O Sultão

49 Escolhendo & Conhecendo


Notas iniciais
Oi flores e queridos. Estou organizando os capítulos para acabar com os problemas e colocar cenas alegres neles antes de escrever a palavra "fim" na fanfic. Muito obrigada a todos (as) que comentaram. Leitores (as) novos (as) sejam bem-vindos (as). Ainda não consegui mandar meu computador para a manutenção, mas se mandar essa semana posso demorar uns dias a mais para voltar. Beijos açucarados.

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Capítulo 48

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Bella

Quando acordei de manhã Edward não estava mais na nossa cama comigo ── Ele está acompanhando os exames que o médico de Rajar está fazendo nos seus pais.

Levantei, caminhando para o quarto do Husam. Meu bebê é muito inocente. Ele nem desconfia que seus pais biológicos estão tão perto dele, mas sei que Edward e eu precisamos começar a falar mais deles para ele.

Husam estava dormindo. Me curvei no berço para o beijar e entrei no meu quarto de novo. Me banhei e vestida escolhi começar a trabalhar daqui mesmo.

Nur bateu na porta e entrou no meu quarto.

─ Bom dia, Sultana.

Sorrindo olhei para ela.

─ Bom dia. Quando Husam acordar o leve para o jardim dos labirintos e o deixe longe das pessoas até Edward encontrar vocês.

Minha ex-babá moveu a cabeça e com uma mamadeira na mão entrou no quarto dele.

Olhei para a tela do meu computador quando Soraya entrou e seu rosto estava muito preocupado, mas também triste.

─ Soraya?

─ Estive falando com o assistente do Príncipe Jasper. Ele está preocupado. Nos últimos dezessete dias pela honra nove moças foram assassinadas pela família.

Pisquei horrorizada.

─ Todos acharam que pelo Príncipe Jasper estar machucado nada ia acontecer com eles se quebrassem a nova lei e uma bomba caiu na fronteira leste entre Suma e Rajar.

Meu coração apertou e bateu muito forte, mas escolhi me concentrar no primeiro problema:

─ O que motivou a morte delas?

Soraya abaixou a cabeça e quando me olhou de novo tinha muito mais tristeza no seu olhar.

─ Vossa Majestade pode escolher entre os motivos mais banais e as mortes mais violentas têm: chegar cinco minutos depois do horário da escola, por defender a mãe depois de vê-la ser machucada, por falar não para o casamento com um parente muito próximo, por ter um perfil numa rede social ou colocar uma foto inocente nela com o rosto descoberto.

Minha respiração pesou e mais que dor sinto indignação pela morte dessas moças, mas na nossa cultura em nome da honra as pessoas têm pouco valor e quando se é mulher a maioria perde a vida, enquanto os homens são aconselhados para “não errarem mais” ou na minoria das vezes levam algumas chibatadas, pagam uma multa ou perdem alguma parte do corpo como exemplo para as outras pessoas.

Esfreguei as mãos no rosto.

─ E Edward sabe da bomba? ─ perguntei.

─ Sabe e não falou nada, mas a resposta dele não vai ser das mais leves. O Príncipe Jasper está se organizando para entrar na Maniza.

Alice.

─ Quantos mortos e feridos?

─ Quase quatro mil e mais sumaneses que rajaneses.

Não faz diferença, não para Edward.

─ Como seus pais eram com você? ─ perguntei.

─ Eles nunca precisaram, mas teriam matado e morrido por mim.

Sorri sem alegria.

─ Acabou de definir meu marido. Ele mata e morre por Suma e com a morte da maioria sumanesa muitos rebeldes vão pelo mesmo caminho.

─ Também vão pelas dos rajaneses.

Ouvindo a voz de Edward olhei para a porta do nosso quarto ── Soraya se curvou para ele.

─ Seu pai acaba de me lembrar que pelo nosso casamento tenho o titulo de Príncipe de Rajar. Vou honrá-lo como tenho honrado o de Sultão.

Caminhei para Edward ── Ele abriu seus braços para mim.

─ Sinto muito, vida minha. ─ falou baixo.

O abracei forte.

Soraya virou o rosto. Ela nunca fala nada das mostras de carinho da gente e sei que não vai falar ── Seu respeito pela hierarquia é muito maior do que nossas quebras de costumes.

Edward moveu a cabeça, pendido para minha assistente sair ── Ela se curvou de novamente, caminhando para o corredor.

─ Essa guerra vai acabar. Você e eu vamos estar bem. ─ ele não falou as palavras, mas ouvi o que estava por trás da sua frase: a lembrança do nosso contrato de casamento, só que ele só vale enquanto estivemos juntos.

Não olhei para os seus olhos.

─ Quando Jasper vai para a Maniza?

─ Daqui três ou cinco horas. Ele só vai porque o médico de Rajar me confirmou que a saúde dele está melhor. Não consigo nem pensar no meu irmão machucado daquela maneira de novo.

O abracei mais. Gemeu e me afastei para olhar seu rosto.

─ Edward...?

Ele sorriu, mas vi dor nos seus olhos.

─ Não é nada. Só uma costela deslocada.

Vinquei a testa.

─ Jasper não vai ser o único irmão Cullen examinado por um médico. ─ murmurei.

Sorriu e com sua mão na minha caminhamos para o sofá ── O médico do palácio veio vê-lo dez minutos depois:

─ Não acho que esteja fraturada, mas um exame de imagem para confirmar o diagnóstico nunca é demais e o machucado por estilhaço de bomba no seu ombro não é muito profundo.

Senti frio por descobrir que uma bomba explodiu tão perto do meu marido.

Ontem dormimos muito tarde. Nossa atenção estava toda nos seus pais ── Não vi nada do que sua roupa cobria

Edward apertou minha mão.

─ Vou receitar analgésicos e antiinflamatórios para Vossa Majestade e pelas próximas três semanas é melhor não estar com o Príncipe Husam nos braços. Evite tudo que for de muito esforço físico.

Edward moveu a cabeça e o médico me entregou a receita e o pedido de exame assinados ── Acho que não confiando muito que Edward vai fazer sozinho o que precisa.

Meu marido recolocou sua túnica e se curvando o médico voltou para sua área de trabalho.

─ Alice estava com você quando minha mãe falou da Lady Hana?

─ Estava e Jasper não gostou nada da maneira que ela me defendeu.

Edward moveu a cabeça, como a minha estivesse explicando algo que viu ou ouviu.

─ O que Alice falou?

Baixei a cabeça e mordi meus lábios.

─ Só que poucas pessoas iam estar contra o próprio país para ajudar estranhos, como eu estive, e que se fosse o marido dela ela não ia usar só palavras para mostrar sua indignação por uma mulher estar mais perto dele do que o aceitável, mas também a força física.

─ Vou falar com meu irmão. Ele tem que compreender que os ocidentais não são educados para respeitarem os mais velhos ou terem a mesma consideração pela família, que é mostrada para a gente desde a barriga da nossa mãe.

Coloquei minha mão na sua.

─ Ele sabe que a gravidez a está deixando muito sensível. Acho que se arrependeu da maneira que se comportou.

Edward aspirou.

─ E vai ter que aprender a controlar mais suas reações com ela, a ser mais tolerante também.

Tive um sentimento diferente.

─ Como você teve que aprender por mim?

Edward riu e num movimento automático colocou a mão na costela.

─ Não foi muito fácil. Continua não sendo, mas acho que estou no melhor caminho. ─ respondeu.

O abracei. É muito fácil esquecer que meu país é mais liberal que o seu e muito difícil perceber no que teve que mudar ou no que sempre foi o Edward que conheço.

Ele cheirou meu cabelo e olhou para o porta-retratos em cima da mesa atrás do sofá ── Uma foto da gente com Husam no dia da minha coroação.

─ Cheguei a pensar em nunca falamos da verdadeira origem dele para as pessoas, mas mentir não é o melhor caminho. Husam tem direito a linha de sucessão e pela maneira que se parece comigo um dia ele pode achar o pior.

Não o compreendi.

─ O pior?

Sorriu sem alegria.

─ Ia ser muito fácil ele achar que trai você durante o noivado da gente, que é meu filho com outra pessoa e ia ser muito injusto não devolver o... Husam ─ Edward mudou sua última palavra. ─ para os meus pais.

Coloquei o cotovelo no encosto do sofá e a cabeça na mão.

─ Apesar da nossa tristeza também não acho justo mentimos, mas... nem Jasper ajuda a gente. Ele nunca corrige Husam quando ele o chama de tio e não me deixou falar que a criança que Alice vai ter não é prima dele.

─ Jasper esteve falando comigo. Se escolhemos não mostrar a verdade ele também vai falar nada. Para ele, Husam é nosso filho e esteve me pedindo para não falamos nada para o nosso bebê até meus pais se recuperarem e escolherem com a gente o melhor caminho para todos.

Que grande tentação.

Reajustei minha postura.

─ O médico... ─ movi a cabeça. ─ A gente só vai está adiando a dor. Seu pai estar em Suma de novo. Um dia ele vai reassumir o sultanato, mas você é o Príncipe Herdeiro dele...

Edward colocou suas mãos nas minhas, acabando por mim:

─ E se mentimos nunca mais vou me sentir digno do povo novamente.

Sorri tolerante ── Sua voz tem muita tristeza. Colocou as mãos nas minhas.

─ Odeio fazer você sofrer e mostramos a verdade vai pior do que arrancarei um pedaço nosso, mas mesmo que todos o chamem diferente e que ele veja a gente diferente, para você e para mim Husam sempre vai ser nosso filho.

Movi a cabeça.

Edward colocou a mão no meu rosto, só encostando os lábios nos meus antes de se afastar.

A gente chorou junto. Não acho que foi a última vez, mas nos sentimos mais leves e prontos para recomeçar o trabalho quando enxugamos as lágrimas.

───

─ Isabella. ─ a Sultana Esme se colocou de pé quando entrei no seu quarto.

─ Como está?

Ela baixou a cabeça.

─ Muito envergonhada. Eu não desejava chatear a Princesa Alice ou o Príncipe Jasper, nem ofender a senhora.

Sorri.

─ Você. ─ a corrigi. ─ Não me ofendeu. Lady Hana é sua amiga e tem direito de defendê-la como achar melhor.

Minha sogra me olhou.

─ Só que a gente sempre tem que ouvir os dois lados antes de reagir e não fui boa para ouvir o seu.

Caminhei para perto dela ── Olhei para o sofá.

─ Posso?

Ela moveu a cabeça.

Sentei.

─ Quando encontrei a com Edward os dois estavam perto o suficiente para qualquer pessoa achar que estavam fazendo mais do que conversarem, mas conheço meu marido para saber que não me trai e mais do que ciúme tive medo.

Vi que minha resposta a surpreendeu.

─ Se tudo desse errado Suma ia ter que guerrear contra a Maniza e por ser aliado dos sumaneses meu país ia estar em perigo, de novo. ─ lembranças estavam na minha cabeça. ─ Edward me pediu compreensão, só que discuti com ele. ─ levantei, caminhando para a janela.

Minha sogra não falou nada. Virei para ela.

─ Apesar, do nosso casamento continuo sendo a Princesa de Rajar. Não posso esquecer as obrigações que tenho com as pessoas da minha terra natal, mas também sou a Sultana de Suma. ─ sentei no encosto lateral de uma poltrona. ─ e nem sempre vou poder estar protegendo Rajar.

A Sultana Esme sorriu.

─ Você ama o Sultão.

Me senti feliz por ela não estar perguntando.

─ Muito. Nosso noivado aconteceu por motivos políticos, mas nosso casamento foi uma escolha de amor.

Minha sogra reajustou sua postura.

─ O que não é comum na nossa cultura e acho que menos na realeza.

Sorri.

─ A maioria das pessoas que são parte dela também não tem muita fé num casamento por amor, mas o que temos foi construído com muito cuidado.

Ela também sorriu. Sorri mais.

─ Não sei se sou casada, mas no acampamento conheci um casal que se casou por amor e sempre admirei a relação dos dois. Era mais... igual.

Levantei.

─ Edward me pediu para não estar do seu lado quando ele mostrasse sua escolha para os sumaneses, só que não aceitei seu pedido. Não ia ser justo. ─ sorri sem alegria. ─ Por um passado que não é sua culpa meu marido não tem uma boa imagem para todos. Nem os sumaneses iam conseguir compreender sua escolha e tudo ia estar pior se não me vissem com ele.

A Sultana Mãe* também levantou do sofá. Ela caminhou para a janela e olhando para seu jardim privado murmurou:

─ Eu sei. Lady Hana falou para todos do acampamento que tinha ouvido falar que o Sultão sumanes se prejudicou para proteger a falecida esposa e ela tinha esperanças que pela honra que ele mostrava com o comportamento protetor dele seu marido não esquecesse que Suma era parte da ONU.

Expelir o ar, sorrindo com zombaria. Lady Hana foi muito inteligente.

Minha sogra me olhou.

─ Edward é uma pessoa muito honrada, mas não ia ter honra nenhuma se virasse as costas para um pedido de ajuda humanitário. ─ me abracei. ─ e pressionado pelo meu pai, ele estava tentando mostrar para todos que Rajar não estava apoiando nada. ─ a olhei. ─ Só, que jurei sempre tentar ser justa nas minhas escolhas.

Ela sorriu de novo.

Minha voz esteve mais leve:

─ Edward não gostou do meu comportamento. ─ ri. ─ Dou muito trabalho para o seu autocontrole.

A Sultana Esme também riu. Parei, falando:

─ Ninguém gostou. Os rajaneses não estão felizes comigo por ter estado contra o nosso país para ajudar estranhos, mas me sinto em paz por ter feito o mais correto.

─ E por você meu irmão sorrir de novo. ─ Jasper entrou no quarto.

Sua mãe se moveu ligeira e desconfortável.

Sorri para ele. Meu cunhado também sorriu e a olhou.

─ Como está, senhora?

─ Feliz por não está mais num campo de refugiados.

Ele moveu a cabeça, virando para me olhar.

─ Só vim me despedir. ─ falou e virou de novo, caminhando para a mãe.

─ Se cuide, senhora.

Os dois se olharam e vi neles o desejo de se tocarem, mas resistiram.

─ Você também, meu filho.

Jasper parou de respirar, mas a gente sabe que foi só uma maneira dela falar e não uma lembrança verdadeira de quem é para ele.

Coloquei a mão no ombro dele. Jasper expeliu o ar e sua voz estava pesada quando falou:

─ Eu vou.

Ela moveu a cabeça, novamente e seu filho me olhou.

Caminhei atrás dele, mas parei na porta do quarto.

─ Com licença. ─ murmurei e na antessala ele colocou a mão no meu ombro.

─ Cuida delas por mim e não estou falando só da minha mãe e da Alice, mas da bebê que está na barriga da minha esposa.

Pisquei os olhos.

─ Como...?

Ele moveu seus ombros.

─ Não é nada, só sonhando acordado.

Sorri. Alice só está nas primeiras semanas da gravidez. Ainda não dá para a gente saber se é menino ou menina, mas acho que também posso chamar de intuição.

─ Vou cuidar, mas você também tem que tentar não deixar uma bomba explodir muito perto de onde vai estar.

Riu.

─ Achei que Edward não ia te falar.

Também não acho que ia, mas...

─ Um movimento no lugar errado o obrigou a abrir a boca.

─ Estarei fazendo o meu melhor e por todos cuide de você também, não só das outras pessoas.

Movi a cabeça.

Jasper caminhou um passo para mim e num comportamento pouco comum seu beijou minha bochecha.

Sorri, o abraçando num impulso.

Meu cunhado retribuiu meu abraço e se afastando de mim caminhou para o lado oposto do palácio.

───

─ Você ia gostar de ter dois papais e duas mamães? ─ Edward perguntou para Husam.

Estávamos no jardim dos labirintos.

─ Eu ia. Não! ─ respondeu animado. ─ Não ia. ─ a gente o olhou interessados no motivo da mudança da sua resposta.

─ Por quê? ─ perguntei suave.

─ Não “quer” ir longe de vocês... E se eles... e se eles... me le... me levarem? ─ gaguejou.

Edward colocou a mão no rosto dele ── Estávamos sentados no gramado.

─ De alguma maneira a gente sempre vai estar com você. ─ respondeu.

Sorri com amor, desejando acreditar que depois de mostramos a verdade todos vamos estar bem.

─ Você ia gostar de conhecê-los? ─ perguntei de novo.

Husam baixou a cabeça.

─ E se eles não gostarem de mim?

Levantei seu queixo para ver seus olhos.

─ Eles vão te adorar. ─ respondi.

Ele e Edward sorriram.

─ Quando vou conhecê-los?

─ Não vai ser logo, mas um dia você e eles vão se encontrar e achamos que eles vão estar muito emocionados quando te reencontrarem. ─ falei com cuidado.

─ Vocês também? ─ seus olhos brilharam.

Edward colocou sua mão na dele e me olhou quando falou:

─ A gente também.

Movi a cabeça, vendo tristeza no olhar do meu marido e com sua outra mão ele apertou a minha.

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Notas finais
* Sultana Mãe: titulo da nobreza árabe. No Império Otomano a mulher que o tia era a pessoa com mais poder depois do Sultão.