Notas iniciais
Observação: eu notei em meio a escrita que confundi leste e oeste, Sesshoumaru é youkai da província Leste, e não Oeste, mas eu vou deixar todo o texto como está porque acho isso meio irrelevante pra história, é só geografia mesmo.
Outra coisa, percebi que no meio da escrita eu fiz referência a era feudal japonesa anterior às grandes navegações, muito mais próxima da origem das lendas youkais e do xintoísmo, há quase 1800 anos atrás, o que não confere com o descrito no anime original, pois a Sengoku Jidai é uma época próxima dos anos de 1500, ou seja 500 ou 600 anos atrás, porém, eu exagerei nas datas e como seriau m saco mudar toda a lógica que eu criei pra isso e calcular tudo de novo, eu to deixando desse jeito mesmo.

Acordou no meio da madrugada sentindo o cheiro de algo estranho, não estava sozinha ali? Olhou ao redor mas era somente uma presença distante. O quanto teria se aproximado? Era curioso que não tentasse matá-la enquanto dormia, afinal, ela lembrava bem do olhar perdido de medo que ele tinha para ela na primeira vez que brigaram.

Agora seria tarde demais para tentar alguma coisa, se amanhecesse logo, como via que aconteceria, poderia ser morta em um segundo ao perder a sua forma original. Passou as mãos pelo cabelo. As orelhinhas... As que sempre tivera depois que tinha esse curto tempo na terra, o que lhe sugava tanto do seu poder... Olhou-se na água espelhada suavemente, e via naquela penumbra, claramente, ela tinha voltado a sua forma original, youkai completa, uma forma humana perfeita. O que significava que sua forma youkai original também voltara? Ela via as duas linhas de cada lado do rosto, sim, o seu poder tinha voltado.

O que aconteceu? Porque ela conseguia ver novamente aquele denso poder youkai até mesmo no reflexo da água...

Andara para mais perto de onde estaria Rin, e ficou vendo-a dormindo. Como será que estava a Miko e os outros? O tempo estava passando e ela estava ali. Perdera o mês anterior por estar ferida pela primeira briga com Sesshoumaru, e agora perdera outro mês pensando. Quanto tempo mais ficaria enrolando o desfecho disso? Estava protelando a própria salvação, tudo por causa do que Kagome tinha dito. No fim ela tinha razão, não sabia se o selo se resolveria com a morte prematura na história de Seshoumaru, se tivesse pelo menos a certeza do que aconteceria já teria feito. Mas e se estivesse matando a sua chance de ser libertada, de novo? Não iria arriscar isso. Teria mais um mês para pensar no que fazer, até lá, tentaria encontrar dentro da sua cabecinha de gato uma solução para esse enigma. Afinal, não parecia que Sesshoumaru soubesse de imediato como quebrar essa maldição, e menos ainda parecia familiarizado com esse tipo de selo.Talvez fosse algo que ele ainda não tenha aprendido sendo um garoto de cerca de meio milênio de vida ou menos. Isso seria mais problemático ainda, mas era o momento em que ela tinha conseguido chegar mais perto de uma solução, não poderia desperdiçar isso.

Brincava com Rin como uma gatinha normal, e Rin tinha decidido que a chamaria de Lea, o que a deixou pelo menos conformada, era como seu irmão a chamava. Jakken já tinha desconfiado do fato de que em mais de dois meses ela continuava parecendo uma gatinha de pouco mais de um mês de vida, quando deveria ser maior e mais forte, ele estranhou que ela não crescesse nem um milímetro sequer. Sesshoumaru não deu atenção a esse comentário, que ele fizera observando-a um dia, por um momento, Leona sentiu um segundo de aflição, será que ele sabia? Será que tinha desconfiado disso? Teria sua ideia de poder matá-lo na próxima lua ido por água abaixo?

As andanças deles em busca de seja lá o que Sesshoumaru queria eram uma coisa complicada. Aprendera que se estivessem perto da água era mais seguro, por mais irônico que fosse, se pendurar com suas unhas ao ombro de Sesshoumaru que tentar ser legal com Rin ou Jakken, eles tentariam jogar água nela. Era bonito ver a lua crescente, parecia que nesses dias de lua crescente o humor de Sesshoumaru não era tão triste. Se lembrava da mãe dele, sempre foi uma youkai elegante, uma youkai que sua avó dizia ser magnífica, que tinha a mesma lua crescente à testa, um símbolo de poder, nela era mais um adorno a sua beleza. Se era como Haya-obaa-chan dizia, era natural que Sesshoumaru fosse assim, apesar de severamente solitário, um belo youkai.

Estava se sentindo estranhamente confortável ali, e ronronava por ser alisada, como qualquer gatinho normal. Curiosamente, percebera que por mais de um segundo o youkai tinha dado atenção àquele pequenino ser que estava ali ao lado do seu ouvido. Era uma cena absolutamente estranha de se imaginar na mente dela, se não estivesse ali presenciando, sendo parte da cena, era impossível cogitar isso tendo na mente a memória do olhar assassino desse youkai alguns anos à frente. Era curioso vê-lo tão sucetível a uma pequena felicidade da vida, a de sentir o que estava ao seu redor, de valorizar um dos pequenos momentos que trazem um pouco de paz ao coração.

Escutou um barulho, mas não foi rápida o suficiente para se agarrar com as unhas ao tecido do ombro em que se segurava, e quando Sesshoumaru se moveu bruscamente, com um timing de milésimos de diferença da sua percepção, sentia que estava voando, e logo entrava em pânico, porque com o peso dos seus pêlos não conseguiria nadar, e a parte da corredeira em que caíra era funda demais para um filhotinho tão pequeno.

A água deveria dar no pescoço de Rin, em uma ocasião normal, perto da sua barriga, mas ela não era normal, agora ela era só um gatinho afundando sem conseguir se mover. Era ridículo que a útima lua que veria fosse crescente, que morresse por um descuido idiota, que tivesse finalmente que desistir de tudo, e enterrar a vergonha do seu clã na lama por ser tão incompetente e fraca. Somente sentia a água entrando nos seus pulmões e a consciência deixando-a.

- Lea? Sesshoumaru viu que tinha derrubado o filhote de gato de Rin na água. Pulou da pedra e ignorou que molharia sua roupa, em dois passos conseguiu ver uma sombra na água e pensou ter pêgo o gatinho, mas puxou um peso muito maior. A água ali era pouco mais profunda, Rin queria ter salvo o gatinho, mas sabia que não deveria entrar no riacho fundo e só arregalava os olhos quando via que o que emergia da água sendo puxado fortemente pela mão de seu mestre não parecia uma bolinha cinzenta, mas cabelos loiros, acinzentados, mas ainda assim dourados.

Sesshoumaru puxou fosse o que fosse para fora da água, tinha conseguido puxar o gatinho pelo cangote para fora da água, mas se surpreendia ao ver que não era exatamente isso que ele pressupunha. Via olhos mortificados e parados, azul oceano, na cabeça que estava à suas mãos. Não a puxou mais da água, percebeu o que estava acontecendo. Aquela mulher... Parecia de repente compreensível que aquela youkai quisesse se libertar da sua situação, afinal, com um youki tão poderoso, mesmo inconsciente, era deprimente passar a maior parte do tempo como um animalzinho indefeso. Embora ele não quisesse concordar com isso, a lógica fazia sentido.

Não sabia o que pensar no momento, só a jogou para fora da água antes que se afogasse de vez, afinal a sua curiosidade era maior, e escutou a tosse que expulsava a água dos pulmões dela acalmar-se, jogando-lhe a parte de cima de sua vestimenta. Tinha várias perguntas, mas antes disso, via que teria que chutar Jakken dali, porque ele já estava pronto para usar o seu cajado contra a "inimiga" do mestre, enquanto Rin parecia somente curiosa.

Leona se sentia surpresa de sentir o seu corpo livre de repente, quando pensou que nunca mais poderia ver isso, ver a si mesma no reflexo de uma noite que não a de lua cheia. Surpreendeu-se com a atitude do outro youkai que lhe cobrira com aquele tecido. Afinal, o que ele pretendia? Mas meio segundo depois, sua mente entrava em pânico, afinal, o acontecimento revelava sua natureza frágil, e isso ia contra o seu orgulho ferindo-o. Mas engolia a situação mais preocupada ainda com as intenções estranhas que poderiam estar por trás daquele gesto de gentileza do youkai. Fechou um laço apertado em torno da sua cintura sentindo-se estranha naquele kimono largo demais para ela, sentou-se e cobriu os joelhos com os braços. As mangas largas a escondiam mais, e ela pensava em como era estranho estar na Sengoku Jidai com uma veste que era tão curta quanto as saias de Kagome, somente ela mesmo tinha coragem de se vestir daquela forma em um tempo tão antigo. Ela se lembrava dos tempos em que vetira belos kimonos, e de quando podia sentir essa brisa estranha do meio de um ciclo lunar. Mas não poderia se distrair, apesar de ainda estar estupefata de surpresa, ela tinha que reagir de alguma forma, mas simplesmente não conseguia, sendo observada como estava nesse momento pelo garoto youkai que simplesmente mantinha a expressão séria de braços cruzados à sua frente, como se esperasse que ela dissesse algo.

- Mestre, eu vou... Jakken fora chutado para longe por Sesshoumaru imediatamente, e isso fez Rin entender que ele provavelmente não queria falatório, por mais que ela estivesse curiosa, então limitou-se a ficar escutando de seu lugar.

- Então, o que está realmente planejando? Perguntou ele sem se mover, e isso a deixou intimidada, por mais que ela tivesse de repente a vontade de simplesmente estraçalhar essa expressão de superioridade daquele pirralho arrogante, sentia um pouco de medo disso, era estranho.

- Eu não... — Sentiu-se hesitando, não podia simplesmente deixar que fosse assim interrogada por um inu youkai metido a esperto. Ele nem mesmo sabia o que estava acontecendo. assumiu que deveria manter a calma, e respondeu de forma mais firme, tentando por um momento imaginar o hanyou ali, era muito mais fácil assustar o outro filhotinho de cão, e de certa forma, do jeito como eles eram parecidos, não haveria grandes erros em pensar assim para poder se manter calma — Não se finja de desentendido, eu já deixei claro antes o que eu preciso. Desfaça o selo. Disse terminando com uma ordem, e ele percebeu que uma convicção diferente estava desenhada nos seus olhos felinos.

Ela reverteu aquela expressão medrosa e delicada de gueixa em uma ordem, imperiosa, em tão poucos segundos. Era um pouco surpreendente, mas mais ainda, pelo fato de mesmo que ela tivesse recobrado a auto-confiança ao que parecia, ela não ter ainda partido para atacá-lo como pretendia, ou dizia que pretendia. Realmente ela estava protelando uma briga com ele dentro de si? Era o que parecia, pelo modo como ela parecia forçar a si mesma essa atitude de repente.

- Porque está mantendo essa atitude arrogante? ele perguntou cansando-se de esperar pela boa vontade dela de olhar para ele, e sentou-se à seu lado dando mais atenção á corredeira que ao fato de ter aquela youkai ao seu lado.

Ele está realmente fazendo isso? Esperando que eu tenha coragem de olhar pra ele? Como ele sabe que eu não... Que eu não tenho coragem agora. Porque de repente ele para e realmente está dando atenção a conversar comigo? Um cara como ele, depois do ataque de iniciativa que eu tive daquela vez, certamente não faria perguntas antes de desferir um ataque contra ela, foi o que cogitou a mente de Leona.

- Arrogante? Como eu poderia manter esse tipo de atitude depois que você reduziu o orgulho do meu clã, os meus poderes, a essa situação ridícula?

Ele sentiu o desespero naquela voz que de repente se embargava, era realmente isso que ele estava vendo? Ela estava disposta a passar por qualquer coisa, inclusive a ter que engolir o seu orgulho como youkai por causa daquela situação? Se perguntava o que exatamente tinha feito, embora já tenha entendido parcialmente os resultados disso. Provavelmente sendo como era, ela tinha aprendido demais a compreender os sentimentos que compõem uma alma, de certa forma, o fato de um youkai como ela, que ainda lhe inspirava certo medo, apesar daquela situação lhe dizer que não havia perigo iminente, estar dessei modo à sua frente, era uma quebra de paradigma dentro de si mesmo. Era estranho sentir como se conseguisse entender exatamente o que ela sentia naquele instante. Era como se nada nesse mundo pudesse ajudá-la, era como se suas forças não fossem suficientes. Só que, diferente dele que simplesmente perseguia um objetivo, ela parecia cansada, parecia sem esperanças de conseguir solucionar o que deveria. Era como se ela tivesse entregue os pontos ali, ao invés de investir contra ele de novo com o mesmo ódio que ele sentira antes.

- Eu não entendo... Como pode estar abrindo mão do seu orgulho youkai desse jeito. Disse ele ainda sério, e ela finalmente olhou, e realmente, ele estava olhando para os olhos marejados dela, era provavelmente, nesse tempo todo, a primeira vez que ela via-o querendo entender outra pessoa que não ele mesmo.

- Depois de séculos vivendo do jeito que eu estou, vivendo sem viver realmente, mesmo tendo cumprido o meu dever, sabendo que eu nunca mais poderei proteger o meu clã, vendo que a cada pequeno perigo que se aproxima, vendo que a cada situação idiota, eu poderia simplesmente morrer de uma forma ridícula, eu aprendi uma coisa... Eu aprendi que esse ímpeto orgulhoso, que toda a força que eu tenho, que a minha posição, não valem nada se eu não fizer isso valer. Nada disso vale alguma coisa se eu não puder controlar tudo isso. Passar tanto tempo sem tudo que eu tenho como ser nesse mundo, faz com que valorizemos mais cada uma das coisas que temos e somos. Se o meu ódio e meu orgulho como youkai não vão convencê-lo a remover esse selo, eu os engulirei, se para poder fazer valer de fato o que eu sou eu tiver que desistir de algo, eu desisto, viver ou morrer não importa quando não se pode fazer nem um e nem outro com um mínimo de dignidade. Eu sempre fui tão forte que esqueci o que era engolir o orgulho e pedir ajuda, eu esqueci o que era agradecer quando alguém fazia algo por mim... Ironicamente, mesmo depois de morto, você me ensinou o que significa não estar sozinha, porque eu tive que aprender a depender das pessoas, a confiar nelas, a fazer por merecer que confiassem em mim...

- Eu... Você realmente está dizendo que a um tempo futuro eu fiz uma coisa dessas? Sesshoumaru parecia contrariado com isso, afinal, ele não era o tipo de youkai humanista que deixaria um legado desses para alguém, seja lá quem fosse. Apesar de parecer interessante o fato de jogar uma coisa dessas sobre um youkai tão determinado quanto ele em detestar tudo ao seu exterior, ela tinha algo de parecido com a determinação dele no seu youki, a energia que ela emanava contrariava algumas das coisas que ela admitia, ela estava em conflito com o que era e o que teve que se tornar para sobreviver. Realmente, esse era um tipo interessante de tortura, poderia-se dizer que era um requinte de crueldade fazer um youkai abdicar de tudo que ele é quando a primeira coisa é a que impediria todo esse processo, o orgulho.

- Mais de mil anos à frente do que estamos agora, quase cinco séculos antes do tempo em que eu estava antes de chegar aqui, um tratado entre os grandes clãs de representação entre os daiyoukais foi quebrado, seu clã no Oeste nos culpou, o nosso clã no Norte os culpou, e no fim, depois de tudo terminado, a culpa não era de nenhum dos dois clãs. Mas mesmo assim, antes de qualquer atitude mais inteligente, você mandou que destruíssem tudo no Norte. Os outros clãs entraram em guerras menores e se exterminaram mutuamente. Meu pai mandou que fosse feito antes de qualquer coisa uma investigação do problema, só que ao dividir tropas no que seria a atitude correta e mais segura na situação, o seu clã simplesmente destruiu as terras do norte. Inuyasha matou o meu irmãozinho, pequeno youkai idiota, por mais que a mamãe tivesse dito que não deveria se envolver, ele seria o Leão do Clã no futuro, o Rei das Terras do Norte se qualquer coisa acontecesse a nós... Não, aquele tolo tinha que morrer para um hanyou. — Sesshoumaru meio que entendia a frustração quando havia um hanyou envolvido na história, mas por um lado, sentia uma pontada de orgulho por saber que o seu meio-irmão não era um completo inútil — Você matou os meus pais, quando eu cheguei da missão de investigação, não havia mais o que ser feito quanto a isso. Eu nunca entendi porque mesmo tendo uma katana, você não a sacava, porque simplesmente estava tornando aquela guerra uma coisa completamente incivilizada, aquilo não era o que se esperaria de um youkai muito inteligente...

- O que está querendo insinuar sua... Sesshoumaru poderia ouvir uma história desagradável, mas não precisava das impressões pessoais ofensivas daquele neko-youkai frustrado contra ele.

- Foi a primeira coisa que pensei, naquele tempo. — ela continuou sem dar atenção às reclamações dele, não sabia por quanto tempo poderia continuar falando. — Porém não parecia tanto assim depois de algum tempo, apesar de cansativo, era interessante um combate daquela forma, e até agora me parecia evidente que o que o levou a se tornar um daiyoukai foi a vasta experiência de combates. Eu poderia dizer que foi o combate mais divertido que eu tive, poder usar todo o poder que se tem reservado para um grande combate sempre é algo que dá mais sentido à existência. Quando você percebeu que não poderia me vencer do modo como as coisas iam, lançou-se o último golpe, o que o matou, e que me aprisionou dentro de mim mesma. Depois desse massacre, restaram poucos youkais no mundo, e ele foi aos poucos sendo dominado pelos humanos e suas novas tecnologias. Você decretou o fim da era dos youkais na terra.

- E por isso simplesmente decidiu que queria me matar antes que isso tudo acontecesse... Falou ele para si mesmo como que tentando absorver as informações. Era curioso o fato de ele realmente ter se interessado pelo assunto. Mas parecia evidente, o seu ego ficaria feliz com a notícia de que era certo que se tornaria um daiyoukai no futuro.

- Porém as coisas parecem estar mudando. Porque quando a guerra aconteceu, você tinha o braço esquerdo para começar... Como foi que perdeu esse braço? Perguntou ela então, saindo um pouco das suas reminiscências, que para ele eram somente especulações do futuro.

- Inuyasha. Foi a resposta amargurada dele. Foi por causa de Tessaiga, era aquela briga não terminada em que ela tinha se intrometido.

- Então... — Começou ela depois de escutar em silêncio a água correndo e ver a expressão pensativa, um tanto confusa do youkai — Sesshoumaru, vai desfazer esse selo maldito? Disse ela mostrando nas costas uma lua, que estava cobrindo um desenho de sol e mantinha vários kanjis ao seu redor com instruções ou encantamentos.

- Como eu fiz isso? Ele perguntou, tentando se acostumar com a ideia de que tinha capacidade para uma maldição daquele tipo.

- A cicatriz no meio das minhas costas, foi nesse golpe à traição que você colocou isso em mim. Realmente, ele via as fissuras das garras, e pelo tamanho do que deveriam ter sido os rasgos, por mais que ele não quisesse admitir, era o tipo de golpe que ele desferia.

Entre os vários significados que aquilo poderia ter, ele não conhecia a totalidade deles, porém uma coisa chamou a atenção nos kanjis menores. "Quando aprender a superar o orgulho e o medo ao mesmo tempo..." "... o significado de uma existência completa no mundo..." Eram os trechos mais legíveis daquilo. ele realmente ficara de repente curioso com o assunto, afinal, nunca tinha dado atenção a conhecimentos sobre selos, fudas, maldições, conhecimentos antigos e métodos de aplicação, era mentalmente cansativo pensar nisso, mas a curiosidade nesse momento era maior e ele simplesmente se concentrou na leitura das letrinhas ao redor dos símbolos, tendo dificuldade com kanjis complicados demais que não tinham notas e estavam em uma grafia muito pequena para se ler assim como um cartaz.

Ele afastou um fiapo do cabelo dela e aproximou os olhos para ler um kanji que parecia estar borrado, afinal, era inadmissível que um sejo youkai complicado como esse tivesse algum erro, pensou para si mesmo, mas ao mesmo tempo em que conseguira ler, ela se mexeu bruscamente se afastando. Leona já se sentia irritada o suficiente por ele ser idiota o bastante para ter que estudar o que ele mesmo fez, e era mais desagradável ainda que ela fosse uma tábua de estudos de um cara como aquele, apesar de essa ser uma possibilidade de se livrar daquilo, e ter sentido as mãos dele passando pelo seu cabelo e subitamente a respiração dele ter chego tão perto foi instantâneo para que ela se arrepiasse e desse um pulo para longe dele com uma expressão assustada.

- O que pensa que está fazendo? O.O

Ele estranhou essa reação dela. O que diabos ela pensou que ele estivesse fazendo além de ler? Olhou levantando uma das sombrancelhas sério ainda.

- Analisando o selo. ¬¬' — começou sério, logo mudando o tom para algo mais irônico — o que você imaginou, por acaso? De repente parecia engraçado ver a cara dela se tornar vermelha e aquela atitude de quem sabe o que está falando desaparecer perante uma questão inesperada.

- Uma pergunta dessas vinda desse youkai em especial parece mais assustador que Houshi-sama tentando ver as meninas nuas no banho... -.- Resmungou ela para si mesma, porém obviamente ele ouviu e ficou com uma grande cada de interrogação por um segundo. Realmente, para quem vê um cara indiferente e sério como aquele, uma pergunta tão sádica assim era o equivalente ao Miroku nos seus maiores surtos de perversão.

- Ei, sua maldita, não fique me comparando a qualquer humano que tenha conhecido por aí... >O Falou ele ofendido, e ela lembrou-se por um instante das reclamações do hanyou, eles sem jeito e ao mesmo tempo furiosos com alguma coisa eram parecidos. Era uma pena que não se dessem muito bem, porque juntos eles seriam muito engraçados, considerou Leona mentalmente.

- Sem comparação, você supera qualquer um ¬¬' — resmungou ela e depois partiu para o que lhe interessava mesmo, e se perguntava como tinha fugido do assunto assim — Então, vai remover essa coisa?

- Não. Disse ele sério de repente. Ela realmente se sentiu ofendida com isso, primeiro tira ela pra idiota e agora simplesmente a deixa de lado como uma criança que cansou do mesmo videogame.

- Porque não? Perguntou sentindo o sangue subir a sua cabeça, realmente queria estraçalhar esse pirralho.

- Lógico, eu não tenho como prever as suas intenções, se eu fizer isso quem me garante que não me trará problemas depois? Prefiro manter minha vida tranquila até agora como está. Não compro problemas pra ser legal com os outros, pensei que soubesse disso.

- Eu nem mesmo vou ficar aqui, tenho a minha vida na Minha Era, eu não pertenço ao Sengoku Jidai... Ela parecia decidida sobre a Sua Era, como ele notou no tom de voz, mas sentiu uma pontada de tristeza na voz dela quando ela disse que não pertencia àquele tempo em que estava. Parecia até que ela gostava desse tempo, até faria sentido, já que ali ela estava de frente a youkais, que segundo ela, na era moderna de onde viera, não existiam mais.

- E daí? Ela viu que ele era tão teimoso quanto o desgraçado do irmão hanyou, e depois, se perguntava, porque ainda tivera consideração de tentar convencê-lo, se já tinha visto o que ele poderia fazer? Se sabia que ele era um desalmado que nunca entenderia mesmo... Talvez fosse melhor deixar de perder tempo mesmo, não poderia ter pena daquele garoto, ele não teria misericórdia dela em troca mesmo.

- Deve ser por isso que Inu Taisho preferia o hanyou... Você é um imprestável mesmo... Dizia ela cada vez mais furiosa, e ele via o sangue subir aos olhos dela. A energia dela era carregada de ódio, raiva, frustração, realmente era uma intenção assassina, apesar de ser no fundo, de uma forma muito incompreensível, uma sensação de tristeza, como se não fosse isso que ela quisesse na verdade. Era difícil entender porque ela estava afogando seja lá que pensamentos ou sensações fossem nessa ira toda, mas era certo que ele conseguiu um problema de graça. Poderia ter sido menos complacente e simplesmente deixado que se afogasse...

Ela não iria segurar a sua raiva, simplesmente sentia seu rosto queimando, via mais claramente, apesar da penumbra da noite, e sentia que poderia fazer isso. Estava voltando a sua forma original, ela poderia...

- Morra, cachorro maldito! Ela falara com ódio na voz, e ele via que não teria muito tempo para fazer qualquer coisa, simplesmente sentia-se paralizado diante daquela leoa gigante que mantinha da sua imagem original apenas os olhos, como que em chamas naquele azul oceânico.

Não tinha o que fazer, não sabia o que poderia fazer além de se defender, Tenseiga era inútil contra um monstro como esse. Crescia para a sua forma gigantesca de cão, mas mesmo assim, era proporcionalmente menor que ela, porém, depois da primeira investida que deu errado, caindo de lado com o primeiro golpe que já o fazia sentir dores, ele percebeu que mesmo sendo menor, não era mais ágil. O peso não dava nenhuma vantagem sobre um youkai daquele tipo. Não conseguia prever os movimentos de uma criatura tão sorrateira como aquela, a leveza com que conseguia reagir estava sendo um problema. Ela realmente iria terminar com a raça dele antes que ele se tornasse um Daiyoukai, isso evitaria a sua maldição no tempo futuro. Se não desse certo, ela desistiria de vez. Mas simplesmente não deixaria barato uma ofensa como a que recebera, Sesshoumaru podia sentir isso, ela estava brincando de gato e rato ali, e o rato era ele.

Seria ridículo morrer para uma neko-youkai mimada como ela... Ridiculamente, mimada até mesmo por ele ultimamente. Mas era o que parecia que iria acabar acontecendo se não desse um jeito nisso logo.