O Selo Do Medo
11 Hokori
Tinha perdido vários dias pensando em como se livrar de uma vez do peso de ter que se preocupar com Leona. Se conseguisse decifrar aquilo logo, contando que o hanyou não metesse aquele gatinho no meio de uma luta, poderia logo se livrar do vínculo que ela tinha colocado nele. Isso é, se é que aquela youkai iria cumprir a palavra. Nada garantia-lhe isso. Estava na estaca zero, mas concordara com aquilo precipitadamente em uma batalha perdida, agora não poderia reclamar muito.
Sesshoumaru ainda se perguntava o motivo de ela ter seguido com aqueles humanos. Porque ela tinha defendido o seu irmão hanyou? Justo quando poderia ter certeza do sangue youkai daquele incapaz... Ela tinha tanta proximidade com humanos na era moderna que não seria de se estranhar que ela preferisse a parte humana daquele hanyou, que achasse um erro que ele se tornasse um youkai.
Além disso, era estranho que ela tivesse em um momento uma atitude tão trivial quanto se considerasse mesmo que ele não era tão desagradável assim, mas em outros momentos ela estava sempre embebida do ódio que aquela guerra tinha causado. Ela falou várias vezes da sua vontade de terminar com a raça dele, o instinto youkai sanguinário gritava, mas mesmo assim, as vezes era como se ela não visse nele a mesma pessoa, que apesar de tudo ela dizia que ele era.
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Caminhava para perto do poço pensando em como tinha conseguido saber tão claramente do motivo de uma briga do idiota do irmão hanyou com aquela humana. Provavelmente de novo estava vendo a perspectiva do pensamento daquela youkai. Será que ela tinha percebido isso?
Passou para o outro lado do poço. Era possível que ainda houvesse algum arquivo do seu clã enterrado nos escombros do domínio do Oeste. Era a única possibilidade de encontrar alguma resposta para aquele kanji borrado, que parecia ser importante na resolução, e métodos de adivinhação não pareciam nada funcionais, nada parecia encaixar com o restante dos fudas escritos.
O silêncio no templo parecia completo, era provável que tudo estivesse vazio. Saiu a caminhar por ali, apesar de o relevo da cidade ter mudado, ele sabia que seu senso de direção o levaria ao lugar certo. Ele viu que Kagome estava parada diante da grande árvore, provavelmente ainda era a mesma em que seu irmão hanyou tinha sido selado há muito tempo. Um barulho de seus passos e ela olhou assustada ao vê-lo ali.
- O que acha que vai resolver com essa cara triste diante de uma árvore? Ele perguntou vendo que ela ainda parecia assustada, e que se surpreendia com a pergunta.
- O... Que está fazendo aqui, Sesshoumaru? Ela perguntou parecendo um tanto insegura de saber que mais alguém conseguia passar pelo poço, mas mais ainda, porque ele falou como se soubesse o que tinha acontecido.
- Eu tenho outras coisas a fazer... Não pense que eu vim lhe dar conselhos. — disse ele seriamente, mas depois parecia fazer uma cara de frustração, como se considerasse tudo aquilo idiota — O que está esperando para voltar à Sengoku Jidai, humana? Falou como se aquilo fosse óbvio.
- Eu... Não vou mais voltar.
- Não vai mais voltar porque brigou com o idiota do meu irmão por causa de um cadáver ambulante? Disse ele como se aquilo fosse a coisa mais ridícula que tinha ouvido na vida.
- Como sabe que...
- Isso é o de menor importância. — disse ele não querendo perder tempo explicando como sabia aquilo — Apresse-se e volte. O que está pensando aí?
- Eu não posso... Eu não posso competir com alguém que morreu por el...
- Irritante. — disse ele entediado das desculpas, e não querendo mais ver dentro da sua mente a perspectiva de Leona, que estava perto de um Inuyasha deprimido. Alguém da sua família que se comportava de uma forma tão humana... — Se a Miko morreu, o problema é dela, ela não deveria estar caminhando pela terra então. Não se morre pelas pessoas, se vive por elas.
Kagome viu que depois dessas palavras, como se fosse algo que ele nunca diria, o vento o fazia flutuar e ele se distanciava.
"Não se morre pelas pessoas, se vive por elas." Isso não era um pensamento seu, provavelmente era o reflexo de estar conectado na mente de Leona. Curiosamente, não era algo que ele esperaria dela, afinal, se ela comprou uma briga na guerra para vingar os seus pais, estava buscando a própria morte no fim das contas. Realmente, essa frase no conceito certo, estaria naqueles fudas da maldição, era o que ele diria para ela no meio de uma luta sem sentido que exterminaria os youkais. Só que se seguisse essa lógica, eme mesmo não teria começado a guerra, seria muito mais raoável pensar que a outra parte tenha começado, e que deram ordens por ele ao seu exército. Era um cenário bem mais plausível. Mas então, o efeito de ele ter participado disso, seria meramente ocasionado pela situação em desenvolvimento, isso seria somente encontrar uma desculpa para os seus atos, coisa que ele não devia a ninguém, somente era cobrado por aquela youkai rancorosa.
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Ver os escombros do que era o seu reino no Oeste não foi uma coisa nada agradável, era realmente a decadência do mundo dos youkais. Também não gostou do que descobriu. O kanji borrado... Era ótimo que tivesse compreendido o que ele poderia significar, e ficado com pelo menos três opções plausíveis para aquilo, só que aparentemente, teria um belo problema pra explicar isso praquele gato quando o achasse.
Estava se irritando ao seguir os passos do hanyou e do grupo dele. Como eles conseguiam deixar para trás tantos restos de devastação... Isso era uma evidência de que não era seguro deixar mais tempo passar, não sabia nem como aquele gato ainda ainda podia estar vivo.
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- Estamos perdendo tempo... Ela disse vendo a lua crescente começando a aparecer no céu e protegendo Houshi-sama de um ataque repentino.
- Leona-san...
- Miroku-dono, nem pense em fazer isso. — Disse ela prendendo de volta o rosário no Kazaana do monge. — Eu dou um jeito nisso.
Ela pegou a sua katana, fazia um tempo que não podia empunhá-la em batalha, e era muito melhor ter uma arma confiável como aquela a ter que lutar contra qualquer coisa vindo na sua direção segurando uma arma temperamental como Tessaiga tinha sido naquela emergência.
- Inuyasha, rápido, vá atrás de Kagome-sama. Gritou o monge se defendendo com o cajado e alguns papéis com fudas inscritos de mais alguns youkais fracos.
- Rápido, está perdendo tempo, isso é só uma armadinha, maldito hanyou indeciso. Disse ela passando um corte no ar com a katana, que tinha um bom alcance destrutivo.
- Porque você está aqui? Perguntou de repente Kagura confusa ao ver aquela youkai, que se bem sabia, anteriormente estava andando com Sesshoumaru o outro descendente do clã dos inu youkais.
- Mero acaso pra te fatiar... Onde esperava que eu estivesse? Perguntou investindo e percebendo que a sua velocidade deixava confusa a mira da Dança do Vento que a feiticeira hanyou usava.
- Acaso... Não parece isso... — disse Kagura lançando mais lâminas de vento — Parece até que você traiu o outro youkai para defender esses humanos desprezíveis.
Trair? Ela não tinha porque trair Sesshoumaru, não tinha nenhuma obrigação moral com aquele youkai para começar. Exceto que, ela tinha prometido que iria matá-los somente se ele não cumprisse com a remoção da maldição, o que até agora, ele parecia estar cumprindo. Vendo por esse lado, se colocar em perigo era realmente uma traição, afinal ela iria pro inferno com ele se morresse. Não era uma boa ideia ter que aturar aquele cara até mesmo depois da morte. Concluiu vendo que levara um arranhão no braço e levando a mão até ele ao se apoiar com um dos joelhos no chão.
- Está invertendo as coisas, cria de Naraku... Um coração humano como o de Onigumo não poderia entender a verdadeira natureza de um youkai... Era de se esperar que fosse assim, mas é triste que ele seja tão incapaz... Disse ela investindo novamente e tendo relativo sucesso. Com um ferimento daqueles aquela sombra de Naraku não teria muita força.
- Espero poder tomar um chá com você para saber mais sobre isso... Mas agora o dever me chama...
Aquela cria do oni estava fugindo. Isso era irritante. Apoiou-se na sua katana cravada ao chão, estava cansada do dia, era normal que tivesse uma luta péssima mesmo contra alguém tão fraco. tirou um rasgo da sua blusa e amarrou no corte do braço. Parando de sangrar, iria se curar rápido, era normal. Se irritou um pouco com o fato de sua blusa ter ficado mais curta com isso, mas seria um problema de menor importância. Se levantou e iria ver o que aconteceu com eles, parecia até que Kagura tinha ido atrás de Kohaku. Realmente, para um projeto de youkai sem linhagem, Naraku estava sendo um problema bem grande. Seria um adversário formidável. Mas sentia uma presença estranha ali, se sobressaltou quando ao se virar para ver o que era já estava perto demais. Sentia as garras no seu pescoço e via uma expressão furiosa à sua frente.
- Maldita... Pretendia morrer na minha ausência? Sesshoumaru estava irritado, obviamente, era ridículo que ela tivesse tido tanto trabalho com uma luta contra uma cria de um youkai sem linhagem.
- Solte-me. Ela disse, independente de ter se assustado com essa reação, não queria ter que falar com esse desgraçado enquanto não tivesse a sua liberdade garantida, não queria ter que andar perto dele e se irritar com os seus pensamentos. Se irritar por as vezes não conseguir ver ele como realmente era, o assassino do seu clã.
Ele soltou, mas continuava com uma expressão de fúria. O que ele queria dizer com aquilo que falou? Parecia estranho. Era quase como... Como se realmente tivesse se preocupado.
- Vamos logo, ande. — Ele disse dando-lhe as costas e andando um pouco, mas parando quando percebeu que não ouvia nenhum passo seguindo-o. — Porque está aí parada? Ele perguntou ainda irritado. Como ela não respondia e não se movia de onde estava, voltou alguns passos e puxava-lhe pelo braço.
- O que pensa que está fazendo?
- Te levando embora daqui. Pare de fazer ceninha, quero me livrar logo de você e desse vínculo. Respondeu simplesmente. Ele não tinha mais o braço esquerdo, que no caso dela estava ferido, mas sabia que se tivesse, estaria sentindo dor, era algo que lhe era perceptível.
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- E é isso. Terminava ele depois de contar o que encontrou nos escombros do reino do Oeste na era moderna.
- Como assim "é isso"? Não resolveu nada! reclamava ela vendo os rabiscos e anotações que continham um interpretação até que razoavelmente completa do selo. Exceto pelo fato de que havia o maldito kanji borrado. Como ela não tinha percebido isso antes.
- Não sou eu quem tem que resolver isso, só vou conseguir remover o selo quando você descobrir o que era pra estar escrito ali. Então, pode escolher entre ficar sob minha vigilância ou desfazer o vínculo e voltar a sua era.
A interpretação daquilo fazia crer que quando ela reunisse os requisitos para a compreensão de tudo que estava ali, então Sesshoumaru poderia remover aquele selo, mas de tudo que tinha, ela entendia, então se irritou por ver que por causa de um kanji borrado simplesmente ela teria que ficar perdendo tempo ali na Sengoku Jidai, porque ele não deixaria que ela voltasse à era moderna, não precisava perguntar. Obviamente que ele não queria que ela morresse e o levasse pro quinto dos infernos a troco de nada.
- É lógico que eu não vou desfazer o vínculo enquanto você não cumprir a sua parte!
- Ah... — ele suspirou resignado — Ótimo, então você não sai da minha vista! Não quero que se envolva em nada que possa me matar de graça.
Ele decidiu isso sem nem mesmo consultar o que ela pretendia, como era irritante, pensava Leona.
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- Porque estava protegendo o Inuyasha? Perguntou Sesshoumaru para Leona subitamente enquanto caminhavam.
- Porque quer saber? Perguntou ela tão ríspida quanto antes.
- Porque é estranho que um youkai seja um bom samaritano com qualquer hanyou que encontre pelo caminho. Ele estava cutucando o seu orgulho youkai, ela não gostava disso.
- Não fiz aquilo por causa do Inuyasha. Ela disse rangendo os dentes com o pensamento do real motivo daquilo.
- Então porque foi?
- Estava te impedindo de fazer uma idiotice.
- Idiotice? Perguntou ele curioso, afinal, o que ela estava pensando?
- Eu estava te impedindo de — ela parecia estar escolhendo as palavras que dizia, como se não tivesse gostado do que fez — forçar a transformação youkai de Inuyasha. O sangue de um daiyoukai não é adequado para a estabilidade de um hanyou, e, Tessaiga serve para protegê-lo disso. É essa a herança do seu pai pra ele, porque não é o destino dele se transformar em um ser que não mantém a própria consciência. Se você forçasse isso, estaria ferindo o orgulho do seu pai por uma atitude idiota.
- Em outras palavras... — ele começou depois de escutar aquilo e perceber porque ela não gostou de falar o motivo de ter evitado que a Toukijin fosse usada mais tempo por ele naquele teste — você estava protegendo o meu orgulho, o orgulho do meu clã...
- Não se sinta muito orgulhoso disso, inu youkai, a atitude idiota é culpa sua, então eu ter feito algo ou não pra evitar que as coisas ficassem piores não muda o fato de que você tentou fazer Inuyasha mudar para aquela coisa irracional.
Ele sentiu que tinha algo estranho no que ela disse, sobre a mudança de Inuyasha. Era simplesmente estranho pensar que isso pudesse acontecer, ele era um hanyou.
- Sesshoumaru... Você ainda não entendeu a diferença que existe entre vocês, não é?
- A diferença é óbvia. Disse ele pensando no fato de o outro ser um hanyou.
- Nem tanto, eu diria. Aquele hanyou é mais forte que você, é isso que é difícil de ver quando nunca se parou pra pensar nisso. Disse ela vendo que ele simplesmente não conseguia aceitar a premissa dela como verdadeira, fora que ele parecia ter se sentido pessoalmente ofendido com o que ela disse, embora ela não tenha entendido o motivo daquela fagulha de raiva oculta.
- O que quer dizer com isso? Ele perguntou em um tiro.
- Você não lutaria em um momento que estivesse ferido e perto de morrer. Você consegue manter a calma e pensar enquanto está lutando, não é? — Ela perguntou, mas ele não disse nada, sabia que era retórica, ela sabia a resposta para isso; de fato, ele não lutaria em uma situação assim, ela viu isso — Inuyasha não conseguiria fazer isso. Ele perderia a razão e qualquer discernimento, como você viu acontecer, e continuaria lutando e destruindo tudo, até que seu corpo fosse tão dilacerado que a morte o alcançasse.
- Eu não acho que essa seja uma diferença que o faça mais forte.
- Não, de fato. Ser assim significa morrer prematuramente. A diferença que o faz ser mais fraco que ele, é que você nunca vai deixar de ser você mesmo. Nunca vai ter que lutar para permanecer no controle do seu próprio coração, a cada segundo sabendo que esse monstro pode destruir o seu corpo e terminar com a sua vida.
Ele parecia não ter gostado de ver que mesmo isso que ela disse, sendo uma coisa necessariamente ruim para o hanyou, que ela tenha conseguido fazer um elogio ao seu irmão bastardo. Não queria admitir isso, mas o que sentia era ciúmes disso. Afinal, porque todos tinham que dar mais atenção àquele cara, porque até o grande Inu Taisho deu tanto de sua preocupação para Inuyasha, até depois de morto. Porque ela, porque Leona parecia dar mais atenção ao hanyou. Poderia ser porque o hanyou não foi o culpado maior da destruição do seu clã, ou talvez porque ela não queria ter que dar algum crédito a ele como youkai, e então invertia um conceito para irritá-lo. Era óbvio que ele era mais forte que o pirralho. Embora, essa explicação fizesse pressupor que essa força não era a mesma em se tratando do controle de si mesmo, da sua alma, de quem realmente era nesse mundo.
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