Notas iniciais
Mais um capítulo para vcs^^ Espero que gostem!

DE REPENTE, AS SOMBRAS EXPLODIRAM.

Alguns instantes atrás, Nico sentiu uma vibração estranha nas sombras. Como se algo, ou alguém, estivesse tentando pega-los ou segui-los pela mesma rota.

Ele calculou rapidamente sua posição e mudou de direção o mais rápido que pode. Um segundo depois as sombras explodiram em luz.

Nico notou que caiam. Estavam a, no mínimo, cem metros de altura. Abaixo deles, uma pequena ilha com poucas árvores no meio de uma vasta quantidade de água. Estavam sobre o oceano Atlântico.

Na noite anterior, quando caíram em Lisboa, a queda não tinha sido maior que dois metros.

A Atena Partenos caia muito mais rápido que Reyna e Hedge, e como Nico estava preso a ela por cordas, era puxado para baixo muito mais rápido.

Reyna e Hedge estavam com expressões apavoradas. Ela parecia pedir algo a Júpiter, o deus do céu. Mas Nico sabia que com as personalidades disputando espaço, deus nenhum os escutaria. O treinador pareceu começar a pensar numa saída. Então ele sopra seu apito com força.

Nico não nota nada diferente no momento, por isso decide agir. Faltavam quarenta metros para atingirem o chão. Sacou a espada de ferro estígio e cortou as cordas. Em seguida, envolveu-se em sombras.

No instante seguinte, apareceu na areia da praia da ilha, sã e salvo. Olhou para cima. Reyna, Hedge e a estátua ainda caiam, já bem próximo de atingirem o chão da ilha. Nico só teve tempo de envolver Reyna em sombras e desviar do enorme bloco de mármore.

Rolou pela areia com Reyna em seus braços. A Atena Partenos atingiu o chão, levantando poeira e afundando uns quatro metros na areia.

- Hedge! – Reyna gritou, preocupada.

Então, o treinador pousou levemente próximo deles, segurado pelos braços por duas lindas moças muito pálidas que usavam vestidos brancos e voavam.

- Como? – Nico pergunta.

- Minha namorada é uma ninfa do vento! – o sátiro explica – Ela me deu esse apito quando parti na missão com o Argo II. Disse-me que o usasse no momento que mais precisasse. Felizmente, essas duas ninfas estavam nas proximidades quando soprei o apito.

Reyna solta um suspiro aliviado. Levanta e limpa da roupa toda a areia. Nico faz o mesmo.

- E então? Onde estamos? – Reyna quer saber.

- Em algum lugar entre a Europa e a América... No oceano Atlântico. – Nico responde.

- Está é a ilha Paradise... – fala uma das ninfas. – Eu e minha irmã moramos aqui, salvando, vez ou outra, algum semideus que cai do céu assim, do nada... – ela fala ironicamente e começa a rir descontroladamente.

- Desculpem minha irmã, não é todo dia que vemos outras pessoas aqui neste fim de mundo... – a outra ninfa fala.

Nico dá de ombros.

- Temos que prosseguir... – ele diz.

- Não! Você precisa descansar... Olha só pra você... – fala a ninfa mais séria. – Vamos até nossa morada, no meio da ilha! – ela aponta para uma cabana no meio de algumas árvores.

- Isso! – a ninfa risonha, segura a mão de Hedge e começa a arrasta-lo.

- Mas... – Reyna tenta falar. Parecia incomodada com algo.

- Venha! – a ninfa séria segura a mão de Nico e também o leva para a cabana.

Nico não sabia se devia confiar nas ninfas, mas não via porque não segui-las. A ilha era de fato um paraíso. Embora ele odiasse praia e sol, ali se sentia bem.

Reyna segura o braço livre de Nico e quando o garoto vira-se para ela, Reyna move os lábios, esperando que ele a entendesse.

“Acho que elas não são confiáveis”, foi o recado. Mesmo assim, Nico prossegue.

Reyna se vê obrigada a segui-los.

Nico entra na pequena cabana de palha. Havia alguns objetos pendurados. Panelas, bonecas de pano, máscaras tribais. Ele não conseguiu entender porque ninfas do vento morariam em um lugar como aquele. Começou a desconfiar que Reyna estivesse certa.

O treinador Hedge parecia ludibriado. As pupilas estavam dilatadas e o sorriso ia de orelha a orelha. Estava sentado no chão, e a ninfa risonha já ia lhe dando algo para beber, quando Reyna bate em sua mão e derrama todo o líquido.

- Sua louca! – reclama a ninfa.

- Temos que dar o fora daqui! – diz Reyna.

- Não tão rápido! – diz uma voz rouca atrás de Nico.

Nico vira e vê uma garota atrás dele. A primeira vista, parecia uma garota normal de dezesseis anos, não fosse vestir armadura torácica e estar segurando uma lança. Mas observando com atenção, Nico viu que seus olhos tinham a cor da areia do Saara e pareciam ter visto milhões de anos de história. Os lábios eram ressecados. A pele negra era rachada. Os cabelos eram dreadlocks escuros que caiam até a cintura, amarrados por arames.

- O que é você? – Nico pergunta.

- Meu nome é Réia, sou filha de Gaia e a Mãe dos Deuses. – ela estende a mão, passando uma falsa hospitalidade. A mão de Nico cumprimenta a dela, como se tivesse vontade própria.

Ao tocar Réia, ele tem um súbito acesso de entendimento. Réia era filha do céu e da terra, nascida numa era anterior a homens e deuses, quando o caos ainda reinava. Ela casou-se com o irmão Cronos e com ele gerou seis filhos: Hera, Deméter, Héstia, Hades, Poseidon e Zeus. Seu marido, assustado por uma profecia antiga, engoliu os cinco primeiros filhos. Cansada deste fardo, Réia escondeu Zeus, o filho mais novo, na ilha de Creta sob os cuidados de uma cabra. Mais tarde, crescido, Zeus destronou Cronos e o fez vomitar os filhos, que cresciam em sua barriga. Então assumiu o Olimpo. Réia por um bom tempo viveu ao lado dos filhos, mas com a ameaça de uma iminente vingança de Cronos, refugiou-se em Paradise.

- Não pretendo fazer mal a vocês... – Réia diz – Fiquem para o jantar!

- Nós temos que ir! – Reyna fala secamente, levantando o treinador Hedge pela gola da camisa.

Nico ainda estava sob efeito de alguma magia. Queria ficar, mas a parte lógica de seu cérebro o mandava fugir dali.

Olhou para Reyna, em dúvida. O olhar da garota, que Nico já aprenderá com a decifrar, dizia “Agora!”.

E nesse momento, Nico puxou a espada de ferro estígio e imobilizou as duas ninfas, pondo a lamina a poucos milímetros de seus pescoços. Reyna, com a mesma destreza, tomou a lança de Réia e ameaçou crava-la em seu peito.

- Agora falem a verdade! – cobrou Reyna – O que querem conosco?

Notas finais
E então? Mereço reviews? Comentem seus lindos^^