O Sultão
7 A volta...
Notas iniciais
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Capítulo 6
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Bella
─ Esse seu silêncio está me matando! ─ Emmett reclamou cinco horas depois do jato oficial da nossa família real ter decolado do solo americano com destino a Rajar conosco dentro dele e trata-se de uma aeronave de última geração com todo luxo e requinte possível e imaginável. Mas, também com todo o conforto necessário para longas viagens como essa.
─ Você prefere que eu leia o meu contrato pré-nupcial em voz alta? ─ questionei meu irmão sem levantar meus olhos dos documentos que eu estava estudando.
─ Não. Eu só quero saber o que você pensa dele e não era isso o que você estava lendo antes. ─ ele disse.
─ Não. Antes eu estava lendo um resumo das principais leis sumanesas e elas são mais absurdas do que eu sabia. Mas, esse contrato é surpreendentemente justo. ─ respondi.
─ Mas...? ─ Emmett persistiu ao perceber que eu não tinha dito tudo o que realmente penso desse documento legal.
─ Mas não existe nada nele que proíba o sultão de ter uma segunda esposa e só sobre o meu cadáver esse casamento será poligâmico. ─ afirmei e as minhas palavras ressoaram pelo ambiente como o chicote de um carrasco.
─ Você sabe que vai comprar uma briga imensa com os conselheiros de Suma. Não sabe? ─ perguntou.
─ Eu sei e quanto mais eles lutarem contra mim nesse assunto mais rápido eles irão descobrir que estão prestes a ganhar uma sultana bastante determinada. ─ resmunguei.
─ E se o próprio sultão Cullen quiser lutar contra você para manter esse direito dele? ─ indagou.
─ Também é meu direito me opor a uma segunda esposa e se ele quiser lutar contra mim nisso terá uma adversária à altura. ─ respondi suave e Emmett me olhou preocupado, porém ele não disse nada para tentar me fazer mudar de ideia.
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─ Vossa alteza é tão linda e nesse momento está a perfeita princesa árabe. ─ Samira, uma persa que trabalha para a minha família como comissária de bordo há quase dois anos, me disse quando acabei de me arrumar.
─ Obrigada, mas a verdade é que eu me visto há tanto tempo como uma ocidental para esconder a minha verdadeira origem da maioria das pessoas que me sinto estranha ao me ver assim de novo. ─ respondi ao observar o meu reflexo no espelho e nele eu apareço vestida e maquiada no estilo árabe. ─ É quase como se eu fosse uma fraude, como se eu tivesse perdido a minha identidade e não soubesse mais quem sou. ─ meditei ao avaliar minha nova e distinta aparência.
─ Mas no fundo a senhora sabe quem é e aos poucos se redescobrirá. ─ afirmou. ─ Faltam duas horas para aterrissamos em Rajar. ─ ela me informou ao se aproximar por trás de mim e colocar suas mãos carinhosamente sobre os meus ombros, enquanto eu sentada na baqueta da penteadeira e nos olhávamos pelo espelho.
─ Você está certa. ─ respondi tentando ser otimista e beijei o rosto dela.
Depois voltei para o salão principal do janto e me sentei na poltrona ao lado de Emmett.
─ Uau! Você está incrível! ─ ele exclamou admirado ao me ver. ─ É quase como se eu estivesse vendo outra pessoa. ─ avaliou ao me observar melhor. ─ Esse kaftan* ficou muito bom em você. É se você nunca tivesse deixado de se vestir de acordo com as nossas origens e é bom vê-la assim de novo. ─ ponderou.
─ Mas eu deixei e me sinto um pouco estranha com todo esse requinte e tecido ao meu redor. ─ retruquei apontando para as rosas vermelhas bordadas com fio de ouro no meu kaftan bege e longo cumprimento dele. Mas, nenhuma joia, além de um par de brincos de ouro amarelo estava em mim e o cinto que adornava meu kaftan foi cuidadosamente feito com o mesmo tipo de tecido dele para evitar uma maior ostentação desnecessária em tempos de miséria humana no meio de uma guerra brutal.
─ Logo você vai se acostumar novamente e essa maquiagem mais marcada no olhar realça ainda mais seus traços perfeitos. ─ meu irmão me elogiou.
Eu preferi não me estender sobre o assunto.
─ Alguma novidade? ─ perguntei ao perceber que ele estava vendo o jornal diurno de Rajar na tevê.
─ Não realmente. A guerra está piorando e ela só chegará ao fim quando você se casar com o sultão Cullen. ─ murmurou.
─ Eu sei. ─ sussurrei.
─ Sabe, mas não está feliz com isso. ─ retrucou e nada disso deveria estar sendo um problema entre nós, porque casamentos arranjados são comuns na nossa cultura e dentro da realeza são ainda mais presentes. Mas, a nossa longa experiência no ocidente modificou a nossa visão de mundo e nos fez desejar poder escolher quando e com quem nos casamos.
No entanto, diferente de Emmett, eu nunca me apaixonei por alguém. Eu não conheço o amor romântico e não me sinto incomodada por ter que me casar nessas circunstâncias. O que me incomoda de verdade é o risco de perder minha liberdade e nunca mais poder ser quem realmente sou.
─ É meu dever me casar com ele para tirar o nosso povo do meio dessa guerra. ─ respondi resignada e contra esse argumento meu irmão não pôde dizer nada.
Depois acomodei melhor o hijab* que eu estava usando como um lenço em volta do meu pescoço, ao invés de colocá-lo na minha cabeça, porque no meu país nós mulheres não somos obrigadas a cobrir o cabelo em lugar algum, excerto dentro das mesquitas*.
─ Vamos descansar um pouco. Ainda vai demorar para chegamos ao aeroporto de Rajar e nós temos uma agenda cheia para cumprir em terra. ─ ele sugeriu quando o conteúdo do telejornal deixou de ser do nosso interesse.
Eu concordei e reclinei minha poltrona para dormir mais confortavelmente ali mesmo, porque não quis ir para um dos quartos do jato real e logo mergulhei na inconsciência.
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─ Seja bem-vinda ao nosso lar. Demorou, mas você está de volta a ele. ─ Emmett sussurrou no meu ouvido quando o nosso avião aterrissou no aeroporto internacional de Maraban, a capital rajanesa, e ele me acordou.
Eu sorri para o meu irmão e a emoção que senti por finalmente estar de volta a minha verdadeira pátria após doze anos de uma ausência imposta é indescritível.
─ Viva a nossa 'amira!* Viva ao nosso amir!* ─ membros do alto escalão do governo, funcionários autorizados do aeroporto e jornalistas da imprensa local e nacional gritaram quando trinta minutos depois de termos chegado em solo rajanes os nossos guarda-costas verificaram o perímetro do aeroporto e as portas do jato se abriram para que pudéssemos sair de dentro dele quando eles nos passaram uma avaliação positiva sobre a seguridade do local. Mas, por medidas de proteção nós não deveríamos parar para falar com ninguém, no entanto eu não consegui resistir ao carinho do nosso povo e me aproximei deles para cumprimentá-los.
Emmett me seguiu de perto, mas mesmo ele falando com outras pessoas ao meu lado os seus olhos nunca me deixaram completamente e os nossos seguranças viraram a nossa própria sombra.
─ Salaam!* ─ meu irmão e eu cumprimentamos os nossos súditos usando uma famosa saudação muçulmana quando eles nos reverenciavam e alguns deles não esconderam sua surpresa ao ouvirem o meu forte sotaque rajanes, apesar do longo tem que estive longe daqui.
Depois caminhamos até o carro que nos levará ao palácio real. Mas, esse não é um veiculo comum, ele foi projetado especialmente para transportar a lideres do Oriente Médio e entre as muitas vantagens dele está sua alta resistência a balas e misseis poderosos, que infelizmente são precauções necessárias em tempos de guerra.
E o trajeto que fizemos até o palácio real não demorou mais que vinte minutos, porque belas e movimentadas ruas de Maraban foram devastadas pelos bombardeios de Alzan* contra o nosso país e nos últimos tempos elas estão quase desertas, pois muitas pessoas tiveram seus negócios afetados por esses bombardeios constantes que ainda sofremos e outras por medo de perderem suas vidas se refugiam em diferentes esconderijos subterrâneos instalados pelo governo do meu pai com a intenção de proteger a população de tragédias naturais ou guerras como essa.
─ Lililililili. ─ servos e funcionários radicados no palácio real reproduziram o famoso signo linguístico Zaghareet* para comemoram a nossa chegada aqui quando o nosso carro foi estacionado no pátio interno daqui e nos sairmos de dele.
Ah, como eu senti falta dessa alegria do meu nosso povo! Como eu senti falta da minha verdadeira casa!
─ Shukraan.*
─ Shukraan lak.* ─ Emmett e eu os agradecemos pelo carinho que estávamos recebendo de todos pela nossa volta a Rajar e desde que sairmos do solo americano nós estávamos falando apenas em árabe rajanes.
E não muito tempo mais tarde nós entramos na área familiar do palácio onde nossos pais nos esperavam de braços abertos para nos receber.
─ ‘Um!* Al'ab!* ─ exclamei ao abraçá-los e meu irmão nos observava tocado pela cena de emocionante que estávamos protagonizando.
É que Emmett foi enviado junto comigo para os EUA quando ele tinha apenas treze anos e eu sete, mas três anos depois ao completar a maioridade rajanesa meu irmão voltou a Rajar para servir ao exército rajanes e como príncipe herdeiro desse sultanato ele tinha o dever de se sobressair entre todos os soldados. Porém, Emmett sempre me visitou no ocidente por algumas semanas em intervalos regulares de tempo desde que passamos a viver em continentes diferentes há nove anos e por esse motivo somos muito próximos um do outro. Mas, nossos pais por precauções de segurança governamental e familiar não puderam me ver com tanta frequência lá.
─ AlhamdulilLah,* porque nossos filhos estão em casa novamente! ─ Renée, nossa mãe exclamou depois de me abraçar e segurar o rosto de Emmett entre as mãos dela para beijar as bochechas dele.
─ Que ele seja louvado e glorificado! ─ nosso pai respondeu e beijou meu rosto.
Depois eles nos fizeram as mais variadas perguntas sobre o tempo diferenciado em que estivemos longe de casa e exigiram que respondêssemos a todas elas até do meu irmão demonstrar estar cansando pela longa viagem que fizemos até aqui, apesar de termos descansado no avião e os dois nos levarem para a ala dos quartos para que possamos tomar um banho, comer algo e quem sabe dormir um pouco antes de colocamos em prática os compromissos da nossa agitada agenda de trabalho como membros diretos da família real do nosso país.
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─ Bella acorda. Bella. ─ ouvi minha mãe me chamar umas duas horas depois de eu ter adormecido e a voz dela estava tensa como a de alguém que estar bastante nervosa por algum acontecimento preocupante. ─ Bella. ─ ela persistiu e pouco a pouco abrir meus olhos.
Minhas pálpebras ainda estavam pesadas pelo sono que eu estava sentido, porque dezessete horas de voo não são fáceis, mesmo quando se pode contar com um excelente conforto como o que Emmett e eu tivemos acesso no jato real. Porém, por respeito a minha mãe eu levantei da minha cama e fiquei de pé para falar com ela.
─ Mãe o que foi? ─ perguntei e, apesar da minha mente ainda estar dominada pelo cansaço eu fiz de tudo para presta atenção nela.
─ Emmett. ─ minha mãe disse e eu não entendi muito bem qual é o propósito dela.
─ Ele deve estar dormindo ainda. ─ respondi tentando adivinhar seus pensamentos.
─ Não. Ele não está. Emmett e o pai de vocês estão brigando na sala do trono como duas águias dominantes e furiosas que são. ─ declarou e todo e qualquer cansaço que eu estivesse sentindo desapareceu da minha mente.
─ Mas por quê? Eles estavam tão calmos mais cedo. ─ comentei.
─ E continuaram assim até Charlie mencionar um possível casamento do seu irmão com uma princesa de Rahman.* ─ ela explicou e para mim é óbvio que Emmett explodiu contra papai por causa da sua relação com Rosalie, porém os nossos pais ainda não sabem nada sobre ela. ─ Aonde você vai? ─ minha mãe me questionou quando sem dizer nada a ela eu comecei a sair do meu quarto.
─ Impedir que um desastre maior aconteça. ─ respondi por cima do ombro e ignorando qualquer regra de conduta corri pelos corredores do palácio para tentar chegar mais rápido a sala do trono.
─ Eu não sei por que você se recusa a casar com a princesa Zara, mas você é o príncipe herdeiro de Rajar e faz partes dos seus deveres como futuro líder desse país dar bons exemplos ao nosso povo. Portanto, você vai se casar com ela sim, porque você tem vinte e cinco anos e já está quase passando da hora de se casar com alguém. Fora isso, Zara é uma excelente escolha para ser sua futura esposa, pois além dela ser uma moça muito bonita seu casamento com ela trará muitos benefícios para Rajar. ─ nosso pai estava usando alguns dos melhores argumentos dele contra Emmett quando me aproximei deles, mas eu conheço meu irmão e sei que desta vez ele não vai ceder às vontades de ninguém.
─ Pai, independentemente das razões que o senhor me apresenta a minha resposta continua sendo a mesma: não. ─ Emmett afirmou determinado e papai apertou seus lábios em uma fina e rígida linha de descontentamento.
─ Muito bem. Eu não queria ser obrigado a chegar a extremos tão grandes, mas você se recusa a atender um pedido meu como seu pai e se assim é não me resta alternativa senão, ordenar como seu rei que você se case com a princesa Zara e se continuar insistindo em me desobedecer você já sabe quais podem ser as consequências das suas atitudes. ─ papai grunhiu e meu irmão deu um passo à frente, não para agredi-lo, porém para deixar seu posicionamento sobre esse assunto ainda mais claro e forte.
─ É. Eu sei. Se eu o desobedecer como meu rei vossa majestade pode me afastar do berço da família real, me destituir de todos os meus títulos reais e transferi-los para a minha irmã para que ela possa sucedê-lo no trono. ─ Emmett recitou calmo.
─ E? ─ papai o pressionou.
─ Isabella será uma sultana excepcional para o nosso povo, porque por amor a mulher que amo decidi abrir mão de todos os meus diretos de nascimento e ser livre para poder fazer as minhas próprias escolhas. ─ meu irmão declarou firme e seus pulsos se cruzavam atrás das suas costas.
─ La!* ─ eu gritei um sonoro não que evidenciou a minha presença aqui, ao mesmo tempo em que o nosso pai perguntou para ele:
─ Quem é essa mulher?
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