O Sultão
10 Mudança de Plano
Notas iniciais
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Capítulo 9
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Bella
─ Obrigado, obrigado, obrigado! ─ Emmett disse e me tirou do chão nos girando pelo meu quarto.
─ Há há há... ─ eu ri. ─ Tá bom, tá bom, mas me coloca no chão. ─ pedi feliz por ele estar alegre de novo.
─ Obrigado. ─ meu irmão repetiu e me deu um beijo estalado no rosto. ─ Papai me disse que você o convenceu a deixar que eu me case com Rosalie.
Eu sorri mais.
─ É clichê o que eu vou dizer, mas me agradeça sendo feliz. ─ respondi e também beijei o rosto dele.
─ Eu sou o homem mais abençoado do mundo por ter uma irmã como você e logo também serei o mais feliz que existe, porque me casarei com a mulher que amo. ─ respondeu e eu me emocionei.
─ Papai já sabe o nome dela? ─ perguntei limpando com o polegar esquerdo o canto do meu olho direito para não chorar.
─ Não. Eu só quero que ele saiba quando eu os apresentar pessoalmente. ─ disse. ─ Papai me perguntou sobre o que as parentas dele me fizeram. ─ Emmett revelou mudando de postura quando se sentou na minha cama e o brilho do seu olhar se apagou quando ele abaixou a cabeça para me contar.
Esse tema do passado sempre o deixar envergonhado.
─ E você contou a ele? ─ perguntei colocando as minhas mãos sobre as suas.
─ Não, eu não quero que nada o distraia da guerra, mas eu prometi contar quando tudo acabar. ─ respondeu.
─ Você não é uma distração, mas eu o entendo. Você é o Príncipe Herdeiro de Rajar e é sua obrigação colocar os assuntos do nosso povo a frente dos seus problemas pessoais. ─ meditei.
─ Eu quero te mostrar algo. ─ disse e tirou do seu bolso uma caixinha de veludo verde.
─ É lindo. ─ avaliei quando vi dentro dela um elegante anel de noivado de diamante azul.
─ Acha que Rosalie vai gostar? ─ perguntou ansioso.
─ Que mulher não gostaria de uma linda joia como essa? ─ respondi com outra pergunta.
─ Rosalie não é como você, ela não gosta de usar joias. ─ murmurou.
─ Mas essa ela vai usar com orgulho. ─ afirmei.
Emmett sorriu.
─ E você e o Sultão Cullen?
─ O que tem ele? ─ indaguei de volta.
─ Papai me disse que ele chegou ao nosso palácio hoje. Não te incomoda que o Sultão esteja aqui antes do previsto? ─ perguntou.
─ Não. ─ respondi e contei a ele tudo o que Edward e eu conversamos, porém preferi não falar que papai o trouxe aqui para pressionar meu irmão através de mim.
─ Uau! Eu nem sei o que dizer. Você não se sentiu ofendida por ter sido vigiada a mando dele esse tempo todo? ─ Emmett questionou quando eu acabei de contar tudo a ele.
─ No começo uma parte de mim se sentiu indignada, mas eu tentei não reagir ofendida e quando ele falou que está apaixonado por mim fui parcialmente desamada. ─ falei.
─ Parcialmente?
Aspirei.
─ Não dá para esquecer o quanto o povo dele é antiquado.
─ E o nosso o odeia. ─ contrapôs e um biquinho manhoso apareceu nos meus lábios. ─ Você tem algum compromisso oficial marcado para o fim dessa tarde? ─ indagou.
─ Não. ─ respondi com meus braços cruzados e rosto virado para o lado.
─ Agora tem. ─ disse.
─ Oi? ─ perguntei surpresa.
─ Incluir o Sultão Cullen nos seus discursos pode não ser suficiente para convencer o nosso povo a gostar dele, mas aproveite que ele está aqui e deixe que as pessoas o conheçam pessoalmente me representando ao seu lado numa visita oficial a um dos nossos abrigos antiguerra. ─ sugeriu.
─ Eu vou falar com ele. ─ respondi, porque acho que pode ser uma boa ideia mudar de plano.
Emmett balançou a cabeça e levantou da minha cama.
Sairmos juntos do meu quarto e no corredor ele beijou minha testa, porém meu irmão foi para a ala dos escritórios do palácio e eu caminhei para uma ala menos formal onde avaliei minhas opções para o staff definitivo que vai trabalhar para mim, mas antes de contratar essas pessoas meu pai precisa aprovar minha escolha.
─ Um staff misto? ─ perguntou na antessala da ala familiar depois de ler os currículos de todos que selecionei.
─ Diretos iguais. ─ respondi doce, mas nem eu acreditaria na minha inocência.
Papai riu.
─ Lembra que esse staff vai com você a Suma? ─ questionou um pouco mais sério, no entanto continuava querendo rir.
Ergui e baixei meus ombros.
─ Nenhuma lei me proíbe de ter funcionários homens. ─ rebati.
─ Aqui em Rajar não e como princesa rajanesa você tem o direito de continuar com eles em Suma, mas você já pensou no quanto seu futuro marido vai ter que se explicar para o povo dele?
─ Ele aguenta e um pouco de modernidade para os sumaneses vai ser bom. ─ respondi sem esconder minha diversão e papai sorriu.
─ Menina como dizem os ocidentais: você é afrontosa e eu sou um doido por mimar tanto você, mas eu gosto da sua ousadia e Edward vai ter que aprender a lidar com ela se não quiser que eu o soque por maltratar você. ─ meditou e eu saltei do seu divã para abraçá-lo.
─ Obrigada! ─ falei e beijei seu rosto.
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─ Meu assistente disse que você quer falar comigo. ─ Edward disse quando me encontrou na antessala do meu escritório.
─ Eu tenho um pedido importante para fazer. ─ respondi.
─ Faça. ─ ele disse e nós mantemos uma distância respeitosa entre a gente.
Soraya estava presente e um dos guarda-costas dele também.
─ Emmett pediu para que eu o represente num compromisso oficial no fim desta tarde e sugeriu que eu o convidasse para ir junto, porque seria uma maneira do meu povo conhecer Vossa Majestade melhor. ─ expliquei com calma.
─ É uma honra atender ao pedido de Vossa Alteza. ─ respondeu educado e inclinou sua cabeça para mim.
─ Obrigada. Vossa Majestade pode me encontrar no hall principal em quinze minutos? ─ indaguei.
─ Estarei lá. ─ concordou e graciosamente saiu depois de se despedir mim com um novo movimento da sua cabeça.
Quinze minutos depois a minha equipe de segurança e a dele tinham feito todas as avalições necessárias para irmos ao abrigo antiguerra que a gente vai visitar no lugar do meu irmão e com vinte e cinco seguranças divididos em cinco carros diferentes sairmos do palácio para o nosso primeiro compromisso oficial juntos.
Perceber a importância desse momento me deixou nervosa e como Edward não para de mexer suas mãos sobre as pernas dele acho que ele está se sentindo igual. Mas, eu também me sinto aliviada, porque como ninguém sabe que estamos substituindo Emmett um número menor de repórteres vai estar no abrigo.
Soraya e o assistente de Edward também estão no carro, mas os dois estão concentrados na tela dos seus tabletes e não percebem que, apesar de estamos sentados em lados e extremidades opostas Edward e eu não paramos de trocar olhares ansiosos.
É difícil queremos conversar e não podemos pela distância respeitosa que devemos manter para não escandalizar as pessoas.
Aspirei e ele me olhou compreensivo.
Nos EUA a gente tinha mais liberdade e tudo era mais fácil, mas também era mais difícil porque a noticia do meu casamento com Edward me deixou confusa e surpresa. Porém, não é que me casar com ele, ou com qualquer outra pessoa, seja repugnante, eu apenas não esperava me casar logo, porque sempre imaginei que só me casaria quando já estivesse com pelo menos vinte e cinco anos ── dois a mais que a idade aceitável para uma mulher ser solteira na sociedade rajanesa, mas a minha posição como Princesa poderia me dar mais tempo e no Ocidente eu disse e fiz coisas ao lado de Edward que eu não teria dito ou feito se estivesse no meu estado emocional normal e ele nunca teria me beijado, ou mesmo me tocado antes do nosso casamento, se não estivesse tentando vencer meu preconceito contra o seu país mostrando que pode ser um homem moderno, e que, apesar de vir de um lugar conservador como Suma não quer me transformar numa mulher diferente da ousada que sou.
─ Rajar é um país tão bonito, é muito triste ver as ruas de Maraban destruídas. ─ a voz profunda e gentil de Edward ecoou pelo interior do carro blindado.
─ Imagine como estão se sentindo as pessoas de origem mais humildes que foram atingidas por essa guerra de maneira mais intensa. ─ murmurei de volta, nem um pouco surpresa com a atual imagem das ruas da capital.
─ Eu vou falar com o Sultão de Alzan, não é aceitável que ele espere até o nosso casamento para assinar o tratado de paz com Rajar. O seu povo está sofrendo e eles não tem culpa de terem uma nação rica. Eles não devem pagar pela ambição de alguns ratos governantes ambiciosos. ─ decidiu em voz alta e Soraya olhou surpresa para ele, mas não falou nada, nem poderia quando eu mesma fiquei sem palavras.
─ O meu povo agradece a Vossa Majestade. ─ o chefe da minha equipe de segurança disse com uma voz profundamente agradecida e uma rápida reverência quando ele me viu abrir e fechar a boca sem dizer nada.
O assistente de Edward o olhou com orgulho e com um pouco de superioridade para nós rajaneses.
Eu o ignorei, no entanto olhei com gratidão para Edward.
─ Mubarak*. ─ sussurrei olhando para o seu rosto apenas para que ele possa ler nos meus lábios.
Sorrindo Edward também mexeu seus lábios, mas sem produzir som e por cima da cabeça de Soraya o que li neles me deixou sem ar: “Ana bhebik*” Eu te amo em árabe e a sua declaração inesperada fez minha pulsação ficar tão forte que chegou a doer e eu desviei o meu olhar do seu ao abaixar minha cabeça corando em várias tonalidades diferentes de vermelho.
─ Vamos Alteza? ─ Soraya me chamou quando o nosso carro parou na porta lateral do abrigo e ela nem percebeu que estou estranha.
─ Va-vamos. ─ respondi oscilante e a alguns passos do motorista Edward me esperava do lado de fora quando a porta do carro foi aberta para mim.
─ Alteza, Majestade. ─ o diretor do abrigo se curvou para nós e ele tremeu quando viu Edward.
─ Omar. ─ eu disse mexendo minha mão para que ele levantasse.
─ É uma honra tê-los aqui. ─ falou, mas mal olhou para o meu noivo.
─ Obrigada. Emmett pediu para o representamos aqui e ele pede desculpas por não poder vir pessoalmente, mas como Príncipe Herdeiro às vezes ele tem que enfrentar alguns contratempos. ─ expliquei.
Omar concordou e ele nem pode reclamar, não quando no lugar do meu irmão está um Sultão e eu, a sua Princesa que foi exilada por segurança própria.
─ Vamos entrar, os abrigados estão ansiosos por essa visita oficial. ─ Omar disse e eu espero que eles continuem iguais quando virem Edward.
O Sultão nos acompanhou, mas não disse uma palavra, apenas balançou sua cabeça nos momentos certos e a equipe que estava com a gente continuou por perto quando nos aproximamos dos abrigados.
─ Amira*. ─ algumas mulheres começaram a chorar quando me viram e eu estiquei minha mão para elas quando semi me ajoelhei para ficar na altura delas que estava com as pernas encolhidas na frente do peito sentadas no chão.
─ Salaam*. ─ repeti várias vezes falando com todas elas e Edward estava de pé ao meu lado olhando para todas as pessoas com muita solidariedade, mas também muita dor no olhar por estar vendo de perto o sofrimento delas na guerra.
Seu país não enfrenta um guerra há mais mil anos e esse é o primeiro contato próximo que ele tem com as vitimas de um grande confronto armado.
─ Radi allah eanha*. ─ elas responderam de volta.
─ Você é um príncipe? ─ uma menininha de cinco ou seis anos perguntou para Edward quando ela puxou a tobe* dele para chamar sua atenção.
Ele olhou para baixo e sorriu, mas os pais da menina olhavam tudo assustados, com medo que Edward reagisse furioso pela atitude dela.
─ Já fui. Agora eu sou um Sultão. ─ respondeu gentil quando se abaixou na frente da criança para poder conversar com ela no nível de altura dela.
─ Igual o pai dela? ─ a menina questionou olhando para mim por alguns segundos.
─ É. ─ falou sorrindo.
─ E vocês vão se casar? ─ suas perguntas continuaram e Edward as respondeu com paciência.
─ Vamos.
─ Sorte dela, você é bonito. ─ afirmou e seus pais resfolegaram.
─ Latifah! ─ seu pai a repreendeu chocado. ─ Perdão Majestade. ─ ele implorou tremendo, quase chorando.
─ Está tudo bem. A sua filha é adorável e você é abençoado por tê-la. ─ o Sultão respondeu com a mesma gentileza que falou com Latifah.
Outras crianças que o ouviram tomaram coragem para se aproximarem dele e algumas se penduraram nele como se ele fosse uma grande árvore que podiam brincar.
Edward não se intimidou com a atenção delas e continuando abaixado ele sentou um menino numa das suas pernas enquanto sorria para outras.
Eu voltei a falar com as mulheres, porém é fofo ver um homem de mais de um metro e noventa sendo tão doce com as crianças. Eu também falei com os homens e vi quando Edward não deixou sua equipe de segurança tirar as crianças de perto dele quando ele começou a falar com alguns adultos.
Fora do abrigo a gente se despediu de Omar e quando entramos no carro de novo ele não estava mais assustado.
─ Você já leu o nosso contrato pré-nupcial? ─ Edward aproveitou para perguntar quando os outros ainda não tinham entrado no carro.
─ Li e eu quero uma cláusula proibindo outras esposas. ─ respondi.
─ Possessiva? ─ indagou leve.
─ Me chame de menina mimada, mas os meus pais me ensinaram a não dividir marido. ─ afirmei séria.
Ele balançou sua cabeça para cima e para baixo. Depois Soraya e os seguranças entraram no carro acompanhados do seu assessor e o motorista nos levou para palácio.
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─ Manhã difícil? ─ 'umi* perguntou quando um dia depois da visita ao abrigo eu olhava feio para a tala do meu notebook no meu quarto.
─ Não, eu é que não consigo me concentrar em nada. ─ murmurei.
─ Mas os assistentes do Sultão Cullen não estão tendo uma boa manhã. ─ falou e sentou numa poltrona perto de mim.
─ Por que não? ─ questionei desistindo de brigar com o trabalho e a olhei.
─ Ontem a noite ele conversou com o seu pai sobre o contrato pré-nupcial de vocês e hoje de manhã quando ele falou com os assessores dele sobre as mudanças nesse documento eles não gostaram nem um pouco.
─ Surpreendente seria se eles tivessem gostado, em Suma tem mais casamentos poligâmicos que aqui. ─ meditei.
─ Mas a desculpa que eles usaram para justificar a opinião deles foi nojenta. ─ minha mãe aspirou forte.
─ Oh, me divirta. ─ pedi sabendo que vou ouvir qualquer absurdo.
─ Aqueles idiotas disseram que o Sultão deles precisa manter o direito de ter mais esposas, porque ele precisa ter herdeiros se você não puder tê-los. ─ contou e ela estava brava com eles. A prova disse é que minha mãe nunca xinga e ela os xingou.
─ Meus exames físicos provam que sou fértil. ─ respondi calma.
─ Eu sei e quando o seu pai os lembrou disso os babacas disseram que você é muito jovem e alguns problemas de infertilidade só aparecem quando a mulher é um pouco mais velha, como a endometriose, e que hoje você é fértil, mas depois pode ficar estéril antes que vocês dois tenham um filho. ─ mamãe frisou bem essa última palavra, porque diferente de Rajar em Suma as filhas não podem governar o sultanato.
─ Acalme seu coração. Emmett sempre me diz que argumento bem e que se eu não fosse princesa eu poderia ser uma boa advogada, mas eu sou boa nos meus argumentos porque papai e você ensinaram bem a ele e a mim e se eu não quero outras esposas nenhum assistente vai me vencer. Fora, que no Alcorão* diz que nenhum homem pode ter outras esposas se a primeira não concordar. ─ lembrei.
─ O Sultão pode te convencer a aceitar. ─ sugeriu.
─ Nunca ia conseguir e você sabe disso, mas ele não vai. ─ afirmei acreditando que um homem apaixonado de verdade não pensa em outras mulheres.
Minha mãe beijou meu cabelo e me deixou sozinha quando uma assistente sua a chamou.
Cinco minutos depois eu imprimi uma lista com os nomes de todas as pessoas que quero levar comigo para Suma e fui para o escritório do meu pai.
Todos esses nomes eu e ele pré-discutimos no café da manhã e todos foram aprovados por papai, no entanto eu ainda preciso da sua autorização por escrito para cumprir todas as exigências burocráticas de Suma e Rajar.
─ Me deseje sorte. ─ Emmett pediu quando nos encontramos no meio do caminho. ─ Eu sei que a guerra ainda não acabou, mas eu quero você esteja aqui quando Rosalie chegar e estou indo buscá-la nos EUA. Eu também vou pedi-la em casamento a moda ocidental para que ela fique feliz.
Eu inspirei e aspirei o ar dos meus pulmões.
Emmett e eu não somos a regra, porém exceções de comportamento no mundo árabe.
─ Boa sorte e para a segurança de Rosalie se case com ela no civil quando vocês ainda estiverem nos EUA. ─ sugeri e meu irmão me olhou surpreso.
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