Notas iniciais
Desculpem a demora. Para compensar, escrevi o equivalente a dois capítulos. Segue a canção "Se No Te Hubiera Conocido", de Christina Aguilera e Luis Fonsi. Desejo-lhes uma boa leitura...

Capítulo anterior: Maria já ia saindo do carro, quando Estevão a puxou, de súbito.

Ela protestou de dor e ele pediu desculpas. Pensava que ele iria beijá-la, mas percebeu, pela expressão dele, que algo estava errado.
Seguindo seu olhar, Maria vê um homem impaciente, batendo a sola dos sapatos num dos degraus da escadaria de acesso à portaria, verificando o relógio.
– Minha nossa! — espantou-se. — Geraldo está aqui!

– Ligue para a portaria e pergunta sobre seu carro. — recomendou.
– Pra quê?
– Porque provavelmente ele perguntou por você. Aliás... Diga pra Elvis que você já está chegando e fale com ele pra entreter Geraldo enquanto você sai do carro.
– Sim, sim. Vou fazer isso.
Maria ligou para Elvis e disse o que Estevão lhe recomendou, mas acrescentando para mandá-lo subir ao apartamento.

De longe, observam Geraldo conversando e, por fim, entrando no prédio.

– Agora pode ir. Mas espere... — disse Estevão, se lembrando de algo. — Não era pra você estar de repouso?

– Ninguém me obriga a ficar num lugar sem que eu queira, meu caro. Boa noite...

"Que mulher!" Pensou Estevão, sorrindo, enquanto ligava o carro e voltava para sua casa.


******

– Meu velho o que acha se eu ligar para Mariazinha, hein? Precisamos da lista de convidados para o casamento.
– O problema é seu, mulher. — responde Evandro de mal humor.
– O que deu em você, porque toda essa arrogância?

– É essa tal noiva de Geraldo. Desde que a conheceu, meu filho parece um paspalho, só vive pra ela. Me ligaram dizendo que nas reuniões da empresa ele esta voando em pensamentos, parecendo uma fadinha. Não criei filho pra ser trouxa, e sim pra ser homem. Tome Estevão, como exemplo: Responsável, dono de uma empresa, administra tudo muito bem e ninguém nunca o viu de quatro por um rabo de saia.
– Estevão é uns doze anos mais velho que nosso filho. — intervém Carmen em defesa de Geraldo.
– O que diabos isso tem a ver?

Eu comecei meu projeto de construção da empreiteira com dezoito!
– Você é um velho resmungão!
– E você, uma velha intrometida! Pra que ligar pra ela? A noiva é Maria, que por sinal ainda não moveu um dedo pra nada, aposto que nem experimentou o vestido de noiva! Três meses passam voando. Aliás, dois. Semana que vem ja é início de mês.

– Temos que levar em conta o trabalho dela... — falou com pouca convicção. Talvez o marido tivesse razão.
– Eu a achei bonita, se vê que é inteligente...que trabalha muito... Mas qual mulher, próxima do casamento não estaria se descabelando com tão pouco tempo? Se lembra quando nos casamos? — Carmen sorriu ao lembrar. — Mal tínhamos dinheiro para bancar uma festa, mas mesmo assim você tomou frente na organização e nos poupou muito dinheiro.

Carmen calou-se. Evandro estava certo. Mas mesmo assim, queria ver o filho casado e ajudaria a organizar tudo. Esperaria que Evandro dormisse e ligaria para Maria.

>>>>

– Me solta, você está me machucando. — disse Maria fazendo uma careta de dor.
– E vou machucar ainda mais se não disser quem é o homem que te acompanhou. — com raiva nos olhos.
– De que homem você está falando? Me solta! — e conseguiu se livrar das mãos de Geraldo.

– Não se faça de sonsa! Fui na delegacia e me disseram que você saiu com um homem e depois uma mulher foi pegar seu carro... Quem eram, Maria? Ele era seu amante, é isso?
Maria desferiu um forte tapa no rosto de Geraldo.
– Nunca mais me ofenda! — disse ela arfando, tentando disfarçar a dor que sentiu no ombro ao fazer tal esforço.
– Eu não sou uma criança para prestar esclarecimentos a você. Mas se quer saber, o homem era um cliente, precisava resolver um caso com urgência e a mulher era filha dele. Pedi que conduzisse meu carro até aqui porque não sabia quanto tempo demoraria na resolução do caso, e eu precisaria dele para trabalhar amanhã.

Tentou parecer o mais natural possível, e conseguiu. Geraldo se ajoelhou no chão e abraçou as pernas de Maria, chorando.

– Perdoe-me Maria, perdoe-me! Eu... Eu tenho medo de perder você... — Maria apiedou-se.

Geraldo as vezes parecia um cachorrinho. Tinha certeza e que ele ficaria mal caso o deixasse. "Oh Meu Deus o que farei?" pensava, pesarosa.
– Geraldo, se levante.
Ele levantou o rosto e entre lágrimas, pediu que ela nunca o dispensasse.
– Eu não sei do que sou capaz se você me tirar de sua vida.
– Levanta, Geraldo.
Ele a obedeceu e se levantou. Abraçou Maria gentilmente, mas firme; não queria machucá-la outra vez.
Ela também não queria machucá-lo, tampouco à Estevão, mas teria que se decidir. Depois do baile de máscaras no domingo, daria seu parecer sobre quem seria sua escolha.

>>— Já de volta à mansão San Romãn, Estevão encontra a tia jantando sozinha.
– Onde Carlos está? — perguntou enquanto puxava uma cadeira para acomodar-se.
– Não sei... — soltando um longo suspiro e largando o garfo no prato. — Me disse que conheceu uma garota. Agora só anda pra cima e pra baixo com essa fulana.
Estevão sorriu.
– Deixa ele. Isso é normal nessa idade.
– Espero que não saia do bom caminho. Uma mulher sempre é capaz de levar um homem a cometer atrocidades.
Alba percebeu que havia desestabilizado o filho.

– Desculpa, Estevão. Eu não queria...
– Tudo bem, tia. — não querendo entrar no assunto.
– Mas me conta... Porque chegou bem humorado? Já sei encontrou Maria...

– Sim, tia. — sorrindo.
– E o que fizeram a noite toda?
Estevão limpou a garganta.
– Fomos passear ao ar livre.
– Hum... — pouco convencida.
Esse era o momento. Sabia que a tia o repreenderia, mas precisava dizer de onde conhecia Maria.

– Tia... E se eu te dissesse que já conheço Maria faz um bom tempo?

– Você a conheceu na festa de noivado dela, não?
– Não... A conheço desde anos... Somos amigos de longa data.
Então ele relatou tudo o que havia ocorrido desde que conheceu Maria até encontrar o livro que, no passado, a havia presenteado.

– Não pode ser! — com a mão na boca, horrorizada. — Meu filho, largue ela enquanto à tempo!

– Não posso tia. — disse, sincero. -Não consigo.
– Você sabe que se seguir adiante com tudo isso, ela acabará sendo sua ruína.

– Não me importo com isso mais. Eu a amo e só desistirei dela quando ela disser que não me quer. Alba se levantou sem dizer uma só palavra e se encaminhou para a cozinha.
Tomou um de seus remédios de pressão, sentindo uma ligeira tontura.

Estevão a seguiu e conseguiu alcancá-la à tempo, enquanto ela desfalecia em seus braços...

– Olha, Rebeca, ela já está despertando! — disse Estevão ao ver que Alba abria os olhos. — Graças a Deus, ela está bem.
– O que aconteceu? — perguntou Alba, confusa.
– A senhora desmaiou. — diz o doutor Ramos. — A pressão caiu.
– Já me sinto melhor... — fazendo menção de se levantar, mas é impedida pelo médico.

– A senhora precisa de repouso. Recomendo que mantenha a calma e tente ao máximo não ter fortes emoções.

– Ultimamente emoção é o que não me falta. — dirigindo indiretas à Estevão.

– Rebeca, por favor, faça um chá de erva cidreira para ela, sim? (não deixando de esclarecer que é médico da família há anos, por isso a familiaridade) — e virando-se para Estevão. — gostaria de falar a sós com você.
– Claro que sim. — Aproximou-se da tia e lhe deu um beijo na testa. — Já volto.
– Não terminamos a conversa ainda. — censurou Alba, mas Estevão já havia dado as costas.
– Vamos. — fazendo um sinal para Ramos segui-lo.
– Até mais, Alba. Cuide-se... — despediu-se o médico.

– Então, o que quer falar comigo? — quando já estavam na sala de conversa.
– É sobre sua tia.
– O que tem ela? — preocupado.
– O coração está muito fraco, e eu temo pela vida dela.
– O que posso fazer para que ela se recupere?
– Evite a todo custo notícias ruins a ela, fortes emoções, porque se continuar passando mal e desmaiando... — ele fez uma pausa. — Ela poderá morrer de infarto.
"Isso é tudo culpa minha", pensou. Se tivesse ficado quieto, isso não teria acontecido.

– Obrigado. — apertando a mão do médico. — Vou cuidar dela melhor. Estevão levou o doutor até a porta e de lá se despediram.
Havia uma parte da casa onde Estevão se refugiava para pensar.

Era parecido a um uma quarto e um escritório ao mesmo tempo.

As paredes eram na cor pastel. O chão inteiro era recoberto de madeira, havia uma lareira à esquerda e duas cadeiras na frente dela. No centro, uma cama ladeada por dois criados-mudos e a frente dessa cama, ao sul, uma enorme porta de vidro que dava vista para o lindo lago que e reluzia sobre a luz da lua nova. Estevão sentou em um sofá-cama que ficava em frente à cama e se pôs a pensar nos dias que se passaram. A imagem de Maria gemendo em sua boca o invadiu, e sua calça sinalizava que seu membro começava a tomar vida. Claro que sentia a enorme vontade de se aliviar, de buscar o próprio prazer, já que assim como Geraldo, estava em abstinência, esperando Maria.

Mas seu principal foco era ela. Faria de tudo para que ela se saciasse. Era essa a prioridade, caso ela o escolhesse.

"Me escolher..." Estevão riu, tristonho. Não podia ficar confiante demais, tão pouco desacreditar no amor que sentia... O segredo que mantinha os separaria. Sabia disso, mas mesmo que tivesse forças não a deixaria. Teve a oportunidade para fazê-lo, mas não conseguiu...

Alguém bateu na porta. Era Rebeca.
– E então? — perguntou Estevão, dando-lhe atenção.
– A senhora dormiu.
– Que bom... — assim teria mais tempo até o próximo interrogatório.

– Carlos já chegou?
– Sim, senhor. Estava agora há pouco no portão, conversando com uma mulher.
– Eu vou falar com ele. Pode ir dormir se quiser.
– Não precisará de algo?
– Não, Rebeca, pode ir.
– Boa noite, senhor.

>>— Maria tomava um banho demorado. Passava as mãos pelo corpo ensaboando-se, lembrando de como Estevão a tocara. Estremeceu ao imaginá-lo tomando um de seus seios em sua boca, e um líquido quente escorreu entre suas pernas.

– Eu devo estar ficando louca! — balbuciou enquanto abria o registro do chuveiro no limite, colocando a cabeça no meio da água corrente para reprimir os pensamentos dos momentos vividos horas atrás.
Era a segunda vez que deixava Estevão dominá-la, e em nenhum momento ofereceu resistência.

A ducha fria não era capaz de aliviar o calor que sentia.
"Meu Deus, será que o amo?" pensou, assustada na possibilidade de estar apaixonada por ele. Se o amava ou não, era uma pergunta sem resposta, mas que ele mexia com ela, era evidente demais.

******


– Precisamos conversar.
– Claro, Estevão. — respondeu Carlos enquanto enxugava o cabelo recém-lavado.
– É sobre sua mãe.
– Aconteceu algo? — preocupando-se.
– Ela desmaiou, mas já está bem.
– Minha nossa! Vou vê-la. — fazendo menção de sair do quarto, mas Estevão o detém. — Ela está dormindo. O médico disse que ela não pode se estressar, tampouco receber fortes emoções. Portanto...

– Sim, sim. — concluindo o raciocínio de Estevão. — Eu não vou sair da linha.
– Assim espero... Mas vem cá, quem é essa garota com que você anda se encontrando?

– Garota, não: Mulher! Se você a visse...
Estevão gargalhou.
– Já 'pegou', foi?
– Estou pegando, primo. — os dois riram. — Queria trazê-la no seu aniversário, pode ser?

– Claro!
– Estevão, a propósito... — lembrando-se da missão dada a ele. — Porque nunca fala comigo de seus relacionamentos?

Estevão passou a mão nos cabelos, nervoso.
– Eu te contei que tinha relações com mulheres em festas e bares que eu ia.

– Sim, mas... E seu passado? Nunca amou ninguém?
– Creio que se dormirmos tarde, amanhã não estaremos dispostos a trabalhar. — desconversando.

– Não vou te obrigar a contar o que não quer. — decepcionado pela falta de confiança. — Mas porque não está saindo à noite? Quero dizer... Você nunca consegue ficar sem mulher.

– Conseguia... Fui acorrentado por uma, meu amigo.
– Não me diga que...
– Sim, isso mesmo. Estevão San Roman está caidinho por uma mulher.

Ambos se puseram a rir, mas Estevão sabia que seu passado retornaria muito em breve e, um dia a verdade seria revelada...

°°°°°°°°°°

Dia seguinte...

– Sério isso? — perguntou Fabiola, virando o rosto para que Carlos não visse a expressão de fúria estampada nele.

– Sim, me confirmou ontem à noite.
– E quem é a... — ela iria maldizer a mulher, mas não o fez para não levantar suspeitas. — felizarda? — limpando a garganta.

– Não me disse, mas que está comprometido... isso está.
– Falou algo mais?
– Não me contou detalhes mas, pelo tom de voz, realmente estava interessado.
– Interessante...– disse ela, mordendo o lábio com tanta força que pôde sentir o gosto do sangue.

– Agora sua amiga jornalista já tem um bom furo, não é? — Fabiola havia dito que uma colega fazia uma pesquisa sobre Estevão para uma coluna social, numa revista.
– Sim... — disse em tom seco. — ela já tem a informação que precisa...
– Eu merecia uma recompensa, não? — aproximando-se dela para mordiscar a orelha.

Fabíola se contorcia de um ciúme possessivo, de alguem que jamais possuiu de verdade. Estevão havia se convertido em uma espécie de obsessão. Queria lançar-se aos pés dele, mas tinha medo de ser bruscamente rejeitada. Só de pensar, sentia-se mal.
"Tudo ao seu tempo, Fabíola", pensou ela enquanto era deitada no sofá por Carlos...

>— Domingo havia chegado.
A mansão San Roman estava repleta de empregados que limpavam minimamente a casa; desnecessário, já que o evento apenas aconteceria no salão de festas da mansão, mas Alba queria que tudo estivesse impecável para o aniversário de 50 anos de seu pequeno.

Os melhores decoradores estavam presentes, realizando toda as as ordens e opiniões expressas por Alba para a futura comemoração.

Ao contrário da tia, Estevão não movia um dedo para falar o que queria ou não queria na decoração. Ele apenas se importava com a convidada especial: Maria!
Imaginava-a de todas as formas, mas nada do que imaginasse chegaria aos pés da real beleza daquela mulher.
Instantaneamente lembrou-se da câmera fotográfica no carro e correu para pegá-la.

Dez minutos depois conectava-a ao computador. No dia do noivado de Maria, ao pedir para ver a câmera, Estevão a jogou no banco traseiro do automóvel. Alegou que era difícil o acesso as fotos, mas a verdade era que não queria que Maria estivesse a par do conteúdo ali contido: Mais de cinquenta fotos dela, onde ela sorria, fechava os olhos, dançava com Geraldo.

Editou as fotos em que apareciam o amigo. A atenção era para ser voltada a Maria e não queria lembrar-se do compromisso dela com o Geraldo. Será que ela viria mesmo? Era a pergunta que fazia a si mesmo.
Salvou as fotos na memória interna do computador e, relutante, desligou a tela.

Era difícil tirar os olhos, mas veria sua musa pessoalmente e resolveu antecipadamente, se arrumar.

●●●●●●●●●
Já no apartamento de Maria...
Geraldo esperava impaciente. Mulheres demoravam a se arrumar, mas igual a Maria, estava para nascer. Duas horas atrás havia ligado para ela, e Maria respondeu que estava se arrumando. Mas era muito cedo ainda. Ao chegar no apartamento, ela o recebia de toalha. Nem sequer havia penteado os cabelos!

Mas ela não mentira sobre estar se arrumando. Durante duas horas experimentou todas as roupas do closet. Selecionou dois vestidos: Um azul turquia e um branco, mas nenhum lhe pareceu adequado, no final das contas.

Percebeu o olhar quente que Geraldo lhe lançara e correu para o quarto. Não queria dar motivos para que ele a agarrasse.

Passou hidratante pelo corpo, e novamente, sua mente a levou para junto de Estevão.

Nunca antes tinha caído na lábia de um homem, mas San Romãn parecia tornar-se o primeiro e isso, ao ponto de vista de Maria, não era nada bom.

Ela própria confeccionou a mascara que usaria e, ao lembrar-se dela, andou em direção ao ateliê, não antes de vestir uma roupa qualquer e verificar se Geraldo a esperava ao pé da porta.

Ao pegar a mascara, virou-se para a arara de roupas, e um vestido lhe arrancou um sorriso. Seria este!

~> ~> ~> 7:00 da noite, Mansão San Roman...

Os primeiros convidados ja apareciam.

Estevão chamou Rebeca ao seu quarto há uma hora atrás, tinha impresso uma foto de Maria e mostrou a governanta, expressando-lhe ordens para que, se caso a convidada aparecesse, lhe chamasse imediatamente. Mas o tempo passava e Rebeca subia, trazendo-lhe más noticias.

Tinha que descer para não fazer desfeita com os convidados, mas que culpa tinha se a única pessoa que lhe interessava naquele momento era Maria?

Ligou para Geraldo e este disse que estavam a caminho. "Graças aos céus!" Pensou Estevão. Ela viria.

Já no salão de festas, pegou uma das taças de champanhe oferecidas por um dos graçons e entornou o liquido de uma só vez, sinal de seu nervosismo.

Carlos chegava acompanhado de Fabiola. A apresentava aos demais como sua namorada.

– Estevão! — exclamou Carlos ao encontrar o primo no salão.

– Olá Carlos. — Olhando para o lado e o vendo acompanhado de uma mulher. — Não nos apresenta?

– Me chamo Fabiola. — Um sorriso de dentes brancos aflorava no rosto dela. Como queria beijar aquele homem!

– Prazer, Fabiola. Me chamo Estevão. Sinta-se a vontade.- estendendo a mão para saudá-la.

Nao era necessário, para ela, uma apresentação. Já conhecia Estevão muito bem. Ele poderia não lembrar dela, mas ela jamais conseguira esquecê-lo desde a noite em que dormiram juntos.

Num determinado dia, Estevão já havia bebido todas, mais bêbado, impossivel.

Fabiola, que o observava de longe, encontrou uma oportunidade para acercar-se dele.

No bar haviam quartos. Ao ver que um deles era desocupado, Fabíola não exitou em levá-lo até lá, onde o seduziu e conseguiu o que mais queria: ser possuída por aquele homem.

Mas como num conto de fadas, seu sonho teve um fim quando o dia amanheceu. Estevão acordou com muita dor de cabeça. Levantou-se da cama e notou que, ao seu lado, uma mulher estava de costas para ele, dormindo.

Como essa cena já havia se tornado clichê, foi embora sem trocar palavra alguma com ela, mas deixando à sua disposicão, dinheiro para a voltar para casa de taxi.

Fabiola, ao acordar e perceber que Estevão não estava ao seu lado, sentou-se na cama e pôs-se a chorar. Foi a primeira vez que havia se entregado a um homem por amor. Observava ao longe, desde muito, aquele homem forte e bonito com outras mulheres à sua volta, e isso a irritava. Amava-o!

'Misteriosamente' seu marido, que ja era idoso, faleceu e a deixou em uma situação financeira muito boa.

Agora usaria de toda a grana que possuía para seduzir Estevão de novo. Ela ainda o teria de volta.

Alba observava Estevão bebendo. Ja era a décima taça que ingeria. Aonde iria parar?

Tentou falar sobre Maria com ele nos úlltimos dias, mas ele esquivou-se de suas perguntas.

Rebeca lhe mostrou a foto de Maria. Era linda, não negava, mas essa mulher seria o fim de seu filho. Tinha que gir como mãe, não podia abandonar Estevão de novo. Mas o que faria?

Estevão desviou o olhar de Carlos e Fabiola quando ouviu alguns murmúrios próximo à entrada do espaço... Era ela!

De braços dados com Geraldo, Maria dava o ar de sua graça. Trajava o vestido preto que Estevão havia gostado em meio a suas criações. Nos ombros, um manto delicado de seda, nas mãos, luvas da mesma cor do vestido, onde na esquerda, trazia consigo uma mascara cinza-mescla, detalhadamente produzida..

O cabelo perfeitamente arrumado em um coque no qual alguns fios estavam soltos, modelando o contorno das maçãs do rosto e dando mais graça àquela criatura estupendamente linda.

Alba, que era telespectadora assídua do nervosismo do filho, sentiu um calafrio percorrer-lhe o corpo. O final da história ainda era desconhecido, mas no seu íntimo podia sentir que uma tragédia estaria por vir, e temeu pela vida de seu pequeno.

Assim que eles adentraram ainda mais o local, Estevão andou a passos largos ao encontro dos dois.

– Até que enfim, Geraldo. Pensei que não vinha mais.

– Calma, Estevão. Lembre-se que assim como você chegou atrasado na minha festa de noivado, eu também cheguei na sua por causa do trânsito caótico... Mas deixe-me te dar os parabéns.

Geraldo puxou Estevão para um abraço.

– Obrigado, Geraldo. — após se separarem.

– Parabéns, Estevão. — disse Maria, abraçando-o.

Foi o contato mais esperado por ambos em dias. O toque quente de Estevão a arrepiou, e isso não passou despercebido por ele, que sorriu em resposta.

– Boa noite Geraldo. — cumprimenta Alba, aproximando-se.

– Boa noite, tia. Já conhece minha noiva? — gesticulando em direção a Maria.

– Não... como vai, meu bem? — perguntou Alba, cordial.

– Estou bem e a senhora?

– Ora, nada de senhora. Pode me chamar de você. — sorrindo para Maria. — Geraldo, poderia me acompanhar até o escritório? Gostaria de falar com você.

– Claro... até mais, meu amor. — Dando um selinho em Maria, e Estevão ficou desconfortável.

– Gostou do que aconteceu naquele dia? — Quando Geraldo já estava longe.

– Que dia? — fazendo-se de desentendida.

– No dia em que te dei seu primeiro orgasmo. — cínico.

– Cale a boca! — censurou-o, sentindo-se envergonhada. E se alguém estivesse ouvindo?

– Ninguém esta a par do que falei. Fique tranquila. — adivinhando o pensamento dela. — Quero dançar com você...vem. — estendendo a mão para ela.

– Eu não vou dançar com você. — disse ela, firme.

– Ah, você vai sim... — segurando uma taça na mão, ele se direciona ao meio do salão. — Peço a atenção de todos, por favor.

A festa estava lotada de gente. Todos os convidados voltaram a atenção ao anfitrião da casa.

– Meus sinceros agradecimentos a todos que vieram comemorar comigo o inicio de uma nova fase na minha vida. Gostaria de chamar para dançar comigo, uma mulher muito linda. — direcionando-se agora para Maria. — Me permite esta dança, senhorita? Não vai fazer desfeita com o cavalheiro, não é mesmo? — arqueando uma sobrancelha.

"Cachorro!" Pensou Maria, que diante do olhar de espera dos convidados, une sua mão à de Estevão e anda com ele até o centro do salão.

Uma música começa a tocar, movimentando-os.

🎶Como un bello amanecer

Tu amor un dia llegó

Por ti dejó de llover

Y el sol de nuevo salió

Iluminando mis noches vacias🎶

– Maria.... já tem um escolhido? — não poderiam adiar o assunto por mais tempo.

🎶Desde que te conocí

Todo en mi vida cambió

Supe al mirarte que al fin

Se alejaría el dolor

Que para siempre seriamos dos🎶

– Sim, Estevão. Já tenho. Mas antes de anunciar minha escolha eu preciso saber se eu não sou como as outras... se você realmente me quer.

🎶Enamorados, siempre de manos,

Eternamente🎶

– Sim, claro que eu quero. — Deslizando os dedos suavemente pelas costas de Maria, impedindo-a de pensar direito.

– Então prove. — desafiou-o, decidida.

– Tudo bem então... tenho uma proposta pra você. — fitando-a com aqueles olhos verdes penetrantes...

– O que quer propor?

Ele continua a olhá-la, enfeitiçando-a, avaliando o grau de curiosidade estampada no rosto dela.

🎶Si no te hubiera conocido

No sé, que hubiera sido de mi

Sin tu mirada enamorada no sé

Si yo podria vivir

Sin el latido de tu corazón

El mundo es más frio

Nada tendria sentido

Si nunca te hubiera

Conocido🎶

Ele aproximou sua boca perto da orelha dela e sussurrou docemente:

– Maria... Casa comigo?

Continua...

Notas finais
Comentem, favoritem, recomendem... Mil beijos e até o próximo capítulo