O Renascer de uma Fúria: Um novo começo
3 O reflexo é um dos caminhos para se ver a alma.
Notas iniciais
A poucos metros do prédio eu pude ver o quão grandioso ele era, os vidros refletiam o céu com uma perfeição que poderia ser confundido com uma pintura, a sua base era incrivelmente revestida pela combinação de ouro imperial com o símbolo do edifício todo a diamantes, foi a primeira vez que vi um dragão de diamantes soltando fogo verde, mas o que impressionava eram as grandes portas de cristais com trincos de topázio que abriam automaticamente para o lado interno do edifício como quem convida para entrar. Ao entrar, parecia que éramos levados para um outro local do mundo , no saguão era possível ver miniatura das maravilhas do mundo guardas em caixas de vidro , separadas do contato do público e protegidas por seguranças que só permitiam que visem as obras, seguindo mais a frente , era possível ver a bancada do check-in onde abaixo da grande pedra negra podia-se ver homens entalhados em uma espécie de cerâmica envelhecida , muitos e muitos homens com feições estranhas como se estivessem segurando a pedra negra feita de mármore. Me peguei observando a obra e não me dei conta do rapaz me chamando. Até Larissa me tirar do meu transe.
— Vamos – disse ela me segurando pelo pulso- vamos logo.
Segui ela por um corredor enorme e muito bem decorado, nos rodapés haviam camadas de marfim combinadas estrategicamente com alguns fios de ouro dando mais vida ao marfim e um toque nobre. Ao entrar no elevador, como já era de se esperar, ele era inteiramente iluminado, havia um enorme espelho todo decorado que se estendia até o chão do elevador suas laterais eram feitas com diferentes tipos de pedrarias. Na esquerda interna do elevador ao lado do painel dos andares, que era a coisa mais simples que havia naquele lugar até então pois era uma placa de aço aparentemente inoxidável simples mas bonita ainda sim, haviam alguns quadros de avisos também e na direita da entrada havia um pedaço da história do hotel. Quando eu fui começar a ler, Larissa me avisou que estávamos perto do andar dela e foi me passando alguns avisos como que a casa dela estaria bagunçada porque ela tinha acabado de chegar de uma viagem e não tinha ninguém para a faxina.
Saindo do elevador a tempo de eu enjoar de tanta iluminação e luxo, saímos por um corredor onde todas as portas eram duplas , largas e extremamente brancas, em cada uma estava entalhada a marca do dragão cuspindo fogo para o céu , diferentemente da fachada do prédio, esse dragão era simples, sem muitos detalhes dando a ideia de ser um pouco velho. O apartamento de Larissa era o último do corredor, assim como nos outros a porta dela era Branca e com um dragão entalhado, mas com uma diferença, todas as maçanetas eram de topázio azul e a dela era de uma cor indescritível.
— Eu vou te dar umas roupas que eram do papai , ele nunca usou por não gostar , mas acho que bem combinado vai te servir bem.
— Se não fosse pela situação que atualmente me encontro eu não aceitaria, tu já fez muito pra mim e não sei como te recompensarei.
Ao entrar no quarto senti que o luxo que estava fora , não havia se instalado dentro do apartamento , podendo ser confundido com qualquer apartamento simples da classe média. Larissa me levou para um quarto como uma longa cama , alguns quadros e um espelho que permitia que nos víssemos por completo. Ela me entregou alguns utilitários para banho e ao sair bateu a porta do quarto.
Após o banho , vi que havia uma roupa na cama, após me vestir, me dirigi ao espelho pois havia uma touca vermelha lá , assim que eu coloquei eu me posicionei a uma certa distancia do espelho para tentar me ver por completo. Por não gostar muito da touca, eu fui retirar mas enquanto eu tirava , Larissa apareceu na porta e disse com um sorriso canto de boca:
— Sabe garoto , ainda prefiro você com a roupa do hospital mas vamos lá.... Gostou da roupa ?
— Muito engraçada.....mas eu não gostei da touca.
Larissa se aproximou de mim , abriu meu casaco e disse:
— Deixa o casaco aberto , tu ficas mais bonito assim.
— Bonito é?
— Fica na tua garoto. Alias, qual o teu nome ? tu nunca me disse.
— Meu nome ? – falei caminhando até o espelho- eu não me lembro ainda do meu nome.
Aquela pergunta repentina foi como um choque para mim , eu sempre me perguntei quem eu era mas nunca tinha parado para buscar a resposta. Em frente ao espelho, olhei por alguns minutos para a minha imagem que ele refletia, o cabelo encaracolado castanho claro, olhos azul-mar e pele clara como um creme traziam um toque de pureza a minha aparência mas alguns arranhões no rosto já cicatrizados no meu rosto contrastavam, alguns eu ainda podia sentir eles doendo e cada vez que eu os tocava ou os olhava a dor se intensificava até que eu olhei para o corte em meu pescoço, ao encostar nele senti uma forte dor na base do estomago, imagens sem nexos brotaram em minha mente de forma avassaladora , Larissa correu para me segurar pois eu quase desfaleci. Nos braços de Larissa , sentados no chão eu olhei novamente ao espelho agora com um pouco de medo e com um tom sério eu disse:
— Meu nome ? Castiel Del Blake.
— Como é ?
— Você perguntou meu nome , não foi ? Pois então .... Castiel Del Blake , mas também é só isso que eu lembro ....
Larissa nada disse após eu dizer meu nome , mas mesmo assim ficamos alguns minutos ali sentados no chão enquanto eu me recuperava. Assim que nos levantamos , Larissa olhou para mim e disse que a roupa incrivelmente combinava comigo , eu perguntei o porque e ela riu , se afastou pegou uma escova de cabelo , aproximou da boca e virada para o espelho e disse:
— Voltamos agora com o nosso programa de moda , vamos direto para o novo estilo do momento , com vocês Castiel Blake , para os íntimos ... Cas. Castiel está com uma roupa que remete aos bons tempos do passado com uma perfeita combinação que parece ser feita exclusivamente para ele pois, uma incrível camisa preta salienta um pouco do seu abdômen sem exagero de aperto e a calça o deixa num estilo que remete a um conforto próprio. Destaque para a jaqueta de couro estrategicamente feita em um tom de café, estilo de aviador antigo. Para finalizar uma touca, que na minha opinião esse vermelho não combina com ninguém, mas com você ficou perfeito era como se fosse uma parte sua.
Após longos momentos de risadas com aquela brincadeira , Larissa parou por um instante de rir e sentou na cama e segurando minha mão ela me olhou e disse meio rouca.
— Castiel Del Blake...
— Cas , por favor me chama de Cas.
— Está bem Cas.
Larissa estava deixando transparecer uma expressão de medo e tensão , como se os seus pensamentos estivessem martelando forte em sua cabeça, sentei do seu lado , segurei sua mão, entrelacei seus dedos nos meus e olhando em seus olhos eu disse.
— O que foi Lari?
— Nada é so que .... Você ficou sério quando lembrou do seu nome e....
— Hey, não fica assim, eu fiquei sério porque... nem sei porque acho que foi mais o susto mesmo.
— Mas e se você for.... sei lá um cara perigoso.
— Não acredito que eu seja um cara perigoso , mas se eu for você me mudou.
— Mudei?
— Mudou , nossa , nem sei se tenho amiga na minha antiga vida , mas sei que eu vou levar você pra lá.
— Me promete uma coisa ?
— Qualquer coisa.
— Quando tu lembrar de alguma coisa... Promete me dizer?
— Prometo!
Larissa me abraçou com força , sua cabeça sobre a minha encostada no meu peito , me fez refletir sobre o que ela dissera. E se eu tivesse feito somente o mal no passado e a minha perca de memória fosse um castigo ? A resposta eu não poderia dizer ao certo , a única coisa que eu poderia ter certeza é que eu não ia desistir de descobrir quem eu era, não poderia simplesmente desistir pois já havia muita coisa em jogo e uma delas era Larissa , que se dispôs a me ajudar e não pretendo decepciona-la.
— Hey , tive uma ideia.
— Ideia ? Qual ideia ?
— Vou me trocar e ai eu digo, se prepara senhor apresentador , você vai me substituir no programa de moda.
— Mas eu nem sei nomes de roupas , como eu vou ....
— Use a criatividade.... já venho .
Quando Larissa saiu , puz em minhas mãos a escova e frente ao espelho , eu me encarei por alguns minutos a espera de alguma lembrança infelizmente não tive nenhuma visão , a única coisa que vi foi que a cicatriz em meu pescoço havia desaparecido novamente, quando eu ia encostando na cicatriz , Larissa bate na porta, ao me virar vi apenas o contorno do seu corpo feito nas sombras. Ela caminhou alguns passos e pude ver perfeitamente sua roupa e ela própria .
— Linda. Você está linda –falei entre suspiros.
— A roupa ainda cabe em mim acredita?
— Essa é sua ideia? Porque se for , me arranja um copo com agua....
— Porque ?
— Nada –risos- é só que preciso molhar a garganta pro programa.
Larissa me trouxe a agua e após eu beber ela se posicionou ao meu lado, colocou o braço sobre meus ombros e disse :
— Estou pronta para ser apresentada , pode me chamar Larissa Dublín.
— Voltamos com o nosso quadro de moda. Como podem notar, não sou a maravilhosa apresentadora, mas tenho como explicar o motivo , ela está aqui atrás com uma roupa fantástica, então sem mais delongas com vocês a apresentadora desse programa ainda sem nome, Larissa Dublín, Lari para os íntimos , vem com um porte meio militar , traspassando medo em qualquer um que ouse olhar em seus olhos por muito tempo. O colete é a prova que algo militar pode ser usado de forma estilosa, acompanhado de cintos e fivelas de couro. Seus passos são abrilhantados com um all star que exala tranquilidade e conforto. O único toque feminino que suaviza não somente suas roupas, mas também sua expressão, é a trança loira lateral com uns fios soltos, feitos por alguém que com certeza estava com uma certa pressa.
Larissa me deu um tapa de leve em meu ombro e com uma cara de chateada olhou pra mim pelo espelho e disse:
— Eu não causo medo.
— Eu sei , mas é que você está seria , só quis brincar.
— Ah , então o fujão do hospital tem um senso de humor né....
— Se eu não tivesse fugido do hospital eu não estaria te vendo linda assim.
— Obrigada , mas aqui não tem nada de bonita , essa roupa é meio velhinha.
Passei Larissa para minha frente , encostei minha cabeça em seu ombro e disse serio.
— Ainda dá tempo de desistir dessa loucura.
— Não vou desistir , quero ir até o fim com você.
— Por que ?
— Já te disse que não sei.
— Posso te falar uma coisa ?
Larissa se virou para mim , apoiei meu braço por entre os braços dela e ela segurou em minha cintura e me olhou nos olhos. Meu mundo parou ao olhar para ela , não sabia como dizer o que pretendia , mas as forças foram chegando aos poucos , junto com o nervosismo.
— Não sei como te explicar , mas eu não quero me afastar de você , eu me sinto bem com você.
— Por que?
— Não sei explicar....
— Se fosse outra pessoa eu ia dizer que tinha se apaixonado por mim , já ia te dar um fora , tu é muito chatinho.
— Ah , eu sou chatinho ?
— É , so quer me afastar de ti , não quer que eu vá na sua missão e...
— Hey , isso se chama proteção!
— Ah é proteção , papai não preciso de proteção.
— Mas é teimosa.
— Sou mesmo.
— Pois vai ganhar um abraço apertado para deixar de ser teimosa.
Enquanto eu abraçava Larissa , ela tentava se soltar pois eu também estava fazendo cocegas em sua barriga , nessa brincadeira fomos andando para longe do espelho , escorreguei na escova e com um som seco caímos no chão , Larissa olhou e viu que era a mesmo escova que estávamos usando como microfone e jogou-a para cima da cama.
— Ei apresentador desleixado , você pisou no microfone.
— Espero que ainda funcione.
Nos olhamos por um tempo e então ela disse.
— Mas é besta essa pessoa ....
— Aprendendo com você...
Junto com Larissa tentei me levantar do chão ,ela se apoiou na cama para se levantar , mas antes de conseguir a escova rolou em sua direção assustando-a e fazendo com que ela se jogasse em minha direção fazendo com que novamente caíssemos no chão, não tinha como resistir e caímos no riso novamente, dessa vez ela tinha caído sobre mim com a cabeça encostada no meu peito , quando não mas conseguimos rir , resolvemos recuperar o folego ali deitados em silencio, arrisquei e fiquei passando a mão nos cabelos de Larissa, que quietinha recebia o afago , até que ela disse:
—Seu coração... Ouvir ele batendo me acalma e me traz felicidade.
—Jura? Talvez ele saiba que há alguém especial próximo a ele, só ouvindo ele trabalhar.
—La vem ele querendo me deixar sem jeito.
Olhando nos seus olhos , tomei suas mãos por entre as minhas , deixei meus sentimentos e os impulsos me conduzirem. Meus olhos foram fechando a medida que os dela se fechavam, meu coração dobrou as batidas, aos poucos fui sentindo o calor da sua pele próximo a minha, seu nariz cruzar o meu nariz , sua respiração esquentando nossos lábios, de repente um barulho forte vindo da sala quis nos atrapalhar , ela tentou se afastar mas eu a segurei pela sua nuca , abri meus olhos e a vi em minha frente , seu olhar ziguezagueava entre um olho e outro , ela segurou em minha mão e novamente fomos nos entregando aos sentimentos e novamente , um barulho porem mais alto foi ouvido. Abri meus olhos e olhando para Larissa , nada comentei, mas ela parece ter entendido o que eu pensava.
— Lari, fica aqui , vou conferir.
— Eu vou com você.
— Fica , eu já volto.
— Cas, onde fica a cozinha ?
— A .. cozinha ? No.... fica do lado do ..... entre a ....
— Eu vou com você.
— Mas porque a cozinha?
— Porque fora a sala é o único local com janela para o outro lado do prédio.
Enquanto eu me preparava para me levantar, olhei para minha pequena que estava com uma expressão triste no olhar, ajudei-a a se levantar para irmos conferir o barulho. Antes de sair do quarto ela segurou minha mão, olhei para ela que com uma carinha meio triste disse:
— Desculpa pelo que fiz, foi sem pensar eu sei que não deveria...
— Hey , você tem a liberdade de fazer o que quiser, não precisa se desculpar. E sabe, ali tinha um pouco de minha vontade também.
— Tinha ?
Ao dizer aquilo , senti sua mão suar e gelar junto a minha , coloquei as mãos em sua cabeça e olhando nos olhos dela eu disse:
— Quando tudo isso acabar , prometo dedicar meu tempo somente a você.
— Jura?
— Juro! Mas vamos logo , se for alguém ou essa pessoa é desastrada ou quer destruir sua casa.
Larissa veio me seguindo e me guiando pelo corredor da sua casa, suspeitávamos que o barulho viera de sua cozinha , mas ao chegarmos a porta Larissa notou que a sala não estava com o abajur ligado como havíamos deixado, Larissa murmurou me alertando do que notou. Ao chegar no fim da parede que dava acesso a sala,ouvi algumas vozes familiares minhas e antes mesmo que eu pudesse olhar quem era, a porta dupla da entrada da casa de Larissa , foi aberta aos empurrões. Emmeio a escuridão da sala e a baixa iluminação do corredor por ser meia noite. Tentei recuar mas a sala estava tomada por homens encapuzados e armados, dois deles nos segurou e para evitar que fugíssemos facas estavam apontadas para nossas gargantas. A nossa frente , um dos homens que estavam nas sombras caminhou aluz e aos poucos uma bata branca surgiu, atentei para seu rosto do homem que a vestia e poderia jurar que era o mesmo que cuidou de mim. Mas Larissa foi mais rápida.
— VOCÊ!! – Disse Larissa- O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI?
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