O Renascer de uma Fúria: Um novo começo
1 Prólogo
Notas iniciais
No começo de tudo, Caos temendo ser morto por seus filhos, guardou em um lugar desconhecido do universo uma centelha do seu poder na tentativa de não morrer. Infelizmente para ele seus filhos eram mais fortes e espertos. Em uma guerra travada pelos primordiais, o universo foi se tornando o que é hoje, planetas foram criados a partir de fragmentos dos primordiais. Um desses fragmentos encontrou a centelha de Caos, felizmente o fragmento se uniu a ele e originou o que hoje conhecemos como Planeta Terra. Anos mais tarde, durante a grande guerra, Cronos recorreu a esse poder em busca de vencer a luta contra seu filho. A centelha de Caos o presenteou com uma menina que lutaria em vitória dos deuses. Éter, o primordial da luz, temia que a centelha de seu pai fosse impossível de controlar e ofereceu aos titãs um pouco do seu poder. Um menino vindo da luz nasceu para lutar ao lado da verdade e servir de controle para a centelha de Caos.
Os titãs não conseguiram controlar tamanho poder e o plano de Cronos havia se tornado a própria sepultura. Com a derrota dos titãs, Éter recolheu o presente dado, Cronos levou para o tártaro a centelha de Caos na esperança de poder controla-la e conquistar o seu lugar sobre a terra. Éons mais tarde, Ares, conturbado com tudo o que estava acontecendo no Olimpo, resolveu descer ao fim do mundo a procura da centelha de Caos. Após uma caminhada que levou dias, Ares finalmente chegou na parte aonde os titãs deixaram repousando a centelha de Caos. Ares ofereceu tudo que tinha na época em troca de poder. A centelha de Caos aceitou a oferta e ofereceu uma menina dizendo que ela traria vitorias no nome do deus da guerra, mas que antes ele teria que provar ser merecedor e controlar a garota. Ares passou anos até que finalmente conseguiu controlar a menina. Chamou-a de Wytorya e passou a conquistar de cidades a reinos, com a ajuda da sua nova "filha". Em um certo dia, dos céus uma bola de fogo caiu exatamente em frente ao templo de Atena. Os deuses saíram assustados para ver o que estava acontecendo e um menino dormia ao redor do chão chamuscado. Atena o acomodou em seus braços e lendo em sua mente viu memorias de um passado distante. Ao olhar para trás, a deusa viu Ares parado com os braços cruzados e seu olhar de repudio. Com o passar do tempo, os deuses decidiram que para proteção do garoto contra as memorias de uma vida passada seria melhor que ele tivesse a memoria apagada. Assim os deuses fizeram, apagaram a memoria dele e o chamaram de Castiel, que mais tarde veio a se tornar o defensor do Olimpo e Wytorya seria a personificação de Ares em batalhas. A ousadia de Ares foi tamanha que em um fatídico dia, Ares ordenou que Wytorya, atacasse o templo de Atenas.
Como era de se esperar, as defesas de Atena não foram páreas para o poder destrutivo de Wytorya, a deusa se viu em frente ao irmão com a espada dele tão próxima de seu rosto que ela podia ver o próprio reflexo suado e assustado devido o cansaço da batalha contra Ares.
— Me destrua! Me mate agora!
— Fácil demais, o que você está tramando?
— Você já derrubou minhas defesas –Disse a deusa ofegante- o que achas que eu ainda posso esconder?
— A deusa da estratégia em batalhas e não tem nenhuma forma de se livrar de mim? Sempre soube que você não era de nada.
Em meio ao derramamento de sangue, um som ecoou pela sala, os assassinos pararam a carnificina e olharam para a única porta fechada, Ares olhou nos olhos da deusa e com um sorriso ela segurou a bainha da própria espada
— Ares, te dou uma chance, me largue e saia ileso... do contrário.....
— Você.... Você armou para mim?
— Não, mas eu sou a deusa da estratégia esqueceu ? Enquanto você me atacava um dos meus homens foram atrás de um amigo meu.
Ares se afastou e do meio de seu exército quase ileso , veio sua filha Wytorya , caminhando calmamente como se nada estivesse acontecendo.
— Algum problema meu senhor e meu pai ?
— Ainda bem que você deu as caras minha cria, me ajude a destruir essa deusa patética.
— Não contaria com isso , lorde ares. –falou Castiel.
Wytorya se virou e correu em direção a Castiel com a arma em punho , quem ali estava assistindo sentiu os ouvindo zumbirem enquanto a espada de Wytorya cortava o ar , quase que imediatamente , Castiel desembainhou sua espada e quase que imediatamente ficou apontou em direção a Wytorya e sem sair do lugar apenas a encarou enquanto ela corria em sua direção.
Os deuses assistiam a luta ao seu modo, Atena com uma cara de preocupação e Ares com um sorriso malicioso como se o vencedor dali fosse ser o seu novo general de guerra. As espadas de Castiel e Wytorya quase eram imperceptíveis, notava-se que tanto Castiel tinha o seu modo de luta como Wytorya tinha um modo mais pesado de batalha, a luta seguia acirrada e não havia nem chances de se julgar quem ganharia de imediato, até que um golpe tirou Castiel da jogada. Ele caiu no chão, longe da espada e com o tornozelo sangrando pois era ali que Wytorya o tinha acertado. Wytorya apontando sua espada ao chão veio caminhando dificilmente, mas ainda sim com um sorriso no rosto, um estreito fio de sangue escorria de um corte que se abria na sua bochecha mas aparentemente ela não ligava. Parada a frente de Castiel, ela posicionou sua espada no pescoço dele e começou lentamente a fazer pressão até ouvir a ordem para que ela parasse, ordem essa que ela obedeceu por ter sido dada por Ares.
— Atena, aceite o meu acordo e me dê suas terras em troca esse cachorrinho viverá.
— Não aceite! Atena eu ofereço minha vida e proteção a ti para que não aceites o acordo! – disse Castiel.
— Não aceito o acordo Ares.
— Nesse caso, Wytorya, entregue a cabeça de Castiel ao meu melhor artesão, talvez possamos aproveitar algo.
Wytorya começou a jogar seu peso para cima da espada, que pouco a pouco ia sendo encravada até q algo a fez parar, uma velha senhora sentada em um batente da sala tricotava algo ridiculamente feio e usava os braços dos cadáveres que ali jaziam para apoiarem suas linhas.
— Não se preocupe comigo. Só estou tricotando. — disse a velha senhora.
—Quem é você? Por que meus homens não a mataram ?
— Bobinha, só você me vê.
—O que está esperando Wytorya? Mate-o -vociferou Ares.
— Saia, está me atrapalhando. — falou Wytorya.
—Vou atender, pois meu cervo chegou.
Por todo o salão ecoava o sons de passos lentos, todos olhavam perplexos para a porta quebrada atrás de um velho homem.
— Ah, o cheiro de guerra, quanto tempo não sinto esse cheiro. Atena, Ares bom ver que vocês ainda não se mataram, ahn o que eu vejo ali, isso sim é uma luta.
Ao ver Wytorya com a espada no pescoço de Castiel, o velho homem caminhou até ela apoiando-se na sua bengala velha e rachada, sentou-se com certa dificuldade e disse sorridente.
— Continue, faz anos que eu não vejo sangue.
— Castiel! Não...
— Cala a boca, não vê que ele já perdeu? – cortou Ares
— Infelizmente meus deuses, os dois estão errados, alguém só perde se desiste. As vezes a própria morte em combate pode resultar a vitória. Mas a desistência em frente aos problemas, essa sim é a pior derrota.
Castiel aproveitando um momento de descuido de Wytorya, que ouvia as palavras do velho homem, pegou a espada de um guerreiro que estava ali perto e atingiu em cheio o peito de Wytorya afastando-a de perto dele. Ao se posicionar totalmente de pé, um caminho de sangue foi formando a partir do corte de seu pescoço, ele riu e disse com confiança.
— Sua lamina pode ter feito isso comigo, mas te garanto que é o máximo que ela irá fazer.
— Não garanto isso, enquanto eu viver , você não estará vivo.
Os dois partiram para o combate novamente, com investidas rápidas Castiel conseguia acertar a armadura de Wytorya e com o cabo acertar a mão de Wytorya na tentativa de desarma-la mas quase todas as vezes ele fracassava , até que com a ajuda de Ares, Wytorya viu a forma de derrotar Castiel. Enquanto a luta era travada, Ares preparou uma armadilha que jogaria Castiel diretamente para o fundo do Tártaro todas as vezes que Castiel passava perto durante a luta ele conseguia desviar até que por um descuido enquanto tropeçava em um guerreiro que jazia, Castiel se viu com a cabeça dentro da armadilha que nada mais era que um gigante ciclone no chão que o sugaria direto para os confins do Tártaro. Castiel se viu sem ação quando notou sua espada caindo diretamente para o olho do ciclone, imediatamente ele tentou se virar para sair dali. Wytorya foi mais rápida e colocou o pé no peito de Castiel e foi empurrando-o pouco a pouco, até que o velho aproximou-se e com os braços cruzados olhou para Castiel e disse.
— Defesa do Olimpo? Serio? Deixa eu te ajudar.
O velho homem caminhou lentamente e reclamando de algumas dores , quando chegou em Wytorya com um movimento da sua bengala , o velho acertou a coxa dela fazendo-a cair no chão e com um toque no queixo dela jogou-a para longe fazendo com que ela quebrasse uma coluna de mármore com o impacto.
Ele caminhou até ela desviando dos corpos e reclamando de uma dor nas costas, quando chegou ele apenas a olhou e apoiando na bengala se inclinou e disse sarcasticamente.
—Como é mesmo o seu nome, doce donzela ?
—Doce Donzela? Para você eu sou General Wytorya filha de Ares.
— General Wytorya? – risos—eu acho que isso vai mudar em breve quando descobrirem que você perdeu para um velho fracote como eu.
Do outro lado da sala , Castiel tentou se levantar e murmurou para o velho.
— Dizer que ela perdeu para o senhor não vai ajudar muito a minha reputação.
— Já cuido de você campeão.
Destruindo qualquer linha de raciocínio que pudesse ser construído , o velho homem estendeu a mão até Wytorya e perguntou se ela precisava de ajuda para levantar , mas não obteve a resposta esperada.
— Para que , o senhor vai me derrubar de novo?
— Confie nesse pobre velhinho.
— Confiaria , se o senhor não tivesse me derrubado com essa velha bengala.
— Minha querida , você terá muito tempo para aprender que a força não está no objeto mas sim em você.
— Então por que usou a bengala para bater em mim?
— Por que eu quis, agora, quer minha ajuda ou ...
— Eu consigo me levantar.
Segurando-a nos ombros , o velho homem trouxe Wytorya até perto de Castiel e mandou-a ajudar ele a ficar em pé.
— Ótimo , agora além de Wytorya vou ter que enfrentar um velho estranho.
— Ei , eu estou aqui para ajudar.
Wytorya parecia ter encontrado a oportunidade que queria e enquanto desembainhava a espada novamente , o velho homem a acertou novamente levando-a ao chão e sarcasticamente ele disse.
— Teimosa você hem... Enfim , ouçam.
— Eu sei quem é você – Disse Ares interrompendo a frase do velho homem- o que você quer aqui?
— Se me deixar falar e todos aqui calarem a boca , talvez eu possa explicar o porquê da minha presença.
— Explique, divino Oraculo da antiga ilha de Creta. – disse Atena com as mãos juntas na altura dos lábios.
— Não ligo para sua presença, quero destruir Castiel – disse Wytorya empunhando a espada.
— Cansei! Querem brigar pois briguem até a morte, as consequências serão de vocês.
Wytorya não deu ouvidos e correu em direção a Castiel que recuperando sua espada preparou para defender o ataque. Quem assistia a luta apenas via o refletir das laminas afiadas e ouvia o ranger do encontro delas. Castiel diversas vezes defendeu as investidas da Wytorya e a derrubava fazendo assim a oportunidade de avançar sobre ela. Em um dardo momento Wytorya defendeu um ataque dado por Castiel que fez a espada dela cair com a lamina cravada no vão do chão. Enquanto Wytorya tentava retirar a espada, Castiel investiu contra a guerreira, mas foi interceptado por Ares que parou o trajeto da Lamina com a armadura do próprio braço. Castiel o olhou atônico e o mandou sair mas Ares não atendeu e se arrumou para ajudar a filha. Estando lado a lado com Wytorya, Ares insultou Castiel a continuar a luta mas ele não obteve êxito de início pois Atena se colocou na frente de Castiel.
— Minha senhora, o que eu faço?
— Nada Castiel , se você avançar você será considerado mais sujo e baixo que o próprio Ares.
— Obrigado pelo elogio, Atena, mas deixe o garoto lutar , ele tem sede por isso.
— Sabemos perfeitamente o porquê ele tem essa sede , você o está influenciando a lutar até a morte.
—Pode ser, é bem provável mesmo , mas quem se importa?
— Castiel não lute!
— O... O Olimpo eu devo proteger, como a minha .... a minha vida....como a minha vida eu o devo guardar.
— O juramen.... Castiel , não precisa seguir essa idiotice.
— Invasores minha senhora. Eu devo...
Atena segurou os braços do guerreiro na tentativa de convence-lo a não seguir adiante, mas nada parecia fazer com que ele mudasse de ideia. Atena, vencida pelo cansaço, usou seu poder de persuasão e o mandou fazer o que achasse certo, ele a olhou como se tivesse entendido o seu pedido. Antes que ele estivesse novamente pronto para o combate, Wytorya investiu contra ele com um ataque certeiro, a lamina dela acertou o peito de Castiel atravessando-o. Ele a olhou sem entender como aquilo acontecera tão rápido e a sangue frio. Wytorya o olhou nos olhos e disse com um sorriso.
— Mais um que se achava forte o bastante para me vencer, morre nas minhas mãos.
Atena correu até Castiel , empurrou Wytorya para longe , ajoelhou-se ao lado de Castiel e segurou-o nos braços, olhou nos seus olhos e pela primeira vez não sabia o que fazer, via a cor em seus olhos fugir junto com a vida dele, sentia seu corpo esfriar e o sangue parar de circular, pela primeira vez ela olhava Castiel e via o medo nos olhos dele, observou o rosto que sempre estava sorridente agora expressar apenas dor e agonia. Para ela foi uma surpresa pois ela sempre o teve como o filho que nunca teria medo, mesmo que ele não fosse seu filho e agora ali diante da morte iminente, ele expressava medo em seus olhos. Aos poucos dos olhos de Castiel escorriam lagrimas, que foram se juntando as lagrimas que escorriam dos olhos da Deusa.
— Não , não Cas... Resista eu posso te levar a alguém para te curar. Eu.... eu posso pedir ao meu pai para....
— Atena, deixe-o partir. Você não detém a chave da morte, nada neste mundo pode ajuda-lo. – disse o velho homem.
— Não! Deve haver.... O senhor .... o senhor sabia disso.
— De fato eu sabia que haveria uma morte hoje.
— Ele....Ele não pode.... Ele é filha da...
— Luz. Ele é filho da Luz. Eu sei, eu o vi nascer naquele dia.
— Filho da Luz? Não pode ser! – Disse Ares com um olhar sombrio.
— Como assim, não pode ser –Disse Atena olhando para Ares.
Ares abraçou Wytorya imediatamente até que segundos após o abraço, Wytorya começou a sentir uma forte dor que a fez gritar sem motivos aparentes, tamanha era a dor que a fez surtar, ela olhou nos olhos do próprio pai e suplicou a morte, que negou apoiando a cabeça da filha em seus braços e caindo ao chão. Em uma ultima tentativa ela tentou cortar o próprio pescoço mas a lamina atravessou sem atingi-la. O velho homem caminhou até o centro da sala e apontando para os dois e disse com uma voz que assemelhava a mil vozes juntas.
— Que hoje seja registrado , Luz e trevas travaram a primeira batalha de muitas, mesmo eu tentado avisar do que poderia ocorrer, eles teimaram da mesma forma, então que hoje seja feita a profecia em que eu digo que Os nascentes da escuridão e da luz que de hoje em diante se enfrentarem novamente em uma luta mortal, em que um mate o outro, o ceifador será marcado com o sangue do ceifado, para que todos saibam o crime que cometera contra o familiar e assim temam até mesmo se alinhar a ele.
Todos em silencio ficaram e nada disseram , apenas ouvia-se o choro reprimido de Atena segurando Castiel. O velho homem andou até ela e disse.
— Seu carinho por esse guerreiro pode salva-lo porem isso merece um sacrifício.
— Qual? Eu faço qualquer coisa por ele.
— Peça a Hera que apague sua memória e depois.... Faça com que ele reviva longe do poder do exército de Wytorya. Assim os dois sobrevivem.
— Como?
— Meu tornado pode leva-lo para longe. – disse Ares em sussurro.
— Mas...
— É a única forma de salvar minha filha e esse insolente.
Atena tomou Castiel nos braços, segurou-o firme o se dirigiu para fora do salão e o ergueu.
— Pai, peço que autorize o transporte de Castiel por entre as nuvens com segurança. Hera, retire sua memoria para que ele possa viver e se curar, para que novamente quando o olimpo precisar ele possa nos salvar.
Em primeiro momento nada aconteceu até que um trovão explodiu no céu, era o sinal que seu acordo foi aceito. Uma luz iluminou Castiel, que por alguns segundos se manteve longe dos braços de Atena. A deusa caminhou até o tornado e antes de joga-lo desejou que os deuses o guiassem. Castiel caía em direção ao fundo do tornado, girou e girou até sumir. Wytorya começara a gemer em sinal de recuperação e fracamente abriu os olhos e começou a se perguntar o que havia acontecido, seu pai o abraçou e disse que nada havia acontecido e que estavam todos bem. Assim que se recuperou quase que por completo, Wytorya começou a reunir partes de sua armadura que havia caído, até que ela nota que uma parte havia desaparecido. Ares caminhou até ela e notou que havia algo de errado com a própria filha, a mesma tinha ganho uma cicatriz em forma de punhal em seu pescoço , no mesmo local que ela apunhalou Castiel, ele a olhou e apenas a abraçou sem nada dizer. O velho homem caminhou até ele e disse.
—Uma hora ou outra você terá que contar que esse punhal é a primeira marca da profecia.
— Na hora certa eu conto, por enquanto deixa ela viver sem saber do que aconteceu.
— Só entenda uma coisa, Ares, a dor vai ser menor se ela souber pela sua boca. Ventos mudarão as folhas cálidas.
— A filha é minha
— A dor também é culpa sua e tudo o que acontecerá em breve, também.
Ω
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