Notas iniciais
Terceiro capítulo, no ponto de visto do Nico! Só eu acho que ele devia ter tido p.o.v. em A Casa de Hades?? Pois é, então, para saciar esta vontade, aqui está^^

NICO ESTAVA CANSADO DE VIAJAR NAS SOMBRAS.

Ele, Reyna, o treinador Hedge e mais uma estátua de doze metros de altura caem em algum lugar próximo a Lisboa.

Viajar pelas sombras sozinho já não era fácil. Levando uma garota, um sátiro que não para de reclamar e uma tonelada de mármore era esgotante. Precisava parar.

Nico estava preocupado com Hazel, sua irmã. Também com Jason, que se revelou seu amigo nos últimos dias, ao aceitar seu segredo e apoia-lo em suas decisões. E com Percy, a pessoa mais importante para ele. Nico não sabia direito o que sentia por Percy, mas não queria sentir aquilo. Odiava amá-lo.

Estava sentado à margem do rio Tejo, observando o curso do rio. De alguma forma a água o fazia se sentir bem. Percy.

O treinador Hedge estava alguns metros atrás da Atena Partenos, e Nico suspeitava que ele estivesse mandando mensagem de Íris para sua namorada. As armaduras e mochilas estavam aos pés da deusa.

- Você está bem? – Nico escuta a voz de Reyna às suas costas e sente sua mão em seu ombro.

O toque causa um choque no garoto e, de imediato, ele se encolhe.

Reyna afasta sua mão e olha para ele com olhar de dúvida.

- Desculpe-me... – diz Nico, com voz tímida – Só não gosto que me toquem...

- Só vim verificar se está bem. E quando poderemos retomar a viagem. – Reyna explica. Agora também passava timidez e insegurança.

Ela se senta ao seu lado.

- Sei que está cansado, mas eu não aguento esperar para acabar com esta guerra entre nossos acampamentos... – Reyna fala.

- Sim, eu também estou ansioso por isso, mas se partirmos sem medir consequências pode ser que caiamos no meio do Atlântico na próxima vez. – Nico adverte.

- Obrigado! – diz Reyna, se aproximando um pouco de Nico.

- Pelo que? – ele quer saber.

- Por ter se voluntariado a me ajudar com esta missão... Sei que não queria ter que deixar seus amigos para trás. – Reyna falava sem olhar para Nico.

O garoto não responde, apenas esboça um sorriso.

Eles ficam mais alguns minutos em silencio. Olhando para o rio e para o céu estrelado acima deles. Era uma bela visão.

- Eu não quero que isso tudo acabe... – Nico diz, quebrando o silencio.

- Isso o que? – Reyna olha para o menino e nota uma lágrima escorrendo por seu rosto pálido e magro.

- A vida. O mundo. Nunca tinha pensado muito nisso. Acho que é por que não tenho medo de morrer... Já estive no outro lado. Não é tão ruim como parece... Mas, você sabe do que estou falando... – ele hesita em continuar – Gaia.

Sopra um vento frio. Reyna passa as mãos pelos braços buscando se aquecer. Ela estava com a camisa roxa do acampamento e um short jeans. Nada preparada para uma noite fria. Nico, por outro lado, estava vestido com um casaco preto, por cima de um blusão igualmente preto com a estampa do Avenged Sevenfold.

- Está frio aqui, não? – Nico fala. E numa atitude que pegou Reyna totalmente de surpresa, ele oferece seus braços para aquecê-la.

Reyna hesita, mas se aproxima ainda mais do filho de Hades e o abraça. Nico a envolve calorosamente em seus braços. Nunca havia feito isso com nenhuma garota que não fosse uma de suas irmãs. Mas, para Nico, Reyna era diferente. Era linda, corajosa, amiga... Ele pensou se não valeria a pena arriscar com ela e tentar esquecer sua “paixonite” por Percy.

***

Antes de o sol ameaçar nascer, as pessoas já caminhavam pela rua. Algumas apressadas, indo para o trabalho. Outras, apenas caminhando e curtindo a aurora de um novo dia.

Nico percebe que ainda estava sentado à margem do rio Tejo. Reyna havia dormido, com a cabeça deitada em suas pernas. Ele não queria acorda-la. A garota ficava ainda mais bonita dormindo. Um sorriso meigo havia se desenhado em seus lábios.

- Ei, di Angelo! – era a voz do treinador Hedge. – Hora de partir não acha? Daqui a pouco as pessoas vão começar a reparar na estátua de doze metros parada no meio do caminho.

Reyna acorda com a voz nada suave de Hedge e levanta rapidamente. Parecia envergonhada.

- Sim, temos que ir. – ela diz, limpando a poeira e algumas folhas secas de suas pernas.

Nico sorri para ela, e Reyna corresponde.

Dez minutos depois, mochilas nas costas e bagagem presa a elas, todos se seguram e embarcam nas sombras.

É difícil descrever o que acontece durante uma viagem como esta. Tudo o que Nico via era alguns movimentos rápidos em meio à escuridão, como se estivesse em um veiculo em alta velocidade numa rua escura. Ouvia vozes. Lamentos, gritos, risos. Vozes que se perderam na escuridão e no tempo. Seus pés pisavam algo úmido, sem forma.

Ele não conseguia saber o que passava na cabeça de Reyna e Hedge naquele momento, pois eles faziam a viagem inteira de olhos fechados, como se temessem as sombras.

Nico se orientava facilmente ali. Estava em seu domínio. Mas sabia que qualquer outro poderia enlouquecer ou se perder para sempre nas sombras sem sua ajuda.

- Nico... – ele escuta alguém chamando seu nome.

Era uma voz rouca, áspera, ancestral.

O chão abaixo de seus pés começa a parecer mais sólido. De repente, ele não consegue se mover, os calcanhares envoltos em montes de barro ressecado.

- O que você quer? – ele pergunta, sabendo de quem se tratava a voz.

- Pobre garotinho destinado a morrer... Tão ingênuo! – a voz fala.

- Nico? Por que parou? – Reyna pergunta. Felizmente, não parecia ouvir a voz de Gaia.

- Isso mesmo di Angelo! – Hedge reclama – Não me obrigue a abrir os olhos e ir ai lhe dá uma bofetada!

- Você sabe que não vai conseguir chegar à Nova York! Está exausto. E não aguenta mais esse bode velho em seu ouvido. Entregue-se enquanto a tempo. Você pode escolher entre abandonar tudo agora e morrer sem dor, ou pode seguir em frente, e morrer de forma lenta e dolorosa alguns dias à frente. De um jeito ou de outro você morre! Se seguir a segunda opção talvez sua alma nunca siga para os Elísios...

A voz de Gaia some e o chão se torna novamente mole e disforme.

- Desculpem-me... Vamos!

Retomou a viagem. Nico sabia que de certa forma Gaia estava certa. Estava exausto e poderia não conseguir chegar a seu destino. Não com todos. Mas jamais se entregaria. Tinha que tentar até o fim!

Notas finais
O que acharam de "Reynico"? E se gostaram, please, me arranjem um nome melhor para esse shipp kkkkkk Valew!! :3