Notas iniciais
Oi flores e queridos. Eu ia atualizar só amanhã, mas vou estar muito ocupada, ai decidi atualizar hoje. O capítulo está pequeno, mas eu tinha que parar ele lá. Muito obrigada pelos comentários de vocês e até semana que vem.

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Capítulo 16

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Bella

Edward não disse mais nada, nem me tocou, mas continuou perto o suficiente para me proteger com a sua própria vida. Abriu a porta do carro esperando que Soraya e eu entrássemos nele e no interior dele digitou a senha do seu tablet para continuar trabalhando.

─ Vossa Alteza está bem? ─ seu chefe de segurança perguntou quando sai do carro ao chegamos ao palácio.

Senti o sangue fugindo do meu rosto.

─ Estou. ─ menti sentindo olhar de Edward queimando as minhas costas.

Tentaram me matar, sei o que vi, mas não posso apresentar uma denúncia oficial ou nunca vou conseguir conquistar o seu povo.

Minha equipe me acompanhou para dentro do palácio. No lar para idosos eles perderam o último grão de confiança que tinham nos sumaneses.

Edward passou pela gente.

Soraya me entregou o celular.

─ O Príncipe Emmett.

Parei.

─ Você...?

─ Eu não disse nada Alteza.

─ Emmett. ─ atendi a chamada telefônica do meu irmão.

Nosso povo sabe que estou com Rosalie, mas não sabe do nosso casamento civil e a maioria acredita que você viajou para Suma porque não a aceita como minha noiva.

─ Quê? ─ me surpreendi com as suas palavras.

Bella você está noiva de um homem conservador, mas não faz reclamações contra ele e mamãe não ajuda sendo fria com Rose.

Ele aspirou.

Fechei meus olhos.

─ Emmett, eu não acho que Rosalie é a melhor opção para ser sua esposa, mas se ela o faz feliz minha opinião não importa. ─ quase me bati pelo que falei, mas mentir não é o meu forte.

Eu a amo. ─ respondeu baixo.

─ Eu sei. Vou fazer o que posso para ajuda-los. ─ prometi acabando a chamada. ─ Quero um relatório com tudo o que estão falando do meu irmão e Rosalie. ─ entreguei o celular para minha assistente de novo.

Ela balançou a cabeça caminhando mais ligeiro pelo corredor e na ala de hospedes bati na porta do quarto de Alice, mas ela não estava.

Onde essa doida está? Vinquei minha testa e as emoções do meu dia não acabaram no lar para idosos:

─ Estou surpresa, Vossa Alteza é mais bonita pessoalmente do que nas fotos. ─ uma linda sumanesa disse na antessala do meu quarto.

─ E você é...? ─ perguntei.

─ Lady Tanya Denali, a mulher que...

─ Pretendia se casar com meu futuro marido. ─ antecipei o fim da sua frase.

─ Pretendia não, pretendo, porque nada me impede de ser a segunda esposa dele.

Sentei num dos encostos laterais do sofá.

─ Por favor, continue suas teorias. ─ movendo minha mão a convidei para sentar na outra ponta dele.

Ela sentou com as mãos cruzadas no joelho.

─ Vossa Alteza foi escolhida para se casar com ele, porque tem tudo o que o Sultão precisar para trazer mais vantagens ao nosso país, mas quando tiver meu primeiro filho com ele vou convencê-lo a ser sua única esposa e Sultana, porque o povo me ama e a odeia. O Sultão vai concordar e vou ser rainha com ele.

Escondi meu sorriso.

─ Você me diverte, mas quem a mandou para falar comigo? ─ juntei minhas mãos com ironia e som de sorriso estava na minha voz. ─ Porque parece um robô repetindo as frases de outra pessoa. ─ continuei com malicia.

Lady Denali abriu e fechou a boca sem conseguir falar nada.

Levantei caminhando para a porta e a abri.

─ Saia. ─ apontei meu dedo indicar para o corredor.

Ela saiu pisando duro, mas não abandonei minha dignidade.

─ Lady Tanya. ─ parou olhando para trás quando me ouviu. ─ Faça um favor a nós duas: não me provoque ou vai se arrepender.

Ela soltou o ar com força.

Tranquei a porta atrás dela entrando no banheiro para tomar uma chuveirada e pela manhã Edward e eu visitamos uma tribo beduína*.

─ Ver aquelas montanhas avermelhadas para além das dunas de areia? ─ ele apontou para as rochas a mais de quinhentos metros do nosso jipe.

─ São lindas. ─ respondi adorando a paisagem árida do deserto.

A primeira vista tudo aqui é sem vida, porém pequenos animais se escondem atrás ou debaixo das dunas areia e outros maiores se escondem em tocas ou são criados pelas tribos, como cabras e camelos, que ajudam no sustento das pessoas que vivem nelas fazendo do deserto um lugar vibrante.

─ Na lateral delas começa as rotas das caravanas e se olhar para o norte vai ver um dos oásis* mais bonitos da região. ─ Edward continuou falando.

Eu olhei e vi muito verde ao redor do berço de água cristalina com flores do deserto colorindo mais a paisagem e tamareiras criando sombras refrescantes.

─ Olhe para o céu. ─ ele disse e uma águia estava voando perto das nuvens quase transparente de tão brancas.

O céu daqui é livre de poluição, muito mais bonito que os das grandes cidades e a água é escassa, mas limpa.

─ Majestade. ─ o chefe de segurança dele abriu a porta quando o jipe parou na entrada da tribo beduína que viermos visitar.

Edward saiu do carro e esperou até que Alice descesse atrás de mim, no entanto não nos tocou e o líder da tribo veio receber nossa comitiva.

─ Alteza. ─ ele falou comigo depois de reverenciar e falar com Edward primeiro.

─ Salaam*. ─ respondi reajustando minha shayla* no lugar, porque nem em Rajar eu iria para uma tribo beduína sem cobrir a cabeça.

É falta de respeito com os mais velhos.

O líder se curvou para mim e uma criança se aproximou de mim com uma coroa de flores nas mãos.

Ela me olhou.

Me abaixei.

─ É para mim? ─ perguntei.

Ela balançou a cabeça respondendo que sim.

Sorri e reclinei meu pescoço para que a criança colocasse a coroa em mim.

─ Obrigada. ─ sorri de novo e com os lábios fechados ela retribuiu meu sorriso aberto.

Levantei e uma jovem usando hijab* serviu água e chá beduíno para todos.

─ Por favor. ─ o líder levou a gente para o interior da sua tenda toda decorada com almofadas bordadas a mão e tapetes artesanais com verdadeiras obras de arte traçadas neles. Lenços finos cobrindo a mesa cheia de pães, doces e frutas variadas com café beduíno.

─ É como estar num conto de Mil e Uma Noites. ─ Alice me falou baixo cheirando as flores do deserto que colocaram perto da bacia com água para lavamos as mãos.

Sorri e mais tarde um grande almoço em nossa homenagem foi servido na tenda comunitária da tribo.

─ Não tem pratos, nem talheres? ─ minha melhor amiga me perguntou quando sentamos a mesa para comemos.

─ Ver as partes separadas nas grandes bandejas? Escolha uma para você e coma com a mão direita. ─ respondi.

Alice balançou a cabeça.

Para os muçulmanos é impuro comer com a mão esquerda e ninguém quer contaminar os alimentos.

─ Que nossa mesa seja sempre farta e que nossos visitantes estejam sempre abençoados. ─ o líder dos beduínos fez uma prece e por respeito à posição de Edward como governante todos só começaram a comer depois que ele colocou o primeiro pedaço de carne de carneiro na sua boca.

Sorri vendo Alice provar a comida, com timidez.

─ Para o nosso Sultão. ─ uma moça com o rosto coberto se levantou da almofada que estava sentada e ao som de uma música com ritmo médio começou a dançar na frente dele.

Outras moças também dançaram com ela e por educação bati palmas acompanhando o ritmo da música.

Alice copiou meus movimentos e Edward olhava a todas com muito respeito.

─ Vossa Alteza. ─ uma delas me deu sua mão me convidando para dançar com elas.

Corei baixando o olhar, mas aceitei o convite e pelo canto do olho vi ele sorrir orgulhoso.

Virei para as moças e reajustando minha shayla no lugar de novo e balançando minha cintura ao som da música percebi quando o ritmo dela acelerou.

Uma armadilha para me constranger, mas criada ou não no Ocidente, o sangue árabe puro corre nas minhas veias e com minha especialização profissional dançar ritmos árabes para mim é quase tão fácil quanto respirar.

Edward bateu palmas me apreciando dançar e com a língua as mulheres mais velhas da tribo reproduziam o famoso som do zaghareet enquanto eu me movia com leveza e ligeireza.

A música acabou quando encostei um joelho no chão com a outra perna esticada e minha coluna reclinada para trás.

Outra criança jogou uma flor perto do meu corpo.

Edward foi o primeiro a aplaudir acompanhado por todas as pessoas que me viram dançar, mas essa dança foi uma exceção, porque na nossa cultura mulheres com posição social parecida a minha raramente dançam dessa maneira em público ou nem dançam e quando dançam é só em momentos especiais como esse.

─ Só uma mulher dançava tão bem como Vossa Alteza: a bisavó do nosso Sultão. ─ a esposa do líder me elogiou quando levantei.

Os olhos de Edward brilharam concordando.

Sorri e mais tarde perto do oásis Alice e eu estávamos correndo atrás das crianças da tribo.

─ Ahh. ─ uma das crianças de lá gritou feliz me abraçando e uma delas chutou a bola que parou no pé de Edward.

─ Posso brincar com vocês? ─ ele sorriu.

Eu também sorri e Edward chutou a bola para mim.

A chutei para o outro lado.

Alice riu e as crianças correram atrás da bola.

Corei me lembrando do quanto estou suada pelo calor do sol, mas continuei brincando e Alice improvisou as traves do nosso campo de futebol imaginário.

─ Peguei! ─ gritei animada quando segurei a bola na entrada da trave, porque para não ofendemos alguém esbarrando em Edward nós duas escolhemos ser as goleiras dos nossos times. Só, que como jogadoras somos melhores líderes de torcida.

Eu era. Aspirei e no meio da tarde depois de tomar banho numa tenda privada ouvi as solicitações das mulheres a pedido de Edward, porque em algumas tribos como essa na maioria das vezes as mulheres não são autorizadas a falarem com homens que não são da família delas.

─ Vossa Alteza ainda não é nossa Sultana, mas sabemos que o Sultão a ama e que a senhora conhece a importância educação. Por favor, Alteza convença nosso Sua Majestade a falar com nossos pais para que a gente possa estudar nas escolas que ele criou. ─ um grupo de dez moças se juntou para falar comigo e antes delas ouvi individualmente mais umas cinco dezenas de mulheres.

A mais jovens delas sentou sobre suas pernas com a cabeça abaixada na minha frente.

─ A senhora ainda não é nossa Sultana, mas seu nome está envolvido em muitos projetos de escolas, hospitais, universidades e muito mais no nosso país.

Surpresa pelo que ela disse olhei para Alice sentada na lateral da tenda e outra moça se ajoelhou do lado da primeira.

─ Só queremos a chance de também podemos ter um futuro melhor através desses projetos, como os homens têm. ─ ela disse.

Traguei minha saliva.

É triste ver que em nome das tradições alguns homens não deixam as mulheres da sua família terem educação formal.

─ Vou falar com ele. ─ prometi e outro grupo delas se aproximou de mim.

Alice balançou a cabeça me apoiando e eu me pergunto o quanto mais não sei do amor de Edward por mim.

Inspirei e aspirei.

Minha amiga sorriu compreendendo minha imaginando meus pensamentos e no fim do dia nossa comitiva voltou para o palácio.

─ Isabella. ─ Edward parou na escadaria externa do pátio.

Também parei olhando para ele.

─ O criminoso que tentou matá-la está preso e pela manhã será julgado e condenado como manda à lei.

Minha cabeça rodou.

─ Não... ─ sussurrei afônica.

─ Compreenda algo minha flor: ontem foi um vaso, mas se eu não o corrigir amanhã pode ser uma bala da qual nem eu vou poder te salvar e se eu não defender sua honra ninguém mais vai me respeitar como homem ou governante, porque...

─ Eu sou a sua honra e um homem com a honra manchada não é digno de respeito. ─ antecipei o final da sua frase.

Minhas mãos estavam geladas.

Edward abriu a boca para falar, mas eu me lembrei do que diz a constituição sumanesa sobre tentativas de assassinato a realeza e desmaiei.

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Notas finais
Hijab*:É o termo mais popular no ocidente para referir-se ao véu islâmico; trata-se do lenço que cobre os cabelos e o pescoço, com o rosto à mostra. Suas cores e desenhos variam de acordo com as tendências da moda. Shayla*: Menos restritivo que o hijab é um lenço grande e retangular, popular na região do Golfo. Ele é enrolado no pescoço e é cruzado na altura dos ombros. Salaam*: A paz esteja com você. Tribo Beduína*: Os beduínos são um grupo étnico que habita os desertos do Oriente Médio e do Norte da África. Oásis*: Corresponde a uma restrita porção de deserto que possui água e cobertura vegetal