O Selo Do Medo
9 Hikidasu
Ela terminou de ver as impressões, ajustou a nitidez das imagens e fez algumas melhores e olhou o relógio do computador antes de desligá-lo. Era só onze da noite... Tinha tempo pra poder andar pela cidade costurando as ruas com a motocicleta. Sentia saudade do vento batendo na sua pele. Queria ver como andavam as coisas na cidade. Ela era uma youkai da agitação, que amava estar em meio a outros seres, que amava a liberdade de ver coisas diferentes e fascinantes desse mundo.
- Obaa-chan, eu vou sair... você lembrou de não deixar a moto na chuva, não é? Chamava ela pela casa, e ainda inseguro por estar em meio ao território de outro clã e em um tempo desconhecido, Sesshoumaru estava ao lado dela observando tudo.
- Sim, Leona... Mas, leve esse demônio com você... Não quero essa criatura na minha casa por mais tempo que o necessário. Disse ela imperativamente.
- Aff... — maravilha, teria que ser babá desse novato na cidade a noite inteira — Venha. Disse ela indo para um galpão destruído ao lado da casa e tirando com facilidade uma enorme geringonça de metal, na visão do youkai, e montando nela como se fosse um cavalo. E essa coisa era um tanto barulhenta.
- Ahm... Ficou por um momento curioso de saber o que ela pretendia.
- Motocicleta, Sesshoumaru, prazer em conhecer, embarque logo, é só um cavalo mecânico, se for pensar de uma forma prática de entender. Disse ela fazendo a coisa fazer um barulho maior, na verdade ela somente estava acelerando sem ter tirado o motor do ponto morto, mas isso era engraçado porque Sesshoumaru parecia desconfiado da moto.
- Tem certeza que não é mais fácil flutuar como normalmente se faz... Ele realmente estava com o pensamento na Sengoku Jidai, onde não era anormal ver um youkai como uma aparição maligna.
- Não, atualmente os humanos não sabem da existência dos youkais, então aja como um humano, suba logo e segure-se se não quiser cair.
Ela não abriu o portão caído aos pedaços, simplesmente acelerou a moto e passou por cima dele. Pelo menos isso ela poderia fazer, afinal, ninguém estava olhando se ela fez a moto flutuar ou se era pura habilidade de direção. Viu o indicador de gasolina no zero, como sempre, a sua motocicleta era um artefato youkai, não precisava dessas coisas para ser dirigida por ela.
Corria novamente costurando a cidade, sentindo de novo um pouco da liberdade. Chegou ao bar de sempre e ouvia a música tocando, via algumas pessoas conhecidas, e outras nem tanto, circulando por ali.
- Leona, o que aconteceu, faz tempo que não aparece por aqui... Chamava o dono do bar escorando-se no balcão para admirá-la, como vários viravam as cabeças para fazer o mesmo.
Ela conversava com as pessoas e parecia simplesmente estar no lugar certo entre tantas pessoas que se vestiam de formas diferente da que ele conhecia na Sengoku Jidai. Foi interessante o fato de ela ter se engajado, de um momento ao outro, em uma competição de bebida.
- Pelos velhos tempos... Brindara ela rindo e bebendo a grande caneca de bebida rapidamente sob uma torcida de vários presentes.
Realmente, esse ambiente, essas pessoas, conseguiam ser contagiantes de tal forma, que estar ali era o suficiente para se sentir como todos eles. Se sentiu incomodado quando algumas humanas tentaram conversar com ele, simplesmente dispensando a sua presença e se escondendo a um canto mais afastado. Leona parecia simplesmente se divertir como se essa fosse a vida que sempre levava, mas os resmungos de algumas pessoas, contavam que ela somente aparecia uma vez por mês, sempre no dia da lua cheia, e estavam curiosos com o seu desaparecimento e ressurgimento. Ela não podia ser feliz assim sempre... Ela queria poder ter tempo livre provavelmente para poder passar mais momentos assim. Outros mais tranquilos, como quando ela ficava pensando e escutando a água de uma fonte correr na Sengoku Jidai. De repente, sentia-se como se estivesse dentro daquela felicidade momentânea dela, o seu pensamento voltado para cada uma daquelas pessoas, algumas querendo conversar mais, outras querendo afastar, a tristeza de não poder aproveitar isso ao máximo. De não poder criar joguinhos youkais, como em outros tempos, antes da guerra, quando as coisas eram diferentes, mas mesmo assim, interessantes.
Ele não sabia como de repente conseguia sentir essa tristeza dela, e ao mesmo tempo, o fato de que ela parecia preenchida, parecia feliz dessa forma, parecia estar rodeada por todos os lados de coisas importantes. sob a ótica dela, essas coisas todas pareciam tão fascinantes, tudo parecia como se fosse único. E era, porque ela não tinha muito tempo, as pessoas mudariam, e ela nem perceberia isso, dada a efemeridade da sua presença.
Quando perguntaram a ela quem era o garoto com ela, ela disse que era um amigo de outra cidade, mas hesitou dentro de sua mente na palavra amigo. Será que poderia considerar isso de uma pessoa que fez tudo o que fez? Será que poderia considerar talvez que ele, como não tinha feito ainda, no tempo dele, tudo aquilo, era em tese, uma pessoa diferente da que odiava, e poderia dar esse benefício da dúvida? Mas, dar esse benefício da dúvida a um youkai que foge dos próprios sentimentos como ele, não seria escolher ser apunhalada pelas costas? Afinal, se não tivesse criado aquele vínculo para forçá-lo a dar um jeito naquele selo, ele não estaria ali, provavelmente teriam novamente se destruído mutuamente em uma briga, assim como foi na guerra. E nesse momento, porque se preocupar com ele? Estava deixando de aproveitar esse momento de liberdade provisória de suas amarras para pensar nele? O que estava acotnecendo com os seus pensamentos... Estava fugindo do foco objetivo que tinha que conseguir. A quebra do selo, o fechamento do Sengoku Jidai, e a sua vida na era moderna. Sentiria falta do Sengoku Jidai, o lugar onde os youkais eram temidos e respeitados, onde podia flutuar pelos céus, pode podia encontrar batalhas esperando por ela...
Teve que parar de pensar nisso quando se irritou com um novato que não sabia o limite da rainha do bar. O dono do bar olhava interessado no que aconteceria. Ela sabia bem o que ele esperaria em um dia normal, que o garoto levasse um soco doloroso que o fizesse sair voando diretamente pela porta. Todos que fizessem algo que a desagradasse ou fossem insistentes em tentar cortejá-la apanhavam, era uma lei naquele lugar, poucos novatos não tinham ouvido falar disso. Mas aparentemente, independentemente de saber disso ou não, o garoto humano, apesar de bonito já a tinha irritado o suficiente, e parecia estar testando a sua paciência. O dono do bar parecia curioso por um motivo, o garoto de cabelos prateados que tinha sido trazido por ela, o dito "amigo", pela cara dele, do que já o conhecia, ele não tinha acreditado nisso, bom, nem ela acreditava mesmo.
Sesshoumaru ainda estava confuso por ter conseguido ver tudo aquilo acontecer da perspectiva dela. Isso era uma peculiaridade que não esperava que fosse acontecer. E não esperava que ela tivesse tanto sentimentalismo carregado para uma youkai tão poderosa, mas estranhamente, era isso que fazia o seu youki ser tão denso. Era evidente porque quando sentia a irritação dela pelo humano se converter em raiva o youki dela forçou mais o ambiente, apesar de estranhamente nenhum humano ali ter desmaiado com isso ou coisa assim. Aparentemente ela sabia controlar esse tipo de coisa.
Antes que ela tomasse qualquer atitude, fez o que pressupôs humanamente plausível para que o garoto que a importunava saísse dali.
- Caia fora. Disse Sesshoumaru ao garoto postando-se ao lado dela.
- O que você pensa que está fazendo? Resmungou ela em um tom audível somente a ele, com cara de poucos amigos.
- Quem você pensa que é? Está interrompendo uma conversa e... Começou a falar o cara como se fosse no mínimo importante, Leona pensou que realmente ele era só mais um filho de família rica que achava que poderia fazer uma pose e ter todas as garotas que quisesse. Irritante, somente isso.
- Caia fora, você está importunando uma moça acompanhada, se não percebe. Ela sentiu a pontada de "humano desprezível" invisível na frase quando ele falou com aquele olhar frio e distante de sempre. De repente, parecia até estranhamente normal que ele a estivesse defendendo ali, mas o seu pensamento se contradizia com a parte de que ela era a rainha dali e que ninguém tinha uma voz mais autoritária que ela se fosse necessário. Ela não entendia porque ele estava fazendo aquilo assim, do nada.
Depois desse clima tenso, quando finalmente o cara desistiu e todos resmungavam aos cantos no bar que aquele cara estranho era o namorado de Leona, ela sentia o seu status famoso no lugar de garota incrivelmente linda, cobiçada e intocável abalado. Fora que era vergonhoso que qualquer ser na face da terra cogitasse que ela estivesse junto com... Junto com... Aquele cara.
- Ei, mande mais uma dose do que tiver de mais forte... — disse ela se escorando no balcão — Dupla...
Ela bebeu tudo de um gole e olhou para o youkai que estava sentado ao seu lado com uma expressão de ódio mortal.
- Eu juro que te mato... Ela disse, mas era como se não estivesse falando sério, de todas as ameaças que ele ouvira, essa foi a mais fraca, inebriada de outras várias coisas naquele olhar odioso, essa foi exatamente aquela que parecia querer dizer exatamente o contrário. Era estranho ter essa sensação, mas realmente, parecia que ela não queria dizer aquilo.
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