- Ah, eu esqueci de explicar isso. — começou ela pensando em como seria chato ter que explicar uma coisa dessas, era por essas e outras que queria ter veneno como um dos talentos do seu clã ou qualquer outra coisa, até olhos com lasers estariam valendo, só pra não ter que desenrolar mau entendidos com essa coisa toda — Até que seja desfeito o efeito do Vínculo com a Vida, nossa alma é uma só, o que inclui a energia ou youki. Assim, quando acontece alguma coisa com algum de nós, isso atinge os dois, porque espiritualmente isso é considerado como um corpo só. O que daria margem pra que em caso de necessidade, qualquer um de nós pudesse utilizar o youki do outro em batalha se o próprio estiver debilitado, e essas coisas assim.

Ela não ia explicar a coisa de ler os sentimentos da alma unificada, até porque como foi a primeira vez que ela conseguiu usar aquilo, o que ainda a surpreendia muito, já que o seu pai tinha dito que ela nunca iria conseguir fazer aquilo se não tivesse compreensão do significado dos sentimentos que compõem uma alma, até porque, apesar de ser uma ser vivo com alma, ela era um youkai talvez até mais destrezível que Sesshoumaru quando era mais jovem, teimava em convicções que escondiam qualquer manifestação mais humanista. Era provavelmente por isso que o seu velho tinha dito que ela não tinha talento. Era irônico pensar que por causa desse maldito youkai, tinha aprendido isso depois desses quinhentos anos passando por esse inferno, e isso que deveria ser algo a ser usado para salvar as pessoas que lhe importavam, segundo o que sua mãe dizia, tinha sido usado somente como mecanismo de manipulação daquele garoto. Para evitar que a traísse na palavra de cumprir com a sua libertação. No fim das contas ela via cada vez mais correntes invisíveis que a prendiam a ela mesma, e agora a esse maldito que a tinha primeiramente acorrentado. Era irônico não poder esganar aquele demônio sendo isso o que mais queria. Mas no fim, realmente, se fizesse como daquela vez, e deixasse que sua vingança criasse mais mortes, não teria nada de volta, nem seus pais, nem seu clã, nem ela mesma.

- Interessante... Ele resmungou pensando. E ela pensava em como podia ser interessante uma coisa tão problemática. O que diabos ele estava pensando.

Como poderia adivinhar os pensamentos daquele youkai? Queria saber porque ele dava respostas evasivas, o que responderia se falasse o que vinha ao seu pensamento. Mas aparentemente, pensar em buscar a resposta da pergunta que tinha na mente no momento, do porque o vínculo foi de repente considerado como "interessante" por ele, simplesmente não estava funcionando. Sentia o sono chegando. O que estaria pensando agora, Sesshoumaru? Ficou cogitando coisas, e se fez várias vezes essa pergunta, e o silêncio a ajudava a ficar com mais sono ainda, mas não parecia trazer respostas. Fechou os olhos escorando-se a um canto. Estava sendo observada, mas não ligava, estava com muito sono. A pergunta se repetia dentro da sua cabeça, agora uma coisa bem mais simplória. No que estaria pensando, Sesshoumaru?

Leona sentiu um pulsar dentro de si, como se fosse de repente sugada de seu corpo e sua consciência a tivesse deixado. Via as coisas pela ótica de Sesshoumaru, estava se vendo, dormindo calmamente, com as roupas que ele achava estranha, Rin a cobria com um fino cobertor de meia-estação e se abraçava a ela para dormir. Rin parecia se sentir feliz perto de outra garota. Leona via essa consideração acerca de Rin, essa preocupação simplória, era como se apesar de se afastar, ele não quisesse estar sozinho, com aquele olhar vazio. Ele tinha medo de perder as coisas, não se apegaria a coisas que não poderia ter, depois isso somente o deixaria frustrado. Era o medo da perda que o fazia ser assim? Estranho ter essa sensação de vazio tão grande, mas ela não poderia fazer nada, afinal isso somente poderia ser mudado por ele mesmo.

Ele olhava para elas dormindo e depois para a Lua se afastando do alcance, a noite estava terminando. Pensava com curiosidade no que seria exatamente esse mundo de onde aquela youkai tinha vindo. Ela tinha falado que ele, que o clã dele os destruíra em uma guerra sem sentido, ele lembrava de novo dos olhos cheios de ódio que ela tinha para ele, desde que ela apareceu pela primeira vez. Mesmo que ela parecesse mais calma agora, ainda podia sentir a sede de vingança dentro daquele olhar, mas isso se confundia com um desespero, com uma tristeza diferente que ele não entendia. De um momento a outro ela passava de uma sede assassina a quem evitara que ele morresse. Ela deixou de dar um golpe fatal várias vezes mesmo tendo a chance. Porque parecia que ela se importava tanto, quando a lógica deveria dizer o contrário... Leona ficou tonta com a quantidade de indagações que ele fazia a respeito dela dentro da mente, ele nunca apreciava o brilho da lua, ele ficava pensando em muitas coisas, mais coisas que ela podia acompanhar por segundo. Era estranho que ele tivesse essa preocupação com motivos e coisas da existência dela.

Ele parou para pensar no que sabia até o momento sobre aquilo tudo. Tinha que se livrar logo desse vínculo maldito, embora... Pensando melhor na explicação mais detalhada de Leona, era até mesmo vantajoso isso, afinal, ela tinha um youki interminável quase, seria muito difícil que alguém sobrevivesse a uma luta contra dois youkis simultaneamente, apesar de ter a desvantagem de que se qualquer um deles morresse o outro morreria, tinha a vantagem de que se somente um deles estivesse em batalha, fosse uma força praticamente inabalável por outras energias.

Leona pensou seriamente que queria esganar aquele maldito cachorro que ainda pensou em uma forma de tirar vantagem do que ela criou para manter a possibilidade de se libertar.

Mas, ele interrompeu o próprio pensamento, era realmente perigoso ter esse vínculo enquanto ela tivesse aquele período de fragilildade tão longo, tinha um tempo muito curto de vantagem para um tempo muito longo de vulnerabilidade em que tinha que cuidar daquele gatinho. Não que ela como um gatinho não fosse até mesmo engraçadinha... Mas era um problema. Ele irritava-se com o próprio pensamento ao cogitar isso.

Leona achou ridículo que ele conseguisse chegar a conclusões lógicas e se irritar com o que ele mesmo pensara.

Ele parou para pensar que a maior parte dos encantamentos que tinha escrito até o momento não pareciam fazer significado algum soltos como estavam, e muitos ele não conseguia compreender. De novo lhe veio à mente parte deles. "superar o orgulho e o medo" e "entender a existência completa" pareciam coisas que poderiam estar em um mesmo texto, isso é, se se tratasse de um livro de filosofia, assunto que ele detestava. Era irritante pensar que aquela coisa foi criada por ele mesmo, e que agora, ele não conseguia decifrar o que aquilo significava. E o que era aquele kanji que parecia errado, nunca viu nenhuma maldição ou selo que tivesse um borrão em lugar nenhum. Aquilo devia ser alguma coisa, tinha que ser...

Pensou de novo sobre a briga que tiveram, e como realmente não sabia explicar o medo da morte que sentiu daquela vez, e depois, de novo. Cometeu um erro não matando aquele gato antes, e se culpava por isso. Mas, mais ainda, depois de escutar aquelas coisas, quando ela falava sozinha, sem perceber que estava sendo escutada, quando ele teve a chance de simplesmente cortar a garganta dela, e hesitou. Uma parte da sua mente dizia insistentemente que ele era um tolo por ter considerado desleal matar uma garota que dormia só porque ela de repente dizia-lhe o seu nome. Não podia evitar o fato de que realmente, a visão de uma mulher como ela dormindo como naquele momento, foi um fator que lhe fez desistir, mas outra parte de si dizia o quão errado foi não ter dado termo ao problema por meros instintos. Ter fugido de si mesmo ao se afastar dela naquela noite foi uma coisa que depois ficou-lhe martelando os pensamentos e ainda incomodava. Afinal, porque uma mulher tão bonita podia ser um problema tão grande? Ficava entre o pensamento de que ela era uma bela youkai e o pensamento de que ela era na verdade é um belo e grande problema pra sua vidinha tranquila.

Leona já tinha enraivecido o suficiente para querer sair de dentro dos pensamentos de Sesshoumaru depois de várias das reclamações e dos planos que ele tentava fazer para minimizar o seu problema, mas realmente queria sair dali e acordar quando ficou sabendo que ele tinha ouvido ela conversando consigo mesma naquela vez. Ele não tinha vergonha de ficar pensando nela daquele jeito? Afinal, não conseguira sair a tempo da sua mente para acordar no seu corpo e poder esbofeteá-lo como merecia, depois de um sono intranquilo acordou como um gatinho, e foi pêga de qualquer jeito e colocada no ombro de Sesshoumaru por ele. Tentava não rosnar de raiva, mas realmente queria fazer picadinho dele e dos pensamentos pervertidos que tinha. Era irônico que o cara que deveria mais odiar nesse mundo era quem poderia ajudá-la, e que, tanto tempo antes do momento em que passou a odiar e sistematicamente destruir o seu clã e sua família, tivesse esse tipo de pensamento completamente contraditório a respeito dela.

- Ei... Está tremendo de raiva porque? Até parece que sonhou comigo destruindo a sua família de novo. Disse ele com um sorriso maldoso, e Leona o olhava com raiva, e pensando seriamente se não deveria responder arranhando a cara dele, mas talvez fosse melhor ficar quieta, seria uma ótima ideia lidar com isso na sua forma mais forte, ser colocada na água como um gatinho era apavorante, na sua forma humana poderia talvez açoitá-lo pela ofensa, ou... Ela passou um bom tempo pensando em métodos de tortura demorados, dolorosos e sem risco de morte.

No fim da tarde ela viu o poço. Saiu do ombro de Sesshoumaru e foi para perto de Rin, que levava suas roupas enroladas em um cobertor leve. Não precisava de Rin para ajudá-la a ajeitar um obi, afinal ela não vestia roupas tradicionais, a sua clássica roupa de motoqueira era bem mais prática que aquilo. Ela era um daqueles fascinantes youkais da era moderna, simples para poder destruir mais coisas sem se incomodar com a aparência, mas sem deixar de perder uma das coisas que eram mais apreciadas em uma fêmea clã felino, aquela aparência arrebatadora que levava as pessoas para o inferno e trazia a insanidade a muitos youkais.

Depois de pularem no poço, ela pensou em como seria um desastre andar na rua com aquele youkai que trajava coisas da era feudal. Ela lembrava-se de uma ala do templo que Kagome contara que em outro tempo foi usada para alunos de arco e flecha, era um clube, apesar de não ter mais reuniões por terem os alunos deixado os hobbies e ingressado nos compromissos da vida adulta. Talvez houvesse algo menos escandaloso para resolver o problema de andar na rua com um youkai da era feudal.

- Onde estamos indo? Perguntou ele vendo que adentravam um templo, que não parecia muito difernte de qualquer construção que ele conhecia na Segoku Jidai.

- Aqui. — disse ela entrando na escura sala de armários cheia de poeira como se enxergasse normalmente, e sentindo que o cachorro a seguia às cegas quase — Procure nos armários alguma roupa que lhe sirva, alguém deve ter esquecido alguma coisa aqui do seu tamanho. Disse ela se escorando de lado a um dos armários, de costas para onde ele estava, não tinha interesse em ficar espiando os outros como aquela mente atrás de si, conforme o que ela vira.

- Realmente precisamos perder tempo com isso? Essas roupas estranhas... Ele começou a falar achando que aquilo era uma coisa completamente desnecessária, não imaginava muita diferença entre vestir um kimono tradicional e outra coisa qualquer. Parecia tão idiota as pessoas repararem nas vestimentas, afinal, o importante não era que estivessem vestidos?

- Sim precisamos, não quero que seja parado por nenhum guarda que o ache estranho na rua, isso daria muitos problemas.

Ele se contentou com o que parecia ter o seu tamanho ali, aparentemente, uma calça do mesmo tecido estranho que ela usava, exceto pelo fato de que pelo menos essa não estava rasgada nos joelhos e gasta em alguns cantos. Lembrou-se do funcionamento de um ziper porque já tinha visto como era o da jaqueta dela, e realmente estava se irritando com os botões daquela camisa.

- Ei... Você não está em um shopping, vista-se logo. Resmungou ela.

- Shopping? Ao escutar a dúvida dele, ela se lembrou que estava falando com uma criatura medieval, e pior que isso, um garoto.

- Ah, esqueça, um lugar cheio de bancas com roupas e outras coisas para comprar, onde mulheres perdem muito tempo experimentando e esconhendo roupas. Explicou ela.

- Preciso de um obi.

Ah, não, ela pensou, ele não iria amarrar uma camisa como um kimono. Ela estapeou a própria testa pensando em como poderia diabos existir alguém tão tonto, mas também não poderia reclamar muito. Saiu de onde estava e começou rapidamente a fechar os botões da camisa em que ele tinha falhado miseravelmente em entender, provavelmente ele se irritou porque eram muitos botões. ¬¬'

- Isso são botões, ah, kami-sama... Como você pode ser tão irritante... Resmungava ela terminando de fechar o penúltimo botão e vendo que ele observava até mesmo curioso.

Provavelmente a falta de luz ali tinha atrapalhado nisso também, ele não tinha uma visão tão boa quanto a dela, e ela via que estranhamente ele parecia envergonhado com isso como se esperasse a qualquer momento que Jakken falasse algo idiota para tirá-lo daquela situação perto dela.

- Pronto. Vamos logo. Ela disse de forma imperiosa como sempre, mas era instintivo na sua era, no seu território, ser encantadora, e não percebeu isso quando simplesmente o puxava pelo braço para fora dali.

Ela achou engraçado o fato de ter que ficar puxando-o porque todas as coisas ali pareciam completamente diferentes, mesmo que ele não quisesse admitir, seu rosto demonstrava que estava fascinado com as luzes da noite, com as "geringonças" que andavam pelas ruas, com as coisas diferentes que haviam por ali. Leona começava a se preocupar em como explicar para Haya-obaa-chan que o irmão um pouco mais perigoso do hanyou que ela tinha conhecido antes estava entrando naquela casa. A velha teria um surto psicótico, afinal... Inuyasha foi um problema relativamente pequeno perto do desastre que Sesshoumaru causou na guerra, obviamente que a velha teria ganas de matar o youkai que destruiu a vida da sua amada netinha. So de pensar nisso ficava com dor de cabeça.

- Obaa-chan... Chamou ela um tanto temerosa entrando na casa e puxando o outro que quase tropeçava na escuridão do lugar, tendo que admitir que precisava ser mesmo puxado por ela, e não gostando nada disso.

- Leona... Minha menina... Venha logo, eu estou fazendo chá para nós... Kagome-chan apareceu aqui com o inukkoro este mês, estava mpreocupados com você, meu amor... Venha me contar tudo logo, você está falando em uma noite de lua crescente, aquele demônio libertou você? Falava a velha colocando mais água no fogo e sacudindo a cauda feliz. A cozinha estava bem mais iluminada, e ele podia ver a organização e a decoração tradicional. Aquela velha era alguém que talvez ele devesse conhecer? Se perguntou...

- Ahm... Não exatamente. Ele disse já que a pergunta da velha era mesmo que deseducadamente, direcionada a ele. A velha ouviu a voz e virou-se vendo-os entrarem ali.

A velha deu um grito e começou a recitar fudas para aprisionar o demônio. Leona se dirigiu até a velha e tentou acalmá-la um tanto inutilmente. Até que conseguiu fazê-la sentar-se e sair do estado de choque.

- O que esse demônio está fazendo aqui, Leona? Realmente, como ela previra, a velha ficou furiosa.

- Ah, lá vamos nós... — resmngou ela — Esse cara, nesse tempo do Sengoku Jidai, é um idiota que não sabe como foi que me fez o que fez, então o convenci a decifrar o que ele mesmo fez e desfazer. Ela escutou um rosnado dele e viu que ele não gostou nem um pouco da descrição.

- Poderia ser um pouco mais educada com "esse idiota"? Reclamou ele com um tom irritado na voz.

- Ah, o que eu fiz pra merecer um cara tão mau humorado na minha cola... Resmungou ela bebendo chá e ignorando ele.

A velha youkai ainda observava desconfiada, apesar de ele estar se comportando de um jeito tão infantil e teimoso quanto o hanyou, ele era um youkai muito mais perigoso e provavelmente estaria mentindo para Leona, pensou no que poderia fazer, vendo que ela parecia simplesmente estar conversando com o youkai de igual para igual, mesmo depois de tudo que tinha acontecido naquela guerra. O que tinha acontecido com ela? Estaria sob efeito de algum outro fuda daquele selo? Seria tão triçoeiro assim o poder dos inu youkais?

- Obaa-chan, eu sei exatamente o que você está pensando... — Leona começou — Mas não se preocupe, ele não está planejando nada que vá me prejudicar, meus métodos de convencimento o impedem disso.

- Leona, francamente... A velha começaria a recitar seja lá o que fosse, provavelmente pensando coisas que não tinham realmente nada a ver com o que realmente tinha acontecido, e ela nem queria cogitar o que a imaginação da velha pensou.

- Obaa-chan, sério, não tem problema, com o Vínculo com a Vida, se ele não resolver o que eu quero, eu mando nós dois pro inferno sem misericórdia.

- Leona! — a velha parecia impressionada, diferentemente de antes em que ela parecia somente ter medo e ódio do youkai na sua cozinha — Como... Como conseguiu desenvolver essa habilidade?

- Lá vou saber eu, só parei pra pensar nisso depois de resolver o problema.

- Você me usou para testar essa seja lá o que for quando eu estava quase morto e nem sabia se ia dar certo ou se ia terminar de me matar, maldita pirralha... Ele realmente queria esganá-la, mas se contentou em rosnar baixinho e tentar evitar cenas que desagradassem a velha.

A velha parecia triste de repente, como se uma grande desgraça tivesse acontecido.

- Leona, poderia ter usado a força ou qualquer outro argumento... Porque justo esse vínculo?

- Ah, acredite, Haya-obaa-san, ela tentou usar a força antes pra me convencer... Disse ele pensando que realmente poderia ter morrido no processo. A velha sentiu o medo interior dele mesmo que ele tenha comentado isso de uma forma bem mais informal, como que escondendo o que ele mesmo pensava.

- Você ainda vai ter que aprender para quê serve esse grande poder, Leona... — e depois a velha resmungava outras coisas enquanto pegava mais coisas para servir um chá diferente — uma desalmada como ela ter conseguido desenvolver isso foi um milagre... não acredito que isso realmente tenha acontecido, e justo quando ela tem alguma chance de entender a honra do clã ao adquirir isso ela inda por cima usa uma habilidade dessas só para fazer chantagem e vingança... Realmente seria melhor que esses dois tivessem morrido na guerra e eu não teria que ver um desastre como esse.

- Ei... Do que ela está fal... Começou a perguntar Sesshoumaru, mas foi puxado para fora dali.

- Obaa-san, vamos resolver o que precisamos nessa era logo, precisaremos voltar ao Sengoku Jidai. Disse ela para a velha puxando Sesshoumaru para fora dali e levando-o a um escritório que tinha coisas estranhas.

- O que é isso? Perguntou ele ao ver uma caixa cinza de um material estranho a um canto, do lado de uma pilha de papel, e fios de algum material estranho saindo daquela mesa e levando ao lado, onde haviam mais coisas estranhas.

- Ah, prazer em conhecer, impressora, computador, cabos de rede, bem vindo ao século XX. Disse ela como se aquelas coisas fossem comuns.

- Hum... E isso serve para que? Ela pensou por um segundo que ele estava se comportando como criança, perguntando tantas coisas, mas no fim, era mesmo, na era feudal ele nunca sonharia com coisas assim.

- Ah, eu explico, um minutinho... — disse ela ligando o computador enquanto escutava que ele pegava uma cadeira para se sentar próximo e observar. — Humf... Ela estava pensando nos resmungos da avó. Sabia que isso poderia acontecer, mas não esperava que ela ainda guardasse esse tipo de sentimentos quanto a ela.

Ela nunca foi considerada a mais que o seu irmão mais novo por causa daquilo. Ela não tinha compreendido a essência do clã como ele. Ela não entendia o significado do Vínculo com a Vida. Claro que ela sabia disso agora, mas se dissesse que sabia a velha ficaria mais furiosa ainda. Porque ela realmente tinha cometido um erro ao usar algo que deveria ser para unir o clã, simplesmente com a finalidade de chantagear aquele cara, mas a sua avó iria entender que se ela sabia o significado e fez aquilo, ela estava traindo o clã. Ah, mais isso para irritar a sua mente.

Ela seguia falando para quê servia o computador e o que ela pretendia fazer para conseguirem a imagem do selo que ele precisava ler sem precisar compiar manualmente como ele estava tentando fazer e perdendo tanto tempo. Ela terminou de ajustar a configuração da câmera para poder tirar uma imagem nítida do que precisaria e já deixou a impressora com papel suficiente para terem cópias a serem rabiscadas.

- Pronto. Agora caia fora. Disse ela.

- Hein?

- Fora, fora... — dizia ela empurrando-o porta afora dali — Não acha realmente que vai me ver sem alguma parte da minha roupa algum dia na vida, então fora!

Ela sabia que infelizmente, se ele quisesse poderia dizer coisas irritantes sobre isso, e fechou a porta na cara dele antes de qualquer tentativa. Não pretendia deixar esse tipo de coisa acontecer, por mais que a sua vaidade fosse grande, preferia não gastar a vista da sua beleza. Fora que seria completamente constrangedor esse tipo de situação com aquele garoto por perto, ainda mais depois de tudo que tinha conseguido ver dentro da cabeça dele.