O Sultão
16 Suma
Notas iniciais
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Capítulo 15
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Bella
─ É perigoso você ir para Suma.
─ E é mais perigoso estar num país em guerra, mas estou em Rajar. ─ respondi para Alice.
─ É diferente. Aqui é o seu país, as pessoas amam você e lá muita gente te odeia.
Eu de pé na frente dela.
─ E vou ser uma rainha fracassada se não mudar esse sentimento antes que ele seja irreversível.
─ Do que está falando? ─ Alice estava sentada na cama sua cama.
─ É ilusão achar que a minha principal profissão vai estar escondida para sempre e se os sumaneses não gostarem de mim quando souberem dela tudo pode estar perdido. ─ meditei caminhando de um lado para outro.
Aspirou e fora do seu quarto encontrei Emmett no meu.
─ O que vai procurar em Suma?
─ Resposta que não estejam envenenadas pela mentira, nem que machuquem mais quem não merece.
─ É perigoso.
─ Rajar também é e não me faça repetir a resposta que dei para Alice. ─ respondi. ─ Emmett, a gente estudou as nossas leis, como pode ter esquecido uma das principais partes da nossa constituição? ─ fiz a pergunta que não sai da minha cabeça desde que papai falou da nossa ausência no casamento do meu irmão.
─ Com minha cabeça a mil e o medo de Rosalie não aceitar meu pedido deixei escapar da minha cabeça o mais óbvio. ─ ele aspirou e dois dias depois no meu jantar de noivado os principais dignitários de Rajar e parte da equipe de Edward estavam presentes com seu irmão, minha família e Alice.
─ Vida longa a minha filha e meu futuro gênero. ─ meu pai falou depois de colocar as alianças de titânio no meu dedo e no de Edward cortando a fita vermelha que as unia.
─ Inshallah*! ─ todos responderam e as mulheres começaram a reproduzirem o famoso signo linguístico Zaghareet* para comemorarem o nosso noivado oficial.
Mais tarde uma tradicional música árabe começou a ser tocada pelos músicos contratados e pela primeira vez Edward e eu dançamos juntos em público, mas sem nos tocar e numa roda ao nosso redor os homens batiam palmas, animados.
─ Amo você. ─ mamãe me abraçou na porta do palácio horas depois do jantar e no aeroporto o Príncipe Jasper decolou no seu próprio avião.
─ Vamos? ─ Edward falou comigo, Soraya e Alice ── Minha melhor amiga persistiu em viajar comigo para Suma.
Nós quatro subimos no avião dele e o meu decolou com parte dos meus outros funcionários e metade dos meus objetos pessoais.
Todo o cronograma da nossa viagem está guardado como segredo de Estado para que os inimigos do meu país não saibam em que avião estou até aterrissamos na capital sumanesa daqui seis horas e na cabine do avião Alice sentou do meu lado.
Edward escolheu a poltrona a nossa frente e Soraya preferiu estar duas poltronas atrás de mim quando abri um relatório de mais de quinhentas na parte avançada que parei de ler.
─ A História e Tradições Sumanesas. ─ Alice leu o titulo dele por cima do meu braço.
Só eu a ouvi.
Edward olhou para a gente, mas não compreendeu, nem falou nada.
─ Finalmente. ─ minha amiga disse, porque ela achava estranho eu não procurar informações mais completas do meu futuro lar.
De cabeça baixa virei para ela sorrindo e voltei a olhar para o relatório em minhas mãos.
─ Não vai colocar o hijab* ou shayla* na sua cabeça? ─ Alice perguntou cinco horas mais tarde quando entremos numa cabine reservada para trocamos de roupa.
─ Não sou sumanesa, nem a primeira princesa árabe que recusa usar esses lenços. ─ respondi colocando uma tiara valiosa no meu cabelo semipreso com chamativos brincos de brilhantes nas milhas orelhas.
Tudo em mim tem que representar o poder e a influência do meu país por todos os lugares que vou.
Ela ergueu e baixou os ombros.
Aspirei colocando um vestido azul-claro com mangas cumpridas, pequenas pedras preciosas na saia e bordado floral na parte superior com uma gola redonda parando no começo do pescoço.
Alice escolheu uma calça branca de linho com uma suave bata amarela de mangas até abaixo dos cotovelos e joias mais simples que as minhas, mas elegantes também.
Voltamos para as nossas poltronas.
Edward sorriu quando me viu e menos de uma hora depois o piloto avisou para colocamos o cinco de segurança de novo.
O avião aterrissou e meu noivo parou no topo da escada para me esperar.
Alice e Soraya estavam atrás de nós e Jasper esperava a gente na pista de pouso depois das nossas equipes de segurança avaliarem o perímetro.
─ Viva ao nosso Sultão! ─ pessoas do povo gritaram pela grade de proteção do aeroporto e Edward levantou o braço balançando sua mão para elas.
Ele virou para falar com seu irmão e o Príncipe parou do meu lado. Edward caminhou na frente para falar com os representantes do governo que vieram recebê-lo e com reverências deles apertou a mão de todos.
Seu irmão e eu o copiamos, mas eu não peguei na mão deles pelo conservadorismo sumanes, apesar de continuar ganhando olhares hostis e desconfiados de todos.
Um carro parou no fim da comitiva de recepção para levar o Príncipe e sua equipe, outro levou minha equipe e próximo que parou levou Edward e sua equipe. Mas, no quarto meu chefe de segurança abriu a porta para mim e Alice e Soraya entraram também com outros seguranças.
─ Viva o Príncipe Jasper, viva ao nosso Sultão. ─ mais pessoas gritaram nas ruas sumanesas quando os carros deles passaram.
─ Parece que estamos em outro mundo. ─ Alice disse com admiração.
É natural, os súditos da realeza ocidental são muito mais secos que os árabes e a beleza de um país no auge não se compara com a de um em guerra.
No palácio o carro de Edward parou primeiro e ele esperou meu carro parar para abrir a porta para mim.
─ Majestade. ─ os funcionários daqui se curvaram para a gente, mas não falaram nada para mim.
Minha amiga me olhou e ela nem precisa falar nada para eu saber o que está pensando:
“Pedra de gelo” e está certa, mas é esse gelo que tenho que derreter.
Sorri para todos, apesar da má recepção deles.
Edward parou no hall principal do palácio.
─ Hayat vai levá-las para os quartos de vocês. ─ ele disse.
Concordei.
─ As vejo mais tarde.
Sorri e sua serva levou a gente para uma ala afastada da dele.
─ Que descansem. ─ ela disse seca abrindo uma porta dupla.
Não mostrei nada.
─ O que significa o nome dela? ─ Alice perguntou para mim.
─ Vida.
─ Está mais para morte.
Contive um sorriso. Ela Não falou nenhuma mentira.
─ Descanse. ─ murmurei entrando no meu dormitório.
Tirei meus sapatos e deitei na cama com meu celular na mão para ligar para a minha família. Não conversei por muito tempo com eles, só o suficiente para acalmá-los sobre a minha segurança e uma hora mais tarde sai para conhecer o palácio.
Tudo nele é bonito, aconchegante e luxuoso como o meu lar, mas se a capital sumanesa é luminosa e não obscurecida pela guerra como Maraban, esse palácio não tem a mesma energia vibrante do de Rajar, é quase sem vida.
─ Descobrindo seu futuro lar? ─ o Príncipe Jasper perguntou atrás de mim no corredor.
─ Conhecendo. ─ corrigi virando para ele.
─ Vem comigo. Tem um lugar que vai querer ver sem Edward por perto.
─ Aqui não é proibido as mulheres estarem sozinhas com os homens?
─ Você é rajanesa. ─ menosprezou a regra do seu próprio país.
─ Mas continuo sendo a honra do seu irmão. ─ rebati.
Como princesa rajanesa as regras não se aplicam todas a mim e não vou cumpri-las cegamente quando me mudar para cá, mas as vezes posso desejar respeitá-las.
─ Me espere um minuto. ─ pediu voltando por onde veio.
Esperei e o Príncipe reapareceu acompanhado de Hayat.
─ Vamos. ─ ele apontou a mão para a continuação do corredor e sete portas depois abriu uma que estava trancada. ─ Essa era a ala da Princesa Jamilah.
Vinquei minha testa.
─ Eles não...?
─ Só no começo, mas depois ela quis vir para cá. ─ meu futuro cunhado virou para Hayat. ─ Se para alguém o que ouvir vai direto para a prisão. ─ avisou seco e se virou para mim de novo me levando para dentro do dormitório. ─ Edward a encontrou morta na cama e na sala de estar que passamos eles tiveram a última briga deles, porque Jamilah... ─ parou olhando para a serva.
─ Espere na antessala. ─ mandei.
Ela me olhou feio, mas obedeceu.
─ Continue. Porque ela...
─ Pediu o divórcio sem dizer o motivo.
Resfoleguei.
Olhei para a agenda de capa dura em cima do criado-mudo.
─ É o diário dela. Meu irmão não teve coragem de ler, mas eu li mergulhando no mundo horrível de uma pessoa que para ele era um anjo e ai tem confissões nojentas de uma mulher suja que não merecia mais o amor dele.
Não tive palavras.
Ele pegou o diário.
─ Se desejar pode ler. Nele tem todas as respostas que quer, mas não sei como vai se sentir depois.
O peguei da sua mão, porém vacilei lembrando de Edward.
─ Só vou ler se for inevitável. ─ o devolvi.
O Príncipe o colocou no criado-mudo de novo.
─ Decisão inteligente. ─ murmurou.
Sairmos da ala e ele trancou a porta dela novamente.
─ Bella. ─ Alice me viu num dos corredores e bateu seu corpo no dele sem querer. ─ Per...Per... perdão. ─ ela corou e gaguejou mais do que quando ver meu pai.
O Príncipe sorriu. O sorriso mais natural e franco que vi dele.
─ Não é nada senhorita...?
─ Bran... Brandon, Alteza.
Estou surpresa que ela lembre o titulo correto, porque nunca a vi mais perturbada.
─ Você está bem? ─ perguntei.
─ Ele é o homem mais bonito que já vi.
Sorri.
─ Sabe aquela máxima ocidental “nunca diga nunca”?
─ O que tem? ─ perguntou.
─ Melhor começar a praticar.
Alice não compreendeu nada. É melhor, mas se a minha observação não está falando ela não é a única a estar perturbada por esse encontro não planejado e mais tarde uma nova serva entrou no meu quarto de hóspedes.
─ Sua Majestade mandou esse envelope para a senhorita. ─ ela disse.
─ Alteza. ─ corrigi.
A serva me olhou com desprezo.
─ Princesas árabes de verdade não são criadas no Ocidente.
Abri minha boca muda e a fechei de novo, mas ela não tem direito de me desrespeitar.
─ Por boatos saídos desse palácio meu povo olha para o Sultão Cullen com desprezo e hostilidade, mas não existe dignidade nenhuma em pagar o mal com mais maldade. ─ caminhei para a porta. ─ Saia. ─ a abri apontando para o corredor.
Ela expeliu o ar com força.
Fechei os olhos e um vento frio bateu no meu corpo quando saiu.
Fechei a porta e abri o envelope que recebi.
“Minha amada flor...” Estava escrito no começo do bilhete de Edward e lendo o resto descobri um convite dele para estar com ele numa visita oficial ao principal lar para idosos da cidade daqui uma hora.
Guardei o bilhete.
Aqui no Oriente a maioria dos idosos continua vivendo com a sua família, mas outros preferem viver nesses lares e a minoria deles é abandonado neles.
Soltei meu cabelo para tomar uma chuveirada ligeira e quarenta e cinco minutos mais tarde vestindo uma calça preta de tecido mole e uma bata rosa escuro com mangas abaixo dos cotovelos encontrei Edward no hall principal do palácio.
Ele sorriu.
─ Está linda.
Sem graça virei meu olhar para o lado.
Ele apontou sua mão para a porta de saída e caminhando atrás de mim novamente abriu a do carro.
Entrei nele em silêncio e na entrada do lar para idosos abriu a porta do carro de novo para mim, mas por respeito aos mais velhos entrei no lar atrás dele.
─ Se quiser posso escová-los para a senhora. ─ me abaixei na frente da idosa que estava com a escova de cabelo na mão.
Ela me olhou desconfiada, no entanto concordou.
Sorri pegando a escova dela para passá-la no seu cabelo macio e aos poucos a idosa estava mais a vontade perto de mim, apesar de outros continuarem me olhando com hostilidade por não estar usando um véu e ser quem sou.
─ Posso fazer uma trança nele? ─ perguntei.
Concordou e devagar comecei a trançar os fios.
Soraya está me acompanhando e do outro lado do pátio Edward sorriu para mim.
Olhei para baixo prestando atenção no cabelo dela e soube que o seu nome é Aini, que significa primavera. Ela gostou do que fiz e mais tarde meu noivo pediu minha opinião sobre as contas do lar.
─ O que acha?
─ Tem que reestruturá-las e começar as compras pelo mais urgente, apesar de tudo nessa lista ser essencial.
─ Faça o que a Princesa diz, ela é economista, sabe do que está falando. ─ Edward falou para o diretor do lar.
─ Mas a economia sumanesa é diferente da rajanesa. ─ o diretor murmurou.
─ E um economista é economista em qualquer lugar do mundo, principalmente quem estudou a economia mundial nos EUA. ─ Edward me defendeu.
O diretor não falou mais nada e na porta do lar meu noivo gritou meu nome.
─ Isaella! ─ ele me abraçou me puxando para perto dele quando um vaso pendurado na sacada da frente quase caiu em cima de mim.
Meu coração bateu acelerado e alguns funcionários e idosos do lar não gostaram do comportamento dele mostrando reprovação nos seus olhares.
É normal, porque até nos países mais abertos com maioria muçulmana homens muitas vezes não ajudam mulheres em apuros com medo de ofendê-las se tocarem nelas e Edward é meu noivo, mas não meu marido para poder me tocar em público.
─ Você está bem? ─ ele se preocupou comigo.
Me afastei dele.
─ Estou. Você me salvou desse vaso solto. ─ respondi sentindo a adrenalina nas minhas veias.
Vi um homem na sacada.
Alguém tentou me matar.
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