O Selo Do Medo
7 Tamashi
- O que houve Shippou? Parece tão desanimado... Falou Miroku vendo a kitsune cabisbaixa já a algumas horas enquanto andavam.
- Leona...
- Shippou, acredite, não é só você que tem saudades de ter um gatinho brincando inocentemente por aí... Disse Sango passando a mão pela cabeça da raposinha e seguindo caminho.
Logo anoiteceu. Kagome parecia inquieta. Todos percebiam isso. Shippou somente foi o primeiro a comentar algo naquela hora.
- Kagome, está tudo bem? Tá doendo alguma coisa? Perguntava Inuyasha com cara de quem tinha achado algum problema grave, e a cena até poderia ser considerada engraçada, se não fosse por Kagome realmente parecer de mau humor.
- Faz um tempão que aconteceu aquilo tudo, e Souta já perguntou de novo por Leona, não sei mais o que dizer pra ele. Nós não sabemos se ela sobreviveu, nem o seu irmão, Inuyasha.
- Aquele neko-youkai é mais forte que talvez tenhamos imaginado... E Sesshoumaru é duro na queda, provavelmente ainda devem estar brigando, você mesma viu como ela é teimosa, e conhecendo a minha família... Não duvido que a guerra de egos daqueles dois seja pior que uma briga literalmente falando. Fala Inuyasha pensando em como deveria ser tensa a atmosfera de duas pessoas tão convencidas tentando se convencer de alguma coisa.
------------------
Realmente, ter um braço a menos era um grande problema, não sabia mais onde se agarrar para evitar que levasse mais desvantagem ali. O seu veneno não parecia fazer tanto efeito assim em um youkai tão grande e com um youki tão denso.
Não tinham percebido ainda, nenhum dos dois, que a madrugada já tinha se estendido depois de falarem tanto, depois de tantas esquivas, e depois de ele sentir que agora tinha que forçar a respiração mesmo que doesse, porque estava com algumas costelas quebradas. Sua força estava se indo, acabou voltando á forma humana, essa era uma luta perdida, ele acabara tendo que admitir isso, ainda não era forte o suficiente para um daiyoukai como aquela mulher, apesar de tudo. Mesmo que ela estivesse sob sua influência, em momento futuro, agora ele não sabia como usar isso ao seu favor, cometera um erro deixando aquele demônio vivo quando teve a chance de se livrar dela, ainda não entendia porque tinha descartado uma chance de se livrar de um problema daquele tamanho quando teve a chance.
Apesar de esperar um golpe de misericórdia, de novo, apesar da chance, ele não via o golpe chegando. O que diabos ela estava pensando. Em um momento ela estava possessa querendo matá-lo e conseguiria, no outro estava novamente com a forma humana, olhando-o como se tivesse pena. Não queria pena dos seus oponentes. Que tipo de youkai agia dessa forma? Independente de quanto espaço-tempo houvesse entre a existência deles, isso era completamente incompreensível.
Leona voltara de sua forma original, sentia-se muito melhor vendo que suas roupas voltaram com ela, apesar de ver a sua mão esquerda se molhando de sangue, seu braço dentro da jaqueta estava ferido e escorrendo. Seu jeans também mostrava algumas manchas vermelhas. Estranhamente, quanto mais tempo passava perto daquele youkai, mais sentia que estava voltando a sua forma original, tinha recuperado a sua forma humana perfeita há pouco tempo, agora tinha conseguido o seu corpo em um dia não programado, e tinha conseguido a sua forma original, seus poderes estavam se condensando a uma medida muito mais próxima do que ela fora um dia como daiyoukai.
- Sesshoumaru... — começou ela depois de ter se aproximado, ignorando as dores na perna, e caminhando até lá, ajoelhando-se perto de onde ele estava caído. — Eu poderia ter te destruído, cachorro maldito que não merece ser chamado de youkai...
- Então porque não o fez de uma vez? Perguntou ele, como sempre, mas havia o medo no fundo da expressão dos seus olhos.
- Mais uma vez... Vai desfazer o selo? Perguntou ela com uma voz pacienciosa.
- Se eu disse que não, termina comigo, se eu disse que sim não acreditas, estou certo? Perguntou ele realmente pensando que era péssimo em argumentar, mas se quisesse sair vivo daquilo pra poder contar a história, e não sair como uma história de fracasso dali, teria que forçar-se a ser mais perspicaz que geralmente era.
- Pensando bem... É meio difícil crer que um fracassado como você possa fazer alguma coisa mesmo... — Começa ela com aquela pose arrogante que perceptivelmente o irritara — Sempre pensei que essa era uma habilidade inútil... Resmunga ela dando de ombros e esticando a mão esquerda.
- O que vai fazer, maldita? Perguntou ele e viu que uma energia azulada brilhava na mão dela sobre ele, o sangue dela ainda escorria pelo braço, e pigou da mão dela, aquilo era quente e ardia. Que tipo de veneno aquele clã maldito tinha?
- Cale-se... — resmungou ela irritada — Maldição perdida, vínculo com a vida... Ela recitou alguma coisa que era de algum conhecimento youkai, porém não era nada que ele tivesse ouvido antes.
Apesar de sentir seu corpo inteiro como que febril, ele percebeu que não estava mais ferido, e ela também não parecia estar como antes.
- Nem tente — disse ela quando viu que ele tentaria provavelmente levar a mão ao seu pescoço e matá-la, ele parou em dúvida — Você vai tirar esse selo, não me interessa se sabe ou não como, Sesshoumaru, enquanto isso, eu não arredo o pé daqui. Se tentar me matar, você morre junto...
- O que significa isso? Ele parecia contrariado, não estava gostando do que ela dizia.
- Vínculo com a vida, uma das habilidades do meu clã que eu sempre achei inúteis... Ironia ou não mas agora serve. Se um de nós morrer, o outro vai pro inferno junto, então não tente se livrar da sua obrigação, eu quero a minha liberdade de volta, ou nenhum de nós sai vivo disso.
- Coisa irritante. Resmungou ele pensando que realmente, preferia ter morrido de uma vez envenenado, em contrapartida, do jeito que ela falava, era como se detestasse essa habilidade, era como se achasse que ter algum tipo de veneno próprio fosse mais útil. Nesse momento não foi.
Estava amanhecendo, ela via Rin se aproximando com a veste de Sesshoumaru que tinha ficado para trás anteriormente, quando ela fora jogada pra fora do lago.
Ela via que estava novamente minúscula, saindo do meio de suas roupas que de repente ficaram vazias ao chão. De novo essa vida medíocre. Rin tinha sido cuidadosa com as roupas que haviam ficado ali, ela esperava que suas transformações voltassem a ser como antes, ela não precisava se preocupar com isso antes de ter perdido tanto do seu poder youkai. Mesmo assim, ficara aliviada de ver que Rin cuidou da sua roupa.
Por algum motivo estranho, na lua crescente, até a lua cheia, um intervalo de sete noites, ela estava tendo livres, e sentia que isso era algum progresso. Afinal, se tivesse que esperar pela boa vontade de Sesshoumaru para decifrar o que ele mesmo teria feito, isso nunca seria feito, se bem que, ele se sentia um tanto desgostoso de ter que tê-la por perto, principalmente quando ela era um frágil gatinho, afinal, se aquela porcaria de gato morresse, ele iria pro inferno junto com aquela mulher demônio. Ele começou a amaldiçoar a si mesmo mentalmente no futuro pensando no problema que lhe apareceu, mas sentia-se mal por não poder culpar outro imbecil por aquilo. Aquele inferno começou por sua própria culpa, isso era o que mais irritava os seus pensamentos.
Terceria noite de sono que perdia anotando aqueles kanjis, boa parte deles não conhecia, eram coisas que pelo menos nessa Sengoku Jidai não eram usadas. Que combinações estranhas para um selo... Era o que pensava de tempos em tempos. Podia saber sem nem perguntar a ela que estava irritada com a sua lerdeza para a cópia, mas não podia fazer muita coisa quanto a isso, não era atividade costumeira de um youkai fazer desenhos manualmente, e essa era uma atividade forçada, fora que, a caligrafia de qualquer outro no grupo seria deplorável pra que ele pudesse consultar depois.
- Pare de se mexer. Reclamou ele fazendo mais um risco no papel e consultando o desenho original, que se movia de novo nas costas dela.
- Ah... Desisto, você é lento. Reclamava ela colocando de volta a blusa e a jaqueta.
- Ei... — começou ele — volte aqui, eu preciso dessas informações pra me livrar de você logo, maldita... ¬¬' Resmungava ele.
- Tenho uma ideia melhor...
- Explique-se. Respondeu ele ainda irritado.
- Vou precisar voltar à minha era, será bem mais fácil tirar uma fotografia do desenho e fazer uma impressão com ampliação pra que você leia.
Ele ficou olhando como se ela tivesse falado em algum idioma que ele não entendia, puxou-a de volta e ela viu que ele parecia completamente perdido.
- O que está olhando? Ande logo. Disse ela se aproximando dos outros.
- Ah, onde vamos, nee-chan? Perguntou Rin vindo na sua direção. Ela pegou a menina e a girou no ar depois parando-a no seu colo, sentando-se para ter uma refeição decente.
- Eu preciso ir para a minha Era, lá é possível que resolvamos alguns dos meus problemas mais rápido.
- Como se volta pra lá? Perguntou Sesshoumaru não querendo demonstrar a curiosidade que tinha em ver como era o mundo em um momento futuro.
- Precisamos chegar até o Poço Come Ossos, fica perto da floresta onde o seu irmão foi selado pela Miko Kikiou há uns cinquenta anos.
- Conseguimos chegar lá até amanhã a tarde. Disse ele desinteressado.
- Como é a sua casa? Perguntou Rin curiosa, e depois dessa despejou mais uma dúzia de perguntas sucessivas sem deixá-la falar, Leona ria disso de uma forma até elegante, mas com um olhar conseguia fazer a menina esperar pacientemente pelas respostas.
- É uma casa velha, e eu tenho uma vovó que é fofinha como um gato. Mas ao sair do poço do outro lado, damos de cara com um templo, é ali que mora a Kagome-san, a reencarnação da Miko Kikyou. Ah... Ela suspira por fim como se tivesse lembrado de algo.
- Leona-sama? Perguntou Jakken curioso, mas sabendo que ela detestava mais ainda que Sesshoumaru que ele falasse demais então calou-se na metade da pergunta.
- Acabo de me lembrar do que a Obaa-chan e eles concluíram sobre o poço...
- E daí? Perguntou Sesshoumaru, quase não segurando a curiosidade de saber sobre o outro lado.
- Bom, garando que eu consigo passar, porque já fiz a travessia, se eu consigo, já que agora você tem um vínculo comigo, obrigatoriamente tem que ir também, mas Rin e Jakken tem que ficar esperando, não existe nenhum vínculo que permita que eles passem para a Era moderna.
- O que te garante que consegue passar?
- Originalmente eu pertenço àquele lugar, então eu consigo. Como o Inuyasha consegue passar, imagino que você consegue também, sendo da família, fora que a obrigação do vínculo comigo te obriga a passar, nesse caso...
- Obriga? Ele não entendeu direito, porque um maldito feitiço de cura tinha se tornado um problema.
- Uma alma não pode estar em dois lugares do tempo-espaço ao mesmo tempo, é lógico. Disse ela, mas depois percebeu que era muito plausível que noções de física e artigos científicos modernos não eram algo muito compreensível para a era feudal.
- Com "uma alma" você quer dizer o quê exatamente? Sesshoumaru de repente parecia ter uma expressão preocupada.
Fale com o autor