tropas.
─ O Comandante...
─ Como todos os militares abaixo do meu pai e do meu irmão é subordinado a mim. ─ lembrei. ─ Capitão Al-Amin por óbvios motivos não prestei serviço militar, mas pela lei a família real é membro das forças armadas desde que nasce e as insígnias oficiais na minha farda não são em vão. ─ minha voz saiu mais severa do que eu pretendia. ─ Você quer a dispensar? ─ repeti.
─ Não. ─ respondeu baixo.
─ Vou colocá-lo pessoalmente no curso para instrutores. ─ coloquei a mão no seu ombro de novo.
─ Obrigada, Alteza. ─ a emoção brilhou nos seus olhos.
Voltei para perto de Edward e o Comandante me olhou nervoso.
─ Como membro oficial do Exército quando se recuperar o Capitão Bakir vai entrar para o curso de instrutores e nenhuma dispensa nas Forças Armadas vai ser feita se o meu irmão ou eu não autorizamos. ─ declarei e os olhos de Bakir não esconderam sua raiva, mas o Sultão pairou perto de mim mostrando que não estou sozinha.
─ Sim, senhora. ─ o Comandante resmungou.
Edward se aproximou dele fazendo perguntas não invasivas sobre as Forças Armadas do meu país e ele respondeu tudo com cuidado, porque mal visto ou não pelo meu povo, meu noivo continua sendo um militar respeitado por tropas do mundo todo.
─ Você não gostou do Comandante Bakir. ─ falou mais tarde.
─ Reprovo o comportamento indiferente dele com as pessoas que comanda, mas não tenho nada contra ele. ─ contradisse e pela primeira vez olhei para sua roupa. ─ O fardamento militar sumanes é perfeito em você. ─ Edward se surpreendeu com as minhas palavras, mas elas escaparam da minha boca sem autorização. ─ Des... ─ ele colocou sua mão no meu rosto e por segundos quase beijou meus lábios, mas parou mudando o caminho para minha testa.
─ Perto da sua beleza tudo é ofuscado. ─ respondeu com o verde-escuro da sua roupa se encaixando no preto e dourado da minha.
Minha respiração bateu no seu rosto e ele entrou atrás de mim no carro, mas no palácio a gente entrou por alas diferentes e nos encontramos de novo no lanche da tarde para falamos da organização do nosso casamento com o cerimonialista contratado pela minha mãe.
─ Vão ser só cinco dias de festa. ─ decidi.
─ Mas a tradição real diz sete. ─ o cerimonialista resistiu.
─ E a comum apenas três. ─ Edward interviu.
─ Mas vocês são da realeza. ─ persistiu.
Meu noivo aspirou e expirou.
─ Vou repetir: meu noivado com Isabella ultrapassa a camada politica. ─ respondeu colocando sua mão na minha.
Meu pai moveu uma sobrancelha, curioso pelo comportamento dele e o rosto do cerimonialista estava pasmo, mas ele não disse nada.
─ E não vou usar sete vestidos num país em guerra, mas não esqueço que vou me casar com um Sultão. ─ tirei minha mão da de Edward. ─ Cinco é um número equilibrado para cobrir nossas obrigações politicas sem alcançamos extremos desnecessários. ─ meditei e também reduzimos a lista de convidados para o nosso casamento ── com mais de cinco mil nomes ── para menos de mil deles.
Papai moveu sua mão pedindo para que o cerimonialista saísse da sua ala privada.
─ Respirem crianças. Estão muito tensos. ─ ele disse com divertimento espalhado na sua voz.
Ri.
É engraçado ouvi-lo chamando outro sultão de criança e pelo canto do olho vi meu noivo escondendo um sorriso por trás da sua xícara de chá.
Mamãe também sorriu e do lado de fora da ala dos meus pais fiz a escolha mais difícil das últimas semanas:
─ Quando meu irmão voltar para Rajar quero viajar para Suma por dois ou três dias antes do casamento.
Edward parou na minha frente quando me ouviu.
─ Não. ─ disse firme, mas suave.
Vinquei minha testa.
─ E por que não? ─ perguntei.
Ele colocou as mãos nos meus cotovelos.
─ Na guerra é muito perigoso você viajar para qualquer lugar. ─ seu tom de voz continuou suave.
─ É mais perigoso para Emmett como Príncipe Herdeiro, mas ele está nos EUA. ─ murmurei chateada.
─ Está enganada. A lei permite que você substitua Emmett no trono, mas ninguém pode te substituir como minha noiva e para muitos países a aliança que o nosso casamento civil vai trazer não é boa. ─ me contradisse.
─ Não se não souberem em que avião vou estar. ─ avaliei.
Ele sorriu.
─ O que tem na sua cabecinha? ─ seu dedo indicador tocou minha testa.
─ Seu avião e o meu decolando ao mesmo tempo com mais um levando parte do que vou usar em Suma quando me mudar para lá.
─ Seu plano para despistar os inimigos de guerra é bom, mas achei que ia querer evitar Suma até o último minuto.
Ergui e baixei os ombros.
─ Lá vai ser a minha casa e o seu povo nunca vai gostar de mim se eu não der o primeiro passo para me aproximar dele, como você tem dado com o meu. ─ respondi, mas outro lado meu também quer conhecer seu irmão caçula pessoalmente e saber mais do seu primeiro casamento sem machucá-lo com perguntas cheias de respostas dolorosas.
Edward sorriu colocando a mão no meu rosto.
─ Amo você. ─ ele disse.
Sorri quase brincando com a margem da fina echarpe pendurada na sua thobe*, mas me afastei. Não tem guardas nesse corredor, porém as câmeras do sistema de segurança sempre estão ativas e sozinha no meu escritório procurei o contato de três bons estilistas sumaneses para confeccionarem em conjunto com os estilistas rajaneses que escolhi os meus vestidos de noiva.
Ergui e baixei os ombros.
Sei que os rajaneses não são meus fãs número um, mas eles amam Edward e ver o trabalho do seu povo misturado ao do meu nos vestidos que desenhou vai ser uma bonita surpresa para ele.
─ Se você não puder usá-los ninguém mais pode. ─ meu irmão disse quando mostrei os sete croquis por vídeo chamada para ele. ─ O Sultão Cullen a conhece de verdade, porque só uma mulher elegante e de personalidade forte como você pode colocá-los sem medo.
─ Não estão muito... ousados?
─ São perfeitos. ─ afirmou.
Sorri.
Nossos pais são muito importantes para mim, mas Emmett é o meu melhor amigo e ele é a única pessoa para quem tive vontade de mostrá-los.
Sei que o Sheik Khalid pediu segredo, no entanto Emmett sempre protege os meus segredos mais que os seus.
─ E a sua visita às instalações das Forças Armadas? ─ perguntou.
Aspirei.
─ Sua decisão é boa, mas não vai ser muito popular entre os oficiais. ─ meditou quando acabei de responder sua pergunta.
Torci os lábios.
─ Eu sei, mas se a gente pode dar uma segunda chance aos militares feridos em combate, que quiserem, vamos dar.
Ele concordou.
─ E Rosalie? ─ questionei.
Emmett sorriu.
─ Aceitou se casar comigo e os meus sogros me deram a mão dela, mas ela fica triste quando lembra que vai estar longe deles e dos irmãos caçulas.
─ E por que não os chama para morarem em Rajar?
Meu irmão vincou sua testa mostrando que nunca avaliou a ideia.
─ Vou falar com Rosalie e dependendo da resposta dela... ─ ergueu e baixou os ombros.
Não falei nada da minha viagem para Suma a ele, porque tenho que continuar minha conversar com Edward e depois falar com nossos pais.
Emmett fechou nossa vídeo chamada.
Vinquei minha testa.
Meu último compromisso do dia é um jantar de Estado fora da minha agenda oficial, mas pela regra geral todos são agendados com semanas ou meses de antecedência e é muito estranho só me avisarem dele a menos de uma hora para começar.
─ Alteza. ─ dois guardas abriram a porta do salão azul Tiffany para mim.
Movi a cabeça para eles e olhei para ver os convidados do jantar, mas só meus pais, Edward e...
─ Príncipe Jasper. ─ disse surpresa quando os vi de pé perto do elegante jogo de cadeiras prata e azul com ele.
Próximo =>
Fale com o autor