Notas iniciais
Vamos começar a historia? Espero que gostem... Compartilhem com seus amigos... chame todo os semideuses e deuses para acompanhar essa historia..

Deitado numa cama fria de hospital , passei 2 anos em coma tendo intermináveis pesadelos até que para meu alivio finalmente acordei. Era uma noite chuvosa, quando percebi onde estava, tentei me levantar mas meu corpo não me respondia , corri os olhos pela sala e não vi ninguém apenas conseguia ver a imagem de uma arvore seca sendo refletida na parede branca do quarto do hospital. As tentativas foram muitas de emitir algum som, um grito abafado q seja , mas a única coisa que eu conseguia era respirar forte ou fraco. Logo o cansaço da agonia chegou e eu novamente caí no sono. Acordei na manhã seguinte, ainda meu corpo não respondia as minhas ordens , uma enfermeira estava fazendo o exame de rotina , ao me ver acordado ela correu gritando pelo medico que rapidamente acompanhado de mais 3 chegaram com seus estetoscópios frios, me examinaram e foram anotando em um papel em branco que um deles tinha em mãos. Uma moça entrou na sala com cabelos castanhos na altura dos cotovelos , expressão de cansaço e camisa amarrotada , de relance pude ver seus joelhos da calca sujos talvez ela estivesse rezando, mas eu não a conhecia. Ao ver os médicos me examinando , desabou no choro , perguntando aos gritos o que tinha acontecido , com os olhos acompanhei aquela moça ser levada para fora do quarto pela enfermeira que me viu acordar.

Não sei quanto tempo passou , não sei quanto tempo ali eu estava ou quantas vezes aquela enfermeira cm verruga no nariz e um bigode me deu banho, mas eu sabia que eu precisava sair dalí. Por dias eu tentei me mexer mas meus músculos mas cada tentativa era uma nova falha sem contar que ainda tinha aquela moça que sempre ao anoitecer vinha ler historias para mim porem um dia ela deixou de vir e um homem com cabelos grisalhos, olhar fundo e vago, seus olhos castanhos pareciam angustiados, sentou na poltrona que estava encostada na parede , abriu um livro velho e com um sorriso olhou-me e disse.

— Campeão , é bom te ver acordado, só espero que aguente firme , depois de dois anos em coma deve ser ruim acordar sem saber o que aconteceu. Imagino, suponho eu, que tenha uma boa historia para nos contar de como você sofreu aquele acidente, adoro historias e do modo que encontramos você, me alegro por sobreviver, vou adorar te ouvir.

Ver aquele homem sentar naquela poltrona e falar comigo me fez imaginar quantas vezes aquele casal revezava, dia era ele e noite era ela, ou um dia ele e outro ela? O dia passou e o medico chegou para avisar que o horario da visita tinha encerrado mas ao ver o homem ele pigarreou e mudou o discurso.

— Ah senhor, desculpe eu não sabia que era o senhor , perdoe-me.

— Não tudo bem, você está fazendo o seu trabalho e eu o meu.

— O senhor deseja mais algum tempo ou uma cama para passar a noite?

— Muito Obrigado, mas eu vou deixar o campeão descansar, só me diga se há problemas em dormir nessa cadeira.

— Não de maneira alguma , se quiser o hospital paga um hotel aqui próximo para maior conforto.

— Sem bajular Ok, eu vou ficar com a cadeira mesmo, obrigado.

Eu podia ouvir aquela conversa mas não compreendia o porque que o tal medico ficou tão submisso a presença do senhor. Antes do medico sair o senhor chamou-o e com tom de segurança lhe dirigiu um comando.

— Doutor , eu gostaria que o senhor me desse uma forma de garantia me assegurando que esse rapaz receba o melhor tratamento que vocês possam oferecer.

— Senhor, eu posso lhe garantir que estamos fazendo o melhor.

— Tem alguma previsão, frente ao atual estado dele?

— Bom, se ele continuar melhorando assim, vai ser questão de dias para ele acordar totalmente.

Uma força tomou conta da minha garganta , parecia que meu corpo estava juntando as forças que ainda restavam para tentar gritar, meu peito se contraiu, o ar atravessou minha garganta mas apenas um sopro consegui fazer, definitivamente eu estava sem forças e sem memória.

O senhor voltou da conversa com o médico e em seu lugar sentou-se , na cadeira sem ler livro algum começou a narrar uma história, demorei para compreender que a história se tratava dele mesmo. Um dia ele chegou meio triste, puxou a cadeira para próximo da cama e disse.

— Garoto, Campeão, leve o tempo que precisar para se recuperar, não preciso mais de meu dinheiro, a minha felicidade me deixou.

Corri os olhos pelo teto da sala e encontrei a voz dele do meu lado, ele falava cabisbaixo e estava trajado em um terno cinza de risca.

—Um movimento, um olhar , você está melhorando, obrigado.

Pensei em como um movimento inútil desse poderia trazer tanta alegria para ele.

— Não sei se você chegou a conhece-la mas minha mulher ficou nos primeiros meses desse ano, uma mulher feliz alegre e que gostava muito de historias não importava qual gênero bastava apenas ela pegar o livro e abrir para se maravilhar com a historia.

Percebi um pesar em suas palavras , ali não eram ditas palavras ao vento mas sim palavras do coração pintadas com amor de décadas.

— campeão , preciso que saiba, esses dias eu estou indo viajar a negócios, ela não vai poder vir pois...

Olhei para ele quando ele parou de falar, sentado ao meu lado aos poucos o terno foi sendo molhado com gotas de lagrimas, o silencio da sua frase inacabada deu lugar a um choro.

— Olhe, preciso que você saiba , essa manha , minha mulher faleceu de câncer no seio. Ela vinha ignorando-o pois achava que não fosse serio, mas no dia que você acordou pela primeira vez, eu estava no corredor, vi a enfermeira carregar ela até onde eu estava e me explicar que eu teria que não mais deixar ela vir te ver pois o câncer estava avançado, foi um choque para mim saber pela enfermeira. Hoje , ela amanheceu sem vida, estou voltando agora do velório e achei que você precisava saber. Campeão em 2 semanas quero chegar e poder conhecer sua voz pela primeira vez. Quero ouvir outra pessoa me contar historias, como minha amada mulher fazia comigo.

Terminado de dizer aquilo ele se desculpou comigo e disse que não aguentava mais, me abraçou forte e saiu do quarto chorando. Foi a ultima vez que eu o vi. Meses se passaram nunca soube os nomes deles, nem o motivo dele não ter voltado, queria que ele voltasse pois foi por esse homem que eu descobri que fui achado todo machucado na estrada , para ele eu tinha sido atropelado, passou tanto tempo que eu já havia ficado preocupado com ele, porem um dia fugiu aos padrões total do ocorrido no hospital, uma enfermeira veio em uma manhã , abriu a janela e se aproximou de mim, passou a mão nos meus cabelos segurou prendeu seus dedos nos cabelos da minha nuca e me puxou me pondo sentado, sem poder reagir apenas fiquei olhando-a.
Após um momento constrangedor de algumas risadas ela respirou fundo e me segurando pelos ombros ela me olhou nos olhos e com um sorriso no canto da boca disse.
— O sorriso estampado no rosto de um humano pode representar várias coisas. Entre elas, o meu preferido: o ódio. Que lógico, é o que eu sinto em meu peito ao te ver vivo. E sentirei mais ainda enquanto o vejo morrer lentamente pelas minhas mãos.

Já tendo notado que ela não era uma enfermeira , não sabia como reagir , rentei me mexer mais ainda meu corpo não respondia. Enquanto suas mão enroscavam meu pescoço , senti um formigamento percorrer meu corpo. Suas mãos fecharam completamente meu pescoço e ela pois a pressionar meu pescoço e o ar começou a falhar em meus pulmões. Foi ai que algo finalmente aconteceu , uma enfermeira entrou no quarto e ao ver a mulher me enforcando ela saiu em busca de ajuda , quando finalmente a ajuda chegou minha visão já estava ficando turva e ela novamente se pos a falar.
— Agora , a minha recordação.... a fonte de sua lealdade.
Sem muita cerimonia , ela arrancou o lençol de cima de mim , e deslizou o dedo indicador da base do meu pescoço até o centro do meu peito, passou a língua em seus lábios e aproximou o rosto do meu e sussurrou.
— Tão frágil , tão indefeso , você está em minhas mãos.
Ao dizer aquilo ela cravou suas unhas em meu peito , a dor me envolveu como se eu tivesse incendiando e pela primeira vez eu consegui soltar um grito alto e carregado de dor. Enquanto eu gritava , a tal garota foi jogada para além da janela por um impulso incomum. Quando os médicos entraram junto com o segurança do hospital , ao meu redor havia uma nevoa branca, os seguranças correram até a janela em busca de tentar ver se viam alguém mas a única coisa que viram foi uma janela quebrada.
Os seguranças estavam começando a fazer as divisões para tentar encontrar o invasor, mas foram interrompidos pelo medico que cuidava de mim que por alguma razão apenas repetia initerruptamente.

—Não.... não está certo... não!
— O que foi doutor? – falou a enfermeira- o que não está certo?
—Acho que temos um milagre aqui na nossa frente.

Após a dor se extinguir completamente do meu corpo , a sensação de alivio me dominou o sono me conduziu a alguns dias dormindo. Essa poderia ser a coisa mais estranha que me aconteceria mas quando eu estava caminhando para o meu quarto ano no hospital , conheci a filha mais velha do homem que cuidava de mim , Larissa, deveria ter aproximadamente 16 anos mas aparentava ser um pouco mais velha, o homem sempre falou dela , ele se orgulhava por ela ter conseguido morar sozinha ao entrar em uma faculdade na cidade vizinha , ele sempre falou que ela era o motivo do orgulho de vida dele. Ela parecia ser uma copia engraçada dos pais pois após fechar a porta respirou fundo como o pai dela fazia, sentou na velha poltrona que ninguém mais sentara a meses, abriu um livro e colocou sobre suas pernas e disse olhando fixo para o livro.
— Não sei se pode me ouvir – falou levantando a cabeça para minha direção- mas vim porque eu queria conversar com você.
Ela possuía uma voz macia como algodão doce com um tom de entusiasmo que invadia o quarto e dominava os pensamentos, aos poucos meu corpo já estava entorpecido nas ondas daquela voz. Uma simples explicação seria impossível para descrever o que senti, uma complexa descrição seria pouco compreendido com o mesmo valor, mas algo na voz daquela menina fazia com que meu corpo se sentisse renovado outra vez.
— Bom... os médicos disseram que você está reagindo ao tratamento então achei melhor fazer compania? E... acho que a tempos você não ouve uma boa historia.

Com um sorriso e um tom de entusiasmo, elafolheou o livro, bateu em uma página edisse.
— Ah , aqui... essa é minha história favorita, espero que goste. Capitulo l, Avida as vezes nos prega uma peça.