Já era uma boa hora para ela se despedir e sair daquele lugar. Já tinha visto coisa irritantes o suficiente. Leona tinha pensado quando viu que aquele youkai ficou a um canto, que poderia ter uma noite tranquila sem que tivesse que se preocupar com nada. O que ele pensava que tinha feito? Não queria admitir isso, mas uma parte da sua mente dizia que aquilo aconteceu porque ele tinha ficado com ciúmes. Afinal, que diabos estava acontecendo? Tudo que ela queria era ter a liberdade de andar com a sua moto pela cidade nas noites brilhantes, sentir a chuva em uma tarde de verão, e se conformar com o fato de que não poderia ficar na Sengoku Jidai entre batalhas youkais, se conformar que apesar de não ter mais uma vingança merecida contra aquele maldito youkai, pelo menos estaria livre.

Não tinha prestado atenção a um fato ali, os murmúrios que começaram quando ela fez menção de ir embora e pagou a conta da noite para o barman. Olhou de lado e viu que realmente estava acontecendo qualquer coisa que fosse que ela não iria querer saber do que se tratava, mas sua audição era boa o bastante para entender. Os garotos do bar estavam contando histórias do lugar, e dela, para Sesshoumaru, e entre elas, aparentemente, algo que poderia lhe trazer problemas, era realmente hora de ir embora. continuou escutando enquanto o barman calculava a sua conta, e uma parte de si começava a entrar em pânico... Ah, não... Eles não tinham cogitado esse tipo de coisa... Malditos humanos que tinham uma queda por romances, e maldito Sesshoumaru que tinha se intrometido em um dos seus foras épicos com alguém voando porta afora. Conhecendo a teimosia eo orgulho desmedido daquele youkai, se alguém ali duvidasse da capacidade ou coragem de ele fazer alguma coisa, ele faria, embora ela duvidasse um pouco do teor da conversa. Qualquer um ali naquele lugar sabia que se encostasse nela era um homem morto.

Recebeu seu troco e virou-se para sair, não gostando da sensação que teve quando viu aquele maldito sorriso de canto em Sesshoumaru no meio daquele faltório. Seguia para a saída e iria ordenar que ele andasse logo, mas não precisou quando viu que ele se aproximava, porém ela hesitou no passo e parou ouvindo os cochichos ao redor.

- Tente alguma coisa e eu te mato... Realmente ela estava falando sério, mas não parecia exatamente ódio o que ele viu quando ela disse isso, era medo?

A lógica de uma dos amigos dela de que ele somente fora educado com ela expulsando um intruso estava correta, mas a lógica de que nem mesmo ele teria coragem de chegar perto de uma mulher como ela era falha. Afinal, seria ridiculamente covarde se a suposição deles ali estivesse certa.

Leona sentiu a mão dele rapidamente subir pela sua nuca e agarrar os seus cabelos, mas antes que ela pudesse ter uma reação de defesa decente já tinha sido agarrada naquele beijo, e tentou inutilmente empurrá-lo para longe. Não tinha força para isso? Porque estava tremendo?

Sesshoumaru olhou para ela pensando curioso no motivo porque ela tinha correspndido a isso mesmo com aquela ameaça anteriormente desferida, mas apesar de ver que o sangue lhe subia aos olhos, perante aquele público todo, Leona somente enfiou-lhe o tapa mais forte que pôde e virou-se para a saída seguindo até a motocicleta. Ele viu que ela dirigia rápido e num silêncio mortal, guardou a motocicleta, o ignorou completamente, entrou na casa, pegou a bolsa com os papéis e impressos que precisaria, canetas e tudo o mais que achou útil para estudos depois, deixou um bilhete para a sua avó que dormia, e saiu da casa andando até o templo sem olhar para o youkai que a seguia com um irritante sorrisinho dissimulado.

Ele pensava que realmente, se ela não fosse um problema tão grande e não tivesse essa personalidade irritante, realmente poderia considerá-la como youkai a querer ao seu lado. Era estranho pensar assim, mas independentemente do que a fazia detestá-lo, ele não conhecia esse tempo e essas memórias, ele simplesmente teve a infelicidade de se deparar com ela e descobrir que ela era um complexo de problemas ambulante.

E também, o que foi aquilo, como poderia ter visto as coisas da perspectiva dela? Será que ela conseguia fazer o mesmo? Ah, isso não seria nada interessante, não queria ninguém metido dentro da sua cabeça. O dia estava chegando no Sengoku Jidai, agora é que ela não falaria mais nada mesmo. Simplesmente parecia furiosa e rosnava no ombro dele enquanto caminhavam.

Sesshoumaru tirou da sua mente qualquer preocupação com aquele problema do selo de Leona quando sentiu no ar enquanto caminhavam algo que parecia interessante. Encontrou a cabeça do oni que tinha conseguido quebrar Tessaiga, e no ar ainda sentia curiosamente como se Inuyasha fosse mais que mero Hanyou.

Leona dava atenção a Rin que ganhara dela algumas coisas para ficar desenhando, e ficou traduzindo os kanjis e letras que não eram conhecidos desse Sesshoumaru da era feudal para coisas que ele entendesse, embora, pensasse as vezes que os kanjis medievais eram muito complicados, afinal, como é que eles lidavam com essas coisas arcaicas... Ela não tinha que quebrar a cabeça com escrita dessa forma desde muito antes da guerra. Ela não deu atenção ao fato de Sesshoumaru ter ido em busca de um ferreiro youkai para lhe fazer uma outra katana. Esse era mais um fato modificador da história. Quando ela tinha conseguido matá-lo, ele não tinha outra katana além de Tenseiga, que nunca saiu da sua bainha.

- Leona-chan... Começou Rin parando de desenhar, e ela parou de escrever um pouco já meio cansada pegando um pouco de água do cantil para beber, e pela cara de muitas perguntas dela, poderia imaginar que seria cansativo responder tudo.

- Porque você não está conversando mais com Sesshoumaru-sama? O que ele fez de errado? Você tá braba com a gente pra não estar falando nada... Ela continuaria com quinhentas perguntas, e enquanto bebia, Leona foi deixando que ela perguntasse tudo até que lhe faltasse ar para continuar falando.

- Caramba, você tem que respirar entre as frases que fala, Rin-chan. — reclamou ela alisando os cabelos da menina e parando para ver os desenhos de Rin — Eu estou entediada, é só isso. E aquele inútil do Sesshoumaru está me fazendo perder tempo, eu tenho uma vovó que precisa de mim lá na minha casa, Rin-chan. Ela disse da forma mais compreensível para uma criança.

- Mas antes você sempre dizia que ele era um inútil e brigava com ele para que te ajudasse, Leona-chan...

- Ah... — menina insistente, pensou a youkai — Está bem... Rin, aquele maldito me irritou, está certo.

- O que ele fez? Rin iria ficar perguntando enquanto ela não inventasse alguma coisa, ela não queria ter que falar realmente o que a deixou tão irritada.

- Ahm... Fez a minha obaa-chan ficar braba comigo, foi só isso. Disse ela voltando a escrever, dando a entender que não responderia mais nada.

- Que eu saiba, quem irritou aquela neko-obaa-san foi você... Resmungou Sesshoumaru sentando-se a um canto depois da caminhada da viajem ao ferreiro.

- Não me torre a paciência... Resmungou ela sem nem olhar para ele.

Sesshoumaru realmente estava se sentindo um tanto excluído com isso, estava quase se acostumando com a ideia de ser importunado por ela, ver essa situação silenciosa como antes de tudo isso começar estava entediando-o um pouco.

Três dias passaram enquanto esperava pela sua nova katana. Caminhava entediado e queria chutar Jakken de perto depois de ele já ter feito uma dúzia de perguntas, detestava ser questionado de coisas inúteis.

Ela terminou de vestir sua jaqueta pensando que esse era o seu último momento de liberdade no fim da lua crescente, era a noite de lua cheia. Pelo menos, nesses últimos meses ela teve um pouco mais de ar puro nos seus pulmões de verdade que teve nos últimos quinhentos anos. Isso só reforçava a teoria de que não deveria ser tão difícil assim se livrar daquilo se aquele maldito youkai colaborasse um pouco mais. Enquanto ela via que ele tinha uma pseudobriguinha com uma cria de hanyou que flutuava, pensava irritada que antes de pensar em uma nova katana, aquele desgraçado deveria estar mais preocupado em se livrar dela. O que tinha dado errado no seu excelente argumento de convencimento? Era simples, era só libertá-la logo ou iriam para o quinto dos infernos com passagem de ida.

- Rin, já pode se mover. Ele disse, francamente, porque aquela menina o obedecia de forma tão literal. Depois percebeu que na penunbra da noite Rin não tinha conseguido vê-la para entender o seu sinal e se aproximar.

Era a última noite de Leona livre nesse mês, e ela pensava irritada enquanto caminhava em silêncio segurando a mão de Rin que era irritante que Sesshoumaru perdesse tempo com algo que não a interessava, mas não iria se meter nisso conquanto que tivesse aquela maldição revertida e pudesse finalmente dormir na sua casa, saber que a moto estava na garagem e que a era moderna estaria sobre a sua influência como única daiyoukai daquele lado.

O que Sesshoumaru pretendia provocando Inuyasha ali? Aquela katana que ele controlava parecia ser um problema sério. De repente ela entendeu, lembrando-se do cheiro de youkai que havia naquela região pouco antes. Sua katana estava muito longe para um pulo rápido, apesar de estar entre as coisas que Kagome carregava. Deixou Rin de canto com Jakken e deu um salto para o meio daquela confusão, tinha entendido o que aconteceria ali, no momento em que viu que ao não empunhar Tessaiga, Inuyasha parecia estar mais próximo do que ela conhecia como um youki bem mais próximo da natureza do verdadeiro youkai.

- Pare com isso, Sesshoumaru... Ela disse dando um salto até Tessaiga e usando-a para defender a Toukijin. Curiosamente a Tessaiga não desfez a sua transformação, mas estava queimando as suas mãos, e o impacto para segurar a Toukijin foi suficiente para desequilibrá-la um pouco. Leona largou a lâmina do hanyou, o que aquela coisa tinha que lhe doía tanto para segurar mas ao mesmo tempo a deixava fazer uso dela?

- Não se intrometa.

- Você não vai fazer o que está pensando. Ela disse levantando-se e pegando novamente a espada que ardia nas suas mãos, de repente sabia exatamente o que Sesshoumaru pretendia, mas já tinha visto o resultado disso naquela guerra, não era o destino daquele hanyou assumir uma forma tão odiosa despertando a sua descendência youkai.

Ela escutou eles se afastando e sentiu o fogo atrás de si, Toutousai estava fazendo alguma coisa, era estranho, sua avó sempre disse que ele era um velho covarde, mas realmente, parecia que ele não gostava de Sesshoumaru. O youkai parecia estar sentindo o mesmo desconforto que ela ao respirar, seria o fato de ela estar segurando a Tessaiga?

- Pense um pouco enquanto eu estiver fora. Disse ela pulando sobre o fogo e desaparecendo.

O que ela queria dizer com isso? Porque ela estava defendendo aquele hanyou? Se irritou ao pensar que enquanto ela estivesse fora do seu alcance, quanquer descuido daquele grupo estranho poderia resultar na morte dela, o que seria uma passagem pro inferno pra ele também. Ficou ainda sentindo aquela estática desagradável por mais alguns minutos, quando ela largaria aquela Tessaiga?

- Obrigado pelo empréstimo. Disse ela largando a Tessaiga do lado de Inuyasha desacordado que estava sendo remendado por Kagome.

- Leona, você conseguiu o que precisava na Sengoku Jidai? Perguntou Kagome, não muito certa disso porque era a noite de lua cheia, fazia sentido que ela estivesse por ali.

- Ainda não... — disse ela com um suspiro de desânimo — Aquele idiota nesse momento do espaço-tempo não tem a menor ideia do que fez na grande guerra, e consegue ser mais teimoso que esse hanyou. Terminou ela suas reclamações cruzando os braços a um canto até que Sango deu-lhe um pouco de chá.

- Mas então, conseguiu pelo menos convencê-lo a fazer alguma coisa quanto a isso? Perguntou Houshi-sama vendo que pela lógica, se ela sabia o que o youkai entendia ou não do acontecido, deveria ter conversado com ele já.

- De algum jeito...

- Aconteceu mais alguma coisa? Perguntou Sango vendo que ela estava de cara amarrada.

- Ah, claro, fora que aquele cara é irritante, intrometido, e Kagome tinha razão sobre que matá-lo não resolveria o meu problema por mais que eu queira a cabeça dele em uma bandeja o único método de convencimento que eu consegui fazer ter algum efeito fez a minha avó ficar furiosa, e se meu pai estivesse vivo eu já teria sido banida do clã por causa daquele desgraçado e... e...

- Certo, já entendemos... — começou Kagome — Você odeia ele e ele só traz problemas. ¬¬' Parece muito alguém que eu conheço...

- Pela descrição — começou Sango rindo — realmente eles são irmãos...

- Espere, você disse que sua avó ficou brava, você foi até a era moderna depois de ter nos deixado? perguntou Kagome.

- Sim, eu precisava de algumas coisas que não existem na Sengoku Jidai, tipo um computador... Pelo menos pude tirar o atraso dos passeios com a minha motocicleta... Disse ela pensando em como isso tinha trazido problemas.

Apesar de tudo, se sentia menos incomodada perto do hanyou. Ele ignorava a sua existência como um mero gatinho, sem fazer comentários irritantes de tempos em tempos como o outro. De novo ele conseguira irritar Kagome, realmente, as brigas deles pareciam até mesmo infantis, mas era compreensível.

Depois de Shippou ter atormentado de novo Inuyasha para que ele fosse buscar Kagome, já que era o único que poderia passar pelo poço, considerando que um gatinho não seria de grande ajuda, ela ficou por um tempo vendo aquela situação. Ele parecia estar tentando se quebrar em dois por dentro. Era plausível, mas ao mesmo tempo, não era. Afinal, a Miko original tinha morrido, ela não passava de uma casca vazia com a parte da sua alma que era somente ódio e ressentimento. Ele não conseguia ver isso, e ela não poderia explicar. Mesmo tendo séculos de vida e muitas coisas a contar, não podia.

Ele olhou para ela como se estivesse prevendo o que ela queria dizer, mas estava errado.

- O quê? Você também quer que eu vá atrás de Kagome?

- Não.

- Então o quê? Não entendo porque está discordando de todos os outros...

- Miau... Claro, ela não poderia explicar o motivo do jeito que estava.

Mas, ela entendia. Afinal, mesmo que estivesse morta e só estivesse andando por esse mundo para matá-lo, Kikyou era uma lembrança que ele não poderia esquecer. Não conseguiria ver aquela outra alma diferente, mas que no fundo era um pouco de Kikyou, Kagome, como uma pessoa que merecesse mais a sua atenção que a antiga. As memórias antigas sempre são mais profundamente enraizadas na alma.

Ela também não poderia ver Sesshoumaru como simplesmente um pirralho irritante a mais, ela tinha ódio dele. Afinal, seria ele que num futuro dali destruiria o seu clã, mataria os seus pais e a deixaria com essa maldição que carregava. Mas, porque, de repente, ela comparava essa situação completamente diferente à em que se encontrava? Afinal, o problema de Kikyou, Inuyasha e Kagome era diferente. Apesar de que Kikiou mereceria o ódio de Inuyasha por tê-lo selado antes, ele não a odiava por isso, porque entendia o motivo.

No caso dela, Leona, ela entendia muito bem o motivo do seu selamento, no fim da guerra. Se o clã do Oeste não poderia vencer, então pelo menos traria a desgraça ao que restasse do clã dela. Se não tinha poder para vencer, não passaria a vergonha de morrer perante o seu oponente, foi por isso que ele destruíu a vida dela, por um orgulho demasiado grande para o seu poder. De certa forma, não deixava de ser uma atitude infantil, coisa que ela não duvidaria nem mesmo desse Sesshoumaru garotinho.

Era por isso que ela não conseguiria ser cordial com uma criatura como aquela. Apesar de ser irônico, depois de tanto tempo, ela mudar completamente o discurso, o hanyou valia muito mais que o outro. Era completamente diferente do que ela tinha dito naquela guerra. Ela não sentia-se honrada de ter um oponente impiedoso como ela, agora ela sentia exatamente o contrário. Ela deveria ter entendido antes isso, que era um erro ser tão desalmada, que era um erro achar que isso era um elogio a alguém. Daquela vez, aquele daiyoukai tinha lhe dito que ela não sabia o que estava dizendo. Agora ela percebia que não sabia mesmo.