O Romance que Eu sempre Quis
44 Cap 44 - um mundo só para nós
Quando fechei a porta atrás de mim senti estar de volta em casa, aquele ambiente me fazia me sentir mais em casa que no meu próprio apartamento, ali poderia ser somente eu sem me preocupar com o resto do mundo como se tivesse sido sugado para um universo paralelo. Segurei o sorriso de satisfação, tirei meus sapatos e caminhei só de meias até a cozinha americana e me sentei num dos bancos.
- Que tipo de chá você prefere? Mai perguntou sem perceber que ele estava totalmente fora do ar.
- Hum? Respondeu retornando a realidade.
- Qual o chá que você prefere?
- Kanro é o meu preferido, mas se não tiver..
- Eu sei.. Ela disse colocando a xícara com uma flor se abrindo dentro dela enquanto a infusão acontecia.
- Como sabia?
- Você me disse em Kyoto não lembra? Ou será que foi em outro lugar? Não sei ao certo agora.
- Você que estava bêbada naquele dia e não eu, então tenho certeza que você apenas deu um chuto certeiro. Provoquei.
- Pode até ser verdade, mas pelo menos eu tenho a informação! Retrucou ela rapidamente.
Ele a olhou sorrir e continuar conversando enquanto arrumava a pequena mesa, o tempo parecia ter parado no instante em que ele saiu da casa sem avisar nada e de repente voltou a correr quando ele fechou a porta de entrada.
Sentaram juntos no sofá para ver TV, mesmo o pior dos seriados seria ótimo com ela, já passava das duas da manha quando ele acordou vendo Mai acomodada em seu braço, a Tv passando apenas listras coloridas e zumbindo estranho, ele olhou para Mai e pegou o controle em sua mão, provavelmente ela adormeceu e se aproximou. Shibuya observou atentamente seu rosto, acariciou seus cabelos e a viu se aconchegar um pouco mais, ela dormia profundamente, e era extremamente lindo vê-la dormir daquela forma.
- Naru? Sussurrou Mai.
- Humm? Está acordada?
- Senti.. Saudades.. Ele sorriu triunfante, só de pensar que ocupava os pensamentos dela até dormindo.
- Eu também.. depois de desligar a Tv, ele se acomodou no sofá e voltou a dormir.
Era de manhã quando Shibuya se acordou com o braço dormente por ter dormido na mesma posição a noite inteira, pois Mai estava apoiada sobre seu braço esquerdo todo o tempo, ele retirou o braço lentamente para não acordá-la trocando seu ombro por uma das almofadas próximas a eles, com a qual ela se abraçou imediatamente se aconchegando ao sofá, ele sorriu.
- Desse jeito eu ficarei com ciúmes! Exclamou ainda sorrindo.
Ele a observou ainda por alguns minutos e depois resolveu subir e tomar um banho parou na porta do quarto dela e lembrou-se do diário.
- O que será que você escreveu sobre mim esses dias, huh? Ele espantou a curiosidade da mente e entrou no quarto dos pais dela onde sabia que tinha propositalmente deixado uma muda de roupas, afinal pretendia voltar em breve.
Enquanto isso Mai acordou sentindo um pouco de frio e se pôs sentada num sobressalto, ela não podia acreditar que ele tinha partido sem avisar novamente, se pôs em pé praticamente em pânico. Quando ouviu o ranger da porta do quarto de seus pais, ela subiu para ver ser Naru estaria lá em cima.
Shibuya abriu o guarda roupas, mas não achou nada do que tinha deixado, estranhou, mas talvez Mai tivesse mudado de lugar, a porta rangeu um pouco e a voz que soou no quarto assustou Shibuya.
- Você é uma visita um tanto inconveniente, entra , me deixa dormindo, mexe nas coisas, aff!. Ela disse isso com um sorriso aliviado
- Eu estava procurando a muda de roupa que deixe bem aqui, mas acho que alguém jogou fora. Ele caminhou em direção a ela abraçando-a.
- Eu não joguei fora!
- Não?
- Não! Só guardei em outro lugar.
- E posso saber onde a senhorita guardou minha roupa?
- Está lá.. Ela calou-se de repente, tinha certeza que se ele soubesse que estava no quarto dela ia pensar mal, e na verdade ela levou para lá por que a camisa estava impregnada do perfume dele.
- Está lá... Onde? Ele ficou esperando que ela completasse.
- Na lavanderia! As roupas estavam com um cheiro de guardado e lavei algumas e elas estavam no meio então estão lá embaixo, você pode entrar no banho enquanto eu pego elas pra você! Ela disse com um sorriso mentiroso, porém convincente.
- Faça isso então. Ele deu um beijo na testa dela se virou pegou a sua toalha que já estava sobre a cama e foi ao banheiro enquanto Mai olhava o tempo com cara de boba, aquilo tudo soava tão, tão..
- Família.. Ela falou alto sem perceber.
Sentou-se um pouco na cama dos pais dela, enquanto seus olhos enchiam-se de lágrimas que não podia conter, ela estava tão feliz em sentir-se fazendo parte de uma família novamente que não ouviu a companhia da porta.
Depois de alguns minutos, Naru gritou do banheiro.
- Mai? Está ouvindo a porta? Isso fez ela sair dos seus pensamentos.
- Ouvi, sim. Vou atender e já trago suas roupas.
- Ok! Com isso ele ligou o chuveiro, e não ouviu mais nada.
Mai desceu, abriu a porta e era sua vizinha, uma senhora já de idade que costumava lhe trazer algo toda vez que preparava uma comida diferente.
- oi lindinha trouxe um pouco de leite pra você, notei que você anda um pouco apática.
- Bom dia, senhora Tanaka é muita gentileza da sua parte. Ela pegou a garrafa sabendo que seria inútil recusar.
- Quer entrar e sentar um pouco?
- Não querida, vim cedo por que queria que tomasse isso no café da manhã, mas o senhor Tanaka me espera par irmos às compras, e ele gosta de ir logo cedo por que pega as verduras mais frescas no mercado.
- Humm isso é uma ótima dica, tentarei me lembrar disso da próxima vez que for ao mercado comprar-las. Ela disse com um sorriso.
- oh sim e você deve comer bastante legumes e não ficará doente de novo. Falando nisso, está se alimentando corretamente? Está ganhando dinheiro suficiente para as despesas, se não estiver eu posso ajudá-la nem que seja um pouco.
- Não, não senhora Tanaka está tudo bem, tenho comido bem e tenho pago as despesas sem problemas, agradeço a preocupação.
- está bem querida, então nos vemos depois está bem?
- Sim! Mais uma vez obrigada
- Não por isso querida.
Mai se despediu com um sorriso, depois se lembrou das roupas que tinha prometido ao Naru.
- a essa altura ele já deve estar terminando.. Ela pôs a garrafa de leite sobre a pia e já estava no meio da escada quando a campainha tocou novamente. Mai se virou para descer
- Deve ser a senhora Tanaka que se esqueceu de alguma coisa.
Ela caminhou até a porta abrindo alegremente, mas seu sorriso se desfez ao ver as três pessoas desconhecidas em sua porta.
- Pois não?
- Eu vim aqui buscar o meu filho! A mulher de cabelos visivelmente tingidos de preto falou exigente.
- O que?! Por um momento Mai não entendeu nada, enquanto isso um homem alto fez menção para que a mulher anterior se calasse.
- Bom dia, desculpe o incomodo, meu nome é Koujo Lin, e estamos procurando por Kazuya Shibuya por acaso ele se encontra aqui?
Mai pensou em dizer que não conhecia esta pessoa, mas depois se lembrou de Naru, Naru era um nome inventado por ela logo eles deveriam estar procurando por ele.
- Vocês podem aguardar um pouco enquanto eu..
- Mãe? Lin? O que vocês fazem aqui? Todos olharam espantados inclusive Mai que ficou surpreendida em ver Naru envolto numa toalha vermelha secando os cabelos com outra menor , praticamente nu na porta de sua casa.
- O que pensa que está fazendo? Esbravejou irritada.
- Eu chamei milhões de vezes e você não veio então resolvi descer pra ver o que estava acontecendo. Eles esqueceram totalmente das pessoas na porta.
- Oliver Davis, como ousa receber sua noiva na casa de uma garota estranha e ainda mais nesses trajes? Masako estava estranhamente roxa nesta hora.
- Noiva? Mai olhou pra Naru como se esperasse uma explicação convincente.
- Mai eu posso explicar...
- Ainda essa! Nem sequer a mocinha sabe que você é comprometido? Exclamou
- Eu.. Eu..
- Senhoras, por favor, vamos manter a calma. Lin tentou amenizar inutilmente
- Será que você pode me dar roupas antes que os vizinhos me vejam assim?
Mai tinha esquecido completamente que Naru estava apenas de toalha e corou.
- Só espero que não tenha engravidado esta garota Oliver?
- Como é? Mai questionou furiosa.
- Mãe acho que você acabou de passar dos limites, Vamos Mai?. Shibuya encarou Lilian com aquele assustador olhar assassino. Enquanto empurrava Mai escada acima para que ela trouxesse as roupas.
- Será que pode ficar pior? Suspirou Lin exausto.
- Ei e nós, ficaremos esperando aqui na porta? Lilian ficava cada vez mais irritada com a história.
- Se quiserem entrar fiquem a vontade, embora não sejam nada bem vindos! Naru nem olhou para trás para responder isso, e ele no fundo esperava sinceramente que eles fosse embora sem entrar.
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